Mortágua é uma vila portuguesa do Distrito de Viseu, situada na província da Beira Alta, região do Centro (Região das Beiras) e sub-região Região de Coimbra, com habitantes.
É sede do Município de Mortágua com de área e habitantes (2011), subdividido em 7 freguesias.Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro: Reorganização administrativa do território das freguesias. Anexo I. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Suplemento, de 28/01/2013. O município é limitado a norte pelo município de Águeda, a nordeste por Tondela, a leste por Santa Comba Dão, a sul por Penacova e a oeste pela Mealhada e por Anadia. Está integrado na Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.
História
Considera-se que, as primeiras comunidades de humanos, se instalaram no actual território de Portugal, há cerca de 1 500 000 anos, assim como no actual território do município de Mortágua. A comprová-lo, está o facto de se terem encontrado, em alguns municípios vizinhos ao de Mortágua, vestígios arqueológicos datados do Paleolítico, principalmente nos municípios de Anadia e da Mealhada. Para além disso, mesmo no próprio município de Mortágua, crê-se que existam vestígios de arte rupestre, na zona norte do município, perto da aldeia de Mortazel, na freguesia do Sobral.
Por volta do ano 218 a.C., os Romanos invadem a Península Ibérica, travando na região do município de Mortágua, numerosas lutas com o povo Lusitano, que aqui habitava anteriormente. Após a conquista da Península Ibérica pelos Romanos, e a posterior "romanização", acredita-se que tenha atravessado o território do actual município, uma estrada romana que fazia a ligação entre o litoral e o interior da região ibérica.
Alguns séculos mais tarde, durante a Reconquista Cristã, após a invasão dos árabes à Península Ibérica, pressupõe-se que Mortágua tenha sido reconquistada algures entre 1058 e 1064 que são respectivamente, os anos da reconquista de Viseu e de Coimbra.
Após a fundação do reino de Portugal (em 1143), inicia-se uma reorganização administrativa, da qual nascem os concelhos. Mortágua recebe o seu primeiro foral em 1192, concedido pela rainha Dulce de Aragão, esposa do rei D. Sancho I. O foral que viria a ser confirmado em 1514, por D. Manuel I, estabelecia todo o modelo administrativo do concelho, como os impostos que os moradores deviam pagar, a forma de aplicação da justiça, etc…
O território do então concelho de Mortágua, não tinha todo o actual município, mas apenas a sede do concelho e algumas localidades adjacentes. O restante território, continuou dividido entre terras pertencentes ao rei (os reguengos), aos clérigos (os coutos) e aos nobres (as honras), uma situação que só seria resolvida nas reformas da administração pública no século XIX.
Em 1810, liderada pelo General Massena, a 3ª Invasão Francesa a Portugal atravessa o actual território do município de Mortágua, marcando-o muito negativamente, devido aos saques, pilhagens e incêndios provocados pelos soldados franceses, que aqui pernoitaram e preparam a batalha do Buçaco, na qual seriam derrotados, pelas tropas anglo-lusas.
Até ao século XIX, quem trabalhava a terra não era o seu dono, mas os moradores, que eram apenas arrendários vitalícios, e que podiam ser expulsos das suas terras e casas se não cumprissem os contratos estipulados com os donatários das terras. No entanto, os donatários sempre foram pessoas de outros locais, e eram muitas vezes desconhecidos pelos próprios trabalhadores, a quem estes sempre foram obrigados, desde a Idade Média, a entregar as suas rendas pela exploração das terras.
Com as reformas da administração, feitas pelos governos liberais, no século XIX, este regime é extinto, assim como as ordens religiosas, cujos bens se tornam património nacional.
Também nesta altura, com a extinção de vários concelhos, o município de Mortágua passa a ter o seu actual território, com a inclusão da freguesia de Almaça, após a sua desagregação do concelho de Óvoa tendo as freguesias restantes deste concelho, sido repartidas pelos municípios de Santa Comba Dão e Penacova.
Na segunda metade do século XIX, o concelho de Mortágua conhece um grande desenvolvimento, com a instalação de numerosas indústrias no concelho, e a abertura de novas vias de comunicação como a estrada entre Mealhada e Viseu (em 1854), e a Linha da Beira Alta entre Figueira da Foz e a fronteira de Vilar Formoso (em 1882).
No século XX, é inaugurada, na década de 1980, a Barragem da Aguieira, que permite o início do desenvolvimento turístico da albufeira e de parte do município. Na mesma década, assim como na década de 1990, a economia industrial do município de Mortágua, sofre uma grave crise, com o encerramento e deslocalização de algumas das suas fábricas.
No início da década de 1990, é inaugurado o IP3, uma via rápida que ligava Coimbra a Viseu, atravessando o município no seu extremo sudoeste. Em meados desta década, é renovada e electrificada a Linha da Beira Alta, passando o município a estar servido por uma linha ferroviária moderna e segura.
Já no século XXI, durante o Inverno de 2003, o município de Mortágua é alvo da atenção nacional pelos piores motivos. Neste ano, uma barragem do município, a Barragem do Lapão, construída poucos anos antes, para permitir a irrigação da várzea de Mortágua, ameaça rebentar durante o seu primeiro enchimento, e se tal viesse a acontecer, algumas das localidades do município, e até a própria vila de Mortágua, poderiam sofrer graves inundações. Conseguiu-se esvaziar a tempo e com segurança, toda a água da barragem, apesar de ter sido necessário demolir algumas das suas estruturas, para que a albufeira esvaziasse mais depressa. Nunca foram apuradas as responsabilidades deste caso, estando a Barragem do Lapão actualmente desactivada e degradada, e o projecto da irrigação da várzea de Mortágua foi suspenso.
Em 2008, o município de Mortágua é visitado pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, que aqui vem para lançar a adjudicação da concessão rodoviária Auto-estradas do Centro. Esta concessão, incluía, entre outros troços, a construção da A24, uma auto-estrada entre Coimbra e Viseu para substituir o IP3 (uma das mais perigosas vias rodoviárias de Portugal), e a A35, uma auto-estrada entre Mira e Mangualde, mas que para já, seria apenas construída entre a Mealhada e Mangualde, para ligar duas das mais importantes vias rodoviárias de Portugal, a A1 (entre Lisboa e Porto) e a A25 (entre Aveiro e Vilar Formoso), mas que, em qualquer caso, atravessaria o município de Mortágua. Apesar do início das obras estar previsto para 2009, até agora, ainda não foi iniciada a sua construção, devido a problemas no concurso público.
Em 2008, a Câmara Municipal de Mortágua, anunciou a construção de uma nova zona industrial no município, que se localizará junto à futura ligação de Mortágua à nova auto-estrada.
Portanto, actualmente, Mortágua é um município que procura um desenvolvimento próspero e equilibrado.
Evolução da população do município
★ Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa tiveram lugar a partir de 1864, regendo-se pelas orientações do Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853. Encontram-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística (INE).
! colspan="16" | Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes |- bgcolor="white" | align="center" | 1864 | align="center" | 1878 | align="center" | 1890 | align="center" | 1900 | align="center" | 1911 | align="center" | 1920 | align="center" | 1930 | align="center" | 1940 | align="center" | 1950 | align="center" | 1960 | align="center" | 1970 | align="center" | 1981 | align="center" | 1991 | align="center" | 2001 | align="center" | 2011 | align="center" | 2021 |- bgcolor="white" | align="center" | 8 313 | align="center" | 9 109 | align="center" | 9 004 | align="center" | 8 834 | align="center" | 9 210 | align="center" | 9 498 | align="center" | 10 268 | align="center" | 11 202 | align="center" | 12 616 | align="center" | 13 024 | align="center" | 11 625 | align="center" | 11 291 | align="center" | 10 662 | align="center" | 10 379 | align="center" | 9 607 | align="center" | 8 963 |- bgcolor="white"
| align="center" | +9,6% | align="center" | +5,5% | align="center" | +2,7% | align="center" | -1,3% | align="center" | -0,1% | align="center" | +3,7% | align="center" | +8,1% | align="center" | +2,7% | align="center" | +2,8% | align="center" | -15,2% | align="center" | +7,7% | align="center" | -3,0% | align="center" | -2,3% | align="center" | -1,7% | align="center" | ''' -6,5%
(Obs.: Número de habitantes "residentes", ou seja, que tinham a residência oficial neste município à data em que os censos se realizaram.)
Número de habitantes por grupo etário INE - http://censos.ine.pt/xportal/xmain?xpid=CENSOS&xpgid=censos_quadros 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 20210-14 Anos 2 564 3 249 3 341 3 074 3 778 4 082 4 231 3 235 2 747 2 097 1 246 1 012 848 15-24 Anos 1 437 1 401 1 434 1 967 1 848 2 062 2 151 2 045 1 880 1 479 1 522 902 70425-64 Anos 3 712 3 852 3 741 4 193 4 597 5 260 5 573 5 275 5 117 5 317 5 416 5 018 4 274= ou > 65 Anos 612 682 667 729 854 975 1 069 1 070 1 547 1 769 2 195 2 675 3 137 (Obs: De 1900 a 1950 os dados referem-se à população "de facto", ou seja, que estava presente no município à data em que os censos se realizaram. Daí que se registem algumas diferenças relativamente à designada população residente)
Freguesias thumb|left|Freguesias do município de Mortágua Freguesias do Município de Mortágua Brasão Freguesia População Área(km²) ? Cercosa 40px Espinho 40px Marmeleira ? Mortágua, Vale de Remígio, Cortegaça e Almaça Valor obtido somando as populações das antigas freguesias que lhe deram origem 40px Pala 40px Sobral ? Trezói
Património
Pelourinho de Mortágua
Personalidades ilustres Senhor de Mortágua
Geminações Mortágua está geminada com:
Figueira da Foz, Coimbra, Portugal (desde 1995) Wormeldange, Grevenmacher, Luxemburgo (desde 5 de Junho de 2004).
Figuras ilustres Tomás da Fonseca (Escritor) Branquinho da Fonseca (Escritor e fundador do Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian) Luís Garcia (Ator)
Lista de Presidentes da Câmara Municipal (desde 1937) ?–1937: Manuel dos Santos Condeixa 1937–1944: António Lopes Fernandes de Abreu 1944–1958: José de Abreu 1958–1965: Artur de Gouveia Leitão 1965–1973: António Monteiro Freire Beirão 1973–1974: Políbio Carvalho 1974–1974: Victor Hugo Miragaia 1974–1975: Albano Morais Lobo 1975–1976: José Augusto de Paiva Tomás 1977–1990: Bráulio Afonso Sousa (PPD-PSD) 1990–2013: Afonso Sequeira Abrantes (PS) 2013–2021: José Júlio Norte (Independente, eleito pelas listas do PPD-PSD) 2021–(atualidade): Ricardo Pardal (PS)
Política
Eleições autárquicas +Data%V%V%V%V%V%VParticipaçãoPPD/PSDPSCDS-PPFEPU/APU/CDUGCECH197652,36425,8219,14 -8,02 -197965,25423,2018,55 -198255,98335,4924,26 -198556,65333,4323,36 -3,54 -198939,61251,7134,17 -1,08 -199335,11257,6132,20 -1,86 -199733,39259,0532,56 -200140,61251,9731,66 -1,24 -200542,17252,2131,53 -200921,81159,99514,0911,43 -201344,37442,4338,01 -0,80 -201747,80345,5022,18 -0,64 -2021(a)61,9031,02 -32,432202533,41248,0430,72 -13,57 -2,10 -(a) O PSD apoiou a lista independente "Renovar Mortágua" nas eleições de 2021.''
Eleições legislativas +Data%PSDPSCDSPCPUDPADAPU/