Nossa História foi a décima e última turnê da dupla brasileira Sandy & Junior. A turnê marca o reencontro da dupla doze anos após sua última série de shows, Acústico MTV, que se encerrou no final de 2007. A reunião foi anunciada em março de 2019 e comemora os 30 anos da primeira apresentação televisionada dos cantores, que aconteceu em 1989.
Com início em julho e encerramento em novembro de 2019, Nossa História teve como intuito reproduzir os grandes concertos da dupla, com estruturas de palco elaboradas, corpo de balé e coreografias, bem como revisitar boa parte de seu repertório.
A turnê se tornou um sucesso comercial sem precedentes no Brasil e, após sua estreia, recebeu críticas positivas. Com 16 datas no Brasil, uma nos Estados Unidos e uma em Portugal, os concertos da turnê acumularam quase 600 mil ingressos vendidos e arrecadaram 120 milhões de reais.
Antecedentes Sandy e Junior fizeram sua primeira performance televisionada no programa Som Brasil, da TV Globo, em 1989. Na época, eles eram mais conhecidos por serem os filhos do cantor sertanejo Xororó, que sugeriu ao então apresentador do Som Brasil, Lima Duarte, uma participação de seus filhos no programa. A apresentação de "Maria Chiquinha" foi recebida com entusiasmo e o áudio da apresentação foi retirado da televisão e começou a tocar em emissoras de rádio. Alguns empresários e gravadoras entraram em contato com o escritório de Xororó e, embora resistentes no início, devido à idade de Sandy e Junior, Xororó e a empresária e produtora Noely Pereira, mãe dos cantores, permitiram que eles assinassem um contrato com a PolyGram. Sandy e Junior se estabeleceram como artistas mirins bem sucedidos durante a década de 1990 e atingiram o auge comercial de sua carreira durante a adolescência, entre o final dessa década e o início dos anos 2000. Álbuns como Identidade (2003) e Sandy & Junior (2006) marcaram um tempo de sua carreira em que eles tinham um maior controle sobre a direção artística de seus projetos. Apesar desses discos terem sido certificados com platina pela Pro-Música Brasil (PMB), eles representaram um declínio comercial para a dupla, vendendo consideravelmente menos que seus projetos anteriores.
Em meados da década de 2000, os irmãos também se dedicaram a projetos paralelos, o que indicava a existência de algumas divergências com relação à direção artística que o duo queria tomar. A própria dupla afirmou que existiam tais divergências, mas que, em seus discos, eles conseguiam combinar seus gostos musicais. Em abril de 2007, eles anunciaram o fim das atividades em dupla, lançando, em agosto, o registro ao vivo Acústico MTV, em CD e DVD. A turnê Acústico MTV chegou ao fim em 18 de dezembro do mesmo ano.Lágrimas e surpresas no último show da carreira de Sandy e Junior Em 2008, Junior integrou a banda Nove Mil Anjos, com a qual lançou um único álbum. No ano seguinte, Junior e os outros integrantes anunciaram o fim da banda. Desde então, Junior se dedica a projetos de música eletrônica e também produziu álbuns e canções de outros artistas. Sandy iniciou sua carreira solo em 2010, com o álbum Manuscrito, que teve Junior como um dos produtores. Junior fez algumas aparições em turnês solo de Sandy, como as turnês Sim (2013-14) e Nós, Voz, Eles (2018-19).Sandy e Junior cantam juntos e relembram sucessos da dupla em noite de apresentação da cantora em SP
Nos anos seguintes, surgiram na mídia diversos boatos de que os cantores se reuniriam para retomar sua carreira como dupla, o que foi negado tanto por Sandy quanto por Junior. Sandy e Junior concederam uma entrevista ao programa Altas Horas que foi ao ar em maio de 2018 e, ao longo da conversa, afirmaram ao apresentador Serginho Groisman que já haviam recebido propostas para retomarem a dupla, mas que isso não estava em seus planos.Serginho presenteia Sandy e Junior ao final do quadro 'Linha do Tempo' O cantor Xororó, pai dos cantores, foi quem mais os incentivou a se reunirem para realizar uma turnê.
Anúncio O jornal Extra noticiou, em janeiro de 2019, que Sandy e Junior fariam alguns shows em comemoração aos 30 anos do início de suas carreiras.Sandy e Junior anunciam show juntos para comemorar 30 anos de carreira? Em 13 de março, aconteceu uma coletiva de imprensa em São Paulo, onde a dupla e os patrocinadores revelaram detalhes sobre a turnê. Durante a coletiva, Sandy e Junior também frisaram que a turnê comemorativa não representa uma volta definitiva da dupla, mas apenas um projeto pontual. Em 2 de abril de 2019, eles realizaram um pocket show em São Paulo durante um evento de uma das patrocinadoras da turnê, a Volkswagen.SANDY & JUNIOR FAZ PRIMEIRO SHOW APÓS ANÚNCIO DO RETORNO DA DUPLASandy e Junior levantam o público em pocket show
Venda de ingressos Os ingressos começaram a ser vendidos no dia 20 de março apenas para clientes do cartão Elo. A partir de 22 de março, foi aberta a venda para o público geral. Após esgotar em menos de 24 horas todos os ingressos da turnê, a dupla anunciou mais dois shows extras, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.Após filas e ingressos esgotados, Sandy e Junior anunciamf> shows extras Dias após o início das vendas, a produtora Live Nation foi notificada judicialmente para que se explicasse sobre supostas irregularidades nas vendas de ingressos online e em pontos físicos. A produtora respondeu dizendo que "limitou a venda a seis ingressos por pessoa" no show de Sandy e Junior, e que "é contra a atividade de cambistas".
Com a alta demanda por ingressos, novas datas foram anunciadas posteriormente.Nossa História: Sandy e Júnior anunciam show em Porto Alegre e mudança em ManausShow de Sandy e Junior em Porto Alegre tem ingressos esgotadosSandy e Junior anunciam mais dois shows em São Paulo Algumas datas de show tiveram seu local alterado para que pudessem comportar mais espectadores.
Desenvolvimento thumb|left|240px|A dupla em 2019 durante um comercial da Elo, uma das patrocinadoras da turnê Durante a coletiva para anunciar a turnê, Sandy e Junior afirmaram: "A gente montou um setlist dos sonhos. E também pegamos setlists dos fãs, stalkeamos eles na internet [...] vai ser um show animado, pra galera dançar. Não vai ser uma coisa intimista, vai ter palco com led, balé..." O diretor do show Nossa História, Raoni Carneiro, disse que a ideia "Não é [fazer] um show documental, que conta historinha. Vai ser moderno." Ele também afirmou: "A primeira grande preocupação que a gente tinha era trazer o sentimento de nostalgia sem necessariamente ser esteticamente nostálgico. Estamos falando de um grande show atual, que o pensamos como atual, e que seja viável [...] [com] uma estética moderna [...] Vamos revisitar o repertório botando-o num contexto moderno. É o momento que a gente vive, não tem razão para nos basearmos apenas nas experiências de trás."
Carneiro também deu a ideia de substituir, na produção visual e de marketing da turnê, o & (a letra 'E' comercial) por triângulos, pois "Não é mais uma dupla, é um projeto específico que dura shows. É a Sandy se reencontrando com o Junior no palco, e vice-versa. Eles decidiram se unir para isso. Por isso, a ideia dos triângulos [...] eles têm todo um histórico de elementos visuais que os marcaram enquanto dupla. Tenho certeza de que, no futuro, todo mundo vai olhar para os triângulos e lembrar que essa foi a turnê especial que fizemos em 2019." Junior explicou que os dois triângulos são a representação de "um hieróglifo que significa “irmãos”. O ‘e’ saiu para mostrar que somos individuais, mas estamos nos juntando agora".Tudo que você precisa saber sobre a nova turnê de Sandy e Junior Vogue. Globo.com Esse mesmo triângulo é um dos destaques do palco montado para a série de shows.Sandy e Junior mostram primeira foto de palco de show em turnê de volta O Estado de S. Paulo A coreógrafa Kátia Barros, que trabalhou com a dupla para a turnê, relembrou os ensaios dizendo: "Foi muito bom vê-los relembrando coreografias, movimentos e se emocionando com aquilo. Mesmo sem dançar boa parte das músicas há anos, muitos movimentos vinham automaticamente. O corpo tem memória e eles fizeram isso quase a vida toda."
Sandy e Junior dividiram a direção artística do concerto, enquanto Junior e Lucas Lima foram responsáveis pela produção musical. Outros produtores e artistas estiveram envolvidos na estruturação do show, como o diretor Celso Bernini. Na cenografia Zé Carratu, light design de Carlinhos Nogueira e para o videografismo um time formado por Studio Curva, Gogacine e o diretor de arte Rafael Conde. Carratu comentou: "Em seis meses de planejamento, elaboramos um cenário que funcionasse como um lego gigantesco, para que atendesse aos locais fechados e aos estádios. [...] O palco de Sandy e Junior pode ser comparado ao de grandes festivais, como o SWU". Os figurinos usados por Sandy foram desenvolvidos pela figurinista Michelly X. Um deles, por exemplo, teve como referência um figurino que Sandy usou durante o concerto que ela e Junior fizeram no estádio do Maracanã, em 2002. 200px|thumb|right|Entrada da exposição Sandy & Junior Experience Um aplicativo homônimo à turnê foi lançado em julho de 2019, sendo disponibilizado na Apple Store e Google Play. Além de informações sobre as datas e locais de show, quem fez download do aplicativo pôde "participar de uma experiência com luzes e imagens" em todas as apresentações. Junto à turnê, uma exposição com entrada gratuita intitulada Sandy & Junior Experience foi instalada em diversas cidades brasileiras. Na exposição, são exibidas imagens, figurinos, prêmios e vídeos em memória a diversos momentos da carreira e vida pessoal dos cantores. Em janeiro de 2020, a exposição chegou a cidade natal da dupla, Campinas, trazendo acervos dos 30 anos de carreira da dupla e os figurinos inéditos da turnê Nossa História.
O último show da turnê, que aconteceu no Parque Olímpico do Rio de Janeiro, contou com a abertura da banda brasileira Melim.
Recepção Crítica A performance de Sandy e Junior, bem como a produção do show, foi recebida com críticas positivas. Robson Gomes, do Jornal do Commercio, disse que eles entregaram um "show impecável e nostálgico" e que "a viagem no tempo foi mais bem feita do que se poderia imaginar". Vinícius Harfush, do Correio, opinou: "Seja pelo show de luzes, pelas artes que animavam o telão, ou pela forte conexão que os irmãos mantém entre si e com o público, [o show] Nossa História entregou o que era esperado [pelos] fãs."
Escrevendo para a Época, Bárbara Libório disse que "No palco, 12 anos depois a voz de Sandy ainda surpreende. A cantora raramente erra uma nota e deixa a todos surpresos e nostálgicos quando consegue, parece que quase sem esforço, alcançar aquelas [notas] mais difíceis [...] se Sandy não erra, por outro lado é Junior quem se sobressai como protagonista. Visivelmente mais solto e relaxado no palco, o cantor reveza no vocal [e nos instrumentos musicais]. E dança — muito bem." Marília Neves, do G1, também destacou a performance de Junior e afirmou que ele "perdeu, definitivamente, o rótulo de 'irmão de Sandy'".
Priscila Morais, do iBahia, elogiou a performance e o "carisma" do duo no palco e descreveu a produção do show como "impecável". Leonardo Torres, do POPLine, descreveu o concerto como "uma aula para nova geração de cantores pop": "Não se trata de uma festa ploc caça-níquel. [...] Esteticamente, é tudo muito sofisticado. [Sandy] e Junior fazem todas as coreografias do passado, sobretudo nos refrões. É mesmo mágico [...] Eles fazem e não é trash."