320px|thumb|Imagem do mundo físico, captada pelo Telescópio Espacial Hubble Em seu sentido mais geral, o termo "mundo" se refere à totalidade das entidades, ao conjunto da realidade ou a tudo o que existe. A natureza do mundo foi conceitualizada de diferentes maneiras em distintos campos. Algumas concepções veem o mundo como único, enquanto outras falam de uma "pluralidade de mundos". Alguns tratam o mundo como um objeto simples, enquanto outros analisam o mundo como um complexo composto por muitas partes. Na cosmologia científica, o mundo ou universo é comumente definido como "a totalidade de todo o espaço e tempo; tudo o que é, foi e será". As teorias da modalidade, por outro lado, falam de mundos possíveis como formas completas e consistentes de como as coisas poderiam ter sido. A fenomenologia, partindo do horizonte dos objetos co-presentes na periferia de cada experiência, define o mundo como o horizonte maior ou o "horizonte de todos os horizontes". Na filosofia da mente, o mundo é comumente contrastado com a mente como aquilo que é representado pela mente. A teologia conceptualiza o mundo em relação a Deus, por exemplo, como a criação de Deus, como idêntico a Deus ou em relação à interdependência entre os dois. Nas religiões, muitas vezes há uma tendência a depreciar o mundo material ou sensorial em favor de um mundo espiritual que é procurado através da prática religiosa. Uma representação abrangente do mundo e de nosso lugar nele, como é comumente encontrada nas religiões, é conhecida como uma cosmovisão. A cosmogonia é o campo que estuda a origem ou criação do mundo, enquanto a escatologia se refere à ciência ou doutrina das últimas coisas ou do fim do mundo.
Em vários contextos, o termo "mundo" tem um significado mais restrito associado, por exemplo, com a Terra e toda a vida nela, com a humanidade como um todo, ou com um âmbito internacional ou intercontinental. Neste sentido, a história mundial se refere à história da humanidade como um todo ou a política mundial é a disciplina da ciência política que estuda questões que transcendem nações e continentes. Outros exemplos incluem termos como "religião mundial", "língua mundial", "governo mundial", "guerra mundial", "população mundial", "economia mundial" ou "campeonato mundial".
Etimologia A palavra "mundo" em português tem origem no latim "mundus", que significa "limpo" ou "asseado". Essa palavra também pode ser usada como adjetivo, dando a ideia de algo "limpo" ou "puro". O adjetivo "imundo" é uma derivação de "mundo", com o significado de "impuro" ou "sujo".
Em português, a palavra "mundo" é usada tanto como substantivo (designando o planeta Terra, o universo, etc.) quanto como adjetivo (designando algo "limpo"), embora este último uso seja menos comum.
Concepções Campos diferentes frequentemente trabalham com concepções bastante diferentes das características essenciais associadas ao termo "mundo". Algumas concepções veem o mundo como único: não pode haver mais do que um mundo. Outras falam de uma "pluralidade de mundos". Alguns veem os mundos como coisas complexas compostas de muitas substâncias como suas partes, enquanto outros sustentam que os mundos são simples no sentido de que há apenas uma substância: o mundo como um todo. Alguns caracterizam mundos em termos de espaço-tempo objetivo, enquanto outros os definem em relação ao horizonte presente em cada experiência. Estas diferentes caracterizações nem sempre são exclusivas: pode ser possível combinar algumas sem levar a uma contradição. A maioria deles concorda que mundos são totalidades unificadas.
Monismo e pluralismo O monismo é uma tese sobre a unidade que só existe uma coisa em certo sentido. A negação do monismo é o pluralismo, a tese de que, em certo sentido, existe mais de uma coisa. Existem muitas formas de monismo e pluralismo, mas em relação ao mundo como um todo, duas são de interesse especial: o monismo/pluralismo de existência e o monismo/pluralismo de prioridade. O monismo de existência afirma que o mundo é o único objeto concreto que existe. Isto significa que todos os "objetos" concretos que encontramos em nossa vida cotidiana, incluindo maçãs, carros e nós mesmos, não são realmente objetos em um sentido estrito. Em vez disso são apenas aspectos dependentes do objeto mundial. Tal objeto mundial é simples no sentido de que não tem nenhuma parte genuína. Por esta razão, também é conhecido como "blobject", já que não tem uma estrutura interna semelhante a um blob (gota em inglês). O monismo prioritário permite que haja outros objetos concretos além do mundo. Mas sustenta que estes objetos não têm a forma mais fundamental de existência, que eles dependem de alguma forma da existência do mundo. As formas correspondentes de pluralismo, por outro lado, afirmam que o mundo é complexo no sentido de que é composto de objetos concretos e independentes.
Cosmologia científica A cosmologia científica pode ser definida como a ciência do universo como um todo. Nela, os termos "universo" e "cosmos" são normalmente usados como sinônimos para o termo "mundo". Uma definição comum do mundo/universo encontrada neste campo é como "a totalidade de todo o espaço e tempo; tudo o que é, foi e será". Algumas definições enfatizam que há dois outros aspectos do universo além do espaço-tempo: formas de energia ou matéria, como estrelas e partículas, e leis da natureza. As diferentes concepções do mundo neste campo diferem tanto em sua noção de espaço-tempo quanto no conteúdo do espaço-tempo. A teoria da relatividade desempenha um papel central na cosmologia moderna e sua concepção de espaço e tempo. Uma diferença importante de seus predecessores é que ela concebe o espaço e o tempo não como dimensões distintas, mas como uma única variedade quadridimensional chamada espaço-tempo. Isto pode ser visto na relatividade especial em relação à métrica de Minkowski, que inclui componentes espaciais e temporais em sua definição de distância. A relatividade geral vai um passo mais além ao integrar o conceito de massa no conceito de espaço-tempo como sua curvatura. A cosmologia quântica, por outro lado, usa uma noção clássica de espaço-tempo e concebe o mundo inteiro função de onda grande que expressa a probabilidade de encontrar partículas em um lugar determinado.
Teorias da modalidade O conceito de mundo desempenha um papel importante em muitas teorias modernas de modalidade, geralmente na forma de mundos possíveis. Um mundo possível é um modo completo e consistente como as coisas poderiam ter sido. O mundo real é um mundo possível, já que o modo como as coisas são é um modo como as coisas poderiam ter sido. Mas há muitos outros modos como as coisas poderiam ter sido além de como realmente são. Por exemplo, Hillary Clinton não ganhou a eleição de 2016 nos Estados Unidos, mas poderia tê-la ganhado. Portanto, há um mundo possível no qual ela ganhou. Há inúmeros mundos possíveis, um correspondente a cada uma dessas diferenças, não importa quão pequeno ou grande sejam, contanto que não sejam introduzidas contradições dessa maneira.
Os mundos possíveis são frequentemente concebidos como objetos abstratos, por exemplo, em termos de estados de coisas inexistentes ou como conjuntos de proposições maximamente consistentes. Deste ponto de vista, eles podem até mesmo ser vistos como pertencentes ao mundo real. Outra forma de conceber mundos possíveis, tornada famosa por David Lewis, é como entidades concretas. Nesta concepção, não há diferença importante entre o mundo real e os mundos possíveis: ambos são concebidos como concretos, inclusivos e espaço-temporalmente conectados. A única diferença é que o mundo real é o mundo em que vivemos, enquanto outros mundos possíveis não são habitados por nós, mas por nossas contrapartes. Tudo dentro de um mundo está ligado espaço-temporalmente a tudo o resto, mas os mundos diferentes não compartilham um espaço-tempo comum: eles estão espaço-temporalmente isolados uns dos outros. Isto é o que os torna mundos separados.
Foi sugerido que, além dos mundos possíveis, também há mundos impossíveis. Mundos possíveis são modos como as coisas poderiam ter sido, então mundos impossíveis são modos como as coisas não poderiam ter sido. Tais mundos envolvem uma contradição, como um mundo em que Hillary Clinton ganhou e perdeu a eleição de 2016 nos Estados Unidos. Tanto mundos possíveis quanto os impossíveis têm em comum a ideia de que são totalidades de seus componentes.
Fenomenologia Dentro da fenomenologia, os mundos são definidos em termos de horizontes de experiências. Quando percebemos um objeto, como uma casa, não experimentamos apenas esse objeto no centro de nossa atenção, mas também vários outros objetos ao seu redor, presentes na periferia. O termo "horizonte" refere-se a esses objetos co-presentes, que são geralmente experimentados apenas de forma vaga e indeterminada. A percepção de uma casa envolve vários horizontes, correspondentes ao bairro, à cidade, ao país, à Terra, etc. Neste contexto, o mundo é o horizonte maior o "horizonte de todos os horizontes". É comum entre os fenomenólogos entender o mundo não apenas como uma coleção espaço-temporal de objetos, mas como incorporando adicionalmente várias outras relações entre estes objetos. Estas relações incluem, por exemplo, relações de indicação, que nos ajudam a antecipar um objeto ao encontrar as aparências de outro objeto, e relações de meio-fim, ou envolvimentos funcionais relevantes para preocupações práticas.
Filosofia da mente Na filosofia da mente, o termo "mundo" é comumente usado em contraste com o termo "mente" como aquilo que é representado pela mente. Isso às vezes é expresso afirmando que há uma brecha entre a mente e o mundo e que essa brecha precisa ser superada para que a representação seja bem sucedida. Um dos problemas centrais na filosofia da mente é explicar como a mente é capaz de cerrar esta brecha e entrar em relações mente-mundo genuínas, por exemplo, na forma de percepção, conhecimento ou ação. Isto é necessário para que o mundo seja capaz de restringir racionalmente a atividade da mente. De acordo com uma posição realista, o mundo é algo distinto e independente da mente. Os idealistas, por outro lado, concebem o mundo como parcial ou totalmente determinado pela mente. O idealismo transcendental de Immanuel Kant, por exemplo, postula que a estrutura espaço-temporal do mundo é imposta pela mente à realidade, mas carece de existência independente de outro modo. Uma concepção idealista mais radical do mundo pode ser encontrada no idealismo subjetivo de Berkeley, que sustenta que o mundo como um todo, incluindo todos os objetos cotidianos como mesas, gatos, árvores e nós mesmos, "consiste em nada além de mentes e ideias".
Teologia