O Escritório Nacional de Reconhecimento (, NRO) é uma agência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e integrante da Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos, responsável por projetar, construir, lançar e operar os satélites de reconhecimento do governo federal dos Estados Unidos. O órgão fornece inteligência obtida por satélite a diversas agências governamentais, especialmente inteligência de sinais (SIGINT) à Agência de Segurança Nacional (NSA), inteligência de imagens (IMINT) à Agência Nacional de Informação Geoespacial (NGA) e inteligência de medição e assinatura (MASINT) à Agência de Inteligência de Defesa (DIA). Em 2023, o NRO anunciou que planejava, ao longo da década seguinte, quadruplicar o número de satélites que operava e aumentar em dez vezes a quantidade de sinais e imagens fornecidos.
O NRO é considerado, juntamente com a Agência Central de Inteligência (CIA), a NSA, a DIA e a NGA, uma das "cinco grandes" agências de inteligência dos Estados Unidos.Intelligence Agencies Must Operate More Like An Enterprise A sede do NRO está localizada em Chantilly, Virgínia,"Contact the NRO " "National Reconnaissance Office Office of Public Affairs 14675 Lee Road Chantilly, VA 20151-1715" cerca de ao sul do Aeroporto Internacional Washington Dulles. Historicamente, o NRO mantém uma relação estreita com a CIA, e agentes e estagiários da agência são frequentemente designados para trabalhar no NRO.
O diretor do NRO responde tanto ao diretor de Inteligência Nacional quanto ao secretário de Defesa.Official NRO Fact Sheet via http://www.nro.gov, accessed March 2012 O quadro federal de funcionários do NRO constitui uma organização híbrida composta por cerca de 3.000 pessoas, incluindo integrantes do quadro próprio do órgão e pessoal da Força Aérea, do Exército, da CIA, da NGA, da NSA, da Marinha e da Força Espacial dos Estados Unidos. Um relatório de 1996 de uma comissão bipartidária descreveu o NRO como detentor, por ampla margem, do maior orçamento entre todas as agências de inteligência e como possuidor de "praticamente nenhum quadro federal de funcionários", realizando a maior parte de seu trabalho por meio de "dezenas de milhares" de funcionários de empresas contratadas do setor de defesa. Desde sua criação, em 1961, a existência do NRO permaneceu sob sigilo e somente foi revelada publicamente em 1992.
Missão O Escritório Nacional de Reconhecimento desenvolve, constrói, lança e opera sistemas espaciais de reconhecimento e vigilância, além de conduzir atividades de inteligência relacionadas à segurança nacional dos Estados Unidos.
O NRO também coordena a coleta e a análise de informações provenientes do reconhecimento realizado por aeronaves e satélites dos ramos das Forças Armadas e da Agência Central de Inteligência. O órgão é financiado por meio do Programa Nacional de Reconhecimento, que faz parte do Programa Nacional de Inteligência, anteriormente conhecido como Programa Nacional de Inteligência Estrangeira. A agência integra o Departamento de Defesa.
O NRO trabalha em estreita colaboração com seus parceiros das áreas de inteligência e espaço, entre os quais estão a Agência de Segurança Nacional (NSA), a Agência Nacional de Informação Geoespacial (NGA), a Agência Central de Inteligência (CIA), a Agência de Inteligência de Defesa (DIA), o Comando Estratégico dos Estados Unidos, o Comando Espacial dos Estados Unidos, o Laboratório de Pesquisa Naval dos Estados Unidos e outras agências e organizações.
História thumb|right|200px|Vista aproximada da coifa de carga útil do Atlas 501 com o satélite NROL-41 — pôster comemorativo dos 50 anos do NRO
Em 1º de maio de 1960, um Lockheed U-2 da Agência Central de Inteligência foi abatido sobre a União Soviética, o que limitou os voos de reconhecimento às áreas próximas das fronteiras soviéticas e levou o Congresso a aumentar o financiamento de sistemas de reconhecimento espacial, como o SAMOS e o Missile Defense Alarm System (MIDAS). Em 10 de junho de 1960, o presidente Eisenhower determinou que o secretário de Defesa Thomas S. Gates reavaliasse as necessidades de inteligência espacial. Concluiu-se que o Samos, o programa Corona e o U-2 constituíam recursos nacionais e deveriam ser organizados sob uma agência civil do Departamento de Defesa, e não sob um único ramo das Forças Armadas. O programa de reconhecimento por satélite da Força Aérea dos Estados Unidos apresentava problemas administrativos e progresso insuficiente. A criação do NRO baseou-se em uma recomendação apresentada ao presidente Eisenhower em 25 de agosto de 1960, durante uma reunião especial do Conselho de Segurança Nacional. A agência deveria coordenar as atividades de reconhecimento da Força Aérea e da CIA e, posteriormente, também as da Marinha e da NSA. Em 31 de agosto de 1960, o secretário da Força Aérea, Dudley C. Sharp, criou o Escritório de Sistemas de Mísseis e Satélites, subordinado ao secretário-assistente da Força Aérea, para coordenar as atividades de reconhecimento de inteligência da Força Aérea, da Agência Central de Inteligência, da Marinha e da Agência de Segurança Nacional. Em 6 de setembro de 1961, o Escritório de Sistemas de Mísseis e Satélites tornou-se o Escritório Nacional de Reconhecimento, assumindo todos os programas de reconhecimento espacial, como o Samos e o Corona. Somente o MIDAS e os satélites de detecção de detonações nucleares Vela permaneceram no inventário de satélites da Força Aérea.
O primeiro programa de satélites de reconhecimento fotográfico do NRO foi o programa Corona, cuja existência foi retirada do sigilo em 24 de fevereiro de 1995 e que permaneceu em operação de agosto de 1960 a maio de 1972, embora o primeiro voo de teste tenha ocorrido em 28 de fevereiro de 1959. O sistema Corona utilizava cápsulas de filme — às vezes mais de uma — lançadas pelos satélites e recuperadas no ar por aeronaves militares. A primeira recuperação bem-sucedida proveniente do espaço, a do Discoverer XIII, ocorreu em 12 de agosto de 1960, e a primeira imagem obtida do espaço foi observada seis dias depois. A resolução inicial das imagens era de oito metros, posteriormente aprimorada para dois metros. Cada imagem abrangia, em média, uma área de aproximadamente . A última missão Corona, a 145.ª, foi lançada em 25 de maio de 1972, e suas últimas imagens foram obtidas em 31 de maio daquele ano. De maio de 1962 a agosto de 1964, o NRO realizou doze missões de mapeamento como parte do sistema Argon, também conhecido como KH-5. Apenas sete foram bem-sucedidas.
Em 1963, o NRO realizou uma missão de mapeamento com imagens de resolução mais elevada como parte do programa Lanyard, também conhecido como KH-6. O programa Lanyard realizou uma missão bem-sucedida.
As missões do NRO posteriores a 1972 permanecem sob sigilo, e partes de muitos dos programas anteriores continuam indisponíveis ao público.
Em 18 de agosto de 2000, o Escritório Nacional de Reconhecimento reconheceu oficialmente seus dez fundadores originais: William Oliver Baker, Merton E. Davies, Sidney Drell, Richard Garwin, Amrom Harry Katz, James R. Killian, Edwin Land, Frank W. Lehan, William Perry e Edward Mills Purcell. Embora o trabalho inicial desses homens fosse altamente sigiloso, os integrantes do grupo posteriormente alcançaram realizações públicas extraordinárias, incluindo os cargos ou distinções de secretário de Defesa, laureado com o Nobel, presidente do MIT, agraciado com a Medalha Nacional de Ciências e renomado cientista da área de ciências planetárias, entre outras.
Existência O NRO foi mencionado pela imprensa pela primeira vez em um artigo de 1971 do The New York Times. O primeiro reconhecimento oficial da existência do NRO ocorreu em um relatório de uma comissão do Senado publicado em outubro de 1973, que revelou inadvertidamente a existência do órgão. Em 1985, um artigo do The New York Times revelou detalhes sobre as operações do NRO.
Apesar da cobertura jornalística sobre a existência do NRO, a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos debateu durante vinte anos se deveria confirmar os relatos. A existência do NRO foi retirada do sigilo em 18 de setembro de 1992 pelo subsecretário de Defesa, por recomendação do diretor da Inteligência Central. O breve comunicado de imprensa não mencionava a palavra "satélite", e a agência somente confirmou vários anos depois que lançava satélites por meio de foguetes.
Controvérsia sobre o financiamento Um artigo do Washington Post, publicado em setembro de 1995, informou que o NRO havia acumulado discretamente entre US$ 1 bilhão e US$ 1,7 bilhão em recursos não gastos, sem informar a Agência Central de Inteligência, o Pentágono ou o Congresso.
A CIA estava conduzindo uma investigação sobre o financiamento do NRO devido a denúncias de que a agência havia utilizado US$ 300 milhões dos recursos acumulados de seu orçamento sigiloso para construir uma nova sede em Chantilly, Virgínia, no ano anterior.
Ao todo, o NRO havia acumulado US$ 3,8 bilhões em financiamento antecipado — equivalentes, após o ajuste pela inflação, a US$ bilhões em . Como consequência, os três sistemas contábeis distintos do NRO foram unificados.
A existência da nova sede sigilosa foi revelada pela Federação de Cientistas Americanos, que obteve cópias não confidenciais das plantas apresentadas com o pedido de licença de construção. Após os ataques de 11 de setembro, essas plantas aparentemente foram classificadas como sigilosas. Os relatos sobre a existência de um fundo secreto do NRO eram verdadeiros. Segundo Jeffrey Smith, ex-consultor jurídico-geral da CIA que liderou a investigação: "Nossa investigação revelou que, durante anos, o NRO havia acumulado valores muito substanciais como um 'fundo para emergências'".
Future Imagery Architecture Em 1999, o NRO iniciou com a Boeing um projeto de US$ 25 bilhões, denominado Future Imagery Architecture, destinado a criar uma nova geração de satélites de obtenção de imagens. Em 2002, segundo documentos do NRO, o projeto estava muito atrasado e provavelmente custaria entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões a mais que o planejado. O governo prosseguiu com os esforços para concluir o projeto, mas, após outros dois anos, várias comissões de avaliação e bilhões de dólares adicionais em despesas, o projeto foi cancelado no que uma reportagem do The New York Times classificou como "talvez o fracasso mais espetacular e dispendioso nos cinquenta anos de história dos projetos estadunidenses de satélites espiões".
De meados da década de 2000 ao presente
Em 23 de agosto de 2001, Brian Patrick Regan, funcionário civil da TRW que trabalhava no NRO, foi preso no Aeroporto Internacional de Dulles, nos arredores de Washington, enquanto embarcava em um voo para Zurique. Ele carregava informações codificadas sobre instalações de mísseis iraquianas e chinesas, além dos endereços das embaixadas da China e do Iraque na Suíça e na Áustria. Foi condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional por oferecer a venda de segredos de inteligência ao Iraque e à China.
Em janeiro de 2008, o governo anunciou que um satélite de reconhecimento operado pelo NRO realizaria, nos meses seguintes, uma reentrada não planejada e descontrolada na atmosfera terrestre. Especialistas amadores em observação de satélites afirmaram que provavelmente se tratava do USA 193, construído pela Lockheed Martin, que apresentou uma falha pouco depois de entrar em órbita, em dezembro de 2006. Em 14 de fevereiro de 2008, o Pentágono anunciou que, em vez de permitir que o satélite reentrasse de maneira descontrolada e ainda inteiro, ele seria abatido por um míssil disparado de um cruzador da Marinha. A interceptação ocorreu em 21 de fevereiro de 2008 e fez com que o satélite se fragmentasse em várias partes.