Cabinda, também conhecida pelo nome Chioua, é uma cidade e município de Angola localizada na costa do Oceano Atlântico, capital administrativa da província de Cabinda.
Segundo as projeções populacionais de 2018, elaboradas pelo Instituto Nacional de Estatística, conta com uma população de 699.053 habitantes e área territorial de 1 823 km², sendo o município mais populoso da província e o nono mais populoso da nação.
Surgida na cercania do ano de 1490, a formação de Cabinda deu-se, principalmente, pela sua geografia (baía de Cabinda) permitir a construção de um movimentado porto. Em seguida, ter se tornado uma feitoria portuguesa em 1620 e passar a ser uma fortificação portuguesa em 1783 colaboraram para que uma classe político-militar e serviços administrativos se concentrassem, lhe garantindo uma zona de influência. No entanto, foi a partir de 1887 quando tornou-se sede de circunscrição administrativa, capital do distrito do Congo (atual província do Uíge) e do Protetorado do Congo Português foi que Cabinda efetivamente tornou-se a cidade polo desta área. Em 1919 finalmente torna-se capital da província de Cabinda, sendo elevada a categoria de cidade em 28 de maio de 1956. Após a independência angolana, permeneceu com seu estatuto de capital provincial.
Etimologia Segundo o historiador e padre Joaquim Martins, o nome "Cabinda" tem origem da junção do termo "Mafuca" com o nome próprio "Binda", onde a aglutinação da última sílaba da palavra "Mafuca" — que nos antigos reinos de Loango, Cacongo e Angoio-Nagoio era uma espécie de intendente-geral do comércio e dignatário do rei que, em nome deste último, tratava de todas as transações comerciais — junta-se a "Binda", que era o nome do "Mafuca" naquela época. Este intendente-geral do comércio de nome Binda era, portanto, um importante funcionário público que tratava questões de interesse dos reinos nativos com os portugueses.
No século XIX, a cidade foi denominada também como "Porto Rico", "Vila Amélia" e "Palmar".
Chioua Chimuisi, outra designação dada a cidade de Cabinda, provém de Tchowa, que significa "grande mercado de peixes", nome registrado para a localidade no início da era colonial, quando ainda era somente um vilarejo de pescadores, e; Tchimuisi, referente a uma lenda de uma sereia que habitava os arredores de Chioua.
História Em 1490 Cabinda resumia-se a um pequeno povoado de pescadores e caçadores que vivia a beira-mar. A partir das cercanias de 1530 torna-se a mais importante saída marítima do reino de Cacongo, um dos Estado confederados do reino do Congo.
A partir do século XVII Cabinda paulatinamente foi tornando-se uma localidade comercial, com a presença de uma feitoria portuguesa na área em 1620 para negociação de escravos, de panos lubongo, de sal e de madeira. A feitoria no povoado era tão vital que justificou a Expedição de Cabinda, em 1723, onde uma aliança luso-brasileira investiu contra as posições britânicas e as derrotou.
Em 1783 os portugueses costuram um acordo com as autoridades de Cocongo para a construção do Forte de Santa Maria de Cabinda. O forte acabou por ser destruído no ano seguinte após uma incursão conjunta de Angoio, Cacongo e França. O ataque foi bem sucedido, mas trouxe um período de instabilidade para a localidade até o final das Guerras Napoleônicas, quando o reino do Angoio iniciou o processo de fragmentação política e se afastou da cidade de Cabinda. miniatura|200px|esquerda|Aspecto de cubatas em Cabinda no ano de 1890 O fim definitivo do embarque de escravos pelo porto cabindense, na década de 1840, expôs as dificuldades financeiras do reino Cacongo, que passou a depender cada vez mais do comércio com a Fortaleza de Cabinda e do movimentado porto peixeiro, de tecidos, de sal e de madeira que havia na localidade.
Em 1883 Cabinda já havia se transformado em uma importante vila marítima e comercial no Oceano Atlântico para a África Ocidental Portuguesa, em uma calma baía, ponto vital de navegação nas proximidades da desembocadura do rio Congo. Até o final do século XIX a área que atualmente equivale ao interior do município era extremamente pobre e insalubre, fato que fazia agregar cada vez mais população na faixa costeira. O aumento do comércio portuário favoreceu o desenvolvimento urbanístico, as trocas de mercadorias relacionado com a atividade marítima e outros serviços auxiliares.
Em 1 de fevereiro de 1885, a sete quilômetros ao norte do centro da cidade, onde hoje se encontra um monumento, foi assinado o Tratado de Simulambuco, onde a região de Cabinda foi reconhecida oficialmente como protetorado português. Em 1885, passou a ser designada Porto Rico.
Em 1887 Cabinda passou a sede de circunscrição administrativa. Em 31 de maio de 1887 a vila de Cabinda passa sediar, simultaneamente, a capital do recém-criado "distrito do Congo" (atual província do Uíge) e do "Protetorado do Congo Português". Em julho de 1890 foi elevada à categoria de vila, ocorrendo, em 1896, a mudança de seu nome para Vila Amélia.
Mantém a condição de capital das duas entidades até 1917, quando ocorre a transferência da sede distrital para Maquela do Zombo e absorção jurídica completa do protetorado e sua subsequente extinção. Em 1919 a vila de Cabinda torna-se a capital do distrito de Cabinda (atual província de mesmo nome).
Foi elevada a categoria de cidade em 28 de maio de 1956, através do despacho legislativo nº 2.757, proposto pelo então governador português do distrito do Congo, Jaime Pereira de Sampaio Forjaz de Serpa Pimentel. A categoria de cidade estava mais adequada ao figurino jurídico-administrativo de sede de distrito provincial. A partir deste ano a cidade passou a concentrar os serviços de apoio à governação, as juntas locais, as comissões municipais e a câmara municipal, transformando o panorama cabindense. miniatura|200px|esquerda|Gabinete Local de Cabinda, os escritórios de trabalho dos deputados cabindenses eleitos para a Assembleia Nacional de Angola, em 2024 Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 em Portugal, a cidade ficou sob controle do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) durante a campanha militar Miconje-Cabinda. Em 1975, nas vésperas da independência nacional, ocorreram intensos combates na batalha da fronteira Antó-Iema contra as forças conjuntas da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e do Exército Zairense. Ao que conseguiram repelir a entrada na fronteira, as forças do MPLA passaram aos combates da batalha do Morro do Chizo, na zona sul da cidade de Cabinda, contra a unidade da FNLA, que estava nas margens do rio Lucola, vencendo os rivais. A cidade de Cabinda, assim, concentrou os maiores esforços militares da guerra na província entre 1974 e 1976, principalmente na batalha do Morro do Chizo, passando a ser um ponto fortemente guarnecido em termos militares, sendo a principal base das Forças Armadas Angolanas no Conflito de Cabinda.
Após a vitória do novo Estado angolano em 1976, o Conflito de Cabinda afastou-se da capital, ficando resumido a ações pontuais nas proximidades da fronteira com o Congo-Quinxassa. Para demonstrar a capacidade de organização e integração da cidade, o governo angolano realizou em Cabinda e outras três capitais provinciais angolanas em fevereiro de 1976 a I Jornada Desportiva de Solidariedade Anti-Imperialista, o primeiro evento desportivo que Angola participaria com suas equipas e selecções e também o primeiro evento internacional a ser realizado em Angola (recebendo atletas e delegações de 6 países).
Em 21 de abril de 1990, após mais de uma década de relativa calmaria, um ataque terrorista com granadas ocorreu num mercado na cidade de Cabinda, ferindo 24 pessoas. A Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (FLEC) reclamou a autoria.
Em julho de 1999 Cabinda sediou, pela primeira vez, um evento desportivo continental, sendo o Campeonato Africano de Basquetebol Masculino (Afrobasket '99), onde a Seleção Nacional Masculina foi campeã. Outro evento desportivo relevante realizado na cidade foi o Campeonato Africano das Nações de 2010, uma competição continental centrada na maior e mais moderna estrutura cabindense de desporto, o Estádio Nacional do Chiazi. Porém, a FLEC aproveitou a oportunidade para levar a cabo um ato terrorista, atacando o autocarro que fazia o transporte da selecção do Togo, matando o motorista, um membro da equipe técnica e um jornalista.
A reforma administrativa-territorial de 2024 fez Cabinda ceder parte do seu território para criar os municípios de Liambo e Angoio.
Geografia O município tem 1823 km², sendo que sua principal referência geográfica é a enseada-baía de Cabinda, que cobre quase toda a faixa litorânea da cidade. É limitado a norte pelo município de Liambo, a leste pelo Congo-Quinxassa, a sul pelo município de Angoio, e a oeste pelo Oceano Atlântico. A cidade encontra-se situada nas coordenadas 5° 33' sul e 12° 12' leste, a 24 metros de altitude.
O município é dominado pela ecorregião das "savanas e florestas de escarpa angolanas", com porções de "florestas equatoriais atlânticas" nas zonas mais ao leste.
Forma, com os municípios de Angoio, Liambo e Tando Zinze, a virtual "Região Metropolitana de Cabinda".
Clima
Subdivisões Até setembro de 2024 o município de Cabinda estava dividido em três comunas: Cabinda (a cidade-sede do município), Malembo e Tando Zinze. Em 5 setembro de 2024, parte do município de Cabinda foi desmembrado para dar origem aos municípios de Angoio, Liambo e Tando Zinze.
Após a subdivisão, a cidade ficou organizada nos seguintes bairros: Centro, Ponta do Farol, A Vitória é Certa, Lombo-Lombo, Luvassa, 1 de Maio, Mongo Balança, Povo Grande, Ambaca, Baixa da Cidade, Resistência, Lúcio Tchiweka, Morro do Chizo, Zangoio, Mangue Seco e Emcica.
Demografia O município tem 699.053 habitantes e área territorial de 1 823 km², sendo o município mais populoso da província e o oitavo mais populoso da nação. Para efeitos de comparação da elevada explosão demográfica, no censo realizado em 15 de dezembro de 1970, a localidade possuía habitantes. Da população do município, 46,8% são homens e 53,2% são mulheres.
A população de Cabinda é majoritariamente da etnia congo, do subgrupo étnico ibinda, coexistindo com minorias de ambundos, ovimbundos e chócues, estes vindos de fluxos migratórios do dinamismo econômico do petróleo e pelos deslocamentos nacionais causados pelas guerras. Ainda há subgrupos luso-angolanos, migrantes quinxassa-congoleses, brazavile-congoleses e chineses. Essa formação diversa faz com que a cidade de Cabinda tenha configuração demográfica cosmopolita única dentro da província.
A língua falada na cidade é o português, coexistindo com o ibinda ou fiote.
Economia Na economia primária, há uma grande quantidade de habitantes da cidade e do município vinculados a atividades pesqueiras (marítima e fluvial), marisqueiras e na agricultura de regime de campesinato. O extrativismo vegetal concentra-se na extração de madeira.
A indústria da cidade de Cabinda concentra-se na construção civil, na fabricação de bebidas e de óleos culinários. Possui, ainda, uma base no comércio e nos serviços, pautada principalmente em uma grande oferta de atividades do setor público, além de uma enorme oferta de serviços financeiros, que a tornam o grande referencial político-financeiro-econômico provincial. O comércio de retalhos e venda por grosso cabindense fornece produtos variados para todo a província. A hotelaria e o turismo são outras atividades que geram importante massa salarial para a economia da cidade.
A logística de transportes, por sua vez, tornou-se o grande motor econômico da cidade após a reforma administrativa-territorial de 2024, sustentando-se no porto de passageiros e cargas alimentícias, no único aeroporto internacional provincial e em sua boa rede rodoviária. O porto, particularmente, soma para a economia da cidade a indústria da estalagem de embarcações.
Cultura e lazer Manifestações culturais