Henrique III ( – ), apelidado de "o Negro" ou "o Piedoso", foi o Imperador Romano-Germânico de 1046 até sua morte, além de Rei da Itália e Borgonha a partir de 1039 e Rei dos Romanos começando em 1028. Era filho do imperador Conrado II e sua esposa Gisela da Suábia.

Seu reinado foi marcado pela tentativa de reformar a Igreja e por seu uso de investiduras laicas para atingir objetivos políticos e religiosos. Sua política continuou sob seu filho e sucessor, Henrique IV, e levou ao conflito conhecido como a [questão das Investiduras].

Infância e ascensão ao trono O primeiro tutor de Henrique, foi Bruno, Bispo de Augsburg. Com a morte de Bruno em 1029, Egilbert, Bispo de Freisibg, foi nomeado para o seu lugar. Em 1033, com a idade de dezasseis anos, Henrique atingiu a maioridade e Egilberto foi compensado por seus serviços. Em 1035, Adalbero, duque da Caríntia, foi deposto por Conrado, mas Egilberto convenceu Henrique a recusar essa injustiça e os príncipes da Alemanha, tendo elegido legalmente Henrique, não reconheceriam a deposição a menos que seu rei também o reconhecesse. Henrique, de acordo com a sua promessa a Egilberto, não consentiu com o ato de seu pai e Conrado, estupefato, caiu inconsciente após muitas tentativas de convencer Henrique. Ao recuperar-se, Conrado ajoelhou-se diante de seu filho e exigiu o consentimento desejado. Egilberto foi severamente penalizado pelo imperador.

Em 1036, Henrique casou-se com Gunilda da Dinamarca, filha de Canuto, o Grande, rei da Dinamarca, Inglaterra e Noruega, através de sua esposa Ema da Normandia. Desde o início, o pai de Henrique havia combinado com Canuto para que ele governasse algumas partes do norte da Alemanha (Kiel) e, por sua vez, para que seus filhos se casassem. O casamento ocorreu em Nijmegen na idade legal mais precoce. Em 1038, Henrique foi chamado para ajudar seu pai na Itália, e Gunilda morreu na costa do Adriático durante a viagem de volta (da mesma epidemia com que Hermano IV da Suábia morreu). Em 1039, seu pai também morreu, e Henrique tornou-se o único governante e imperador in spe.

Reinado

Após a morte de Conrado Henrique passou o seu primeiro ano no poder numa viagem pelos seus domínios. Ele visitou os Países Baixos para receber a homenagem de Gotelo I, Duque da Alta e Baixa Lorena. Em Colónia, juntou-se a ele Hermano II, arcebispo de Colónia, que o acompanhou a si e à sua mãe à Saxónia, onde ele deveria construir a cidade de Goslar da obscuridade à grandiosidade imperial. Ele tinha uma força armada quando entrou na Turíngia para se encontrar com Ecardo II, marquês de Meissen, cujos avisos e conselhos ele desejava sobre os recentes sucessos do duque Bretislau I da Boémia na Polônia.

Apenas uma embaixada boémia com reféns aplacou Henrique e ele desfez seu exército e continuou a sua viagem. Ele passou pela Baviera, onde, após sua partida, o rei Pedro Urseolo da Hungria enviou grupos de ataque à Suábia. Lá, em Ulm, ele convocou um Conselho de Príncipes no qual recebeu o seu primeiro reconhecimento da Itália.

No regresso a Ingelheim foi reconhecido por uma embaixada da Borgonha e Ariberto, arcebispo de Milão, a quem apoiara contra seu pai. Esta paz com Ariberto curou a única ferida aberta no Império. Enquanto isso, em 1039, enquanto percorria seus domínios, Conrado, sucessor de Adalbero na Caríntia e primo de Henrique, morreu sem filhos. Henrique, sendo seu parente mais próximo, herdou automaticamente esse ducado também. Ele era agora um triplo-duque (Baviera, Suábia e Caríntia) e triplo-rei (Alemanha, Borgonha e Itália).

Controlo da Boémia A primeira campanha de Henrique como único governante ocorreu em 1040 na Boémia, onde Bretislau permanecia uma ameaça, especialmente por via das incursões de seus aliados húngaros. Em Stablovice, após estabelecer a reforma de alguns mosteiros, Henrique convocou o seu exército. Em julho, encontrou-se com Ecardo em Goslar e juntaram as suas forças em Ratisbona. Ele partiu a 13 de agosto, mas foi atacado e a expedição terminou em desastre. Apenas quando libertou vários reféns boémios, incluindo o filho de Bretislau, os alemães conseguiram a libertação de seus camaradas e o estabelecimento da paz. Henrique recuou rapidamente, com uma pequena fanfarra, preferindo ignorar a sua primeira grande vitória. No regresso à Alemanha, ele nomeia Suidger, Bispo de Bamberg, que seria mais tarde o Papa Clemente II.

Primeira campanha húngara Em 1040, Pedro da Hungria foi deposto por Samuel Aba e fugiu para a Alemanha, onde Henrique o recebeu bem apesar da antiga inimizade entre eles. Bretislau ficou assim privado de um aliado, e Henrique renovou os preparativos para a campanha na Boémia. A 15 de agosto, ele e Ecardo partem mais uma vez, exatamente um ano após a sua última expedição. Desta vez ele saiu vitorioso e Bretislau assinou um tratado de paz em Ratisbona.

Henrique passou o Natal de 1041 em Estrasburgo, onde recebeu emissários da Borgonha. Ele viajou até lá no novo ano e dispensou justiça conforme o necessário. No regresso, ele ouviu, em Basileia, sobre as incursões na Baviera do rei da Hungria. Em Colónia, Henrique convocou os príncipes reais, que por unanimidade declararam guerra à Hungria. Após ter enviado uma delegação de casamento a Inês de Poitou, estabeleceu-se em Setembro de 1042 e afortunadamente subjugou os territórios ocidentais da Hungria. Aba fugiu para os seus estados orientais, com Henrique a instalar um primo como governador, que foi, contudo, rapidamente afastado após a retirada do imperador.

Após o Natal, na residência imperial preferida, Goslar, recebe convidados estrangeiros. O Duque Bretislavo aparece em pessoa, uma embaixada de casamento de Kiev é despachada e os embaixadores de Casimiro I da Polónia são rejeitados já que o Duque não apareceu pessoalmente. Henrique parte para a fronteira francesa perto de Ivois, a fim de se encontrar com o Rei Henrique I de França, mais precisamente para discutir o casamento iminente com a princesa da Aquitânia. De seguida, Henrique volta à Hungria e força Aba a reconhecer os territórios Danubianos, uma antiga doação de Estevão I da Hungria, pro causa amicitiae (por amizade). Estes territórios tinham sido cedidos à Hungria após a derrota de Conrado II em 1030. Esta fronteira manteve-se entre a Hungria e a Áustria até 1020.

Promoção de Speyer Gisela, mãe de Henrique, morre em março de 1043. Ela foi solenemente sepultada em Speyer. O rei aparece de pés descalços, em lágrimas, e manto de penitente no funeral, de braços cruzados, atira-se ao chão na frente da multidão e leva todos às lágrimas. Com a emulação da abnegação de Cristão humilde, ele tenta provar a sua habilidade para manter um reinado piedoso. Henrique promove Speyer agora mais do que seu pai Conrado. Pouco antes de partir para Itália, ele dota a igreja comum magnifico livro ilustrado do evangelho, chamado Codex Aureus Escorialensis, também conhecido como o Evangelho de Speyer. O Domo de Speyer foi gradualmente estendido durante os anos seguintes e um grande sector de sepulturas foi criado para futuros governantes e continuidade real.

Em Outubro de 1043, Henrique, exibindo profunda piedade pessoal, anuncia do púlpito da Catedral de Constança que a Paz de Deus tem de ser respeitada em todos os seus reinos todos os dias. Este dia será lembrado como o "Dia da Indulgência" ou "Dia do Perdão". Henrique garante indulgência universal e perdão enquanto promete esquecer todas as injúrias sofridas, dores e refrear os atos de vingançaKampers, Franz. "Henry III." The Catholic Encyclopedia Vol. 7. New York: Robert Appleton Company, 1910. 4 January 2016 e encoraja todos os seus súbditos imperiais a fazer o mesmo"Heinrich III". Deutsche Biographie. Retrieved 15 February 2020.

Casamento com Inês de Poitou Em 1043, Henrique casa com Inês de Poitou, filha do Duque Guilherme V da Aquitânia e de Inês da Borgonha. Ela vivia na corte de seu padrasto, Godofredo Martel, Conde de Anjou. A associação com este turbulento vassalo do rei de França e a sua consanguinidade com Henrique (ambos eram descendentes de Henrique, o Passarinheiro) causou alguma consternação entre vários clérigos, que se opuseram a esta união. O casamento, contudo, ocorreu na mesma e Inês foi coroada rainha em Mainz.

Conflitos na Lorena e pacificação na Hungria Henrique passa o inverno em Utreque, onde de novo anuncia uma indulgência. Em abril de 1044, Gotelo, Duque da Baixa e Alta-Lorena morre. Henrique opunha-se ao particularismo político dos duques. Em vez de diminuir o seu poder, ele apoia o jovem filho Gotelão II como duque do Baixo ducado, em vez de Godofredo, filho mais velho de Gotelão I, que tinha logo sido nomeado duque da Baixa-Lorena. Henrique proclama que o desejo no leito de morte de Gotelão I era legar a ambos os filhos a partilha do estado. Godofredo, que tinha sido um fiel servo de Henrique, eventualmente levanto uma rebelião. Henrique tenta reconciliar os irmãos em Niijmegen mas falha. Contudo, Henrique considera o feudo ducal um assunto real e insiste na sua prerrogativa quando aponta dignitários para este juízo.

A 6 de julho de 1044, Henrique acompanhado por Pedro Orseolo, entrou na Hungria à cabeça de uma pequena força, que envolve o exército considerável de Samuel Aba. A discórdia entre as forças magiares previne manobras coesivas e as suas tropas rapidamente dispersam sob o ataque de Henrique. Em Székesfehérvár, Pedro reconquista o seu feudo como Rei da Hungria. Aba foi eventualmente capturado por Pedro e decapitado. Henrique implementou uma administração imperial regular na Hungria.

No seu regresso da expedição húngara, Godofredo da Baixa-Lorena estabeleceu novas alianças, incluindo com Henrique de França, que poderá apoiá-lo numa futura insurreição. O imperador reage rapidamente e convoca Godofredo a Aachen. Foi condenado e perde o ducado da Baixa-Lorena e o seu feudo do condado de Verdun. Godofredo fugiu e pega em armas numa revolta. Henrique recolhe-se para o inverno em Speyer e prepara-se para a campanha da Lorene em 1045.

No início de 1045, Henrique entra na Lorena à cabeça de um exército, sitia e conquista o castelo de Godofredo em Böckelheim (perto de Kreuznach). Toma mais alguns castelos, mas a fome obriga-o a parar. Deixando para trás homens suficientes para guardar o campo contra os ataques de Godofredo, volta à Borgonha. Godofredo teve de fazer o melhor para fomentar uma rebelião, criando conflitos entre a facção imperial, que apoiava a união com o império, e a facção nacionalista, que apoiava uma Borgonha independente. No entanto, Luís, Conde de Montbéliard derrotou Reinaldo I, Conde da Borgonha (que era para se tornar o Condado Livre), e quando Henrique chegou, este último estava pronto com Geraldo, Conde de Génova, para a homenagem. A Borgonha foi depois disto alegremente unida à coroa de Henrique.

Auge do poder Henrique discute a sena política Italiana com alguns magnatas Lombardos em Augsburg e parte para Goslar, onde ele desistiu do ducado da Suábia para Otão, Conde Palatino da Lorena. Henrique também deu o Margraviato de Antuérpia para Balduíno, o filho de Balduíno V da Flandres. Desta forma vai para a Hungria para passar o Pentecostes com o Rei Pedro, onde o chão desabou numa das suas salas e Bruno, Bispo de Wurzburg, foi morto. Na Hungria, Pedro entregou a lança dourada, símbolo da soberania na Hungria, a Henrique e realiza um juramento de fidelidade juntamente com seus nobres. A Hungria era agora prometida por Pedro para que a vida e paz fossem rapidamente restauradas entre os dois reinos da Alemanha e Hungria. Em julho, até Godofredo se submeteu e foi aprisionado em Gibichenstein, uma Torre Alemã.

Guerra na Lorena