Chega (sigla: CH; estilizado em caixa alta) é um partido político português de ideologia populista, de direita radical, nacionalista, patriótica, conservadora, sendo o seu espectro político definido por alguns politólogos como sendo de extrema-direita. Embora esteja no seu manifesto que defende o liberalismo económico. Desde 2025, o Chega tem o segundo maior grupo parlamentar na Assembleia da República (60 deputados) e tendo sido a força com o terceiro maior número de votos nas eleições legislativas de 2025 (22,76%). A inscrição do Partido no registo dos partidos foi aceite pelo Tribunal Constitucional a 9 de abril de 2019. Nas eleições legislativas portuguesas de 2019, o partido elegeu um único deputado, obtendo 1,29% dos votos. O Chega fez parte da coligação Basta! para as eleições parlamentares europeias de 2019, não conseguindo eleger nenhum eurodeputado, com André Ventura como cabeça de lista. Em julho de 2020, o partido aderiu ao grupo europeu Identidade e Democracia (ID). Nas eleições legislativas de 2022, aumentou significativamente a sua representação parlamentar, passando de um para doze deputados, com 7,18% dos votos. Durante a XV legislatura da República Portuguesa, o grupo parlamentar do Chega apresentou quatro candidatos a vice-presidente da Assembleia da República (Diogo Pacheco de Amorim, Gabriel Mithá Ribeiro, Rui Paulo Sousa e Jorge Galveias), todos rejeitados. Nas eleições legislativas de 2024, o partido continuou a crescer, elegendo 50 deputados, quadruplicando o número de deputados em relação à legislatura anterior. Diogo Pacheco de Amorim foi eleito vice-presidente da Assembleia da República. Em junho de 2024, foi anunciado que o Partido iria integrar o novo grupo parlamentar do Parlamento Europeu, Patriotas pela Europa, com António Tânger Corrêa como vice-presidente do partido europeu. miniaturadaimagem|236x236px|Símbolo alternativo do partido
História
Fundação O Chega foi criado a partir de pequenos grupos dentro do Partido Social Democrata por André Ventura. A sua carreira teve destaque nos meios de comunicação social quando acusou as comunidades ciganas de viverem num estado de benefícios. Visto por comentadores como uma tentativa de importar o discurso xenófobo que aparecia noutros países da Europa, teve destaque por ser um representante do segundo maior partido de então (assim como por ser um comentador de futebol, o que aumentou a sua visibilidade), tendo na sua fundação menos ligações aos movimentos de extrema-direita tradicionais do que atualmente.
Ao contrário de outros partidos de direita radical em Portugal, que, devido à falta de cobertura ou à visibilidade negativa dada pela comunicação social, não se conseguiram apresentar como credíveis, o Chega foi tratado com muito mediatismo. Os pesquisadores Mariana Mendes e James Dennison atribuem isto à sua origem no Partido Social Democrata (PSD), assim como à sua campanha de combate ao chamado "politicamente correto". Antes da sua eleição em 2019, Portugal, assim como Malta, eram os únicos países da União Europeia onde partidos de extrema-direita não haviam ganho deputados em eleições.
Fusão com os militantes do PPV/CDC Também no ano de 2020, um outro partido conservador, o Partido Cidadania e Democracia Cristã, que já tinha concorrido em conjunto com o Chega nas eleições parlamentares europeias de 2019 (no âmbito da coligação BASTA) e nas legislativas desse mesmo ano (com militantes seus integrados na candidatura do Chega) procurou uma fusão entre os dois partidos, concretizada no Chega. Essa decisão seria justificada pelo facto de ambos os partidos terem projetos políticos comuns e que, com a criação do Chega, os objetivos políticos do PPV/CDC estariam representados. Todavia, o Tribunal Constitucional não permitiu esta fusão, justificando que fusões partidárias não estão previstas na Lei dos Partidos Políticos. Como consequência, o Partido Cidadania e Democracia Cristã requereu a sua dissolução ao Tribunal Constitucional (efetiva a 10 de novembro desse ano), aconselhando os seus militantes a aderirem ao Chega.
Ligações internacionais Em julho de 2020, anunciou a filiação à associação da extrema-direita europeia Identidade e Democracia (ID). Em setembro de 2021, assinou com o Vox a "Carta de Madrid", contra, segundo o seu presidente Santiago Abascal, "o socialismo e regimes totalitários de inspiração comunista". O partido afirma que têm boas relações com o Vox, apoio direto de Matteo Salvini do partido Liga Norte (Itália) e de Marine Le Pen do Reagrupamento Nacional.
Polémicas Desde a fundação do partido que se sucedem relatos de falta de democracia interna, divergências, expulsão e demissão de militantes. Em abril de 2023, dos 397 autarcas eleitos pelo partido para Câmaras Municipais, Assembleias Municipais e Assembleias de Freguesia, 30 já haviam deixado de representar o partido. Em agosto de 2022, um dos fundadores do partido, José Dias, foi suspenso da militância pela comissão de ética do CH e, em janeiro de 2023, foi expulso do partido pelo Conselho de Jurisdição Nacional, devido a publicações nas redes sociais que, segundo o CH, lesaram a honra e o bom nome de André Ventura. A decisão de expulsão de José Dias foi, após recurso deste, validada pelo Tribunal Constitucional em junho de 2023. O militante número 2 do partido, Nuno Afonso, desfiliou-se do partido em janeiro de 2023, alegando autoritarismo de André Ventura, após ter exercido funções de vice-presidente do partido e de chefe de gabinete do CH na Assembleia da República, funções das quais foi exonerado por André Ventura, presidente do partido.
Após sucessivos "chumbos" do Tribunal Constitucional aos estatutos do partido, as estruturas distritais do partido eleitas em 2019 acabaram por exceder a duração dos respetivos mandatos, ao passo que, desde a fundação do partido, as suas estruturas concelhias são nomeadas e não eleitas, o que suscita acusações de falta de democracia interna ao partido, que alega ser logisticamente impossível organizar eleições em todas as estruturas concelhias, atendendo ao elevado número de militantes e ao respetivo crescimento exponencial.
Em várias ocasiões, ocorreram agressões físicas entre militantes do partido, como sucedeu entre o deputado Rui Afonso e um dirigente do partido no Porto, em janeiro de 2023, e entre os deputados Bruno Nunes e Gabriel Mithá Ribeiro, em 2022, bem como de militantes do partido contra terceiros, inclusivamente com recurso a insultos homofóbicos contra cidadãos, tal como sucedeu em Viseu, em julho de 2021, ou com recurso a ameaças e insultos nas redes sociais, como sucedeu por parte de dirigentes do partido contra o jornalista Pedro Coelho, em 2023. Em junho de 2023, André Ventura manteve a confiança no líder parlamentar do CH, Pedro Pinto, após este ter agredido e insultado um árbitro de 18 anos no âmbito de um torneio infantil de futebol e depois de ter, em 2022, ameaçado e insultado um assessor do PS na Assembleia da República. Em 2021, o então dirigente e futuro deputado do partido, Pedro dos Santos Frazão, modificou um autocolante na porta do gabinete da deputada Joacine Katar Moreira, onde se lia "descolonizar este lugar", o que motivou uma queixa de Joacine Katar Moreira por ataques misóginos.
Nos registos das sessões plenárias da Assembleia da República, podem ser encontradas uma grande variedade de ataques ofensivos do Chega aos outros parlamentares, por exemplo, com referências às roupas usadas e aparência no caso das deputadas do sexo feminino.
Há pelo menos cinco militantes do Chega entre neonazis detidos, um deles agente da PSP.
Em março de 2026, candidato do Chega é detido por suspeitas de abuso sexual da filha de cinco anos e por pornografia de menores.
Convenções Nacionais
1.ª Convenção – Oeiras (29 e 30 de junho de 2019) Na primeira convenção do Chega foi escolhido o seu líder e os cabeças de lista das duas áreas metropolitanas do país. André Ventura saiu vencedor da votação desta convenção, com 94% dos votos.
Para cabeças de lista das diferentes regiões, ficou acordado que André Ventura seria o cabeça de lista pelo distrito de Lisboa e que o cabeça de lista pelo distrito do Porto seria Hugo Ernano, militar da GNR condenado por matar um jovem durante uma perseguição que sucedia a um assalto.
Foi anunciado que o partido apresentaria um candidato próprio às eleições presidenciais portuguesas de 2021. Deixou também a confirmação de que se iria reunir com o líder do partido espanhol Vox, Santiago Abascal.
2.ª Convenção – Évora (19 e 20 de setembro de 2020) Na segunda convenção do Chega, decorrida em Évora, cerca de quinhentos congressistas estiveram presentes. Nesta convenção foram apresentadas diversas moções, como, por exemplo, a criação da Juventude Chega, que foi aprovada, tendo também sido discutidos problemas demográficos, entre outros. Além disso, apresentaram-se também alterações estatutárias e programáticas.
Neste congresso o líder André Ventura afirmou que trabalharia para ficar no segundo lugar da primeira volta das eleições presidenciais de 2021 e que nas eleições legislativas seguintes colocaria o Bloco de Esquerda atrás do Chega.
No segundo dia da convenção, o presidente do partido, André Ventura, apresentou uma lista para a direção nacional, que foi rejeitada, com 183 votos favoráveis e 193 desfavoráveis, sendo que para a aprovação seriam necessários dois terços das intenções de voto.
Este último dia da convenção teve a participação de membros de partidos pertencentes ao grupo Identidade e Democracia (ID), nomeadamente o eurodeputado Thierry Mariani, do partido Rassemblement National, o presidente do ID Gerolf Annemans, o eurodeputado Nicolas Bay, também do Rassemblement National. Foi também passado um vídeo da presidente do Rassemblement National, Marine Le Pen, e por fim um vídeo do eurodeputado Marco Zanni, do partido italiano Lega Nord.
Pela segunda vez, o líder André Ventura apresentou a sua lista para a direção nacional do partido, que foi de novo chumbada, com 219 votos a favor e 121 contra. André Ventura pediu a suspensão dos trabalhos ao Presidente da Mesa e prometeu apresentar a terceira lista à direção nacional do partido.
Foi à terceira vez que André Ventura conseguiu que a proposta à direção nacional fosse aprovada, com os dois terços necessários da convenção nacional, autorizando assim a formação da direção nacional do partido.
3.ª Convenção - Coimbra (28 a 30 de maio de 2021) A terceira convenção do partido decorreu em Coimbra, com cerca de 700 pessoas, entre eles 500 congressistas. O início do dia da convenção deu-se com uma marcha pela cidade, antes da abertura dos trabalhos.
André Ventura abre a convenção com um discurso, criticando Rui Rio e o CDS, dizendo que o Chega não seria o "CDS 2.0" nem uma "muleta" de um futuro governo do PSD. No dia 29 de setembro aconteceu o debate e a votação das moções sectoriais globais e das propostas de alterações aos estatutos, ficando a noite dedicada às intervenções políticas de dirigentes e delegados.