O Conselho Mundial de Igrejas (CMI; em inglês, World Council of Churches, WCC) é a principal organização ecumênica em nível internacional, fundada em 1948, em Amsterdam, Neerlândia. Com sede em Genebra, Suíça

O CMI congrega mais de 340 igrejas e denominações cristãs. Estas igrejas e denominações representam mais de 550 milhões de fiéis presentes em mais de 120 países. Dentre as igrejas que integram o CMI, destacam-se a maioria das igrejas ortodoxas do mundo, muitas igrejas anglicanas, batistas, luteranas, metodistas e reformadas (calvinistas), e outras.Preguntas frecuentes, em espanhol, acesso em 01/01/2021.

A Igreja Católica não faz parte da organização, mas mantém laços estreitos com o CMI, o que ficou demonstrado por ocasião do encontro do Papa Francisco com líderes do CMI em 2018. Desde 1965, o Grupo de Trabalho Conjunto da Igreja Católica Romana e do Conselho Mundial de Igrejas se reúne anualmente. Os católicos romanos participam com direitos a voto da Comissão de Missão Mundial e Evangelização do CMI. Com o apoio financeiro do Vaticano, um professor católico romano faz parte do corpo docente do Instituto Ecumênico Bossey.

Atualmente propugna-se por um Fórum Cristão Global, num intento sem vínculos institucionais, de trazer a uma só mesa de diálogo todas as grandes famílias cristãs: ortodoxa, católica, anglicana e protestante. Após terem sido realizados encontros regionais — o Fórum Cristão Global Latino-americano e Caribenho tendo sido realizado em junho de 2007, em Santiago do Chile —, realizou-se o primeiro Fórum Cristão Global em Limuru, no Quênia, em novembro de 2007.

Atualmente, o secretário-geral interino do CMI é o Rev. Prof. Dr. Ioan Sauca, um sacerdote da Igreja Ortodoxa na Romênia. A moderadora do Comitê Central é a Dra. Agnes Abuom, da Igreja Anglicana do Quênia.governed, em inglês, acesso em 02/01/2020.

História

Os primeiros contatos que permitiram o surgimento do Conselho Mundial de Igrejas ocorreram no Século XIX, que resultaram na Conferência Missionária Mundial, realizada em Edimburgo, em 1910 e na publicação da Encíclica do Sínodo (Ortodoxo) de Constantinopla de 1920. Esses dois eventos propunham uma "comunhão de igrejas" semelhante à Liga das Nações. Entre 1937 e 1938, líderes de mais de 100 igrejas se comprometeram a tentar fundar um Conselho Mundial de Igrejas, mas a realização desse intento foi adiada após a eclosão da Segunda Guerra Mundial.history, em inglês, acesso em 02 janeiro de 2021.

O CMI surgiu do movimento ecumênico, e tem como base a seguinte definição:

¿Qué es el Consejo Mundial de Iglesias?, em espanhol, acesso em 01/01/2021.

Agenda social

Dentre suas características, destacam-se suas preocupações sociais, acredita que: a população mundial sofre as consequências do aquecimento global; o meio ambiente está ameaçado por padrões de produção e consumo insustentáveis; e apesar da maior capacidade de produção de riquezas, aumentam as diferenças econômicas entre ricos e pobres.

Portanto: apóia os esforços das comunidades afetadas por estruturas financeiras e comerciais injustas e pela destruição do meio ambiente; defende transformações urgentes nas políticas, instituições e sistemas econômicos; e a implementação de um acordo climático justo.Economía de vida, cuidado de la Creación, sostenibilidad y justicia climática, em espanhol, acesso em 01/01/2021.

A X Assembleia do CMI, que ocorreu em 2013, Busan (Coreia do Sul),Construcción de la paz - Coreia, em espanhol, acesso em 01/01/2021. convocou os cristãos e pessoas de boa vontade em todos os lugares para se juntarem à peregrinação pela justiça e pela paz.Construcción de la paz, em espanhol, acesso em 01/01/2021.

Promoção dos Direitos Humanos

A partir de Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, para a qual o CMI contribuiu com a terminologia sobre liberdade de religião ou crença, o CMI tem desempenhado um papel ativo no desenvolvimento e proteção dos direitos de todas as pessoas.

O Programa Dignidade e Direitos Humanos do CMI apóia mecanismos de denúncia do sistema de direitos humanos da ONU, dando voz aos sem voz e amplificando as vozes ignoradas.

Algumas das prioridades desse Programa são: Desenvolver a dimensão inter-religiosa de direitos e dignidade; Concentrar a atenção nos direitos das vítimas e das minorias; Defesa da liberdade religiosa; e Fornecer às igrejas um espaço onde possam examinar as relações entre justiça e dignidade e direitos humanos.

O CMI também se esforça para defender a dignidade humana abordando os direitos humanos sob uma perspectiva ética e teológica. Isso requer uma abordagem holística em que os direitos políticos e civis e os direitos econômicos, culturais e sociais sejam considerados de forma integrada.Dignidad y derechos humanos, em espanhol, acesso em 01/01/2021.

Durante as décadas de 1960 e 1970, o CMI tomou medidas para acolher e proteger os refugiados políticos, além de apoiar o Projeto Brasil: Nunca Mais.MEMÓRIAS ECUMÊNICAS PROTESTANTES, acesso em 08/02/2021.

Críticas

O Conselho tem sido criticado por igrejas mais conservadoras, as quais, por adotarem interpretações mais estritas em questões doutrinais, discordam da abordagem do CMI e sua ênfase na busca de unidade das igrejas. Críticos conservadores também acusam a entidade de ser comprometida com uma agenda política da esquerda.Smith, Bernard: The fraudulent gospel: politics and the World Council of Churches. Valiant Publishers, 1977. ISBN 9780868840253 Acessado em 10/06/2013.

O Conselho Mundial de Igrejas também tem sido criticado como sendo um adversário do Estado de Israel, por suas críticas em relação a questões de direitos humanos naquele país. Em 2009, o Conselho defendeu o boicote a mercadorias produzidas nos assentamentos judeus nos Territórios Palestinos Ocupados, descrevendo a ocupação israelense como ilegal, injusta e incompatível com a paz. Em 2013, o Secretário-Geral do Conselho declarou apoio aos palestinos. A Secretaria-Geral do Conselho também é acusada de ter participado da preparação e da divulgação do documento denominado Kairos Palestine, o qual declara que "a ocupação israelense da terra palestina é um pecado contra Deus e contra a humanidade porque priva os palestinos de seus direitos humanos básicos".

Ligações externas Site oficial do Conselho Mundial de Igrejas

Ver também

Aliança Evangélica Mundial

Categoria:Ecumenismo Categoria:Organizações religiosas Categoria:Organizações não governamentais internacionais Categoria:Fundações nos Países Baixos em 1948

Categoria:Organizações paraeclesiásticas cristãs Categoria:Organizações sediadas em Genebra