miniaturadaimagem|Celebração da Eucaristia em uma igreja protestante metodista

Protestantismo de linha principal (em inglês: Mainline Protestantism), também chamado protestantismo de linha antiga (Oldline Protestantism), é uma expressão usada para designar denominações protestantes históricas que se distinguem do movimento evangélico. No contexto norte-americano, os mainlines são 7 Igrejas protestantes com origem direta ou indireta na Reforma Europeia que adotam posições mais progressistas. Entretanto, eles não representam todos os protestantes clássicos.

A distinção entre mainlines e evangelicals (em português, evangélicos) surgiu nos Estados Unidos por conta da divisão entre tradições protestantes em questões sociais. De um lado estão os mainlines, com origem mais antiga, postura ecumênica, liberal, mais voltada para o trabalho social da igreja, bem como maior tolerância a ordenação de mulheres e casamento homossexual. Em oposição a estes estão os evangelicals, mais modernos, com postura mais conservadora, em favor mais de uma doutrina obediente às antigas confissões de fé do que uma grande teologia bíblica sistemática, contra o ecumenismo amplo, com maior enfase no evangelismo, contra o liberalismo teológico, ordenação feminina e casamento homossexual.

O termo "linha principal", ou mainline, todavia, pode enganar, já que em algumas tradições protestantes os evangelicals são maiores que os mainlines. São consideradas mainlines nos Estados Unidos: Igreja Presbiteriana (EUA), Igreja Metodista Unida (EUA), Igreja Evangélica Luterana na América, A Igreja Episcopal (EUA), Igrejas Batistas Americanas EUA, Igreja Unida de Cristo e Discípulos de Cristo. Essas Igrejas são conhecidas como "As Sete Irmãs" e estão em comunhão uma com a outra. Também são considerados mainlines a Igreja Reformada na América, Igreja Episcopal Metodista Africana, Igreja Menonita EUA, Igreja da Morávia na América do Norte e entre outras. http://books.google.com.br/books?id=swvCVm-0OWcC&pg=PA621&lpg=PA621&dq=protestantismo+classico&source=bl&ots=EPSz_20zb0&sig=EBjucsAjsax2E8rdtB2Fjv1K1cg&hl=pt-BR&sa=X&ei=m3qZUe-pKojm9ATm4YC4Cg&ved=0CC0Q6AEwAA#v=onepage&q=protestantismo%20classico&f=false

Já os evangelicals são: Convenção Batista do Sul, Igreja Luterana - Sínodo de Missouri, Igreja Presbiteriana na América, Igreja Anglicana na América do Norte, Igreja Cristã Reformada na América do Norte, Igreja Presbiteriana Evangélica, Assembleia de Deus EUA, Igreja Adventista do Sétimo Dia, entre outras.

Embora constituam um grupo influente em vários países, os protestantes mainlines têm perdido influencia desde meados do século XX, em especial nos Estados Unidos, onde eram 30% da população do país em 1970, mas apenas 14% da população em 2014. Por outro lado, os evangélicos apresentam crescimento no mesmo período. O Pew Research Center estimou que em 2014, 25,4% dos estadunidenses se identificavam como evangélicos, constituindo o maior grupo religioso do país.

As igrejas do protestantismo de linha principal compartilham uma posição social semelhante, o que faz com se juntem em organizações como o Conselho Nacional de Igrejas nos Estados Unidos ou o Conselho Mundial de Igrejas a nível mundial. Devido ao seu compromisso com o movimento ecumênico, os protestantes mainlines por vezes é referido como "protestantismo ecumênico". Estas igrejas tiveram papel no movimento de libertação teológica dos anos 1960 e participam do movimento negro e do movimento feminista. Em comunhão, as Igrejas protestantes mainlines defendem uma doutrina religiosa que enfatiza a salvação pessoal através da justiça social. Seus membros têm desempenhado papéis de liderança na política, nos negócios, na ciência, nas artes e na educação. Falando sobre o contexto americano, o historiador George Marsden escreveu que nos anos 1950 "os líderes protestantes históricos eram parte do mainstream cultural liberal-moderado e seus porta-vozes eram uma parte respeitada do debate nacional".

História O protestantismo histórico

upright|esquerda|thumb|Martinho Lutero thumb|upright|esquerda|João Calvino

Embora o termo só tenha aparecido no século XX, após um racha entre fundamentalistas e modernistas, o protestantismo histórico tem suas origens na Reforma Protestante do século XVI. Os reformadores eram pessoas de vasta cultura teológica e humanista: João Calvino estudou em Sorbonne; Martinho Lutero foi monge e professor universitário da Bíblia; Ulrico Zuínglio era sacerdote e humanista. De acordo com o programa dos humanistas, eles buscaram nas fontes da antiguidade cristã as bases para uma renovação religiosa. Lendo a Bíblia e retornando aos Pais da Igreja, descobriram uma nova visão da fé e uma doutrina bíblica cristocêntrica. A Igreja da Inglaterra, por sua vez, não se deixou influenciar num primeiro momento pelo protestantismo, mas depois de sua quebra com a Igreja de Roma começou uma aproximação com os ideais reformados. Atualmente a maior parte das Igrejas da Comunhão Anglicana declaram-se reformadas.

O protestantismo histórico apresenta alguns elementos em comum, apesar de sua diversidade. A Bíblia é considerada a única fonte infalível de autoridade doutrinal e deve ser interpretada de acordo com regras históricas e linguísticas, observando-se seu significado dentro de um contexto histórico. A salvação é entendida como um dom gratuito (graça) de Deus alcançado mediante a fé. As boas obras não salvam por si só, sendo resultados da fé e não causa de salvação. O culto sempre é no idioma vernáculo, tendo como base as Escrituras Sagradas. O protestantismo histórico, conserva as crenças cristãs ortodoxas tais como a doutrina trinitária, a cristologia, o credo niceno-constantinopolitano, entre outros. Os protestantes expressam suas posições doutrinais por meio de Confissões de Fé e breves documentos apologéticos, como a Confissão de Augsburgo, a Confissão de Fé de Westminster, os Trinta e Nove Artigos da Religião, e entre outras.

O protestantismo histórico rejeita parte das doutrinas que caracterizam o catolicismo tais como: o purgatório, a supremacia papal, as orações pelos mortos, a intercessão dos santos, a Assunção de Maria, a veneração dos santos, a transubstanciação, o sacrifício propiciatório da missa, a veneração às imagens etc. O protestantismo, em maior parte, segue a doutrina agostiniana da eleição. Estabelece que a salvação ocorre somente pela graça de Deus. Para os protestantes, a autoridade da Igreja está vinculada à obediência a Palavra de Deus e não à sucessão apostólica. Assim sendo, a Igreja Cristã pode existir onde se escuta e obedece a Palavra de Deus.

thumb|Iconoclastia protestante: o beeldenstorm durante a Reforma holandesa

O protestantismo se disseminou principalmente nos meios urbanos e através da nobreza. A difusão das ideias protestantes foi facilitada pela invenção da imprensa, que tornou possível a divulgação e a tradução da Bíblia nas línguas vernáculas. Desde então, as doutrinas cristãs passaram a necessitar do aval bíblico. A Reforma Protestante alcançou êxito em muitas áreas da Europa. Em sua forma luterana, é predominante no norte da Alemanha e em toda a Escandinávia. Na Escócia surgiu a Igreja Presbiteriana. As Igrejas Reformadas também frutificaram nos Países Baixos, na Suíça e no oriente da Hungria. Com o desenvolvimento dos impérios europeus, principalmente o Império Britânico, no século XVII o protestantismo continuou a se expandir, se tornando uma fé de escala mundial. O trabalho missionário do século XIX levou à cooperação interdenominacional e consequentemente ao movimento ecumênico do qual surgiu o Conselho Mundial de Igrejas. Atualmente mais de 600 milhões de pessoas professam alguma das diferentes manifestações do protestantismo e do evangelicalismo no mundo.

Em seu início, o protestantismo assumiu três formas básicas: a luterana, a reformada (calvinista) e a anglicana. O protestantismo não possui organização centralizada, porém suas igrejas estão organizadas em igrejas nacionais e em concílios internacionais tais como a Aliança Mundial de Igrejas Reformadas e a Federação Luterana Mundial. Fora desse protestantismo, que muitos estudiosos denominam "protestantismo magisterial", surgiu outro ramo que se distinguiu tanto do catolicismo quanto das igrejas protestantes de caráter principal. Este ramo recebe o nome de Reforma Radical. O historiador George Williams distingue as seguintes correntes dentro desta reforma: espiritualista, racionalista e anabatista. Os anabatistas repudiaram o batismo infantil, constituindo-se em igrejas segregadas. Muitos defenderam a liberdade religiosa pessoal, embora outros tenham sido mais radicais.

Pós-Reforma

As maiores e mais influentes denominações protestantes nas Treze Colônias eram os anglicanos (chamados de episcopalianos após a Revolução Americana) e os congregacionalistas. Mais tarde eles foram superados em tamanho e influência pelos batistas, presbiterianos e metodistas. Compartilhando uma herança comum, essas tradições formariam o que ficou conhecido com as "Sete Irmãs do Protestantismo Americano": a Igreja Presbiteriana (EUA), a Igreja Metodista Unida (EUA), a Igreja Evangélica Luterana na América, a A Igreja Episcopal (EUA), as Igrejas Batistas Americanas EUA, a Igreja Unida de Cristo e os Discípulos de Cristo. Estas são as principais Igrejas do protestantismo histórico nos Estados Unidos e no resto do mundo, graças a suas iniciativas missionárias.

Na década de 1730, um movimento conhecido como Grande Despertamento trouxe controvérsias nas igrejas protestantes. Seus partidários, chamados de evangélicos, realizavam grandes sermões públicos que davam ao ouvinte um senso de revelação profunda sobre sua necessidade de ser salvo por Jesus Cristo. Afastando-se de excessivas cerimônias, sacramentalismos e hierarquia, tornou a experiência cristã imensamente pessoal para a pessoa média ao desenvolver nela um forte senso de convicção e redenção e também ao encorajar a introspecção e um novo nível de moralidade pessoal. Este processo de tomada de consciência foi chamado de avivamento. O protestantismo logou encontrou-se dividido em dois partidos: a Nova Luz e a Antiga Luz. O lado da Antiga Luz, liderado por figuras como o ministro congregacionalista Charles Chauncy, se opunha ao movimento, enquanto o lado Nova Luz, liderado pelo ministro congregacionalista Jonathan Edwards, apoiava os avivamentos como parte importante da conversão de fé. Em 1800, os seguidores de Chauncy passaram a defender formas mais liberais de cristianismo, fundando seitas como o unitarismo, o universalismo e o transcendentalismo. miniaturadaimagem|Arcebispo luterano Urmas Viilma da Estónia O Segundo Grande Despertamento inauguraria um período de dominância dos evangélicos no protestantismo estadunidense que duraria cerca de um século. Foi descrito como uma reação contra o ceticismo, o deísmo e o racionalismo, embora não se compreenda porque tais forças se tornaram tão fortes à época para gerar avivamentos. Esse movimento trouxe milhões de pessoas para as igrejas já existentes e fez com que surgissem novas organizações. O Segundo Grande Despertamento foi um catalisador para a reforma social; a melhoria dos direitos das mulheres, a reforma das prisões, o estabelecimento de escolas públicas, a proibição do álcool e a abolição da escravidão (no Norte) foram algumas das causas promovidas pelas igrejas protestantes. Após a Guerra de Secessão, no entanto, as tensões entre evangélicos e protestantes emergiram novamente. Conforme a prática da leitura crítica da Bíblia se espalhava a partir da Alemanha, iniciou-se um conflito entre as igrejas protestantes e evangélicas. Os conservadores defendiam a inerrância dos textos bíblicos enquanto teólogos modernistas defendiam que era preciso ter uma postura crítica para melhor compreender a palavra divina.