O SMS Wörth foi um navio couraçado pré-dreadnought operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe Brandenburg, depois do SMS Brandenburg, SMS Kurfürst Friedrich Wilhelm e SMS Weissenburg. Nomeado em homenagem à Batalha de Wörth lutada em 1870 durante a Guerra Franco-Prussiana, sua construção começou em março de 1890 nos estaleiros da Germaniawerft em Kiel e foi lançado ao mar em agosto de 1892, sendo comissionado na frota alemã em outubro do ano seguinte. Era armado com seis canhões montados em três torres de artilharia duplas, diferentemente do esquema de quatro canhões em duas torres duplas usados em outras marinhas, possuía um deslocamento de mais de dez mil toneladas e velocidade máxima de dezesseis nós.

O Wörth serviu na I Divisão durante sua primeira década de serviço. Este período geralmente limitou-se a exercícios e viagens para portos estrangeiros. Estas manobras mesmo assim eram importantes no desenvolvimento da doutrina naval alemã pré-Primeira Guerra Mundial, especialmente sob a direção do almirante Alfred von Tirpitz. A primeira grande ação do navio foi em 1900, quando ele e seus três irmãos foram para a China a fim de subjugar o Levante dos Boxers. O Wörth foi reformado no início do século XX, porém já estava obsoleto na época do início da Primeira Guerra e assim serviu de forma limitada, inicialmente como navio de defesa de costa. Foi descomissionado em março de 1916 e usado como alojamento flutuante pelo restante do conflito, sendo desmontado em Danzig em 1919.

Características thumb|esquerda|250px|Diagrama da Classe Brandenburg. Os quatro navios da Classe Brandenburg foram os primeiros couraçados pré-dreadnought da Marinha Imperial Alemã. A frota da Alemanha até a ascensão do imperador Guilherme II em 1888 era orientada para a defesa costeira, com o vice-almirante Leo von Caprivi, chefe do Escritório Imperial da Marinha, tendo ordenado na década de 1880 a construção de vários navios de defesa de costa. O imperador, que tinha grande interesse em assuntos náuticos, substituiu Caprivi em agosto pelo vice-almirante Alexander von Monts, instruindo-o a incluir quatro couraçados no orçamento naval. Monts, que era a favor de uma frota de couraçados, cancelou as quatro últimas embarcações de defesa de costa autorizadas por Caprivi e em vez disso encomendou couraçados de dez mil toneladas. Eles foram os primeiros couraçados modernos construídos na Alemanha, com sua autorização tendo vindo como parte de um programa de construção que refletia a confusão tática e estratégica da década de 1880.

O Wörth tinha 115,7 metros de comprimento total, boca de 19,5 metros que podia aumentar até 19,74 metros com a adição de redes de torpedos, além de calado de 7,6 metros na proa e de 7,9 metros na popa. Possuía um deslocamento de 10 013 toneladas em seu peso projetado, porém este valor podia chegar em 10 670 toneladas quando totalmente carregado com suprimentos de batalha, como projéteis e combustível. Era equipado com doze caldeiras a carvão e dois conjuntos de motores de tripla expansão com três cilindros que geravam 10 000 cavalos-vapor (7 460 quilowatts) de potência e uma velocidade máxima de 16,9 nós (31,3 quilômetros por hora). O Wörth tinha um alcance de 4 300 milhas náuticas (oito mil quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 38 oficiais e 530 marinheiros.

A embarcação era incomum para a época, pois estava equipada com uma bateria principal composta por seis canhões montados em três torres duplas, diferentemente dos quatro canhões normalmente encontrados em outros couraçados contemporâneos. As torres de artilharia da proa e da popa tinham canhões K L/40 de 280 milímetros, enquanto a torre central era armada com canhões menores L/35 também de 280 milímetros. Suas armas secundárias consistiam em oito canhões de tiro rápido SK L/35 de 105 milímetros e oito SK L/30 de 88 milímetros montados em casamatas. O armamento do Wörth era completado por seis tubos de torpedo de 450 milímetros instalados acima da linha d'água. Apesar de sua bateria principal ser mais pesada que outros navios equivalentes da época, seus armamentos secundários foram considerados mais fracos em relação a outros couraçados. Seu cinturão de blindagem tinha uma espessura de quatrocentos milímetros na parte central, que protegia os depósitos de munição e sala de máquinas. O convés tinha uma blindagem de sessenta milímetros, enquanto as barbetas da bateria principal eram protegidas por uma blindagem de trezentos milímetros de espessura.

História Primeiros anos thumb|270px|O Wörth em dezembro de 1893. O Wörth foi encomendado sob o nome de B, com o batimento de sua quilha ocorrendo em 3 de março de 1890 na Germaniawerft em Kiel. Os trabalhos de construção prosseguiram em um ritmo mais lento do que seus outros três irmãos; seu casco só foi lançado ao mar em 6 de agosto de 1892, mais de oito meses depois que os outros couraçados. Ele foi batizado pela princesa Vitória da Prússia, irmã mais nova do imperador Guilherme II, e foi nomeado em homenagem a Batalha de Wörth, ocorrida em agosto de 1870 durante a Guerra Franco-Prussiana. Os trabalhos de equipagem no navio foram rápidos e ele foi comissionado no dia 31 de outubro de 1893, o primeiro de sua classe a entrar em serviço. Seus testes marítimos começaram pouco depois e duraram até abril de 1894. Durante esse período, o Wörth foi brevemente designado para a esquadra de manobra da Frota Doméstica a fim de substituir seu irmão SMS Brandenburg, que tinha sofrido uma explosão em uma válvula de caldeira. A embarcação foi designada em 1º de agosto a capitânia da frota para as manobras anuais de outono, ficando sob o comando do almirante Max von der Goltz. Os exercícios ocorreram no Mar do Norte e no Mar Báltico; Guilherme II subiu a bordo do Wörth ao final das manobras e passou a frota em revista no dia 21 de setembro.

thumb|esquerda|270px|O Wörth c. 1895. O navio durante esse período foi comandado pelo príncipe Henrique da Prússia, irmão mais novo do imperador. O imperador Alexandre III da Rússia morreu em 1º de novembro e Guilherme II inicialmente planejou enviar seu irmão a São Petersburgo para representá-lo no funeral a bordo do Wörth. Entretanto, o general Bernhard Franz Wilhelm von Werder sugeriu que enviar uma embarcação nomeada em homenagem a uma batalha da ainda recente Guerra Franco-Prussiana iria antagonizar a delegação francesa, dado a assinatura da Aliança Franco-Russa. Guilherme II concordou e assim o príncipe Henrique viajou de trem. O couraçado foi substituído como capitânia da frota depois do comissionamento de seu irmão SMS Kurfürst Friedrich Wilhelm. O Wörth foi então designado para a I Divisão da I Esquadra, substituindo o antigo ironclad SMS Deutschland.

O couraçado e o resto da esquadra participou em 3 de dezembro de 1894 de uma cerimônia no Canal Imperador Guilherme. Em seguida as embarcações iniciaram um cruzeiro de treinamento de inverno pelo Mar Báltico; este foi o primeiro cruzeiro do tipo feito pela Marinha Imperial. A maior parte da frota até então costumava ser desativada na época do inverno. A I Divisão ancorou em Estocolmo na Suécia entre os dias 7 e 11 de dezembro a fim de participaram das celebrações dos trezentos anos do nascimento do rei Gustavo II Adolfo. O rei Óscar II da Suécia realizou uma recepção para a delegação alemã. Mais exercícios no Báltico foram realizados depois disso até os navios voltarem para a Alemanha para passarem por reparos. O Wörth voltou a ser a capitânia da frota entre 19 de dezembro e 27 de março de 1895 enquanto o Kurfürst Friedrich Wilhelm estava em uma doca passando por reparos. O navio ocupou-se com treinamentos individuais e divisionais pelos primeiros meses do ano. Mais manobras da frota ocorreram em maio no Báltico, concluindo com uma visita a Kirkwall nas Ilhas Órcades. A esquadra voltou para Kiel no começo de junho, onde preparações estavam em andamento para a inauguração do Canal Imperador Guilherme. Exercícios táticos foram feitos na Baía de Kiel na presença de delegações estrangeiras.

A frota alemã começou um grande cruzeiro para o Oceano Atlântico em 1º de julho, retornando no início de agosto e parando na Ilha de Wight no Reino Unido a fim de acompanharem a Regata de Cowes. Guilherme II no local em 6 de agosto realizou uma cerimônia de lembrança em homenagem ao 25º aniversário da Batalha de Wörth. Isto foi muito criticado pela imprensa britânica. A frota retornou para Wilhelmshaven em 10 de agosto e começou preparações para manobras de outono no final do mês. Os primeiros exercícios iniciaram-se em 25 de agosto na Angra da Heligolândia. A frota então seguiu através do estreito de Skagerrak até o Báltico, onde as fortes tempestades danificaram muitos dos navios e afundaram o barco torpedeiro SMS S41, que emborcou deixando apenas três sobreviventes. A força ficou brevemente em Kiel até retomar os exercícios ocorridos nos estreitos de Kattegat e Grande Belt. As manobras principais começaram em 7 de setembro com um ataque simulado de Kiel para o leste do Báltico. Outras manobras ocorreram na costa da Pomerânia e na Baía de Danzig. Uma revista da frota por Guilherme II em Jershöft no dia 14 encerrou as manobras.

Rotina de exercícios thumb|270px|O Wörth em 1899. 1896 seguiu o mesmo padrão do ano anterior. Treinamentos individuais ocorreram até abril, seguido por treinamento de esquadra no Mar do Norte no final de abril e início de maio, incluindo uma visita aos portos holandeses de Flessingue e Nieuwediep. Mais manobras ocorreram do final de maio ao final de julho, levando a esquadra mais para o norte do Mar do Norte, frequentemente para águas norueguesas, com os navios tendo visitado Bergen entre 11 e 18 de maio. Guilherme II e o vice-rei chinês Li Hongzhang revistaram a frota em Kiel durante as manobras. A frota reuniu-se em Wilhelmshaven para o treinamento anual de outono em 9 de agosto. O imperador Nicolau II da Rússia visitou a frota alemã em Kiel no mês seguinte e subiu a bordo do Wörth no dia 8 de setembro. O navio venceu o Prêmio de Tiro por excelência em artilharia na I Esquadra para 1896.

O Wörth e o resto da frota operaram sob uma rotina normal de treinamentos individuais e em unidade no decorrer da primeira metade de 1897. A embarcação representou a Alemanha em junho durante as celebrações do jubileu de diamante da rainha Vitória do Reino Unido. A típica rotina de exercícios foi interrompida no início de agosto quando o imperador e a imperatriz Augusta Vitória de Schleswig-Holstein foram visitar a corte imperial russa; as duas divisões da I Esquadra de Batalha foram enviadas para Kronstadt a fim de acompanharem o casal imperial. Eles retornaram para Danzig em 15 de agosto, onde o restante da frota reuniu-se para as manobras anuais de outono. Estes exercícios refletiram o pensamento tático do contra-almirante Alfred von Tirpitz, o novo Secretário de Estado do Escritório Imperial da Marinha, e do vice-almirante August von Thomsen, o novo comandante da I Esquadra. Estas novas táticas enfatizavam uma artilharia mais precisa, especialmente a longas distâncias. A ênfase de Thomsen em tiro criou as bases para a excelente artilharia alemã na Primeira Guerra Mundial. As manobras foram completadas em 22 de setembro em Wilhelmshaven.