O Cemitério de Ferreira do Alentejo é uma infra-estrutura e um sítio arqueológico na vila de Ferreira do Alentejo, em Portugal. Situa-se no local onde antes se erguia um castelo, que foi demolido e substituído pelo cemitério no século XIX.
História
Uma das localizações apontadas para a antiga cidade romana de Singa teria sido atrás do local onde se situava o castelo.COSTA, 1708:496-497 Com efeito, o castelo surge ligado à antiga cidade de Singa através de uma lenda popular, na qual em 405, nos finais do domínio romano, a cidade de Singa terá sido atacada pelos povos bárbaros, tendo uma mulher defendido a entrada do castelo com ferramentas de ferreiro, e que terá dado o nome à vila. Porém, alguns vestígios remetem a construção do castelo para o período muçulmano, tendo depois sido ampliado, com a construção das muralhas com barbacã e torres.
O castelo foi construído pela Ordem de Santiago da Espada, proprietária da região onde se situava a vila de Ferreira do Alentejo, no topo de uma colina. No entanto, a tradição popular aponta a fundação deste castelo por D. Gualdim Pais, mestre da Ordem dos Templários, em 1150. Do ponto de vista espiritual, o castelo pertencia ao bispado de Évora,SARAMAGO, 2007:568 enquanto que do ponto de vista militar era uma filial dos espatários de Alcácer do Sal, sendo em 1527 o alcaide Francisco Mendes do Rio, e em 1708 Baltazar Pereira do Lago.
Em 1800, o castelo já apresentava um avançado estado de ruína, estando ainda visíveis algumas das suas nove torres, o fosso e a barbacã. Por volta de 1839, a Junta de Paróquia ordenou que fosse demolido o castelo, e que o cemitério fosse construído no mesmo sítio. O escudo da Ordem dos Espatários, que estava originalmente à entrada do Castelo, foi colocado na entrada principal do cemitério.BASTOS et al, 2004: 50-53
Em 2006 e 2009 foram feitas pesquisas arqueológicas no local, no âmbito de programas de blocos de rega no concelho.
Descrição O castelo de Ferreira do Alentejo foi descrito como estando situado no alto de um monte cercado de muros, com uma barbacã e nove torres, sendo considerado inexpugnável. Um dos alcaides-mor do castelo foi Baltazar Pereira de Lagos.
Durante as análises arqueológicas na zona do cemitério foram encontrados alguns vestígios do período romano, nomeadamente fragmentos de cerâmica comum e vidrada, um pequeno tijolo, e partes de tégulas, numa área de cerca de 30 m². Também foram identificadas peças de cerâmica do período moderno e contemporâneo.
Ver também Lista de património edificado em Ferreira do Alentejo Castelo de Aljustrel Castelo de Alvito Castelo de Beja Castelo de Ourique Cemitério de Peroguarda Fortim romano de Casa Branca
Bibliografia
Categoria:Património edificado em Ferreira do Alentejo Categoria:Sítios arqueológicos romanos no distrito de Beja Categoria:Cemitérios de Portugal