miniaturadaimagem|direita|Capa do livro de William James, publicado em 1902 As Variedades da Experiência Religiosa: um estudo na natureza humana é uma obra do psicólogo e filósofo da Universidade de Harvard, William James. É composta por suas palestras em Gifford sobre teologia natural proferidas na Universidade de Edimburgo, na Escócia, em 1901 e 1902. As palestras diziam respeito à natureza da religião e à negligência da ciência no estudo acadêmico da religião.
Logo após sua publicação, o livro entrou para o Cânone Ocidental da psicologia e filosofia e permaneceu sendo publicado por mais de um século.
Mais tarde, James desenvolveu sua filosofia do pragmatismo. Há muitas ideias sobrepostas em As Variedades da Experiência Religiosa e seu livro de 1907, Pragmatismo.
Conteúdo
Essa obra se ocupava de uma discussão sobre o lugar ocupado pelo sentimento religioso, frente ao crescente materialismo científico de sua época. O interesse de James não estava em religiões organizadas ou instituições, mas nos sentimentos e atos que cada um experienciava em sua relação com o que considerava divino. A obra aborda a singularidade das experiências místicas, mencionando que seu significado era pessoal e dificilmente transferível através de linguagem.
Trata-se de uma análise psicológica de estados mentais e fenômenos da experiência religiosa, como a sensação da presença de Deus, as visões de mundo otimista e pessimista, a divisão do eu, a conversão religiosa, a santidade, o misticismo, dentro de um enfoque da filosofia pragmatista, sem descambar no cientificismo materialista que reduz a experiência religiosa a fenômenos neurológicos ou patológicos.
Para James, a experiência religiosa poderia levar a um estado de satisfação e contentamento, além de promover uma perspectiva mais alegre e otimista do mundo e do futuro. Por essa razão, considerou que o sentimento religioso pode ser útil, sendo mais uma dimensão da experiência humana. James começou a desenvolver nessa obra o sentido de verdade utilitária que seria exposto em mais detalhes em Pragmatismo. A experiência religiosa ou mística seria verdadeira enquanto ferramenta útil para determinados fins. Assim, o autor defende que a religião é um fenômeno real, no sentido que seu simbolismo evoca sentimentos e ações concretas, que não deveriam ser ignorados pela ciência.
Recepção
A resenha de agosto de 1902 do New York Times da primeira edição termina com a seguinte observação:
Uma resenha da revista Time de julho de 1963 de uma edição expandida publicada naquele ano termina com citações sobre o livro de Charles Sanders Peirce e George Santayana:
Edição em português O livro foi publicado no Brasil em 1991 (1a edição) e 2017 (2a edição) pela Editora Cultrix, em tradução de Octavio Mendes Cajado, com Prefácio de Pierre Weil e subtítulo "Um estudo sobre a natureza humana".
Ligações Externas
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