thumb|253px|Vista lateral de um tubarão-leopardo nadando. O padrão peculiar de coloração do dorso é a razão do seu nome comum. thumb|253px|O tubarão-leopardo pode ser encontrado com frequência em áreas arenosas pouco profundas. thumb|253px|Os tubarões-leopardo são uma espécie sociável que tende a formar agrupamentos constituídos por exemplares de idade e sexo similar. thumb|253px|O tubarão-leopardo captura as presas sugando-as e mordendo-as de seguida. thumb|253px|Os alevins desta espécie frequentam zonas pouco profundas, perto da costa. thumb|253px|Um tubarão-leopardo no Aquário de Monterrey. Esta espécie adapta-se bem à vida em cativeiro. Triakis semifasciata Girard, 1854, conhecido pelo nome comum de tubarão-leopardo, é uma espécie de seláceo da família Triakidae com um comprimento corporal que varia de 1,2 a 1,5 m. Este tubarão de corpo esbelto é facilmente identificável pelo seu distinto padrão de marcas e manchas ao longo da região dorsal, às quais se deve o seu nome vulgar. A espécie ocorre ao longo da costa norte-americana do Pacífico, desde o Oregon até à região mexicana de Mazatlán, incluindo Baja Califórnia, sendo comum a formação de grandes bancos destes peixes em baías e estuários, em geral nadando sobre zonas planas arenosas ou lodosas ou áreas rochosas próximas de bosques de kelp e recifes. São encontrados com maior frequência próximo da costa, em águas com menos de 4 m de profundidade.

Descrição A espécie Triakis semifasciata apresenta um corpo moderadamente robusto, com um focinho curto e arredondado, sendo o comprimento médio dos adultos de 1,2 m a 1,5 m. Em raras ocasiões os machos atingem 1,5 m de comprimento total e as fêmeas 1,8 m, tendo-se registo de uma fêmea que media 2,1 m de comprimento. O maior tubarão-leopardo de cujo peso há registo pesava 18,4 kg. O padrão de coloração é único entre os seláceos, consistindo em proeminentes faixas e grandes manchas negros que cobrem toda a extensão da região dorsal destes animais, sobre um fundo entre prateado a cinzento bronzeo. Os exemplares adultos em geral apresentam maior número de manchas e faixas, tendo estas os centros mais claros quando comparados com os juvenis. A região ventral é esbranquiçada e lisa.

A morfologia da cabeça caracteriza-se pela presença de pregas triangulares de pele, bem desenvolvidas, na frente dos orifícios nasais. Os olhos são grandes e ovalados, com uma membrana nictitante (uma terceira pálpebra protectora) bem desenvolvida. A linha da boca é muito curva, apresentando ranhuras nos cantos da boca que se estendem para ambos os maxilares, com os sulcos do maxilar inferior quase atingindo o ponto médio da maxila.

Apresenta 41 a 55 fileiras de dentes no maxilar superior e de 34 a 45 no inferior. Cada dente tem uma cúspide ligeiramente oblíqua no centro da parte superior, com cantos arredondados e uma ou duas cúspides laterais mais pequenas. Estes dentes estão dispostos sobre uma superfície plana, formando linhas que se sobrepõem.Delius, B. Biological Profiles: Leopard Shark (em inglês). Museu de História Natural da Flórida, Departamento de Ictiologia. Consultado a 9 de agosto de 2009. Como ocorre com outros tubarões, os dentes desta espécie renovam-se periodicamente, demorando um dente de substituição entre 9 e 12 dias desde a eclosão até ocupar a posição final.

Os tubarões desta espécie apresentam órgãos electrorreceptores, denominados ampolas de Lorenzini, que servem para orientação através da detecção das linhas de força dos campos eléctricos, incluindo as geradas pelas diferenças de potencial induzidas pelo campo magnético da Terra.

A primeira barbatana dorsal, que é alongada, encontra-se aproximadamente em posição média entre as barbatanas peitoral e pélvicas, sendo a segunda quase tão longa como a primeira e de muito maior tamanho que a barbatana anal. As barbatanas peitorais são largas e triangulares. O lóbulo inferior da barbatana caudal é sempre bem desenvolvido nos adultos, mas em geral mede menos de metade do lóbulo superior, o qual apresenta um marcado corte na face ventral próximo da extremidade distal.

A espécie é ovovivípara, o que significa que os seus ovos eclodem dentro do útero e os nascituros são nutridos pelo saco vitelino. De março a junho, a fêmea dá à luz até a 37 crias, depois de um período de gestação de 10-12 meses. O crescimento dos juvenis é relativamente lento, levando vários anos até atingirem a maturação sexual.

Sendo inofensivo para os seres humanos, o tubarão-leopardo é capturado na pesca comercial e lúdica para ser usado como alimento ou para exibição em aquários. Esta espécie é pescada principalmente nas costas da Califórnia, onde, após um período de declínio populacional ocorrido na década de 1980, nova regulamentação da pesca estabelecida no início da década de 1990 levaram a uma redução da sua exploração para níveis sustentáveis. A União Internacional para a Conservação da Natureza classificou o estado de conservação desta espécie como de preocupação menor (LC), apontando, contudo, que as populações locais podem ser facilmente sobre-exploradas devido ao lento crescimento e hábitos migratórios limitados. Taxonomia e filogenia O primeiro nome científico outorgado à espécie foi Triakis californica, cunhado pelo zoólogo britânico John Edward Gray na sua obra List of the specimens of fish in the collection of the British Museum («Lista de espécimes de peixes na colecção do Museu Britânico»), obra publicada em 1851. Contudo, o binome dado por Gray não foi acompanhado por uma descrição apropriada, quedando-se por um nomen nudum. Uma descrição elaborada pelo ictiólogo norte-americano William Orville Ayres, foi apresentada em dezembro de 1854 numa conferência, na qual o autor lhe atribuiu a designação de Mustelis felis. O texto da conferência de William Orville Ayres, incluindo a descrição, foi publicado no The Pacific, um jornal de San Francisco, e depois na revista científica Proceedings of the California Academy of Natural Sciences. Em abril de 1855, o biólogo francês Charles Frédéric Girard publicou uma descrição desta espécie com o nome de Triakis semifasciata. Apesar de M. felisser o sinónimo sénior, um erro no registo das datas de publicação resultou no uso generalizado de T. semifasciata como o nome científico válido da espécie. Em resultado deste lapso antigo e durante muito tempo desconhecido, Triakis semifasciata foi reconhecido como o nome válido (como um nomen protectum) e Mustelis felis foi invalidado (como um nomen oblitum).

O nome específico semifasciata provém dos vocábulos em latim semi («metade») e fasciatus («raiado»), uma referência às marcas dorsais deste tubarão. Na literatura antiga, a espécie aparece por vezes referida por «tubarão-tigre» ou «tubarão-gato».

O género Triakis contém dos subgéneros Triakis e Cazon. O tubarão-leopardo integra-se no subgénero Triakis, em conjunto com a espécie Triakis scyllium. Uma análise filogenética realizada em 2006 sobre sequências contidas nos genes que codificam proteínas revelou que Triakis e Cazon na realidade não estão estreitamente relacionados, indiciando também que o tubarão-leopardo pode ser o membro mais basal da família. Os resultados dessa análise permitem elaborar o seguinte cladograma: Relações filogenéticas entre géneros da família Triakidae(com base em sequências dos genes de codificação proteica). Distribuição e habitat O tubarão-leopardo ocorre nas águas continentais frias a temperadas-quentes do Oceano Pacífico nordeste, desde a Baía de Coos (no Oregon) até Mazatlán (no México), incluindo o golfo da Califórnia. Prefere as zonas planas lodosas ou arenosas dentro de baías ou estuários bem abrigados, mas também pode ser encontrado próximo de bosques de kelp e recifes rochosos e ao longo da costa aberta. Foram encontrados grupos que se reúnem próximo de sítios de descarga de efluentes quentes de centrais eléctricas. Estes tubarões geralmente nadam próximo do fundo e são mais abundantes desde a zona intertidal até uma profundidade de 4 m, embora já tenham sido encontrados até profundidades 91 m.

Sendo predadores de natação activa, os grupos de tubarões-leopardo frequentemente seguem a maré até às marismas formadas nas zonas intermarés em busca de alimento, principalmente ameijoas, vermes, caranguejos, camarões, peixes ósseos e ovos de peixes. A maioria dos tubarões-leopardo tende a permanecer por largos períodos na mesma zona, sendo raras longas deslocações até outras áreas. Este sedentarismo conduziu à ocorrência de divergência genética entre as populações de tubarões que habitam em diferentes regiões.

Muitos destes tubarões, particularmente no norte, abandonam os seus habitats costeiros no inverno e regressam nos começos da primavera. Um estudo realizado na Baía de Tomales no norte da Califórnia determinou que abandonam os locais quando a temperatura da água desce abaixo dos 10-12 °C. Um tubarão que tinha sido etiquetado foi encontrado depois de ter nadado 140 km para o sul.

Ainda que se tenha documentado que alguns destes tubarões tenham viajado centos de quilómetros, a maioria deles tendem a permanecer numa área concreta durante grande parte da sua vida. Este baixo nível de dispersão tenha propiciado condições para a ocorrência de divergência genética entre populações ao criar isolamento genético entre elas. Foram identificados sete acervos genéticos distintos ao longo da costa californiana entre a Baía de Humboldt e San Diego. Das populações estudadas, a sub-população da Baía de Humboldt é talvez a mais isolada, já que os espécimes daquela população maturam ao alcançar um maior tamanho e produzem menos crias que os de outras áreas. Em contraste, a área circundante a Los Angeles representa uma zona genética de transição entre sub-populações cujas fronteiras são mais difusas. Na Baja California, os tubarões-leopardo que habitam sobre o lado do Pacífico são presumivelmente geneticamente distintos dos que ocorrem no norte do Golfo da Califórnia. Apesar de haver evidências ambíguas sobre a ocorrência de filopatria natal (ou seja sobre o regresso dos espécimes ao lugar de nascimento para se reproduzirem) nesta espécie, a proximidade às zonas de procriação estabelecidas provavelmente contribui para a estruturação destas diferentes sub-populações. Biologia e ecologia Sendo uma espécie activa que nada com movimentos ondulatório fortes, o tubarão-leopardo é avistado frequentemente quando se movimenta junto da zona de rebentação. A espécie é mais activa à noite e por vezes permanece imóvel no fundo durante largos períodos do dia. Na Baía de Tomales e em outras partes, este tubarão segue o movimento das marés, avançando com a enchente até aos marismas para se alimentar, regressando a tempo de não ficar varado ou aprisionado em poças pelo retroceder da água. Na ilha Santa Catalina, os tubarões residentes passam o dia juntos nas águas pouco profundas, dispersando à noite para águas com maior profundidade, afastando-se até 10 km dos locais de agrupamento.Manley, J.F. (1995). Diel movement patterns of leopard sharks, Triakis semifasciata, at Santa Catalina Island, California (em inglês). MS Thesis. California State University, Long Beach, CA.