Protetor auricular é um dispositivo de Equipamento de Proteção Individual (EPI), conhecido também por dispositivo de proteção auditiva e protetor auditivo, que tem por finalidade diminuir os impactos do ruído elevado no indivíduo e prevenir possível desencadeamento e agravamento de perda auditiva. O protetor auricular tem por objetivo vedar a entrada do som na canal auditivo externo (protetor auditivo do tipo Plug/inserção) e/ou no pavilhão auricular (protetor auditivo do tipo Conha/abafador) devido a exposição aos níveis de pressão sonora elevados (som). O protetor auditivo é indicado enquanto medidas de proteção coletiva estão em processo de implantação, como enclausuramento de máquinas, manutenção, barreiras acústicas entre outras ou na impossibilidade de reduzir o ruído no ambiente.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que os efeitos do ruído na saúde envolvem acometimentos físicos (patológicos), como a PAIR, mudanças temporárias no limiar auditivo e trauma acústico. Também podem ser responsáveis por prejuízos fisiológicos, como o aumento da pressão sanguínea; sensoriais como a otalgia, desconforto e o zumbido. Além disso outros agravos relacionados ao ruído incluem a interferência na comunicação oral, alterações do sono, incômodo, fadiga, dores de cabeça, mudanças comportamentais e irritabilidade.FIORINI, Ana Claudia. Efeitos Não Auditivos do Ruído. In: BOÉCHAT, Edilene Marchini (org.). Tratado de Audiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. p. 328- 333.
Limites de tolerância para o ruído contínuo ou intermitente O Ministério do Trabalho do Brasil, através da Norma Reguladora (RN 15) de 1978 estabelece os valores correspondentes ao limite de exposição ocupacional. A Portaria nº 3.214/1978 da NR-15, caracteriza as atividades, procedimentos e agentes que são considerados insalubres conforme seus limites de tolerância (entende-se pela concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente), que não causará malefício à saúde do trabalhador.BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n.3.214 de 08 de Junho de 1978. Aprova as Normas Regulamentadoras - NR - do Capítulo V, Título II, da Consolidação das Leis do Trabalho, relativas a Segurança e Medicina do Trabalho. Diário Oficial da República Federativa do Brasil: Brasília, 1978. Disponível em: <http://trabalho.gov.br/participacao-social-mtps/participacao-social-do-trabalho/legislacao-seguranca-e-saude-no-trabalho/item/3679-portaria-3-214-1978 >. Acesso em: 18 mai. 2020.
O nível de ruído deve ser medido em decibels (dB). A cada aumento de 5 dB de exposição o tempo permitido deve ser reduzido a metade. Os seguintes valores indicam a máxima exposição diária permitida:
85 dB - 8 horas; 86 dB - 7 horas; 87 dB - 6 horas; 88 dB - 5 horas; 89 dB - 4 horas e 30 minutos; 90 dB - 4 horas; 91 dB - 3 horas e 30 minutos; 92 dB - 3 horas; 93 dB - 2 horas e 40 minutos; 94 dB - 2 horas e 15 minutos; 95 dB - 2 horas; 96 dB - 1 hora e 45 minutos; 98 dB - 1 hora e 15 minutos; 100 dB - 1 hora; 102 dB - 45 minutos; 104 dB - 35 minutos; 105 dB - 30 minutos; 106 dB - 25 minutos; 108 dB - 20 minutos; 110 dB - 15 minutos; 112 dB - 10 minutos; 114 dB - 8 minutos; 115 dB - 7 minutos.
No contexto do trabalho, a legislação trabalhista brasileira determina que a proteção auditiva adequada é aquela que reduz a exposição ao ruído quando os trabalhadores são expostos a níveis de pressão sonora iguais, ou superiores a 85 dB(A), ao longo de um turno de trabalho médio de oito horas. Quando os sons excedem esse valor, torna-se um fator de risco para a audição.
Quando não é possível reduzir os níveis de ruído com métodos técnicos e organizacionais, o uso de protetores auriculares individuais é a melhor alternativa de proteção auditiva. Há uma variedade de protetores auriculares disponíveis no mercado e a escolha do tipo e do modelo que atende cada caso deve ser acompanhada pelo audiologista, que também fará orientações a respeito da correta utilização e da higienização desta ferramenta.
Profissões como de militares, policiais e músicos são categorias que também podem prejudicar sua saúde auditiva devido à presença de sons intensos em suas atividades laborais. Para aqueles que praticam natação e esportes aquáticos existem protetores auditivos específicos. Estes não têm função específica de prevenção da surdez, mas sim de impedir a entrada de água no conduto auditivo externo.
Com o aumento da poluição sonora nas últimas décadas, a prevenção da perda auditiva induzida pelo ruído (PAIR), temporária ou permanente, deve ser uma preocupação de todos, com destaque para a necessidade de minimizar os efeitos do ruído ambiental. Um exemplo bastante comum e que muitas vezes passa despercebido como um risco à saúde auditiva é a música alta, presente nos mais diversos ambientes com diferentes fontes sonoras, seja no carro, utilizando equipamentos ou aparelhos eletrônicos, em festas, shows, cinemas, junto de fogos de artifícios, eventos esportivos, dentre outros comprometem e trazem riscos à audição de uma população vulnerável de crianças e adolescentes expostos ao ruído não ocupacional. ZOCOLI, Angela Maria Fontana; MORATA, Thais Catalani. Adolescência, músicae ruído ambiental. In: MORATA, Thais Catalani; ZUCKI, Fernanda (org). Saúde auditiva Avaliação de riscos e prevenção. São Paulo: Plexus editora, 2010. p. 13-35.
Classificação miniaturadaimagem|Protetores auriculares miniaturadaimagem|Protetores auriculares Os protetores auriculares com finalidade de preservação da saúde auditiva são classificados segundo índices de redução de ruído (NRRs, de Noise Reduction Rates, ou SNR na União Europeia) que possibilitam a escolha do tipo de proteção de acordo com não apenas baseada no nível de decibéis a que o indivíduo está exposto, mas também na atividade laboral ou de lazer que demanda a proteção auditiva. Mas na prática, a atenuação do ruído varia muito e é muito raramente semelhante à SNR. Muitos trabalhadores têm uma atenuação de ruído próxima de zero.
Os protetores auriculares são divididos em duas categorias:
Protetores em que a atenuação é constante, e que não dependem do nível de pressão sonora. É considerada a mais comum e mais utilizada, sendo dividida em dois tipos: circum-auricular (concha): essa proteção auditiva se ajusta ao redor da orelha externa da pessoa; inserção (pré-moldado e moldável): se encaixam no interior do canal auditivo da pessoa ; Protetores em que a atenuação depende do nível de pressão sonora, é dividida em sistemas passivos (como os plugues de atenuação não linear, possuem filtros) e sistemas ativos (como os sistemas de comunicadores eletrônicos).SAMELLI, Alessandra Giannella; FIORINI, Ana Claudia. Ações de Proteção para Prevenção de Perdas Auditivas Relacionadas ao Trabalho. In: BOÉCHAT, Edilene Marchini (org.). Tratado de Audiologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015. p. 333-340.
Protetores do tipo 'básico' Esse tipo de proteção os ouvidos é frequentemente usado por trabalhadores industriais que trabalham expostos a ruído por longos períodos, ou por exemplo, usado por soldados pelo Ministério da Defesa britânico, quando disparam armas de fogo. Os protetores são classificados por sua capacidade de reduzir o ruído.
Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA exige que a proteção auditiva seja classificada e rotulada. Para ser classificada, a proteção auditiva é testada de acordo com a ANSI S3.19-1974 para fornecer uma faixa de valores de atenuação em cada frequência que pode ser usada para calcular uma Classificação de Redução de Ruído (NRR). Sob esse padrão, um painel de dez indivíduos é testado três vezes cada em um laboratório para determinar a atenuação em um intervalo de 9 frequências.U.S. Environmental Protection Agency Code of Federal Regulations 40 CFR 211 Subpart B
Na União Europeia, os protetores auditivos devem ser testados de acordo com o padrão de teste acústico da Organização Internacional para Normalização (ISO), ISO 4869 Parte 1ISO 4869-1 (1990). Acoustics—Hearing Protectors Part 1: Subjective method for the measurement of sound attenuation, International Organization for Standardization, Geneva. e a Classificação de Número Único ou Alto / Médio / Baixo, cujas classificações são calculadas de acordo com a ISO 4869 Parte 2.ISO 4869-2 (1994). Acoustics—Hearing Protectors Part 2: Estimation of effective A-weighted sound pressure levels when hearing protectors are worn, International Organization for Standardization, Geneva. No Brasil, os protetores auditivos são testados de acordo com o Instituto Nacional Americano de Padrões ANSI S12.6-1997 e são classificados usando a classificação de redução de ruído (NRR).ANSI S12.6-1997 [R2002] (2002) American National Standard for the Measuring Real-Ear Attenuation of Hearing Protectors, American National Standards Institute, New York. A Austrália e a Nova Zelândia têm padrões diferentes para classificações de protetor, considerando uma quantidade SLC80 (classe de nível de som para o percentil 80). O Canadá implementa um sistema de classes para avaliar o desempenho dos protetores. Gauger e Berger revisaram os méritos de vários métodos de classificação diferentes e desenvolveram um sistema de classificação que é a base de um novo padrão nacional americano, ANSI S12.68-2007Gauger, D., and Berger, E. H. (2004). A new hearing protector rating: The noise reduction statistic for use with A-weighting (NRSA), Technical Report No. E-A-R 04-01/HP, American National Standards Institute, New York. This report can be found online at the following URL web URL http://www.e-a-r.com/pdf/hearingcons/TO4_01EPA.pdf.ANSI S12.68 (2007). American National Standard Methods of Estimating Effective A-Weighted Sound Pressure Levels When Hearing Protectors, are Worn, American National Standards Institute, New York.
Os vários métodos têm interpretações ligeiramente diferentes, mas cada método tem um percentil associado à classificação. Essa porcentagem dos usuários deve conseguir atingir a atenuação classificada. Por exemplo, o NRR é determinado pela atenuação média menos dois desvios padrão. Assim, ele se traduz em uma estatística de 98%. Ou seja, pelo menos 98% dos usuários devem conseguir atingir esse nível de atenuação. O NRR e o tamanho (HML) são uma média menos um desvio padrão. Portanto, aproximadamente 86% dos usuários devem conseguir atingir esse nível de proteção. Da mesma forma, o NRR (SF) é uma média menos um desvio padrão e representa 86% dos usuários que devem atingir esse nível de proteção. A diferença entre as classificações está na forma como os protetores são testados. O NRR é testado com um protocolo de ajuste do experimentador. O NRR (SF) é testado com um protocolo ingênuo de ajuste do sujeito. De acordo com Murphy, et. al. (2004), esses três protocolos produzirão diferentes quantidades de atenuação, sendo a NRR a maior e a NRR (SF) a menor.
O NRR (SF) usado no Brasil, Austrália e Nova Zelândia não requer redução de classificação, pois se assemelha à maneira pela qual o usuário comum usará proteção auditiva.