miniaturadaimagem|upright=1.3|Imagem de um boneco inflável de Bolsonaro em Brasília durante os protestos contra o governo em 2021. As controvérsias envolvendo o Governo Bolsonaro referem-se ao histórico de controvérsias envolvendo o governo do ex-Presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro (2019-2022). Antes de ser eleito nas eleições presidenciais em 2018, o então deputado federal Jair Bolsonaro ficou conhecido por suas opiniões polêmicas sobre diversos temas como a ditadura militar brasileira, a união entre pessoas de mesmo sexo, e imigração. Como presidente do Brasil, continuou a dar declarações controversas, consideradas de extrema-direita por muitas pessoas, internautas e jornais.

Negacionismo e revisionismo histórico

esquerda|upright|thumb|Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores, afirmou que o nazismo foi um "movimento de esquerda".

Membros do governo Bolsonaro já deram várias declarações de cunho revisionista e negacionista a respeito de fatos históricos. No dia 28 de março, Bolsonaro determinou ao Ministério da Defesa a produção de um documento com referências ao golpe militar de 1964 e que foi lido nos quartéis. A intenção, segundo o presidente, foi "rememorar" o fato e identificar pontos corretos e errados para o "bem do Brasil no futuro". O texto afirma, sem mencionar "golpe militar", que a ascensão dos militares ao poder se deu para interromper" a escalada em direção ao totalitarismo". O Instituto Vladimir Herzog e o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) fizeram uma denúncia em caráter confidencial à Organização das Nações Unidas (ONU) do que definiram como "tentativa de modificar a narrativa sobre o golpe de 1964", que deu início à ditadura militar (1964-1985).

No dia 31 de março, o Palácio do Planalto divulgou um vídeo negando que o golpe de 1964 tenha sido de fato um golpe. A Secretaria de Imprensa da Presidência confirmou que material foi enviado em um grupo de WhatsApp, mas não soube dizer quem enviou para o canal da presidência e disse que o governo não produziu o vídeo. Posteriormente, o empresário Osmar Stábile declarou ser o "autoprodutor" do filme; ele alegou não saber como o filme foi parar na Secretaria da Presidência. Em 4 de abril, o governo enviou telegrama à ONU afirmando que "não houve golpe de Estado" em 1964 e que os 21 anos de ditadura foram necessários "para afastar a crescente ameaça de uma tomada comunista do Brasil".

Em março de 2019, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, provocou críticas de historiadores no Brasil e no exterior ao dizer que dois regimes totalitários, o fascismo e o nazismo, eram de esquerda. A declaração foi dada em uma entrevista ao canal Brasil Paralelo publicada em 17 de março de 2019 e divulgada nas redes sociais. Esta foi a primeira vez que Araújo diz algo do tipo como ministro de Estado, mas ele já havia feito declarações semelhantes no passado. No dia 2 de abril, o próprio Bolsonaro disse "não ter dúvida" de que o nazismo era um regime de esquerda. "Não há dúvida, não é? Partido Socialista, como é que é? Da Alemanha. Partido Nacional Socialista da Alemanha", respondeu o presidente.

O nazismo foi uma corrente política alemã que surgiu na esteira da ascensão do fascismo na Europa e fundamentou o Estado totalitário de Adolf Hitler. Assim como o fascismo, se caracterizou pelo nacionalismo, o autoritarismo e o anticomunismo. Há consenso acadêmicoFritzsche, Peter. Germans into Nazis, Cambridge, Mass.: Harvard University Press, 1998; Eatwell, Roger, Fascism, A History, Viking-Penguin, 1996. pp. xvii-xxiv, 21, 26–31, 114–140, 352. Griffin, Roger, "Revolution from the Right: Fascism," in David Parker, ed., Revolutions and the Revolutionary Tradition in the West 1560-1991, London: Routledge, 2000 de que o nazismo se tratou de um movimento de extrema-direita e assim ele é considerado pelo próprio governo da Alemanha, assim como pelo Centro Mundial de Memória do Holocausto, o Yad Vashem, em Jerusalém, Israel. Em entrevista ao jornal O Globo em setembro de 2018, o embaixador da Alemanha no Brasil, Georg Witschel, afirmou que a declaração "é uma besteira". Heinz Bierbaum, do partido Die Linke, disse que é "uma completa distorção dos fatos históricos" classificar o nazismo como de esquerda. "Sem qualquer dúvida, o nazismo é um movimento fascista [...] eles não foram responsáveis apenas pela morte de 6 milhões de judeus, mas também de 20 mil membros de partidos de esquerda", completou Bierbaum.

Ditadura militar brasileira

No dia 25 de março de 2019, o Porta-voz da Presidência da República anunciou que o presidente Jair Bolsonaro orientou os quartéis a comemorarem no dia 31 de março a “data histórica” do aniversário do golpe de estado que instaurou a ditadura militar em 1964. Após o anúncio, o Ministério da Defesa divulgou em seu site uma "ordem do dia", a ser lida nas unidades militares, cujo conteúdo ignora o aspecto autoritário do regime e diz que "atendendo ao clamor da maioria da população e da imprensa brasileira, as Forças Armadas assumiram a estabilização do processo em que foi interrompida a escalada em direção ao totalitarismo".

Os membros e ex-membros das Forças Armadas Brasileiras que atualmente trabalham como ministros no governo de Bolsonaro (esses membros e ex-membros serviram durante a Quinta República Brasileira) pediram cautela no tom para evitar ruídos desnecessários diante do clima político acirrado e dos riscos de polêmicas afetarem os debates na Câmara dos Deputados sobre a proposta de reforma da Previdência enviada pelo governo federal em fevereiro.

No dia 28 de março de 2019, devido a repercussão negativa na mídia e críticas por parte de aliados do governo, do Congresso Nacional e setores da justiça, Bolsonaro negou que tenha feito a determinação ao Ministério da Defesa de “comemorar” o golpe. Ele disse em um evento da Justiça Militar: “Não foi comemorar. Foi rememorar, rever o que está errado, o que está certo e usar isso para o bem do Brasil no futuro”.

Bolsonaro antes de ser presidente já havia dado declarações controversas sobre o período em que os militares governaram o país, essa foi uma das primeiras falas sobre a ditadura que Bolsonaro fez após ser eleito Presidente da República.

A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal divulgou uma nota no dia seguinte a orientação feita pelo Palácio do Planalto na qual afirmou que a comemoração do golpe militar de 1964 merece "repúdio social e político", que a mesma é incompatível com o Estado Democrático de Direito devido as políticas de violações sistemáticas aos direitos humanos que aconteceram no regime, que o ato de comemorá-lo "se reveste de enorme gravidade constitucional" e pode configurar improbidade administrativa.

A juíza Ivani da Luz, da 6.ª Vara Federal em Brasília proibiu no dia 29 de março o Governo Bolsonaro e o Ministério da Defesa de comemorar o aniversário do golpe de estado de 1964, a juíza atendeu a um pedido de liminar apresentado pela Defensoria Pública da União, o pedido alegou "risco de afronta à memória e à verdade" e emprego irregular de recursos públicos nos eventos da comemoração. A juíza disse que a comemoração do golpe desobedece o princípio da prevalência dos direitos humanos, previsto na Constituição de 1988. A Advocacia-Geral da União recorreu da decisão no mesmo dia e alegou que as ações propostas não preenchem os requisitos necessários para a concessão de uma medida liminar, logo, a desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) cassou a liminar e, dessa maneira, as comemorações do aniversário do golpe militar de 1964 ocorreram normalmente sem impedimento da Justiça Federal.

No dia 3 de abril, o então ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, disse em uma entrevista que "haverá mudanças progressivas" nos livros didáticos para que "as crianças possam ter a ideia verídica, real", do que foi a sua história. Referia-se à maneira como o regime militar é retratado, atualmente, nas escolas brasileiras, o então ministro afirmou que o golpe de estado no país não existiu e que o regime que o sucedeu não era uma ditadura. De acordo com ele, a história brasileira mostra que o que ocorreu em 1964 foi uma decisão soberana da sociedade brasileira, que a Constituição de 1946 foi seguida, porque a mesma previa que no caso de ausência do presidente por um determinado tempo o Congresso deveria escolher um novo representante e, que o regime que assumiu o comando do país na época surgiu de "de uma composição e de uma decisão política [...] em que o Executivo chamou a si mais funções". Ele ainda disse que o regime foi "um regime democrático de força porque era necessário nesse momento".

Com a polêmica saída de Ricardo Vélez Rodríguez do comando do MEC, a proposta não foi levada adiante e, devido a isso, não houve alterações nos livros didáticos.

Nomeação de militares para cargos no governo esquerda|thumb|Olavo de Carvalho ao lado de Bolsonaro Os militares ocupam grande parte do gabinete de Jair Bolsonaro, sendo também um militar, Hamilton Mourão, ocupante a vice-presidência do Brasil; foi um militar, inclusive, quem substituiu Gustavo Bebianno, no seu ofício do gabinete. Entretanto, seu principal ideólogo, Olavo de Carvalho, passou a demonstrar descontentamento com a classe militar, inclusive com o próprio vice-presidente, Hamilton Mourão.

A situação se agravou quando Mourão começou a dar opiniões opostas a de Olavo e a do próprio Bolsonaro; Mourão se mostrou a favor ao aborto, contra uma derrubada insurgente do regime de Nicolás Maduro, na Venezuela, além de classificar o Nazismo como oposto ao comunismo.

Olavo, alguns membros da família de Bolsonaro e os influenciadores digitais apoiadores do presidente, acusaram Mourão de conspirar contra o governo, ao apoiar teses diferentes da do presidente, pois, segundo eles, tentava agradar opositores de Jair para conseguir chegar ao poder após uma iminente queda do presidente; Marco Feliciano, pediu o impedimento de Mourão, porém ele não foi acatado pelo Presidente da Câmara e o processo acabou sendo arquivado na Câmara dos Deputados.

Em junho de 2020, Sérgio Xavier Ferolla, ex-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), criticou a proximidade de membros das Forças Armadas do Brasil ao Governo Jair Bolsonaro, afirmando que tal atitude prejudica a imagem das instituições.

Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal, em entrevista concedida ao programa de televisão Roda Viva em 15 de junho de 2020, declarou ser preocupante que cargos no governo sejam "povoados" por militares e que isso causaria uma identificação dos militares com o executivo, obtendo vantagens e privilégios, o que seria um "desastre". Barroso comparou ainda essa militarização ao que ocorreu na Venezuela. Por essas declarações, o ministro sofreu duras críticas da ala militar do governo.

Em 17 de junho de 2020, o Poder360 divulgou um levantamento com o número de cargos ocupados por militares no governo Bolsonaro, são 2.930, 92,6% no Executivo, 7,2% estão no Judiciário e 0,03% estão no Legislativo. Em 29 de junho, um coletivo de ONGs anunciam que vão elaborar documentos denunciando as atitudes do governo à ONU, em trecho do documento, é lembrado que o número de militares no governo já é maior que na época da ditadura.

Comemoração do golpe militar de 1964 No dia 17 de março de 2021, o governo Bolsonaro conseguiu um recurso na Justiça para comemorar o golpe de Estado do Brasil que ocorreu em 1964.

Política educacional

Durante sua campanha presidencial, Bolsonaro teve como principal proposta na área de educação "expurgar a ideologia de Paulo Freire" e retirar das escolas e universidades o que ele chama de "doutrinação da esquerda", que foi, segundo ele, o conjunto de ideologias que os governos do Partido dos Trabalhadores impuseram as instituições de ensino do país.