Cândido Simões Ferreira (Ponte Nova, 19 de março de 1921 – Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2013) foi um geólogo, paleontólogo, pesquisador e professor universitário brasileiro.

Comendador e grande oficial da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências, foi pesquisador emérito do Museu Nacional no Rio de Janeiro, professor titular da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e assessor do Comitê de Geociências do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Início da vida Cândido nasceu em 1921, no município mineiro de Ponte Nova. Ingressou no curso de química, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Distrito Federal, que viria a ser incorporada pela Universidade do Brasil, que daria origem à Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Carreira Licenciado e bacharel em Química, ingressou nas Ciências da Terra ao fazer um estudo metalográfico e a análise química de alguns meteoritos brasileiros, tanto que seu primeiro artigo científico, publicado em 1951, analisou o meteorito de Barbacena. Começou a trabalhar como naturalista no Museu Nacional em 1945 e depois em 1960 ingressou na UFRJ, tornando-se professor titular em 1969, cargo que ocupou até a sua aposentadoria, em 1991.

Cândido também fez grandes contribuições para o Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará, entre os anos de 1955 e 1957 como pesquisador-chefe da Divisão de Geologia, onde se dedicou aos estudos paleontológicos na Amazônia, em especial na Formação Pirabas. Entre os anos de 1958 e 1964, com bolsa do CNPq, trabalhou em tempo integral para a UFRJ. Em 1964 foi nomeado chefe de divisão da geologia do Museu Nacional, tendo se dedicado aos estudos de fósseis de invertebrados.

As suas principais linhas de pesquisa eram a Análise geoquímica de meteoritos, a Geocronologia, a Estratigrafia e a Paleontologia de Invertebrados.

Cândido fez estudos pioneiros na Formação Pirabas, no Pará, com revisões das formas já descritas e descrições de novas espécies. Fez levantamentos paleontológicos e estratigráficos que se tornaram referência para o norte e nordeste. Em 1976 foi eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências, chegando a ocupar o cargo de Secretário-Geral. Publicou mais de 60 trabalhos, tendo orientado mestrandos e doutorandos no Museu Nacional e na UFRJ. Trabalhou com outros paleontólogos como Maria Martha Barbosa, além de inspirar várias gerações de pesquisadores como Ismar de Souza Carvalho e Diógenes de Almeida Campos

Em 1990, em uma expedição às margens do rio Itapecuru, em Itapecuru-Mirim, no Maranhão, Cândido tropeçou em uma vértebra que, inicialmente, supôs ser de algum mamífero grande. Enviando a vértebra para o laboratório da UFRJ, descobriu-se que não era de um mamífero, mas sim de um dinossauro. Uma nova expedição foi enviada para a região do rio Itapecuru, onde todos os fragmentos foram coletados e analisados. Em 2003 teve-se a certeza de que era o fóssil do dinossauro mais antigo encontrado até o momento em território brasileiro, o Amazonsaurus maranhensis. Ele teria cerca de 10 metros de comprimento e cerca de 10 toneladas de peso, sendo principalmente herbívoro.

Cândido morreu na cidade do Rio de Janeiro, em 23 de setembro de 2013, aos 92 anos. Na época de sua morte era o paleontólogo mais velho ainda em atividade no Brasil.

Prêmios e homenagens

1978 - Honra ao Mérito pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia. 1985 - Placa de Prata da Sociedade Brasileira de Paleontologia. 1988 - Honra ao trabalho científico, nomeação do crocodilomorfo Candidodon itapecuruense, da Bacia do Parnaíba. 1990 - Placa de Prata da Sociedade Brasileira de Geologia. 1993 - Professor Emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro 1996 - Nomeação como Comentador da Ordem Nacional do Mérito Científico 2002 - Nomeação com a Grão-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico.

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