Fernão Rodrigues de Calheiros foi um fidalgo e trovador português viveu em finais do século XII e princípios do séc. XIII, sendo considerado um dos mais importantes compositores do movimento do trovadorismo da altura e grande impulsionador do galaico-português.
Oriundo do Alto-Minho e pertencente à Casa de Calheiros, foi filho de Rodrigo Fernandes de Calheiros, Cavaleiro da Ordem de Calatrava, e Irmão de Paio e Pedro Rodrigues de Calheiros. Foi pai ou avô de Pedro (Pero) Fernandes de Calheiros, Cavaleiro e Comendador da Ordem de Santiago.
A poesia trovadoresca Galaico-Portuguesa tem a sua principal difusão a partir do final século XI, seguindo a tradição poética da Occitânia trazida pelos peregrinos a Santiago (na altura o grande centro urbano do norte da Península Ibérica), pelas relações dinásticas e pelos cavaleiros e nobres franceses.
É considerado o primeiro movimento literário em língua portuguesa, tendo tido um papel fundamental no desenvolvimento gramatical e utilização do português e galaico-português.
No século XII a poesia trovadoresca já fazia parte dos círculos nobiliárquicos e nas cortes da Península, onde o núcleo dos principais trovadores pertencia à nobreza. Os temas abordam os ideias cavalheirescos mas também o amor e as virtudes da dona “a beleza da dona e a sua condição social, dedicando-lhe o seu amor e serviço e solicitando o retorno do favor…. numa relação feudo-vassálica entre a senhora e o trovador, relação essa que se revela inconcretizável” dando origem aos Cantares de Amor e aos Cantares de Amigo.
É neste contexto que vive Fernão Rodrigues de Calheiros, cuja obra atravessa as Cantigas de Amor, Cantigas de Amigo e Cantigas de Escárnio e Maldizer, tendo sobrevivido até aos nossos dias mais de 30 poesias.
Cantiga de Amor Agora oí d'ũa dona falar Rúbrica: Outrossi fez outra cantiga a outra dona a que davam preço com um peom que havia nome Vela, e diz assi:
Agora oí d'ũa dona falar,
que quero bem, pero a nunca vi,
por tam muito que fez por se guardar:
poi[s] molher que nunca fora guardada,
por se guardar de maa nomeada,
filhou-s'e pôso Vela sobre si.
Ainda d'al o fez[o] mui melhor
que lhi devemos mais agradecer:
que nunca end'houve seu padre sabor
nem lho mandou nunca, pois que foi nado;
e, a pesar dele, sen'o seu grado,
nom quer Vela de sobre si tolher.
Obra Poética de Fernão Rodrigues de Calheiros Sobreviveram até aos nossos dias e referidos nomeadamente mencionadas no Cancioneiro da Ajuda e no Cancioneiro da Vaticana, mais de 30 obras poéticas de Fernão Rodrigues de Calheiros:
Cantigas de Escárnio e maldizer
Agora oí d'ũa dona falar D'ũa donzela ensanhada Vistes o cavaleiro que dizia Cantiga de Amigo Agora vem o meu amigo Assanhei-m'eu muit'a meu amigo Direi-vos agor', amigo, camanho temp'há passado Disse-mi a mi meu amigo, quando s'ora foi sa via Estava meu amig'atenden[d]'e chegou Perdud'hei, madre, cuid'eu, meu amigo
Cantigas de Amor
Assaz entendedes vós, mia senhor Dê'lo dia em que eu amei Des quando me mandastes, mia senhor Já m'eu quisera leixar de trobar Madre, passou per aqui um cavaleiro Mim fez meter meu coraçom Muito per há já gram sazom Nom vos façam creer, senhor O gram cuidad'e o afã sobejo O grand'amor que eu cuidei prender Ora faz a mim mia senhor Ora tenh'eu que hei razom Par Deus, senhor, mui mal me per matou Par Deus, senhor, ora tenh'eu guisado Pero que mia senhor nom quer Quando m'agora mandou mia senhor Que cousiment'ora fez mia senhor Que farei agor', amigo Que mal matei os meus olhos e mim Quero-vos eu dizer, senhor Senhor Deus, que coita que hei Vedes, fremosa mia senhor
Género incerto
Nom há home que m'entenda
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