Arianespace SA é uma empresa francesa fundada em março de 1980 como a primeira prestadora de serviços de lançamento comercial do mundo. Opera o Ariane 6, um foguete com versões de média e alta capacidade de carga. A Arianespace é uma subsidiária da ArianeGroup, uma empresa formada pela Airbus e pela Safran.

Os lançamentos espaciais europeus são realizados em cooperação entre empresas privadas e agências governamentais. A Arianespace comercializa os serviços de lançamento do Ariane 6, prepara as missões e cuida do relacionamento com os clientes. No Centro Espacial da Guiana, conhecido pela sigla CSG, na Guiana Francesa, a empresa supervisiona as equipes que integram e preparam os veículos de lançamento. A infraestrutura de lançamento do CSG pertence à Agência Espacial Europeia, e a base é administrada pelo CNES, a agência espacial francesa. A ArianeGroup projeta e fabrica o Ariane 6.

Até outubro de 2025, a Arianespace havia realizado 355 missões e lançado mais de 1.100 satélites ao longo de 45 anos. Seu primeiro lançamento comercial, o do Spacenet 1, ocorreu em 23 de maio de 1984. Além das operações no CSG, a empresa mantém sua sede em Évry-Courcouronnes, nos arredores de Paris.

História A criação da Arianespace SA teve origem nos planos de países da Europa de cooperar na exploração espacial e de criar, em 1973, uma organização internacional para coordenar esse trabalho, a Agência Espacial Europeia, ou ESA.Harvey 2003, pp. 161-162. Antes da criação da agência, a França já defendia o desenvolvimento de um novo sistema europeu de lançamento descartável para substituir o foguete Europa. O lançador pesado Ariane foi um dos primeiros programas da ESA.Harvey 2003, p. 161. Seu objetivo era colocar satélites comerciais em órbita geossíncrona.Harvey 2003, pp. 161-166.

miniaturadaimagem|upright|esquerda|Maquete do Ariane 1 A França detinha a maior participação no programa de desenvolvimento do Ariane.Harvey 2003, p. 166. A fabricante aeroespacial francesa Aérospatiale era a contratada principal e integrava todas as seções do veículo. A também francesa Société Européenne de Propulsion, ou SEP, fornecia os motores do primeiro, segundo e terceiro estágios. Os motores do terceiro estágio eram produzidos em parceria com a fabricante aeroespacial alemã MBB. Também participavam as empresas francesas Air Liquide e Matra, a sueca Volvo e a fabricante alemã de aviões Dornier Flugzeugwerke. O terceiro estágio exigiu atenção especial no projeto. Antes do Ariane, apenas os Estados Unidos haviam lançado foguetes com estágios superiores movidos a hidrogênio.Harvey 2003, pp. 165-166.

Após o sucesso do primeiro lançamento de teste do Ariane 1, em 24 de dezembro de 1979, o CNES e a ESA criaram a Arianespace para promover e comercializar os lançamentos Ariane e administrar suas operações.Harvey 2003, p. 169. Foi a primeira empresa de serviços de lançamento do mundo. Depois de mais três lançamentos de teste, o primeiro lançamento comercial do Ariane ocorreu em 10 de setembro de 1982 e fracassou devido a uma falha na turbobomba do terceiro estágio.Harvey 2003, pp. 170-172. Os seis voos restantes do Ariane 1 tiveram sucesso, e o último ocorreu em fevereiro de 1986.Harvey 2003, p. 172. Com esses resultados, as encomendas aumentaram rapidamente. No início de 1984, havia contratos para lançar 27 satélites com o Ariane, cerca de metade do mercado mundial. Após a décima missão Ariane, a ESA transferiu formalmente a responsabilidade pelo lançador à Arianespace.

No início de 1986, o Ariane 1 e seus derivados, o Ariane 2 e o Ariane 3, lideravam o mercado mundial de lançamentos. O Ariane 2 e o Ariane 3 foram usados por pouco tempo, enquanto o Ariane 4 era desenvolvido. Maior e mais versátil que os modelos anteriores da família, o novo foguete foi concebido desde o início para competir com os lançadores de maior capacidade do mundo. O Ariane 1 tinha massa típica de 207 toneladas e podia colocar até 1,7 tonelada em órbita. O Ariane 4 tinha massa típica de 470 toneladas e capacidade para colocar até 4,2 toneladas em órbita.Harvey 2003, p. 178. Apesar disso, o Ariane 4 era 15% menor que o Ariane 3.Harvey 2003, p. 180.

O primeiro lançamento bem-sucedido do Ariane 4 ocorreu em 15 de junho de 1988. Nesse voo inaugural, o foguete colocou mais de um satélite em órbita. A partir do lançamento V50, o Ariane 4 passou a usar um terceiro estágio aperfeiçoado, chamado H10+, que aumentou a capacidade de carga do foguete em 110 kg e prolongou o tempo de queima em 20 segundos.Harvey 2003, p. 183.

miniaturadaimagem|upright|Ariane 4 na plataforma de lançamento O desenvolvimento do Ariane 5 começou antes mesmo do primeiro voo do Ariane 4, em 1988.Harvey 2003, pp. 184-185. Em janeiro de 1985, o Ariane 5 foi aprovado como programa da ESA. Seguiram-se onze anos de desenvolvimento e testes até o primeiro lançamento, em 1996. O novo foguete compartilhava menos elementos com os modelos anteriores do que o Ariane 4. Foi projetado para transportar cargas de até 5,2 toneladas, reduzir os custos em 20% em relação ao Ariane 4 e oferecer maior margem de segurança. Essa exigência de segurança decorria da previsão de voos tripulados, nos quais o Ariane 5 levaria astronautas a bordo da nave Hermes, ainda em projeto.Harvey 2003, p. 185. O desenvolvimento do Ariane 5 gerou controvérsia. Alguns membros da ESA julgavam que o Ariane 4, já em operação, atendia melhor às necessidades existentes. Esse teria sido o motivo da decisão britânica de não participar do programa Ariane 5.Harvey 2003, p. 186. Por anos, os dois modelos foram usados em paralelo, até a decisão de encerrar as operações do Ariane 4 e concentrar os lançamentos no Ariane 5.Harvey 2003, p. 193.

Em meados da década de 1990, as empresas francesas Aérospatiale e SEP e a italiana Bombrini-Parodi-Delfino, ou BPD, discutiram o desenvolvimento de um lançador complementar ao Ariane, chamado ACL. A Itália também defendia a criação de um lançador de satélites com propelente sólido, o Vega. Em março de 2003, a ESA e o CNES assinaram os contratos de desenvolvimento do Vega. A Itália forneceu 65% dos recursos, e outros seis países financiaram o restante. Em maio de 2004, a operadora comercial Arianespace e a contratada principal ELV assinaram um contrato para integrar o veículo em Kourou, na Guiana Francesa. O primeiro lançamento do Vega ocorreu em 13 de fevereiro de 2012. O jornalista Dan Thisdell, da Flight Global, chamou-o de um "voo aparentemente perfeito". Desde a entrada do Vega em serviço comercial, a Arianespace o oferecia para missões em órbitas polares e heliossíncronas.

Em 2002, a ESA anunciou o programa Arianespace Soyuz, em cooperação com a Rússia. Uma área de lançamento para o Soyuz foi construída no Centro Espacial da Guiana, e o veículo foi adaptado para operar nessa base. O financiamento e a aprovação final do programa foram concedidos em 4 de fevereiro de 2005. A Arianespace oferecia aos clientes lançamentos com a versão modificada Soyuz ST-B. Em 21 de outubro de 2011, a empresa realizou o primeiro lançamento de um foguete Soyuz fora do território da antiga União Soviética. A carga era composta por dois satélites de navegação Galileo. A partir de 2011, a Arianespace encomendou 23 foguetes Soyuz, quantidade suficiente para atender às suas necessidades até 2019, com três ou quatro lançamentos por ano.

Em 21 de janeiro de 2019, a ArianeGroup e a Arianespace anunciaram a assinatura de um contrato de um ano com a ESA para estudar e preparar uma missão à Lua destinada à extração de regolito.

Em 2020, a Arianespace suspendeu suas operações por quase dois meses devido à pandemia de COVID-19. A paralisação começou em 18 de março e, em 29 de abril, a retomada estava prevista para 11 de maio. O retorno deveria seguir novas medidas de saúde e segurança, entre elas o distanciamento social no ambiente de trabalho.

O Ariane 5 foi retirado de serviço em 2023. Seu sucessor, o Ariane 6, fez o primeiro voo em 9 de julho de 2024.

Em agosto de 2024, a ESA autorizou a Avio, contratada principal do programa Vega, financiado pela agência, a comercializar diretamente o Vega C e buscar clientes fora do setor governamental. Até então, a Arianespace cuidava da comercialização dos lançamentos Vega. A conclusão da transferência estava prevista para o fim de 2025.

Empresa e infraestrutura miniaturadaimagem|upright|Lançador Vega na plataforma de lançamento A Arianespace comercializa os serviços de lançamento da indústria espacial europeia e de seus fornecedores de componentes.

Os principais acionistas da Arianespace são empresas que fornecem seus foguetes e componentes, sediadas em países europeus. A participação dessas empresas no capital começou na formação da Arianespace, criada para assumir a produção e a comercialização dos lançadores Ariane. Em junho de 1979, o CNES e empresas industriais europeias se comprometeram a fornecer 95% do capital previsto para a nova companhia. Bancos europeus subscreveram o restante. A empresa tinha 24 acionistas em 2008, 21 em 2014 e 17 em outubro de 2018.

País Participação total Acionista Participação no capital 3,36% SABCA 2,71% Thales Alenia Space Belgium 0,33% Safran Aero Boosters 0,32% 64,10% ArianeGroup 62,10% Air Liquide SA 1,89% Clemessy 0,11% CIE Deutsche <0,01% 19,85% ArianeGroup 11,59% MT Aerospace AG 8,26% 3,38% Avio S.p.A. 3,38% 1,94% Airbus Defence and Space B.V. 1,94% 0,11% Kongsberg Defence & Aerospace AS 0,11% 2,14% Airbus Defence and Space SAU 2,03% CRISA 0,11% 2,45% GKN Aerospace Sweden AB 1,63% RUAG Space AB 0,82% 2,67% RUAG Schweiz AG 2,67%

Em 2015, a composição acionária da Arianespace foi reorganizada com a criação da Airbus Safran Launchers, depois rebatizada como ArianeGroup, responsável pelo desenvolvimento e pela fabricação do Ariane 6. Os grupos industriais Airbus e Safran reuniram suas ações e a participação do CNES, pertencente ao governo francês, em uma empresa conjunta que passou a deter pouco menos de 74% da Arianespace. Os 26% restantes ficaram distribuídos entre fornecedores de nove países, entre eles outras subsidiárias da Airbus.

Concorrência e preços

Em 2004, a Arianespace detinha mais de 50% do mercado mundial de lançamentos de satélites para a órbita de transferência geoestacionária, ou GTO.

Na década de 2010, a entrada da SpaceX no mercado, com lançamentos de menor custo, levou a Arianespace a reduzir seu quadro de funcionários e suas despesas para manter a competitividade. Sob a pressão dos preços cobrados pelas concorrentes, a empresa anunciou, em novembro de 2013, que passaria a negociar preços mais flexíveis para os "satélites mais leves" transportados pelo Ariane 5 até órbitas de transferência geoestacionária. O diretor-geral da Arianespace afirmou: "É muito claro que a SpaceX traz um enorme desafio [...] por isso, as coisas precisam mudar [...] e toda a indústria europeia está sendo reestruturada, consolidada, racionalizada e enxugada".

No início de 2014, a Arianespace cogitava pedir mais subsídios aos governos europeus para enfrentar a concorrência da SpaceX e as mudanças desfavoráveis no câmbio entre o euro e o dólar. Desde 2002, a empresa havia reduzido pela metade sua necessidade de subsídios, uma diminuição de 100 milhões de euros por ano. A queda do dólar, porém, causava perdas anuais de 60 milhões de euros devido às oscilações cambiais nos contratos de lançamento. A SpaceX já começava a conquistar parte do mercado da Arianespace. Michel de Rosen, diretor-executivo da Eutelsat, uma das maiores clientes da Arianespace, afirmou: "A cada ano que passa, a SpaceX vai avançar, ganhar participação no mercado e reduzir ainda mais seus custos por meio de economias de escala".