Categoria:Bairros do Mandaqui Horto Florestal''' é um bairro situado no distrito do Tremembé, administrado pela Subprefeitura de Jaçanã-Tremembé, na Zona Norte da cidade de São Paulo. A vinculação administrativa do bairro ao Tremembé consta em documentos da administração municipal. Sua denominação coincide com o nome pelo qual é tradicionalmente conhecido o Parque Estadual Alberto Löfgren, importante área de conservação localizada na região. O bairro desenvolveu

História O bairro desenvolveu-se no entorno do parque estadual e junto às áreas verdes situadas no sopé da Serra da Cantareira. O parque, embora estreitamente associado à identidade da localidade, constitui uma unidade territorial distinta do bairro. O Parque Estadual Alberto Löfgren possui 186 hectares, dos quais 39,73% foram delimitados como zona de uso público. Essa área está distribuída entre as glebas Horto Florestal, Olaria, Polo Ecocultural e Arboreto Vila Amália; a gleba denominada Horto Florestal possui 32,83 hectares. A presença dessa área protegida, juntamente com parte do Parque Estadual da Cantareira, caracteriza o Tremembé como um dos setores de expressiva cobertura vegetal do município.

A origem do principal marco territorial do bairro remonta a 1896, quando foi estabelecido o Horto Botânico por iniciativa do botânico sueco Albert Löfgren. Considerado a primeira área de conservação implantada no estado de São Paulo, o Horto foi formado a partir da desapropriação do Engenho Pedra Branca e destinava-se à conservação da fauna e da flora, ao desenvolvimento de pesquisas e à produção de mudas. Com a criação do Serviço Florestal do Estado, em 1911, o local passou a ser denominado Horto Botânico e Florestal e assumiu a função de produzir mudas para o reflorestamento de áreas paulistas atingidas pela expansão agrícola.

Em 1963, o Horto recebeu a condição de parque estadual, alteração que ampliou sua função de conservação ambiental. Em 1993, passou a ter oficialmente o nome de Parque Estadual Alberto Löfgren, em homenagem ao seu fundador. A área integra a Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo e conserva remanescentes de Mata Atlântica que formam um corredor ecológico com a Serra da Cantareira. O conjunto foi tombado pelo Condephaat em 1983 e pelo Conpresp em 1992.

A integração da localidade ao processo de urbanização da Zona Norte esteve relacionada ao Tramway da Cantareira. Construída inicialmente para transportar materiais empregados nas obras de abastecimento de água da Serra da Cantareira, a ferrovia possuía um trecho denominado ramal do Guarahú, posteriormente conhecido como ramal do Horto Florestal. Os trilhos acompanhavam a antiga estrada de mesmo nome e conectavam a região serrana aos bairros mais próximos do centro da cidade.MARCONDES, Raissa Campos. A urbanização da Zona Norte de São Paulo: agentes, paisagens e tensões em torno do Tramway da Cantareira (1893–1924). Dissertação (Mestrado em História) — Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2021.

Século XX Nas primeiras décadas do século XX, o Horto Florestal já era utilizado como referência para a localização de propriedades rurais. Documentos analisados sobre o alinhamento de imóveis mencionavam a Parada 7, situada nas proximidades do “Horto Florestal do governo”, como referência territorial junto à Estrada da Cantareira e ao Tramway. Em uma planta de 1924, estabelecimentos comerciais e atividades produtivas apareciam concentrados nos arredores das estações Horto Florestal, Tremembé e Vila Albertina. A ferrovia desempenhava, assim, uma função de acesso aos estabelecimentos locais e de escoamento de mercadorias produzidas na região.

O parque também reúne edificações vinculadas à história da administração e da pesquisa florestal paulista. Entre elas encontra-se o Museu Florestal Octávio Vecchi, conhecido como Museu da Madeira, construído em 1931 e dotado de elementos arquitetônicos produzidos com diferentes espécies de madeira. O conjunto inclui ainda a antiga Residência de Verão do Governo do Estado, edificação de estilo eclético construída na década de 1930 para servir como sede do então Serviço Florestal. Documentos municipais continuam a empregar a denominação Horto Florestal para identificar equipamentos e serviços do bairro, entre eles a Unidade Básica de Saúde Horto Florestal, localizada junto à Rua do Horto.

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