A Classe Bismarck foi uma classe de couraçados operada pela Kriegsmarine, composta pelo e . Suas construções começaram em 1936, foram lançados ao mar em 1939 e comissionados na frota alemã em 1940 e 1941. As embarcações foram encomendadas em resposta à Classe Richelieu da Marinha Nacional Francesa e foram projetadas a fim de desempenharem o papel tradicional de enfrentar couraçados inimigos em águas territoriais, porém o alto comando alemão planejou usá-los para atacar navios mercantes britânicos no Oceano Atlântico. Esta incongruência era o resultado da confusão estratégica que dominou a construção naval alemã no decorrer da década de 1930.
Os couraçados da Classe Bismarck eram armados com uma bateria principal composta por oito canhões de 380 milímetros montados em quatro torres de artilharia duplas. Tinham um comprimento de fora a fora de 251 metros, boca de 36 metros, calado de dez metros e um deslocamento carregado de mais de cinquenta mil toneladas. Seus sistemas de propulsão eram compostos por doze caldeiras a óleo combustível que alimentavam três conjuntos de turbinas a vapor, que por sua vez giravam três hélices até uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora). Os navios também eram protegidos por um cinturão principal de blindagem com 220 até 320 milímetros de espessura.
O Bismarck realizou apenas uma operação em sua carreira, a Operação Rheinübung, uma surtida no Oceano Atlântico com o objetivo de atacar comboios de suprimentos entre a América do Norte e o Reino Unido. Durante esta operação, ele afundou o cruzador de batalha britânico e danificou o couraçado na Batalha do Estreito da Dinamarca, porém foi danificado a ponto de precisar abortar sua missão. O navio foi perseguido por três dias pela Marinha Real Britânica, sendo afundando em 27 de maio de 1941, provavelmente por uma combinação dos danos infligidos pelos couraçados e mais ações deliberadas de sua tripulação.
A carreira do Tirpitz foi bem menos dramática. Ele operou brevemente no Mar Báltico ao entrar em serviço em 1941 e então no ano seguinte foi enviado para a Noruega com o objetivo de ameaçar os Comboios do Ártico enviados do Reino Unido para a União Soviética. Sua presença o fez atuar como uma frota de intimidação, prendendo vários ativos navais Aliados na região a fim de contê-lo. O couraçado foi alvo de repetidos ataques lançados pela Marinha Real e Força Aérea Real entre 1942 e 1944, porém ele nunca foi seriamente danificado nestas ações. Foi afundado em 12 de novembro de 1944, quando foi atingido por ataques aéreos enquanto estava ancorado próximo da cidade de Tromsø.
Desenvolvimento A Reichsmarine começou em 1932 uma série de projetos conceituais que tinham o objetivo de determinar as características ideais para um couraçado construído nas limitações de 36 mil toneladas do Tratado Naval de Washington. Estes estudos iniciais determinaram que o navio deveria ser armado com oito canhões de 330 milímetros, ter uma velocidade máxima de trinta nós (56 quilômetros por hora) e uma proteção de blindagem forte. A Reichsmarine na época estava restringida pelos termos do Tratado de Versalhes que encerrou a Primeira Guerra Mundial, o que limitava seus navios a no máximo 10,1 mil toneladas de deslocamento. O esboço de projeto para o que se tornaria a Classe Bismarck foi produzido em 1933 pelo Escritório de Construção e o projeto final foi aprovado em 1936. O conselheiro ministerial Hermann Burckhardt foi o responsável pelo projeto, posteriormente supervisionando o lançamento do Tirpitz. A liderança naval precisou lidar nesse período com diferentes problemas, incluindo o uso estratégico e operacional de uma embarcação desse tipo e o melhor sistema de propulsão. Jogos de guerra sugeriram que novos couraçados poderiam ser usados tanto para atacar rotas comerciais francesas a longas distâncias quanto lutar batalhas tradicionais contra franceses e poloneses, que eram considerados as maiores ameaças. A equipe de projeto colocou grande ênfase em estabilidade e proteção devido à inferioridade numérica da frota alemã e a suposição de que as batalhas navais ocorreriam em distâncias relativamente curtas no Mar do Norte. Um cinturão de blindagem vertical muito espesso foi adotado junto com uma blindagem superior bem pesada e muita proteção contra estilhaços na proa e popa.
Os alemães descobriram em junho de 1934 que a Marinha Real Italiana tinha decidido construir dois couraçados de 36 mil toneladas armados com o que se acreditava então serem canhões de 350 milímetros – a Classe Littorio, que na verdade seria armada com armas de 381 milímetros – o que certamente provocaria a construção de navios similares pela Marinha Nacional Francesa. De fato, a resposta francesa veio no ano seguinte com a encomenda de dois couraçados da Classe Richelieu. Os dois couraçados seguintes construídos pela Alemanha teriam de ter um tamanho e armamento similar para poderem acompanhar os franceses. Os alemães estavam por volta da mesma época se preparando para negociarem com os britânicos sobre um acordo naval bilateral que na prática acabaria com as restrições do Tratado de Versalhes. Em troca, a Reichsmarine limitaria o tamanho da sua frota a um terço da Marinha Real Britânica. A equipe de projeto alemã assim começou a trabalhar no final de outubro de 1934 para estabelecer os requerimentos de armamento, blindagem e velocidade. Um projeto preliminar foi finalizado em novembro, que era para uma embarcação armada com oito canhões de 330 milímetros em quatro torres de artilharia duplas, protegida por um cinturão blindado de 350 milímetros de espessura e capaz de uma velocidade máxima de trinta nós. A equipe salientou que tal navio provavelmente ultrapassaria o limite de 36 mil toneladas, assim torres de artilharia triplas e quádruplas deveriam ser consideradas a fim de reduzir o peso.
A equipe de projeto tinha decidido que quatro torres de artilharia duplas seriam a melhor solução para a distribuição da bateria principal, pois proporcionariam o mesmo poder de fogo à vante e à ré, mais um controle de disparo simplificado. Este arranjo era igual ao da Classe Bayern, os últimos couraçados da Marinha Imperial Alemã. Esta similaridade levou à especulações de que a Classe Bismarck era essencialmente uma cópia de sua predecessora, porém na verdade as únicas características compartilhadas eram o arranjo da bateria principal e um sistema de propulsão em três eixos. Os trabalhos de projeto continuaram por janeiro de 1935 e o general almirante Erich Raeder, o comandante da Reichsmarine, se encontrou com os vários departamentos a fim de refinar os requerimentos de projeto. O Departamento de Armamento Naval argumentou um aumento do tamanho dos canhões principais para 350 milímetros com o objetivo de manter paridade com os couraçados italianos e franceses, algo aprovado por Raeder em 19 de janeiro. Este departamento levantou a possibilidade de aumentar as armas ainda mais para 380 milímetros em março, porém Raeder inicialmente rejeitou a ideia devido ao aumento significativo de deslocamento. Ele aprovou a versão de 350 milímetros em 1º de abril, mas mesmo assim deixou aberta a opção de aumentar os canhões dependendo de desenvolvimentos estrangeiros. Raeder acabou adotando a arma de 380 milímetros em 9 de maio, principalmente porque o ditador Adolf Hitler tinha preferência por esse canhão.
Alemanha e Reino Unido assinaram o Acordo Naval Anglo-Germânico em junho de 1935, o que permitiu que a agora Kriegsmarine construísse couraçados a uma proporção de 35 por cento da tonelagem total da Marinha Real Britânica, o que na prática dava aos alemães paridade com os franceses em tonelagem total. Também fez da Alemanha uma participante no sistema internacional do Tratado Naval de Washington. Nessa altura a única grande questão ainda não resolvida era o sistema de propulsão, que dependia principalmente de questões estratégicas. Muitos oficiais graduados planejavam usar a Classe Bismarck no Oceano Atlântico, o que necessitaria de uma autonomia maior, porque precisariam realizar uma longa viagem dos portos alemães e o país não tinha bases além-mar onde reabastecer. Os construtores examinaram motores a diesel, turbinas a vapor e um sistema turbo-elétrico; este último era a escolha preferida, pois tinha sido extremamente bem-sucedida nos porta-aviões da Classe Lexington da Marinha dos Estados Unidos e no transatlântico francês . Raeder aprovou os motores turbo-elétricos, porém a Siemens-Schuckert, a fabricante contratada para produzi-los, não conseguiu cumprir os requerimentos da Kriegsmarine e deixou o projeto menos de um mês antes da construção do Bismarck começar, forçando a adoção de turbinas a vapor.
O deslocamento da Classe Bismarck acabou limitado pelo tamanho do Canal de Kiel e pelas capacidades da infraestrutura existente em Kiel e Wilhelmshaven, não por acordos internacionais. O Escritório de Construção informou Raeder em 11 de fevereiro de 1937 que as embarcações não poderiam ter um deslocamento maior que 43 mil toneladas devido à restrições portuárias e profundidade de canais. O escritório também expressou sua preferência pela construção de um terceiro navio e a permanência dentro do limite de 36 mil toneladas. O contra-almirante Werner Fuchs, o chefe do Escritório de Comando Geral do Alto Comando da Marinha, aconselhou Raeder e Hitler de que modificações seriam necessárias para reduzir o deslocamento a fim de garantir que os novos couraçados ficassem dentro dos limites do Segundo Tratado Naval de Londres, assinado no ano anterior. O Japão tinha se recusado a assinar este tratado, assim a chamada "cláusula do escalonamento" entrou em efeito em 1º de abril de 1937, permitindo que os signatários construíssem navios de até 46 mil toneladas. O projeto final tinha um deslocamento de 42,1 mil toneladas, dentro do limite, assim as modificações de Fuchs foram descartadas.
Raeder e outros oficiais graduados da Kriegsmarine tinham a intenção de usar os couraçados em missões contra rotas de comércio francesas e depois britânicas no Oceano Atlântico, mas eles não foram projetados para esse tipo de operação. Suas turbinas a vapor não proporcionavam a autonomia suficiente e muitas das decisões feitas em relação ao armamento e esquema de blindagem refletem a expectativa de lutar uma batalha naval tradicional na relativa curta-distância do Mar do Norte. Essa desconexão entre como a Classe Bismarck foi projetada e como ela acabou sendo usada representam a incongruência estratégica que dominou a construção naval alemã na década de 1930.
Projeto Características thumb|esquerda|290px|Desenho do Tirpitz A Classe Bismarck tinha 241,6 metros de comprimento da linha de flutuação e 251 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 36 metros e um calado projetado de 9,3 metros, mas este podia ser de 8,63 metros em deslocamento padrão e 9,9 metros em deslocamento carregado. As embarcações tinham um deslocamento projetado de toneladas; o deslocamento padrão do Bismarck era de 41,7 mil toneladas, enquanto seu deslocamento carregado chegava a 50,3 mil toneladas. O Tirpitz era mais pesado, tendo um deslocamento padrão de 42,9 mil toneladas e um deslocamento carregado de 52,6 mil toneladas. Os couraçados tinham um fundo duplo que cobria 83 por cento do comprimento do casco e eram subdivididos em 22 compartimentos estanques. Soldagem foi usada em aproximadamente noventa por cento das construções. A popa foi construída de forma muito fraca, algo que teria consequências significativas na carreira do Bismarck. O custo de construção do Bismarck foi de 196 milhões de reichsmarks, já o Tirpitz custou ligeiramente menos a 191,6 milhões de reichsmarks. Os dois eram equipados com sete holofotes.