Rio de Janeiro é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Encontra-se situado a sudeste da Região Sudeste do país e possui divisas, ao norte e noroeste, com Minas Gerais; a nordeste, com o Espírito Santo; a leste e ao sul, com o Oceano Atlântico e a sudoeste, com São Paulo. Tem uma superfície de , equivalente à da Dinamarca, e abriga uma população de mais de 16 milhões de pessoas, correspondente à do Camboja. Os naturais do estado do Rio de Janeiro são chamados de fluminenses (do latim flumen, textualmente, "rio"). A cidade do Rio de Janeiro é sua capital.
Conta com 92 municípios. Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Niterói, Belford Roxo, São João de Meriti, Petrópolis, Resende, Volta Redonda, Angra dos Reis, Cabo Frio, Macaé e Campos dos Goytacazes são as principais cidades. O estado é constituído por duas regiões geomorfologicamente diferentes: a baixada e o planalto, que se prolongam, como cinturões horizontais, da costa para o interior. Os rios mais importantes são o Paraíba do Sul, o Macaé, o Guandu, o Piraí e o Muriaé. Tem um clima tropical. Sua economia está alicerçada na indústria (metalurgia, siderurgia, química, mineral, alimentar, mecânica, editorial, gráfica, papeleira) e no turismo.
O estado surgiu a partir de porções das capitanias coloniais de São Tomé e São Vicente. De 1555 a 1567, os franceses invadiram o território. Em 1565, foi criada a cidade homônima. No século XVII, a pecuária e a cana-de-açúcar estimularam o desenvolvimento. Este estava decisivamente garantido no momento em que o porto passou a escoar as riquezas de Minas Gerais, no século XVIII. Em 1763, começou a ser capital do vice-reino. Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, a região recebeu grandes benefícios como sede do reino. Em 1834, a cidade do Rio de Janeiro foi elevada a município, ficando como capital do país. A capitania da qual este deixou de fazer parte se tornou província, com sede em Niterói. Em 1889, a cidade foi promovida a capital da República, e a província, a estado. Com a transferência da capital para Brasília, em 1960, o município do Rio de Janeiro foi elevado a Estado da Guanabara. Em 1975, reunificaram-se os estados da Guanabara e o Rio de Janeiro, com a denominação de Estado do Rio de Janeiro. Este começou a compreender a cidade do Rio de Janeiro como capital.
A cidade com a maior população é sua capital homônima, núcleo da segunda maior metrópole do Brasil. Embora seja, em condições de território, o terceiro estado brasileiro menos extenso (à frente somente de Alagoas e Sergipe), centraliza 7,9% da população do país, sendo o estado com a segunda maior densidade populacional do Brasil. Conforme dados do Censo 2022, o estado constitui o terceiro com a maior população do Brasil, com cerca de 16 milhões de moradores, atrás somente de São Paulo e Minas Gerais. O produto interno bruto (PIB) do estado é o segundo mais relevante do país, atrás do de São Paulo, à medida que o IDH fluminense é o oitavo mais alto do Brasil. Além disso, o Rio de Janeiro possui o terceiro maior índice de literacia do país, apenas atrás de Santa Catarina e Distrito Federal. O estado é sede da maior e mais completa biblioteca pública do Brasil e da América Latina, a Biblioteca Nacional, criada em 1810; do Arquivo Nacional, do BNDES e de algumas das maiores empresas do país, como Petrobras, Grupo Globo, Vale, Americanas e Gol.
Etimologia
A denominação Rio de Janeiro veio de um erro de interpretação dos exploradores lusitanos, os quais, em 1.º de janeiro de 1502, liderados por Gaspar de Lemos, avistaram a baía hoje denominada Guanabara. Quando eles confundiram a penetração da barra com a desembocadura dum rio, denominaram a baía "do Rio de Janeiro". Em seguida, esta designação passaria ao município e deste à capitania, posteriormente província, da qual a municipalidade fez parte até se transformar em Município Neutro, por meio do Ato Adicional de 1834.
esquerda|miniaturadaimagem|Imagem de satélite da Baía de Guanabara feita pela NASA
O gentílico fluminense vem do latim fluminis, genitivo singular de flumen, "rio", e sufixo ense. Este termo foi, antigamente, o adjetivo tanto do estado como do município, para classificar pessoas, objetos, lugares e acontecimentos ligados à unidade federativa ou à municipalidade. Os fluminenses do município, no entanto, com os anos, prefeririam autodenominar-se “cariocas”, uma palavra tradicional. Esta, no final das contas, triunfou de maneira completa sobre a competidora. Possibilita identificar os nascidos no Rio de Janeiro e tudo o que está associado a ele. A procedência da palavra carioca é o tupi-guarani kari'oka, “casa de branco”, de kara'i, “esbranquiçado” e oka, “residência”. Inicialmente, a denominação referia-se a uma residência feita de pedra, erguida em arquitetura europeia, existente entre o morro da Viúva e o outeiro da Glória. Foi também construída antes da criação da cidade pelos portugueses que expulsaram os franceses. Uma série de documentos daquele tempo comprova que a residência existia, embora, até os dias atuais, não se conheça o nome do construtor. Depois, no que diz respeito ao termo, começou a constituir a denominação dos moradores dos arredores dessa residência. O termo “carioca” nomeou mais tarde um rio e os naturais da capital do estado..
Na literatura, há um padrão de utilização de ambos os gentílicos — carioca e fluminense — relativos às coisas do município, em épocas distintas: em 1870, foi publicado um livro de histórias cariocas, chamado Contos fluminenses, escrito por Machado de Assis. Décadas depois, na bibliografia de Artur de Azevedo, há uma publicação elaborada após sua morte, um volume de literaturas igualmente referentes ao município. Entretanto, eram denominadas de Contos cariocas (1928).
História
Pré-história e povos indígenas
miniaturadaimagem|"O Último Tamoio" (1883), uma das criações mais conhecidas de Rodolfo Amoedo Inúmeras pesquisas genéticas confirmam que os povos ameríndios descendem diretamente de grupos no leste da Sibéria que migraram para a América do Norte há cerca de 25 mil a quinze mil anos, e depois se espalharam por todo o continente.
Um dos primeiros registros da existência humana no atual estado do Rio de Janeiro é o Sambaqui da Lagoa de Itaipu, em Niterói, que remonta a oito mil anos.
Em um período disputado, nos primeiros séculos da era comum ou por volta do ano 1000, os povos tupis, procedentes da Amazônia, conquistaram todo o litoral do Rio de Janeiro, exceto a área em torno da embocadura do Rio Paraíba do Sul.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19.
Quando os primeiros portugueses vieram ao Brasil, em 1500, diversas tribos indígenas, como os goitacás, puris, guaianás e tamoios, ocupavam as terras que hoje compreendem o estado do Rio de Janeiro. Os goitacás residiam inicialmente na planície atravessada pelo rio Paraíba do Sul, ao norte de Cabo Frio. Os puris habitavam a região que se estendia desde o Paraíba do Sul até o rio Muriaé. Já os guaianás ocupavam o planalto perto da atual divisa com o estado de São Paulo. Por fim, os tamoios se estabeleciam ao longo de toda a costa, desde a baía de Guanabara até o sul do estado..
Início da colonização
A primeira expedição a explorar o atual estado do Rio de Janeiro foi a de Gaspar de Lemos, entre 1501 e 1502, a qual, em 1.° de janeiro de 1502, descobriu a Baía de Guanabara, que pensaram ser a foz de um grande rio, assim originando o nome “Rio de Janeiro”. A segunda expedição, de Gonçalo Coelho em 1503, verificou os recursos naturais da nova terra e edificou uma feitoria em Cabo Frio, para a exportação do pau-brasil, que se tornou o principal produto explorado em terras fluminenses. Essa parte do litoral do Brasil começou a atrair não apenas portugueses, mas também franceses..
Em 1534, o Rei João III de Portugal dividiu a América Portuguesa em quinze capitanias hereditárias, estando o atual estado do Rio de Janeiro entre a seção norte da capitania de São Vicente, de Martim Afonso de Sousa, e a capitania de São Tomé, de Pero de Góis, a noroeste do rio Macaé.
No entanto, as primeiras tentativas de colonização portuguesa em ambas as áreas fracassaram, em virtude da hostilidade dos tamoios e dos goitacás. Em 1556, foram concedidas as primeiras sesmarias no território de Paraty e Angra dos Reis, iniciando a colonização da região.
Em 1555, os tamoios fizeram uma aliança com os franceses e autorizaram que estabelecessem uma colônia na margem ocidental da Baía de Guanabara, sob o comando de Nicolas Durand de Villegagnon. Tal colônia recebeu o nome de "França Antártica" e tinha como capital Henriville (cidade de Henrique), localizada no atual bairro carioca do Flamengo.
Em 1560, o governador-geral do Brasil, Mem de Sá, conseguiu expulsar os franceses, entretanto, com o auxílio dos tamoios, eles refugiaram-se nas matas e reocuparam as povoações na região da Baía de Guanabara. Em 1.° de março de 1565, Estácio de Sá, sobrinho de Mem de Sá, desembarcou em uma várzea entre o Pão de Açúcar e Morro Cara de Cão, ali fundando, naquele dia, a cidade do Rio de Janeiro, para servir de quartel-general para a luta contra os franceses e para assegurar a posse portuguesa dessas terras. Em 1567, os franceses e tamoios foram decisivamente derrotados e, com isso, foi criada, nesse mesmo ano, a Capitania do Rio de Janeiro, a partir da porção setentrional da Capitania de São Vicente.
Capitania do Rio de Janeiro Logo após a criação da capitania do Rio de Janeiro, foi introduzido, na região da Baía de Guanabara, o cultivo de cana-de-açúcar, que foi a base da economia fluminense na segunda metade do século XVI e no século XVII. A cana era cultivada em latifúndios, com o emprego intensivo da mão-de-obra escravizada.
Entre 1572 e 1577, o Brasil esteve dividido em dois governos, com o Rio de Janeiro sediando o governo do Sul. Neste período, em 1575, os tamoios remanescentes foram exterminados em Cabo Frio.
O século XVII foi marcado pela expansão da colonização do território fluminense, da região da Baía de Guanabara para a Região dos Lagos e o litoral norte fluminense e, para essas regiões, também se expandiu o cultivo da cana-de-açúcar. A cana continuava sendo a base da economia da capitania, acompanhando-lhe a pesca e a extração de sal em Cabo Frio. A pecuária também tinha destaque, sendo praticada sobretudo na região de Campos dos Goytacazes. A agricultura de subsistência também era uma atividade importante.
A cordilheira da Serra do Mar complicou o deslocamento dos colonizadores ao interior. A costa, de entrada mais simples, era o percurso usado para a expansão do plantio da cana-de-açúcar, a qual alcançou o vale do Paraíba.
Entre 1583 e 1623, a área de maior destaque de produção de açúcar, no centro-sul do Brasil, se deslocou de São Vicente para a região da Baía de Guanabara. Com a ocupação de Pernambuco pelos neerlandeses, a importância do Rio de Janeiro na produção de açúcar só aumentou, assim como o número de engenhos.
No final do século XVII, foram descobertas as jazidas de ouro em Minas Gerais, dando início ao ciclo do ouro, o qual trouxe como consequências para o Rio de Janeiro o êxodo de muitos fluminenses para as minas, a abertura de novas rotas rumo às áreas mineradoras, como o Caminho Novo, e a ampliação do porto do Rio de Janeiro, para receber o ouro a ser exportado e um grande número de portugueses e africanos escravizados, que tinham como destino as minas. A prosperidade e a Guerra da Sucessão Espanhola levaram a cidade do Rio a ser atacada duas vezes pelos franceses, em 1710 e 1711. Nas margens do Caminho Novo, surgiram pontos de pouso para tropeiros e aventureiros, originando cidades atuais como Paraíba do Sul e Paty do Alferes. Foi explorada a Serra do Mar e, com a implantação de empórios comerciais no norte da capitania, nasceram povoados. O cultivo da cana-de-açúcar entrou em decadência, devido ao esgotamento das terras e à crise do mercado açucareiro.