Getúlio de Oliveira Cabral (Espera Feliz, 4 de abril de 1942 — Rio de Janeiro, 29 de dezembro de 1972) foi membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Morreu durante a Ditadura Civil Militar Brasileira, tendo seu corpo carbonizado em um carro incendiado e enterrado como indigente. De acordo com a Comissão Nacional da Verdade, foi morto por agentes de repressão do Estado.
Casado com Maria de Lourdes, teve dois filhos: Alexandre Resende Cabral e Adriano Cabral.
Filho de Lindrosina Cabral e Manoel Arcanjo , teve um irmão de nome Victor Hugo.
Fez o primeiro grau, composto pelos nove anos do atual ensino fundamental atualmente, na Escola Darcy Vargas, em Duque de Caxias (RJ), local que iniciou moradia junto de seus familiares depois de se mudar e chegou a ser, também, escrivão da Fábrica Nacional de Motores (FNM).
Biografia Getúlio de Oliveira Cabral nasceu na cidade de Espera Feliz, no interior de Minas Gerais. Realizou o primeiro grau, estruturado pelos nove anos do atual ensino fundamental atualmente, na Escola Darcy Vargas, em Duque de Caxias (RJ), local que iniciou moradia junto de seus familiares depois de se mudar. De acordo seu irmão Victor Hugo, o nome foi uma homenagem prestada por sua mãe ao presidente Getúlio Vargas.
Victor Hugo é, hoje, um docente retirado das escolas de domínio público e deu aula no Colégio Pedro II, tendo ensinado a Química. Ele se filiou, ao ano de 1953, a Juventude Comunista Caxiense, quando tinha apenas com 13 anos. Entre os anos de 1970 e o seguinte, tinha 57 quilos, passando por um episódio o qual foi torturado por cinco pessoas. Assim, foi denunciado sob os artigos 42, 45 (Lei da Segurança Nacional) e ademais pela intenção de retenção de poderio. Porém foi inocentando pela insuficiência de evidencias, constando que o arquivo processual era inverídico. Ao momento que se libertou da reclusão iniciou o ofício no colégio que ficou até se aposentar.
Com sete anos de idade, Getúlio se mudou para Duque de Caxias, mais precisamente na Rua Diamantina, atual Avenida Diamantina e, depois, foi com sua família para a Rua do Retiro.
Influenciado pelos pais, que participavam do movimento feminista local, iniciou seu ativismo politico na União da Juventude Comunista entre os doze e treze anos. Exercendo um papel de liderança, foi recrutado em definitivo pelo partido ao atingir a maioridade.
Aos 14 anos começou a trabalhar. Consertando máquinas fotográficas e depois atuando como fotógrafo. Assim, se juntou ao Centro Pró-Melhoramentos localizado em seu distrito, ainda na cidade de Duque de Caxias. Ademais, se agregou ao Sindicato dos Metalúrgicos, lugar o qual teve participação de conflitos de sua categoria profissional. Também, trabalhou como escriturário na Fábrica Nacional de Motores (FNM).
Em 1965, com 23 anos, casou-se com Maria de Lourdes. O casal teve dois filhos: Alexandre Resende Cabral e Adriano Cabral.
Ainda, chegou a ocupar o cargo de dirigente regional do Partido Comunista Brasleiro, o PCB. Porém, rompeu seus laços com ele e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, o PCBR, o qual foi chefe do 'Grupo de Fogo', na Guanabara, também conhecido como Esquadra Militar.
Três anos depois de casado, viajou para Cuba, onde fez uma formação para treino de combate guerrilheiro. Ao voltar, se deparou com uma perseguição ainda mais intensa. Morando no bairro de Parada Angélica, com sua esposa e dois filhos, foi vitima de um triste episódio. Não se sabe ao certo se foi em 1969 ou 1970, Getúlio foi perseguido até sua casa, onde a invadiram, saqueando e quebrando o local. Desse modo, restou para ele fugir. Passando por diversos estados, se estabilizou na Bahia.
Militante político durante a época de Ditadura Civil Militar Brasileira, Getúlio de Oliveira Cabral possuía codinomes: Gogó, Gustavo, Artur, Feio, Tasso e Camilo.
Circunstâncias de Morte
Getúlio de Oliveira Cabral faleceu, aos 31 anos, no dia 29 de dezembro de 1972, em operação procedida pelo DOI-CODI do I Exército no Rio de Janeiro (RJ).
Em acordo com documentos oficiais divulgados à época, Getúlio e mais cinco ativistas do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) teriam sido mortos em uma disputa com uso de arma de fogo com guardas dos responsáveis de segurança no fim do ano de 1972. A nota, revelada pelo Relações Públicas do I Exército apenas um ano depois, na edição de 17 de janeiro de 1973, no Jornal do Brasil, intitulada "Destruído o Grupo de Fogo Terrorista do PCBR/GB", informava sobre operações realizadas ao mesmo tempo em distintas localizações da "Guanabara", por responsáveis pela segurança. Continuava relatando que as ações contra bandos terroristas, que ainda restavam, foram flagrados e excluídos, pertencendo a unidades do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), grupo que estavam sediados de forma regulada e em conjunto nos distritos de Bento Ribeiro e Grajaú
Os procedimentos ante o bando somente se tornaram possíveis em razão a revelações obtidas após o aprisionamento de lideranças regionais do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) e, por consequência, apreensão de importantes documentos relacionados ao planejamento de ações que viriam a acontecer. Considera-se, assim, a reclusão de Fernando Augusto da Fonseca, fundamental membro do partido, em Recife, datado de 26 de dezembro de 1972, um dos principais pilares para o desmonte do então “Grupo de Fogo do PCBR”, o qual Getúlio fazia parte.
Conforme relato do interrogatório de Fenando Augusto, ele forneceu para as equipes de investigação preciosos informes relacionado a dois sistemas do PCBR sediados no Rio de Janeiro. Sabendo disso, guardas do DOI-CODI do IV Exército, em Recife, Pernambuco, teriam levado Fernando até a capital carioca, local que teria prestado auxilio a tropa de policiais para encontrar quatro ativistas no distrito do Grajaú.
Nessa mesma hora, um outra conjunto teria se deslocado ao bairro de Bento Ribeiro, onde ficava situado um dos aparelhos do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário. Enquanto isso, no Grajaú, Fernando foi baleado por seus companheiros do PCBR, que perceberam o cerco policial e assim abriram fogo. Em sequência, uma forte troca de tiros com os responsáveis de segurança tiraria a vida de Getúlio de Oliveira Cabral, José Bartolomeu Rodrigues e José Silton Pinheiro. Ainda de acordo com os relatos, os cadáveres foram incendiados internamente dentro do automóvel, pegando fogo em razão do tiroteio. Um outro militante conseguiu escapar, mas nunca foi identificado.
Já no segundo confronto, travado em Bento Ribeiro, dois ativistas teriam oferecido oposição ao montante policial montado abrindo fogo. Eles teriam em posse, inclusive, granadas de mão, além das armas, todavia acabaram mortos no tiroteio. Ainda segundo a nota oficial, os nomes de quem foi vitimado seriam Valdir Salles Saboia e Luciana Ribeiro da Silva, identidade falsa de Lourdes Maria Wanderley Pontes.
Investigação A Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) em conjunto com a Comissão Nacional da Verdade (CNV) também realizaram investigações sobre o caso. Eles anunciaram vestígios que possibilitam questionar a versão oficial feita pelos órgãos de repressão.
Documentos oficiais mostraram que existia um registro oficial para a detenção de Fernando Augusto da Fonseca, porém, não era o único. Pelo menos Valdir Salles Saboia foi igualmente preso por instituições de segurança previamente a falecer. Em relatório, o Centro de Informações da Aeronáutica (CISA) listava um assalto a banco, supostamente datado para o mês de outubro de 1972, na via pública sob nome de Marquês de Abrantes, na capital carioca. De acordo com este, as informações teriam sido obtidas em depoimento de Fernando Augusto e Valdir Saboia. Tal registro leva a crer uma relação de agentes de repressão com Valdir, antes de sua morte, o que confirma que ele igualmente foi preso e interrogado ao finalizar o ano de 1972, indo contra a história da troca de tiros após a descoberta de um dos aparelhos. Ademais, a prisão de Valdir é confirmada em outro documento revelado pelo CISA, datado de 19 de março de 1973, o qual relata um extrato das depoimentos do detido, relacionado a ações do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário supostamente mapeadas a partir do que teria falado aos agentes de repressão.
Em relação a operação realizada no Grajaú, a qual Getúlio de Oliveira Cabral morreu, a provável detenção previa dos ativistas e a possível encenação de tiroteio em conjunto com o automóvel carbonizado para ocultar os falecimentos devido a tortura ou suplícios cometidos pelo Estado, também são validadas pelo ex-preso político Rubens Manoel Lemos. Ele disse, em afirmação feita ao dia de 31 de janeiro do ano 1996, sobre Fernando Augusto da Fonseca, de codinome "Sandália", José Silton Pinheiro e Getúlio de Oliveira Cabral, que foram postos, já falecidos, adentro de um veículo da empresa Volkswagen, posteriormente detonado no Rio de Janeiro.
Desse modo, a declaração ainda é reforçada por mais afirmações de pessoas que estiveram no local e que atingiram para Nilmário Miranda (PT-MG), então deputado federal, já que era participante da Comissão Externa para Mortos e Desaparecidos Políticos, e acusaram o falecimento dos ativistas dentro do DOI-CODI do I Exército, no Rio de Janeiro. Acrescenta-se a conclusão das fotos feitas na localização das mortes produzidos pela equipe da perícia da Comissão Nacional da Verdade (CNV). Eles chegaram a conclusão que o automóvel foi queimado começando por dentro até o lado externo, já que o tanque de combustível e o motor estavam intactos. Ainda de acordo com a avaliação do perito, é possível enxergar, pelos registros imagéticos, que o Fusca não tinha perfurações de tiros em sua lataria.
Quanto as mortes do suposto segundo tiroteio, onde Valdir e Lourdes Maria morreram, o caráter armado do episódio narrado se torna evidente pela designação da direção da residência em que eles teriam sido mortos no distrito de Bento Ribeiro. O local era a Rua Sargento Valder Xavier de Lima, coincidentemente nome de militar assassinado por integrantes do PCBR, em Salvador (BA), ao ano de 1970. Ainda, como apontado pela CEMDP, as imagens da perícia técnica contradizem a história de um tiroteio, o qual teve até mesmo a utilização de granadas, na hipotética operação de Bento Ribeiro. Ao analisar as fotos, é possível perceber que inexistem marcas de tiro na parede, além do corpo de Lourdes Maria aparecer em uma extremidade da sala, posicionada depois de uma árvore de natal, permanecendo com as bolinhas de vidrilho intactas.
Acrescenta-se a isso mais um indício de inverdade da versão oficial revelada em relação ao momento que os corpos foram direcionados ao morgue do Rio de Janeiro. Foi revelado por esses documentos que ambos os confrontos ocorreram em horários distintos e diferentes pontos da cidade, relatando que as duas vítimas teriam sido mortas em Bento Ribeiro enquanto as quatro de Grajaú, bairros distantes a aproximadamente 15 quirômetros de distância entre eles. De tal modo, era esperado que os corpos chegassem em momentos diferentes. Porém, os documentos oficiais do caso atestam a entrada no Instituo Médico Legal (IML) às 2h30 da madrugada ao dia 30 de dezembro, em locais sob sequência, indicando que teriam sido recolhidos em conjunto.
Assim sendo, Getúlio foi carbonizado, da cintura para baixo, adentro do veículo, entrando o IML como desconhecido, apesar de os órgãos de segurança responsáveis soubessem sua identificação, que viria a ser divulgada depois em nota oficial publicada pela imprensa.