thumb|Madeira tratada, podre A preservação de madeiras é qualquer procedimento ou conjunto de medidas que possa conferir à madeira em uso maior resistência aos agentes de deterioração, proporcionando-lhe maior durabilidade.REVISTA DA MADEIRA. Tecnologia amplia possibilidades de usos. Revista da madeira, Curitiba,PR, n. 109, dez., 2007. Em concreto é prevenir sua biodegradação e deterioração pela radiação ultravioleta, pelos fungos lignolíticos, e insetos xilófagos como para garantir a sua estabilidade dimensional e suas propriedades mecânicas, ampliando assim seu tempo de vida útil, o que significa reduzir a necessidade de cortar novas árvores.A madeira é um material renovável cujas propriedades físico-mecânicas e anatômicas a tornam um material versátil. Em relação a outros materiais, como o concreto, plástico, aço e alumínio, a madeira apresenta uma série de vantagens, como beleza, alta resistência mecânica em relação à massa, um baixo consumo energético para o seu processamento, bom isolamento térmico, fácil trabalhabilidade. Apresenta, também, desvantagens, como material combustível e, para algumas espécies, baixa durabilidade natural, rachaduras e empenamentos.VIDAL, J.M.; EVANGELISTA, W. V.; SILVA, J. C.; JANKOWSKY, I. P.; Preservação de madeiras no Brasil: Histórico, cenário atual e tendências. Ciência Florestal, Santa Maria. v.25, n. 1, p. 257-271, 2015. No entanto é perfeitamente possível proteger a madeira utilizada em construções e marcenaria contra cupins, apodrecimento e manchas. A utilização de técnicas preservativas permite também resolver o sério problema da falta de madeiras duráveis nas propriedades agrícolas.GALVÃO, A. P. M.; MAGALHÃES, W.L.E.; MATTOS, P. P. Processos práticos para preservar a madeira. Colombo: Embrapa Florestas. Colombo, PR. Documentos/Embrapa Florestas. ISSN: 1517-526x; 96. 21. ed. , 2004.

No mercado, existem diversos produtos preservantes, de natureza hidrossolúvel ou oleossolúvel, para tratamento preventivo ou curativo; diversos métodos são utilizados, com pressão atmosférica ou pressões artificiais, ou até mesmo o simples processo de secagem da madeira. A combinação de produtos e processos confere à madeira padrões de qualidade diversos, adequando-a aos diferentes usos. Mas devido a elevada toxicidade desses produtos surgiu um método ecológico alternativo, o da modificação térmica.

Agentes biológicos thumb|100px|Ataque por bactérias thumb|100px|Ataque por fungos de “podridão parda" thumb|100px|Ataque por fungos de podridão mole thumb|100px|Ataque por fungos manchadores thumb|100px|Ataque por bolor A degradação da madeira pode ocorrer através de diferentes maneiras, sendo assim, torna-se importante a identificação do agente causador em cada caso, para que assim se possa combater o problema com sucesso. E para melhor compreender como eles atacam, há a necessidade de analisar cada tipo de agente em particular. Os agentes que atacam a madeira são:

Bactérias As bactérias atacam a madeira no estado úmido, condição que acontece quando a madeira é recém cortada, ainda na forma de tora, ou quando está úmida na forma de peças após o processamento industrial. As bactérias atacam lentamente, iniciando o ataque nas células de reserva e posteriormente nas paredes celulares. Como resultado dos ataques, a madeira se torna mais porosa aumentando assim a absorção de água pela madeira.

Fungos lignolíticos Dentre os principais agentes xilófagos responsáveis pela biodeterioração da madeira, destacam-se os fungos.CASTRO, V. R.; FREITAS, M. P. C.; ZANUNCIO, A. J. V.; ZANUNCIO, J.C.; SURDI, P. G.; CARNEIRO, A. D. C. O.; VITAL, B. R. Resistance of in natura and torrefied wood chips to xylophage fungi. Scientific reports, v. 9, n. 1, p. 1-6, 2019 Estes são microrganismos eucariotos e heterotróficos com capacidade de produção enzimática que auxilia na biotransformação de materiais orgânicos.ABREU, J. A. S.; ROVIDA, A. F. S.; PAMPHILE, J. A. Fungos de interesse: aplicações biotecnológicas. Revista UNINGÁ Review, v. 21, n. 1, p. 55-59, 2015 Os cinco grupos principais de fungos que atacam madeiras são: manchadores, emboloradores, podridão parda, podridão branca e podridão mole.

Emboloradores e manchadores Há uma diversidade de fungos atuantes na natureza, no entanto, os que são manchadores e emboladores predominam na deterioração e degradação de madeiras. Ambos sobrevivem dos nutrientes existentes no lúmen das células parenquimáticas do alburno (proteínas, sais minerais, amido e açúcares).# MOTTA, J. P.; OLIVEIRA, J. T. S, PAES, J. B.; ALVES, R. C.; DAMBROZ, G. B. V. Resistência natural da madeira de Tectona grandis em ensaio de laboratório. Ciência Rural, Santa Maria, v. 43, n. 8, p. 1393-1398, 2013 Podem ocorrer em coníferas e folhosas, mediante a madeira em tora ou serrada, principalmente após o abate da árvore devido o alto teor de umidade ou através do armazenamento inadequado, colonizam-se também em produtos em uso.REINPRECHT, L. Wood deterioration, protection and maintenance. United Kingdom: Wiley Blackwell, 2016, 366p.

Normalmente, os fungos emboladores causam consideráveis alterações na superfície de madeiras, sendo denominado popularmente de bolor. Essa modificação advém da intensa proliferação de esporos, no qual as cores variam conforme a espécie fúngica, desta forma a madeira exibe aspecto algodoado, um dos principais gêneros é o Trichoderma.LAZAROTTO, M.; OLIVEIRA, L. D. S.; HARAKAVA, R.; ZANATTA, P.; FARIAS, C. R. J. D. Identificação de fungos emboloradores em madeira de Pinus spp. em laboratório. Floresta e Ambiente, Seropédica, v. 23, n. 4, p. 602-605, 2016.

No que se refere aos fungos manchadores, estes contêm hifas pigmentadas ou hialinas que excretam substâncias coloridas, ocasionando a aparição de áreas com pigmentações variando de azul a cinza escuro, podendo ser superficiais ou profundas e em forma de cunhas, um dos principais exemplos são os mitospóricos.SACCOMAN, N. A. F.; TEIXEIRA, S. O.; DAVID, G. Q.; PERES, W. M.; YAMASHITA, O. M.; KOGA, P. S. Resistência da madeira Jatobá madeireira por ataque de Rhizoctonia solani. Scientia Agraria Paranaensis, Marechal Cândido Rondon, v. 16, n. 3, p. 360-365, 2016.CARVALHO, D. E.; SOUZA, G. O.; BROCHINI, G. G.; GUIMARÃES, P. P.; AZAMBUJA, R. R.; ROSA, T. S.; CASTRO, V. G. Fungos manchadores e Emboloradores. In: CASTRO, V. G.; GUIMARÃES, P. P. (Org.). Edufersa: Deterioração e Preservação da Madeira, cap. 2, 2018. p. 21-39

Danos Os maiores danos econômicos destes microrganismos na madeira, resultam da capacidade de descoloração, gerando manchas muitas vezes indesejadas pelos consumidores do setor florestal, e aumento da permeabilidade, ocasionando maior absorção de umidade. Contudo, não atacam a parede celular da madeira, mantendo assim, suas propriedades estruturais conservadas.

Prevenção e controle Os principais métodos de prevenção e controle são por meio da realização da secagem da madeira, mantendo a umidade (inferior a 20%) e temperatura (acima de 65 °C) em condições não propícias para o desenvolvimento dos fungos, bem como o armazenamento em ambiente adequado.

Insetos xilófagos São vários os insetos xilófagos, chamados vulgarmente de "bichos da madeira". Geralmente no estado larvar, abrem galerias na madeira à procura de abrigo e alimento, propagando assim os fungos. Podemos citar o Anobium punctatum ou "Caruncho das mobílias, ou da casa" que é o mais comum na Europa, o Lyctus brunneus, o Hylotrupes bajulus ou "Capricórnio das casas" que ataque a madeira de pinho, o Xestobium rufovillosum que ataque principalmente as vigas de carvalho, enfim o Pentarthrum Huttoni que ataque a madeira húmida e podre

Cupins-de-madeira-seca ou térmitas Os cupins ou térmitas, dentre os insetos xilófagos, são os mais sérios agentes destruidores da madeira. Os cupins nutrem-se basicamente de celulose e a madeira é atacada de tal forma que dificilmente a presença de cupins é percebida, pois o exterior da peça permanece intacto, enquanto seu interior pode estar completamente destruído. Atacam madeira com maior teor de umidade, como postes, mourões de cercas dentre outras. A madeira é uma matéria-prima extraída de florestas plantadas ou naturais e apresenta elevado valor comercial, configurando-a, assim, de grande importância para a subsistência humana e para o desenvolvimento econômico do país. Dentre os principais grupos de biodeterioração que acometem a madeira por meio de dano mecânico e promovem comprometimento deste material, estão os cupins. thumb|Térmitas ou cupins Cryptotermes brevis é a espécie mais comum de cupim especializada no ataque de madeira seca e por isso é vulgarmente conhecido como cupim-de-madeira-seca. É denominado cosmopolita em virtude de sua alta taxa de dispersão nos grandes centros urbanos, em regiões neotropicais. Pertencente à família Kalotermitidae, teorias mais aceitas consideram que estes são originários dos desertos costeiros do Chile e Peru. Além disso, o cupim-de-madeira seca é considerado como o mais importante, do ponto de vista econômico no Brasil.GONÇALVES, F. G.; OLIVEIRA, J. T. S. Resistência ao ataque de cupim-de-madeira seca (Cryptotermes brevis) em seis espécies florestais. Cerne, v. 12, n. 1, p. 80-83, 2006

As colônias deste tipo de cupim se desenvolvem internamente em madeira seca, penetram através de rachaduras ou de outras aberturas naturais e, por isso, as perdas ocasionadas pelo seu ataque são agravadas pela dificuldade de localização e controle das suas colônias por se desenvolverem de forma lenta. Cada par sexuado penetra e inicia a escavação para o interior formando galerias. Por terem adquirido em seu processo evolutivo mecanismos de redução de perda de umidade, fecham a entrada de suas galerias com uma secreção intestinal, depositada em forma líquida e endurecida com o tempo apresentando coloração amarronzada motivo pelo qual são frequentemente transportados de um local para o outro em móveis infestados, caixas, estrados, molduras de quadros e outros sem serem percebidos.

Os grânulos fecais excretados é a principal evidência da presença e do acúmulo dentro das galerias desses cupins, que, são, por sua vez, utilizados tanto para fechar galerias inativas quanto para defesa da colônia. A comunicação entre os indivíduos das colônias de cupins ocorre de forma diversificada e envolve sinalizações químicas e físicas. Somado a isso, à medida que os cupins consomem as estruturas, forma em seus interiores, um complexo sistema de galerias que dificulta a penetração de substâncias tóxicas usadas no controle destes insetos.SANTOS, A. A. Óleos essenciais e seus constituintes para o controle de Cryptotermes brevis e Nasutitermes corniger: vias de exposição e respostas comportamentais, 2016

Estes cupins conseguem sobreviver em condições de baixa umidade, abaixo de 30%, em virtude da modificação do reto, mecanismo este, de formação de pelotas fecais secas no processo de excreção a fim de não perder água no processo de eliminação de impurezas orgânicas, além de produção de água metabólica, agrupamento, regulação de respiração, corpo quitinoso e outros.