"We Belong Together" é uma canção gravada pela artista musical estadunidense Mariah Carey, contida em seu décimo álbum de estúdio, The Emancipation of Mimi (2005). A música foi lançada em 29 de março de 2005, pela Island Records, como o segundo single do álbum. "We Belong Together" foi escrito por Carey, Jermaine Dupri, Manuel Seal e Johntá Austin e produzido pelos três primeiros. Como a música contem interpolações de "If You Think You're Lonely Now" (1981) de Bobby Womack's e "Two Occasions" (1987) de The Deele, os compositores dessas respectivas músicas são creditados. "We Belong Together" é construído sobre um arranjo simples de piano com uma batida discreta. A letra narra o desespero de uma mulher pelo retorno de seu ex-namorado.

Após seu declínio na popularidade entre 2001 e 2005, os críticos apelidaram a música de seu retorno musical, como muitos consideraram como encerrado seu sucesso. "We Belong Together" ganhou vários prêmios e indicações para a indústria da música ao longo de 2005-2006. A música quebrou recordes nos Estados Unidos e se tornou o décimo sexto número um de Carey na Billboard Hot 100 dos EUA. Depois de permanecer no número um por quatorze semanas não consecutivas, juntou-se a outras quatro músicas como a terceira música número um mais longa da história das paradas nos EUA, atrás da colaboração de Carey com o Boyz II Men em 1995, intitulada "One Sweet Day". A Billboard a listou como a "música da década" e a décima primeira música mais popular de todos os tempos. Além disso, quebrou vários recordes de exibição no ar, reunindo os maiores públicos de um dia e de uma semana da história. "We Belong Together" também liderou as paradas na Austrália e alcançou os cinco primeiros lugares na Dinamarca, Escócia, Espanha, Hungria, Irlanda, Países Baixos, Nova Zelândia e Reino Unido.

O vídeo musical correspondente foi dirigido por Brett Ratner e estreou em 11 de abril de 2005. Concebido como a segunda parte do vídeo musical de "It's Like That, que apresentou Carey em sua festa de despedida, o projeto apresenta Carey se casando com um homem mais velho e poderoso; contudo, ela foge da cerimônia com seu ex-namorado, que ainda a ama. Após o seu lançamento, surgiram rumores de que o vídeo trazia uma conexão ao casamento de Carey com Tommy Mottola ex-chefe da Sony Music Entertainment, ocorrido em 1993. Como forma de divulgação, a cantora apresentou "We Belong Together" em diversas cerimônias e programas televisivos, como os MTV Movie Awards e MTV Video Music Awards de 2005, a parada de quatro de julho da loja Macy's, Top of the Pops, The Tonight Show with Jay Leno e The Oprah Winfrey Show. Além disso, Carey a incluiu no repertório de suas turnês The Adventures of Mimi (2006) e Angels Advocate Tour (2009–10) e de todas as suas outras turnês subsequentes.

Antecedentes Carey produziu seus álbuns de retorno Glitter (2001) e Charmbracelet (2002), que não renderam o sucesso esperado. Embora tenham sido impulsionados pela forte atenção da mídia em relação ao retorno de Carey à música, bem como o seu novo contrato com a Island Records, os álbuns não conseguiram entregar o sucesso que ela tinha conquistado durante os anos 90, com ambos os trabalhos vendendo menos de cinco milhões de cópias mundialmente. Após o lançamento de Charmbracelet e sua turnê correspondente, Carey começou a conceituar o trabalho de um novo projeto, finalmente intitulado The Emancipation of Mimi, seu décimo trabalho de estúdio. "We Belong Together" tornou-se uma canção que os críticos consideraram como o "retorno de Carey à forma" e "o retorno de sua voz", depois de vários críticos terem questionados as habilidades vocais da cantora após o lançamento de Charmbracelet.

Em novembro de 2004, a artista já havia gravado diversas canções para The Emancipation of Mimi. L.A. Reid, presidente da Island Records, sugeriu a Carey que ela composse alguns singles mais fortes para assegurar o sucesso comercial do projeto. Notando que ela havia composto alguns de seu melhores trabalhos com Jermaine Dupri, Reid recomendou que ela se encontrasse com Dupri para uma breve sessão de estúdio. Carey foi para Atlanta para colaborar com Dupri, onde compuseram e produziram "Shake It Off" e "Get Your Number", que acabaram por ser lançadas como terceiro e quarto singles do álbum. Carey voltou para Atlanta para uma segunda reunião com Dupri e, durante esta viagem, Carey e Dupri compuseram as duas últimas músicas a serem incluídas no álbum, "We Belong Together" e "It's Like That". Em entrevista à revista Billboard, Carey descreveu seus sentimentos sobre a canção durante a sua etapa de produção:

Em seguida, Carey e sua gestão decidiram lançar "It's Like That" — que foi descrita por Carey como o "retorno certo" — como o primeiro single do álbum. Mais tarde, ela relembrou sua experiência com Dupri. "Fiquei muito grata. Eu fui para Atlanta", disse ela. "E tenho que dizer: nós compomos algumas das minhas canções favoritas do álbum. Estou tão orgulhosa de Jermaine — ele está tão focado, e ele sabia o que tinha que ser feito".

Composição

Com duração de três minutos e vinte e um segundos (3:21), "We Belong Together" é uma canção musicalmente derivada do R&B com elementos do hip hop, sendo produzida por Carey, Jermaine Dupri e Manuel Seal. A sua gravação ocorreu em 2004 nos estúdios Right Track Studios em Nova Iorque e Southside Studios em Atlanta, Geórgia. Brian Frye esteve a cargo da engenharia, enquanto Herb Power tratou da masterização. A letra foi escrita por Carey, Dupri, Seal e Johntá Austin. A canção é propulsionada por um chimbau e um bumbo contidos no programador Roland TR-808, que é proeminentemente utilizado no hip hop. Carey adotou um canto caracterizado pelo rap, que recebeu a aprovação dos críticos que admoestaram a melisma, um canto utilizado por ela desde o início de sua carreira. Jennifer Vineyard, da MTV News, comentou que o canto livre e discreto de Carey trouxe mais poder para a canção, o que não teria sido alcançado se tivesse usado o belting. A canção também incorpora estilos do soul retrô da década de 80 por referenciar "If You Think You're Lonely Now", de Bobby Womack, e "Two Occasions", de The Deeles e Babyface. Na segunda estrofe de "We Belong Together" , Carey canta: "Bobby Womack no rádio / Cantando para mim: 'If you think you're lonely now'". Em seguida, ela troca de estação radiofônica: "Então, girei o botão, tentando relaxar / E então ouço Babyface / 'I only think of you'". A linha 'If you think you're lonely now' é extraída da canção homônima, enquanto 'I only think of you' é extraída do refrão de "Two Occasions". Devido a inclusão das linhas destas canções, outros compositores também são creditados, nomeadamente Kenneth "Babyface" Edmonds, Darrell Bristol, Bobby Womack, Patrick Moten e Sandra Suly. No remix da canção, ela completa a frase de "Two Occasions", dizendo: "Então, girei o botão, tentando relaxar / E então ouço Babyface / 'I only think of you' / 'On two occasions' / 'That's day and night'". "We Belong Together" segue a forma comum de verso-refrão e está estruturada em três seções distintas, com cada seção apresentando a protagonista em diferentes emoções. A primeira parte narra o rompimento do casal, e um tom triste é estabelecido ao passo em que ela lamenta seus erros anteriores. Na segunda parte, a narrativa alterna para o presente, e a protagonista fica cada vez mais agitada e sente que "tudo para fora de seu elemento" quando tenta distrair-se ouvindo o rádio, mas não consegue. A faixa não possui uma ponte; em vez disso, Carey muda para a terceira seção, elevando o seu alcance vocal em uma oitava, o que enfatiza a enorme frustração e desespero da protagonista. Johnny Loftus, da publicação Metro Times, descreveu detalhadamente a produção da faixa, seu conteúdo lírico e os vocais de Carey:

"We Belong Together" possui um arranjo musical simples e discreto, definido no fá lídio e composta na assinatura de tempo de 4/4. Da mesma forma, dentro da canção, o alcance vocal de Carey varia desde sol4 até a alta nota de lá5. O alcance vocal de Carey é demonstrado com maior ênfase no refrão final, com os vocais de Carey elevando o seu alcance vocal em uma oitava, abrangendo-se entre sol4 até lá5. A artista termina com uma coda antecipada, completando o refrão e a canção com uma nota potente de dó5 por aproximadamente quatro semibreves (cerca de 17 segundos). Segue-se a forma comum de verso-refrão, que está estruturada em três seções que retratam o protagonista em uma gama de emoções; de triste e resignada na primeira seção, até desesperada e agitada no segunda. A última seção da canção é culminada com o aumento vocal de uma oitava, que não enfatiza apenas o aumento do desespero da protagonista, mas sua determinação de estar com seu amante.

Crítica profissional Sal Cinquemani, da revista Slant Magazine, comentou que "a... diva [continua] legal com versos sussurrados e rápidos, até que o clímax forte, final e completo... prova que 'a voz', de fato, retornou". O profissional declarou que "a canção é 'inovadora', assim como Mariah foi ao longo dos anos". De acordo com Kelefa Sanneh, do The New York Times, o estilo de canto romântico da artista deu uma propulsão para a canção. Sanneh escreveu: "Esse estilo é parte da razão pela qual ela é capaz de transformar uma balada em um sucesso de verão. 'We Belong Together' não apresenta um rapper convidado, ou uma batida contundente, mas as linhas vocais difíceis da Sra. Carey dão para a canção mais propulsão do que se esperava, com ritmos bem enrolados que rebocam contra a batida". Johnny Loftus, do Metro Times, definiu a composição como um "sucesso de verão", resenhando: "Todos nós sabemos que são os intangíveis que fazem um single de verão de qualquer maneira, essas correntes não rastreáveis agarram as mãos e os pés e, embora não seja um hino, 'We Belong Together' é muito empolgante".

Para a revista Vibe, Michael Ehrlich disse que a canção iria "atravessar gerações". Aaron M., do portal Território da Música, definiu "We Belong Together" como a melhor do disco. Stephen Thomas Erlewine, do Allmusic, selecionou a faixa como um dos destaques do material, enquanto Todd Burns, da Stylus Magazine, descreveu-a como "lindamente cadenciada". Jozen Cummings, da PopMatters, escreveu o seguinte: "Carey faz a canção por conta própria, lembrando seus fãs nos dias de 'Hero' com vocais completos e guturais, e um clímax avassalador no final. A dicotomia entre as duas primeiras faixas de The Emancipation of Mimi são o 'pão e a manteiga' do álbum". Sherri Winston, do periódico South Florida Sun-Sentimel, disse que a cantora "sabia que [a música] seria um sucesso", prezando sua batida subestimada e os vocais de Carey. Michael Paoletta, da Billboard, descreveu "We Belong Together" como um dos números mais fortes do projeto, destacando a voz da artista como o ponto focal da obra.

Desempenho comercial esquerda|thumb|Carey cantando "We Belong Together" no Good Morning America