A Aliança de Cônjuges de Chefes de Estado da América Latina (em espanhol: Alianza de Cónyuges de Jefes de Estado de América Latina), também denominada Aliança de Cônjuges de Chefes de Estado e Representantes da América Latina (Alianza de Cónyuges de Jefes de Estado y Representantes de América Latina) e conhecida pela sigla ALMA, é uma rede regional de primeiras-damas, primeiros-cavalheiros e representantes de chefes de Estado latino-americanos destinada à cooperação, ao intercâmbio de experiências e à articulação de iniciativas de alcance social e internacional. Criada em 6 de agosto de 2019, a aliança desenvolveu-se inicialmente em torno da troca de boas práticas em áreas sociais e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e, posteriormente, passou a definir entre seus propósitos o exercício coordenado da chamada diplomacia branda, a aprendizagem entre pares e a aproximação com organismos multilaterais e redes internacionais de cônjuges de líderes nacionais.

A ALMA funciona como um espaço de cooperação de caráter aberto, colaborativo e não formal. Segundo a própria organização, primeiras-damas e primeiros-cavalheiros latino-americanos integram potencialmente a aliança em razão do papel que exercem, mas sua participação é voluntária e ocorre por meio de encontros internacionais, reuniões virtuais, iniciativas conjuntas e outras ações coordenadas. Diferentemente de uma organização internacional intergovernamental, a ALMA não representa os Estados por meio de tratados ou delegações diplomáticas permanentes, e sua liderança é exercida de forma rotativa por um de seus participantes.

A organização foi constituída por representantes de treze países durante uma videoconferência realizada em agosto de 2019. O Paraguai assumiu a primeira coordenação, sob a liderança de Silvana López Moreira, então primeira-dama paraguaia. Desde então, a direção da aliança passou sucessivamente pela Argentina, Brasil, Costa Rica, Paraguai, Panamá, Guatemala e Equador. Desde 23 de setembro de 2026, a presidência pro tempore é exercida por Lavinia Valbonesi, primeira-dama do Equador, que sucedeu Lucrecia Peinado, da Guatemala.

História

Antecedentes regionais

A formação da ALMA ocorreu no contexto de uma trajetória mais antiga de articulação internacional entre primeiras-damas das Américas. De acordo com estudo da cientista política Carolina Guerrero Valencia publicado na revista acadêmica OASIS, as primeiras experiências sistemáticas de cooperação regional remontam a 1987, quando primeiras-damas da América Central passaram a realizar encontros periódicos relacionados inicialmente ao processo de paz centro-americano. A primeira reunião foi realizada na Guatemala e foi seguida por encontros na Costa Rica, El Salvador, Honduras e Nicarágua, nos quais foram discutidas questões como infância afetada pela violência armada, mulheres adolescentes, integração regional, meio ambiente e desenvolvimento.

Em 1991, foi realizado em Caracas, na Venezuela, o primeiro Encuentro Latinoamericano y del Caribe de Primeras Damas, que ampliou a cooperação para além da América Central. A declaração final daquele encontro registrou a intenção de manter linhas de trabalho comuns e agradeceu o apoio técnico e financeiro do UNICEF à sistematização de programas sociais voltados para crianças, jovens, mulheres e famílias. A partir de 1994, o fórum recebeu a denominação de Conferencia de Primeras Damas, Esposas y Representantes de Jefes de Estado y de Gobierno de las Américas, permitindo uma formulação mais ampla de seus participantes e a inclusão de representantes dos Estados Unidos e do Canadá. Essas conferências abordaram temas relacionados à infância, juventude, família, educação, desenvolvimento social e direitos das mulheres. A XIV conferência, realizada em San Salvador em novembro de 2007, reuniu primeiras-damas ou representantes de catorze países e teve como tema a construção de uma sociedade inclusiva para pessoas de todas as idades.

Embora essas iniciativas anteriores não constituíssem institucionalmente a ALMA, a literatura acadêmica sobre primeiras-damas latino-americanas as identifica como antecedentes das formas contemporâneas de coordenação regional entre cônjuges presidenciais.

Concepção e criação

O antecedente imediato da ALMA ocorreu durante a 73.ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, em setembro de 2018. De acordo com o governo chileno, diversas esposas de presidentes latino-americanos encontraram-se com a então primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e posteriormente conversaram informalmente sobre os programas que desenvolviam em seus respectivos países. Nesse contexto surgiu a proposta de manter contato permanente e criar um mecanismo regional para compartilhamento de experiências.

Em 22 de março de 2019, durante um encontro de presidentes sul-americanos realizado em Santiago, a primeira-dama chilena Cecilia Morel reuniu-se com Juliana Awada, da Argentina, Silvana López Moreira, do Paraguai, e Maribel Díaz Cabello, do Peru. As participantes apresentaram projetos nacionais relacionados, entre outros temas, à infância, às pessoas idosas, ao voluntariado e à prevenção do bullying, em uma reunião que reforçou a proposta de intercâmbio entre os escritórios das primeiras-damas.

A aliança foi formalizada em 6 de agosto de 2019, quando representantes de treze países participaram de uma videoconferência inaugural. Na ocasião, foram definidos como objetivos a ampliação das relações e da colaboração entre os participantes, o compartilhamento de boas práticas e a criação de sinergias capazes de apoiar ações nacionais relacionadas à Agenda 2030 das Nações Unidas.

Entre as áreas inicialmente mencionadas estavam saúde e bem-estar; educação inclusiva e equitativa; empoderamento econômico e social das mulheres; promoção de uma cultura de paz e dos direitos fundamentais; assistência a vítimas de desastres; desenvolvimento de comunidades seguras e livres de violência; proteção de crianças e pessoas idosas; e inclusão das pessoas com deficiência. O Paraguai ficou responsável pela primeira coordenação da rede e o escritório de Silvana López Moreira estabeleceu cooperação com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento para apoiar a estruturação das atividades.

Coordenação paraguaia e primeiros projetos

Durante o primeiro ciclo de atividades, entre agosto de 2019 e setembro de 2020, Silvana López Moreira exerceu a coordenação-geral da ALMA. A rede buscou estabelecer relações com organizações internacionais e desenvolver iniciativas compartilhadas em áreas sociais. Ao encerrar sua gestão, López Moreira afirmou que haviam sido estabelecidos contatos e parcerias com organizações como a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), UNICEF, ONU Mulheres, Organização dos Estados Americanos (OEA), UNESCO, Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Em agosto de 2020, durante a pandemia de COVID-19, a ALMA e a FAO realizaram um encontro de alto nível sobre o empoderamento de mulheres rurais, indígenas e afrodescendentes. Participaram primeiras-damas da Argentina, Brasil, Equador, Honduras, Panamá, Paraguai e República Dominicana, além de ministros e outras autoridades governamentais. O encontro integrou a campanha regional Mulheres Rurais, Mulheres com Direitos e tratou dos efeitos socioeconômicos da pandemia sobre essas populações.

Em 29 de setembro de 2020, López Moreira transferiu a coordenação-geral para Fabiola Yáñez, então primeira-dama da Argentina.

Coordenação argentina e pandemia de COVID-19

Fabiola Yáñez exerceu a coordenação da aliança entre setembro de 2020 e setembro de 2021. Durante esse período, grande parte das atividades ocorreu de forma virtual em razão das restrições impostas pela pandemia. As atividades desenvolvidas ou continuadas nesse período incluíram temas relacionados à primeira infância, políticas de cuidado, meio ambiente, mulheres rurais e proteção social. A organização aprofundou também a colaboração com agências do sistema das Nações Unidas. Em junho de 2021, ALMA e UNICEF promoveram um encontro dedicado ao impacto da pandemia sobre a violência contra crianças pequenas na América Latina e no Caribe. O UNICEF registrou que infância, educação, mulheres, juventude, migração e mudança climática estavam entre as áreas priorizadas pela rede naquele período. Em 16 de setembro de 2021, primeiras-damas da Argentina, Brasil, Paraguai e Honduras participaram de um encontro regional realizado com representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), OPAS, UNICEF e UNESCO sobre higiene das mãos, acesso à água, saneamento e prevenção de doenças.

Em 29 de setembro daquele ano, Yáñez entregou a coordenação-geral à primeira-dama brasileira Michelle Bolsonaro.

Coordenação brasileira e ampliação dos encontros

miniaturadaimagem|Primeiras-damas e representantes durante reunião da ALMA em Nova Iorque, em setembro de 2022.

Michelle Bolsonaro exerceu a coordenação da ALMA entre setembro de 2021 e setembro de 2022. Durante sua gestão, a organização manteve atividades relacionadas à infância, educação, inclusão e questões sociais e retomou encontros presenciais de maior dimensão. Em junho de 2022, durante a IX Cúpula das Américas, em Los Angeles, a ALMA realizou uma reunião com primeiras-damas da região e convidados. Participaram, entre outras, Jill Biden, primeira-dama dos Estados Unidos, e representantes do Suriname, Costa Rica, Peru e Equador. Segundo a imprensa brasileira, representantes da América do Norte e do Caribe participaram como observadores, e Michelle Bolsonaro convidou formalmente Jill Biden a contribuir com a aliança.

A presença de Jill Biden representou uma ampliação circunstancial do diálogo para além da América Latina. A configuração institucional posteriormente divulgada pela própria ALMA voltou a definir a rede principalmente como espaço destinado a primeiras-damas e primeiros-cavalheiros latino-americanos. Em 20 de setembro de 2022, durante reunião realizada no Consulado-Geral do Brasil em Nova Iorque, a coordenação foi transferida para Signe Zeikate, primeira-dama da Costa Rica. O encontro abordou especialmente acessibilidade e inclusão.

miniaturadaimagem|Michelle Bolsonaro durante a transferência da coordenação da ALMA para Signe Zeikate, em 20 de setembro de 2022.

Coordenação costa-riquenha

Signe Zeikate permaneceu na coordenação entre setembro de 2022 e setembro de 2023. Em março de 2023, por exemplo, participou ao lado de Silvana López Moreira de um encontro virtual promovido pela ALMA no qual a primeira-dama dominicana Raquel Arbaje apresentou programas relacionados à proteção de crianças e adolescentes, prevenção de uniões precoces, gravidez na adolescência e ações sociais desenvolvidas na República Dominicana.

Em 18 de setembro de 2023, durante um encontro realizado paralelamente à 78.ª Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova Iorque, a liderança da organização foi transferida para Leticia Ocampos, primeira-dama do Paraguai. Ocampos indicou entre suas prioridades temas ligados ao empoderamento das mulheres, infância, cultura e desenvolvimento social.

Presidência de Leticia Ocampos

Durante a gestão de Leticia Ocampos, a ALMA reforçou contatos com iniciativas internacionais voltadas ao trabalho de primeiras-damas e primeiros-cavalheiros. Em julho de 2024, a aliança figurou como uma das organizações parceiras da segunda edição da Global First Ladies Academy, programa realizado pela Columbia University Mailman School of Public Health e pela Global First Ladies Alliance. O programa reuniu primeiras-damas e assessores de países da África, América Latina, Caribe e Oriente Médio para atividades relacionadas a liderança, saúde e desenvolvimento.