O movimento antivacina é uma oposição mais ou menos organizada à vacinação pública, oriunda de uma ampla gama de críticos de vacinas, algo que existe desde as primeiras campanhas de vacinação. O movimento antivacina moderno, de natureza quase mundial, faz uso dos recursos da internet e se baseia em ideias sem comprovação científica e em teorias da conspiração.
Há consenso científico generalizado de que vacinas são seguras e efetivas, e portanto a Organização Mundial da Saúde caracteriza a hesitação em vacinar como uma das dez maiores ameaças para a saúde mundial. No entanto, o público em geral desconhece a diferença entre o rigor do conhecimento científico e o conhecimento vulgar, o conhecimento religioso, ou o conhecer individual.
A recusa da vacinação primariamente resulta de debates públicos acerca de problemas médicos, éticos e legais relacionados a vacinas. Ela pode surgir de muitos fatores incluindo a falta de confiança de uma pessoa (desconfiança na vacina e/ou no provedor de saúde), complacência (a pessoa não vê uma necessidade para a vacina ou não vê o valor da vacina), e conveniência (acesso a vacinas). As hipóteses específicas levantadas por ativistas antivacinas têm mudado ao longo do tempo. Antivacinas, anticiência, além de diversos outros assuntos polêmicos, passaram a ser utilizados na internet com objetivos políticos. Os institutos democráticos e jurídicos tentam combater estes movimentos reconhecendo-os como crimes de divulgação de FakeNews. A não vacinação frequentemente resulta em surtos de doenças e mortes em decorrência de doenças que podem ser evitadas com a toma de vacinas.
No Brasil, a vacinação de crianças é obrigatória desde 1975, com a criação do Programa Nacional de Imunização, sendo o caráter obrigatório tornado lei em 1990 no Estatuto da Criança e do Adolescente (Art. 14 § 1). Pais ou responsáveis que não levarem suas crianças para a vacinação obrigatória podem ser incriminados por negligência e maus tratos. Em outros países, entretanto, leis propostas para tornar a vacinação obrigatória já foram atacadas por ativistas e organizações antivacinas. A oposição à vacinação obrigatória pode ser baseada em um sentimento antivacina, preocupação que ela viola liberdades civis ou reduz a confiança na vacinação, ou suspeição de enriquecimento da indústria farmacêutica.
Eficácia miniaturadaimagem|318x318px|As taxas de casos de sarampo caíram drasticamente quando a imunização universal foi introduzida. Evidências científicas da eficácia de campanhas de vacinação em larga escala são bem estabelecidas. De dois a três milhões de mortes são prevenidas todos os anos mundialmente graças à vacinação e outras 1,5 milhão de mortes poderiam ser prevenidas todos os anos se todas as vacinas recomendadas fossem usadas. Campanhas de vacinação ajudaram a erradicar a varíola, que já chegou a matar uma a cada sete crianças na Europa, e quase erradicaram a poliomielite. Como um exemplo mais modesto, infecções causadas pela Haemophilus influenzae (Hib), uma grande causa de meningite bacteriana e outras doenças sérias em crianças, diminuíram em mais de 99% nos Estados Unidos desde a introdução da vacina em 1988. É estimado que a vacinação completa, desde o nascimento até a adolescência, de todas as crianças estadunidenses nascidas em um ano salvaria 33.000 vidas e evitaria 14 milhões de infecções.
Há literatura antivacina que alega que as reduções em doenças infecciosas resultariam de melhores condições sanitárias e de higiene (ao invés da vacinação) ou que essas doenças já estavam em declínio antes da introdução de vacinas específicas. Essas alegações não são apoiadas por dados científicos; a incidência de doenças evitáveis por vacinas tendia a flutuar ao longo do tempo até a introdução de vacinas específicas, quando o ponto de incidência caiu a quase zero. Um website dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças que buscava responder a equívocos comuns sobre vacinas argumentou, "é suposto acreditarmos que melhores condições sanitárias causaram a incidência de cada doença a cair, bem na hora que uma vacina para aquela doença foi introduzida?"
Outros críticos alegam que a imunidade garantida pelas vacinas é temporária e requer intensificadores, enquanto aqueles que sobrevivem à doença se tornam permanentemente imunes. Como discutido abaixo, as filosofias de alguns praticantes de medicina alternativa são incompatíveis com a ideia de que vacinas são efetivas.
Saúde da população miniaturadaimagem|Charlotte Cleverley-Bisman teve seus quatro membros parcialmente amputados aos sete meses de idade graças à doença meningocócica. A vacinação mais abrangente pode proteger crianças como Charlotte, que são jovens demais para serem vacinadas, de pegar a doença através do desenvolvimento da imunidade de grupo. A cobertura incompleta de vacinação aumenta o risco de doenças para a população como um todo, incluindo aqueles que já foram vacinados, porque reduz a imunidade de grupo. Por exemplo, a vacina de sarampo é dada a crianças de 9 a 12 meses de idade, e a pequena janela entre o desaparecimento dos anticorpos maternos (antes do qual a vacina não consegue seroconverter) e a infecção natural significa que crianças vacinadas estão frequentemente ainda vulneráveis. A imunidade de grupo diminui essa vulnerabilidade se todas as crianças estiverem vacinadas. Aumentar a imunidade de grupo durante um surto é talvez a justificação mais largamente aceita para a vacinação em massa. Quando uma nova vacina é introduzida, a vacinação em massa ajuda a aumentar a cobertura rapidamente.
Se o suficiente de uma população for vacinada, a imunidade de grupo se torna efetiva, diminuindo o risco de pessoas que não podem tomar vacinas por serem muito jovens ou muito velhas, imunocomprometidas, ou se tiverem alergias severas aos ingredientes da vacina. O resultado para pessoas com sistemas imunológicos comprometidos quando se infectam é frequentemente pior do que o da população em geral.
Custo-benefício Vacinas comumente usadas são custo-eficazes e uma forma preventiva de promover a saúde, em comparação com tratamentos de doenças crônicas ou agudas. Nos Estados Unidos durante 2001, imunizações infantis de rotina contra sete doenças pouparam um valor estimado de 40 bilhões de dólares por grupo de ano de nascimento e custos sociais gerais, incluindo 10 bilhões em custos diretos de saúde.
Necessidade Quando um programa de vacinação reduz efetivamente o perigo de uma doença, ele pode reduzir o risco percebido da doença já que memórias culturais dos efeitos daquela doença somem. Nesse ponto, pais podem sentir que não têm nada a perder ao não vacinar suas crianças. Se pessoas o suficiente quiserem se tornar "parasitas", ganhando os benefícios da imunidade de grupo sem se vacinarem, os níveis de vacinação podem cair a um nível onde a imunidade de grupo não é mais efetiva. De acordo com a socióloga Jennifer Reich, aqueles pais que acreditam que a vacinação é eficaz mas preferem que suas crianças não tomem vacinas, são os mais prováveis a mudar de ideia, caso abordados propriamente.
Temas comuns Enquanto alguns antivacinas abertamente negam as melhoras que as vacinas causaram à saúde pública ou acreditam em teorias da conspiração, é muito mais comum que citem preocupações sobre segurança. Como com qualquer tratamento médico, há um potencial para que as vacinas causem complicações sérias, como reações alérgicas severas, mas ao contrário da maior parte das outras intervenções médicas, as vacinas são dadas a pessoas saudáveis e então um maior nível de segurança é requerido. Apesar de complicações sérias em decorrência de vacinas serem possíveis, elas são extremamente raras e muito menos comuns que riscos simulares das doenças que previnem. Com o sucesso de programas de imunização e diminuição da incidência de doenças, a atenção do público se move dos riscos da doença aos riscos da vacina, e se torna desafiador para autoridades de saúde preservarem o apoio público aos programas de vacinação.
O sucesso estrondoso de certas vacinações tornou algumas doenças raras e consequentemente levou a pensamentos heurísticos incorretos na pesagem de riscos contra benefícios, entre pessoas hesitantes sobre a vacinação. Uma vez que essas doenças (por exemplo, a Haemophilus influenzae) diminuam em prevalência, as pessoas podem não mais apreciar o quão séria a doença é, graças à falta de familiaridade com ela, e se tornar complacentes. A falta de experiência pessoa com essas doenças reduz o perigo percebido e consequentemente o benefício percebido da imunização. Por outro lado, algumas doenças (como a gripe) continuam tão comuns que pessoas hesitantes sobre a vacinação erroneamente percebem a doença como não sendo perigosa apesar das evidências de que a doença apresenta uma ameaça séria à saúde humana. Omissão e viés de desconfirmação também contribuem para a hesitação.
Várias preocupações sobre a imunização foram levantadas. Elas foram respondidas e as preocupações não são apoiadas por evidência. Preocupações sobre a segurança da imunização frequentemente seguem um padrão. Primeiro, alguns investigadores sugerem que uma condição médica de prevalência crescente ou causa desconhecida é um efeito adverso da vacinação. O estudo inicial e estudos subsequentes pelo mesmo grupo aplicam uma metodologia inadequada, tipicamente uma série de casos com pouco ou nenhum controle. Um anúncio prematuro é feito sobre o suposto efeito adverso, ressoando com os indivíduos que sofrem dessa condição, e subestimando o dano potencial de não se vacinar para aqueles que podem ser protegidos pela vacina. Outros grupos tentam replicar o estudo inicial mas falham em conseguir os mesmos resultados. Finalmente, leva-se ano para reconquistar a confiança pública na vacina. Efeitos adversos atribuídos às vacinas tipicamente têm uma origem desconhecida, uma incidência crescente, alguma plausibilidade biológica, ocorrências próximas da época de vacinação, e resultados indesejados. Em quase todos os casos, o efeito para a saúde pública é limitado por fronteiras culturais: falantes de inglês se preocupam sobre uma vacina causar autismo, enquanto falantes de francês se preocupam sobre uma outra vacina causar esclerose múltipla, e nigerianos se preocupam sobre uma terceira vacina causar infertilidade.
Autismo
A ideia de uma ligação entre vacinas e autismo já foi extensivamente investigada e concluída como falsa. O consenso científico é de que não há qualquer relação, causal ou não, entre vacinas e a incidência de autismo, e que os ingredientes da vacina não causam autismo.
Mesmo assim, o movimento antivacina continua a promover mitos, teorias da conspiração e desinformação relacionando os dois. Uma tática em desenvolvimento parece ser a de "promoção de pesquisas irrelevantes [como] um agregado ativo de diversos estudos questionáveis ou perifericamente relacionados em uma tentativa de justificar a ciência sob uma alegação questionável."
Timerosal