O Mikoyan-Gurevich MiG-23 (МиГ-23 em alfabeto cirílico) (designado como 'Flogger' pela OTAN) é um caça multifuncional, fabricado originalmente pela Mikoyan-Gurevich na antiga União Soviética. Foi produzido em larga escala, e projetado entre 1961 e 1964, e até hoje permanece em serviço em alguns países, recebendo toda assistência técnica. Aeronaves MiG-23 de várias modificações foram exportadas para a Força Aérea e Forças de Defesa Aérea da URSS, Forças Aéreas da Argélia, Angola, Bulgária, Cuba, Tchecoslováquia, Alemanha, Egito, Líbia, Hungria, Iraque, Índia, Coreia do Norte, Etiópia, Iêmen do Sul, Polônia, Síria e Vietnã. Foi uma das aeronaves mais produzidas da Guerra Fria.
Desenvolvimento Seu antecessor, o MiG-21, mesmo sendo ágil e veloz, era muito limitado, principalmente sua parte operacional, com um sistema de radar primitivo, baixíssimo raio de combate e uma limitada capacidade de carga (na maioria das vezes só era possível transportar mísseis de curto alcance do tipo ar-ar).
Já o MiG-23 foi apresentado como uma aeronave mais robusta, com maior poder de fogo e com as deficiências do antecessor remediadas, podendo competir com o rival F-4 Phantom da época. O novo caça utilizava um moderno sistema de radar, chamado de S-23, juntamente com um sistema de armamento projetado para carregar e disparar mísseis do tipo BVR. Além disso, tinha como nova característica asas de geometria variável. Com elas o piloto da aeronave podia alterar a forma do aparelho em pleno ar, adaptando-a às diferentes condições de voo, possibilitando assim operar em pistas com praticamente metade de comprimento do normal, transportar o dobro de armamento e voar em velocidade 30% superior ao seu antecessor.
Versões produzidas Primeira Geração MiG-23S O MiG-23S (designação OTAN 'Flogger-A') foi a variante inicial de pré-produção. Apenas 60 exemplares foram construídos entre 1969-70. Essas aeronaves foram usadas em ensaios de voo e testes operacionais. O MiG-23S tinha um motor turbojato melhorado R-27F2-300 com empuxo máximo de 9 980 kp. Como o radar Sapfir-23 estava com seu desenvolvimento atrasado, as aeronaves usavam o sistema de controle de armas S-21, com o radar RP-22SM; esse era basicamente o mesmo sistema de armas do MiG-21MF/bis. O canhão de cano duplo de 23 mm GSh-23L com 200 projéteis ficava acomodado sob a fuselagem. Essa variante sofreu vários problemas durante seu desenvolvimento, e nunca foi colocada em serviço como caça operacional.
MiG-23 O MiG-23 foi a segunda variante de pré-produção, sendo usualmente chamada MiG-23 Tipo 1971. Era uma versão consideravelmente modificada em comparação ao MiG-23S: levava a suíte de armas S-23 completa, com radar Sapfir-23L e mísseis R-23R. Ainda continha um motor ainda mais avançado, R-27F2M-300 com empuxo máximo de 12 000 kp (depois re-designado R-29-300). A asa modificada "tipo 2", com maior área alar e dentes no bordo de ataque. Os slats foram abandonados e o enflechamento foi aumentado em 2,5 graus; as posições das asas foram mudadas para 18,5, 47,5 e 74,5 graus respectivamente. O estabilizador vertical foi movido para uma posição mais posterior, e um tanque extra de combustível foi adicionado à fuselagem posterior, como na versão biposto (ver abaixo). Aproximadamente 80 exemplares foram construídos. A confiabilidade foi melhorada no geral, em relação à variante anterior, mas o radar Sapfir mostrou-se ainda imaturo.
MiG-23M thumb|direita|300px|Um MiG-23MS, operado pelo 4477th Test and Evaluation Squadron da USAF, nos anos 1980. O MiG-23M ('Flogger-B'). Esta variante voou pela primeira vez em junho de 1972. Foi a primeira versão do MiG-23 que foi produzida em massa, e foi o primeiro caça da VVS (Força Aérea da União Soviética) a ter capacidade look down/shoot down (embora esta capacidade ainda fosse inicialmente bastante limitada). As asas foram modificadas novamente, tendo agora slats de bordo de ataque. O motor R-29-300 era agora especificado para 12 500 kp. Surgia também a suíte definitiva de sensores: uma versão melhorada do radar Sapfir-23D (designação OTAN "High Lark"), sensor IRST TP-23 e mira óptica ASP-23D. O radar tinha alcance aproximado de 45 km contra um alvo do tamanho de um caça, a grande altitude. Não era um verdadeiro radar Doppler, e sim utilizava a menos eficiente técnica de "detecção por envelope" similar à usada em alguns radares ocidentais dos anos 1960. O sistema infravermelho tinha alcance de detecção de aproximadamente 30 km contra bombardeiros voando em grandes altitudes, sendo menor para caças. A aeronave era equipada com o sistema de enlace de dados (datalink) Lasur-SMA. O armamento padrão consistia em dois mísseis R-23 guiados por radar ou infravermelho R-23 (designação OTAN AA-7 "Apex"), com alcance além do campo visual (BVR), e dois mísseis de curto alcance guiados por infravermelho R-60 (AA-8 "Aphid"). A partir de 1974, foram instalados cabides duplos para R-60, permitindo que quatro mísseis fossem levados. Bombas, foguetes e mísseis podiam ser levados para ataque ao solo. Mais tarde, foi acrescentada a capacidade para o míssil de ataque ao solo guiado por rádio Kh-23. A maioria dos MiGs soviéticos também tinham instalações para carregar armas nucleares táticas. Aproximadamente 1300 MiG-23M foram produzidos para a VVS e para a PVO entre 1972-78. Era o mais importante caça soviético entre a metade e o final da década de 1970.
MiG-23UB O MiG-23UB ('Flogger-C') é uma versão biposto de treinamento. Era baseada no MiG-23S, mas apresentava um segundo cockpit atrás do primeiro. Um dos tanques anteriores de combustível foi removido para acomodar o assento extra, sendo em compensação instalado outro tanque mais atrás na fuselagem. Levava o sistema de armas S-21, embora o radar foi mais tarde quase sempre removido. Durante a produção, tanto as asas como o motor foram melhorados para o padrão do MiG-23M. A produção começou em Irkutsk em 1971 e continuou até 1985 (variante de exportação). No total foram construídos 769 exemplares.
MiG-23MS O MiG-23MS ('Flogger-E') era uma variante de exportação, porque nos anos 1970 o MiG-23M era considerado muito avançado para ser exportado para países de Terceiro Mundo. Era no geral similar ao MiG-23M, mas usava o sistema de armas no padrão S-21, com o radar RP-22SM ("Jay Bird") num radomo menor. O IRST havia sido removido. Obviamente essa variante não tinha capacidade BVR, já que era capaz de usar apenas os mísseis R-3S e R-3R (AA-2 "Atoll") e R-60. Os aviônicos eram básicos. Essa variante foi produzida entre 1973-78 e foi exportada para o Norte da África e para o Médio Oriente.
MiG-23MF O MiG-23MF ('Flogger-B'). Essa era outra variante de exportação do MiG-23M, planejada para ser exportada para países do Pacto de Varsóvia, mas acabou sendo vendida para muitos outros aliados e clientes, já que a maioria dos clientes de exportação estavam insatisfeitos com o primitivo MiG-23MS. Na verdade ele acabou vindo em duas versões: a primeira foi vendida para países do Pacto de Varsóvia, e era essencialmente idêntica ao MiG-23M soviético, com pequenas alterações nos equipamentos de IFF e comunicações. A segunda versão foi vendida para países de fora da Europa, e tinha um conjunto diferente de IFF e comunicações (com o datalink geralmente removido) e radar menos capaz, que não apresentava as funções antiECM e os mesmos modos de uso que o "High Lark" original. Essa variante foi mais popular no exterior que o MiG-23MS e quantidades consideráveis foram exportadas, especialmente para o Oriente Médio.
Segunda Geração MiG-23ML O MiG-23ML ('Flogger-G'). As variantes iniciais do Flogger eram projetadas para serem utilizadas em ataques em altas velocidades com mísseis, mas logo percebeu-se que freqüentemente os caças tinham que entrar em combate a curta distância, mais perigoso e estressante. As aeronaves de versões iniciais chegavam a sofrer rachaduras na estrutura da fuselagem durante sua carreira operacional. A manobrabilidade da aeronave também era criticada. Uma considerável porção da estrutura foi redesenhada, resultando no MiG-23ML (L - leve), que era em vários aspectos um novo avião. O peso vazio foi reduzido em 1.250 kg, em parte com a remoção do tanque de combustível traseiro da fuselagem. A aerodinâmica foi refinada para menor arrasto. A extensão dorsal do estabilizador vertical foi removida. O trem de pouso foi redesenhado, resultando numa atitude mais baixa do nariz em relação ao solo. A estrutura era agora especificada para um limite "g" de 8,5g , em comparação aos 8g da versão mais antiga MiG-23M/MF Flogger B. O novo motor R-35F-300 tinha agora um empuxo máximo seco de 8 550 kp, e 13 000 kp com pós-combustão. Isto levou a uma considerável melhora na manobrabilidade e na relação empuxo / peso.
O conjunto de aviônicos também era consideravelmente melhorado. O padrão S-23ML incluía o radar Sapfir-23ML e o IRST TP-23ML. O novo radar era mais confiável e tinha um alcance de detecção de aproximadamente 65 km contra alvos do tamanho de um caça (25 km no modo look-down). A suíte de navegação era melhorada, especialmente pelo novo piloto automático. Foram instalados também novos sistemas de rádio e de enlace de dados (datalink). O protótipo desta variante voou pela primeira vez em 1976 e a produção foi iniciada em 1978.
A variante seguinte do ML foi chamada de MLA. Ela tinha um radar melhorado, com maior resistência a ECM, o que tornou possíveis as operações conjuntas de busca, já que os radares não interfeririam uns nos outros. O MiG-23MLA também levava o novo HUD / mira óptica ASP-17ML, e capacidade de usar os mísseis melhorados R-24R/T. Externamente, o MLA idêntico ao ML. Entre 1978 e 1982, ao redor de 1 100 ML/MLA foram construídos, tanto para a força aérea soviética como para clientes de exportação. Assim como no caso do MiG-23MF, havia duas subvariantes diferentes do MiG-23ML para exportação: a primeira versão foi vendida para países do Pacto de Varsóvia e era bem similar à soviética. A segunda versão tinha radar simplificado e foi vendida para aliados do Continente Africano.
MiG-23P O MiG-23P ('Flogger-G'). Essa era uma variante especializada para interceptação, desenvolvida para as Forças Soviéticas de Defesa Aérea (PVO). Ela tinha a mesma estrutura e motorização do MiG-23ML, mas sua suíte aviônica era melhorada, para ir de encontro aos requerimentos e perfis de missão da PVO. O radar era a versão melhorada Sapfir-23P, que podia ser usada em conjunto com o IRST e a mira óptica para melhor capacidade look down/shoot down, tendo em vista a crescente ameaça dos mísseis de cruzeiro em voo baixo. O piloto automático incluía um novo computador digital e era ligado às estações terrestres pelo datalink Lasur-M, que permitia que estações CGI apontasse a aeronave em direção ao alvo - numa interceptação desse tipo, tudo o que o piloto tinha que fazer era controlar o motor e usar as armas. O MiG-23P era o interceptador mais numeroso da PVO na década de 1980. Ao redor de 500 aeronaves foram construídas entre 1978-81. O MiG-23P serviu apenas na PVO, e nunca foi exportado.
MiG-23MLD 300px|miniaturadaimagem|Um Mig-23 soviético