(And) é uma das 48 constelações relacionadas pelo astrônomo greco-romano do século II Ptolemeu, e permanece como uma das 88 constelações modernas. O genitivo, usado para formar nomes de estrelas, é Andromedae. Localizada a norte do equador celeste, foi nomeada a partir de Andrômeda, filha de Cassiopeia, da mitologia grega, que foi acorrentada a uma rocha para ser devorada pelo monstro marinho Cetus. Andrômeda é mais visível durante as noites de outono do hemisfério norte, juntamente com várias outras constelações nomeadas como personagens do mito de Perseu. Por causa de sua declinação setentrional, Andrômeda é visível somente a norte da latitude 40° sul; para observadores mais a sul, ela fica constantemente abaixo da linha do horizonte. É uma das maiores constelações, com uma área de 722 graus quadrados, equivalente a mais de 1 400 vezes o tamanho da Lua cheia, 55% da área da maior constelação, Hydra, e mais de dez vezes a área da menor constelação, Crux.

Sua estrela mais brilhante, Alpha Andromedae, é uma estrela binária que também já foi contada como parte de Pegasus, enquanto Gamma Andromedae é uma binária colorida e um alvo popular para astrônomos amadores. Apenas um pouco mais tênue do que Alpha, Beta Andromedae é uma gigante vermelha cuja cor é visível a olho nu. O objeto do céu profundo mais óbvio da constelação é a galáxia de Andrômeda (M31, também chamada a Grande Galáxia de Andrômeda), a galáxia espiral mais próxima da Via Láctea e um dos mais brilhantes objetos Messier, sendo visível a olho nu. Diversas galáxias menos brilhantes, incluindo M110 e M32, companheiras de M31, bem como a mais distante NGC 891, situam-se na área de Andrômeda. A nebulosa planetária NGC 7662 é visível ao telescópio como um objeto circular azul.

Na astronomia chinesa, as estrelas que compõem Andrômeda eram membros de quatro constelações diferentes, que tinham significado astrológico e mitológico; uma constelação relacionada com Andrômeda também existe na mitologia hindu. Em Andrômeda está o radiante dos Andromedídeos, uma fraca chuva de meteoros que ocorre em novembro.

História e mitologia

thumb|Andrômeda representada em um antigo manuscrito científico, c. 1000. A uranografia de Andrômeda tem suas raízes mais firmes na tradição grega, embora uma figura feminina na localização de Andrômeda tenha aparecido mais cedo na astronomia babilônica. As estrelas que compõem Pisces e a porção média da moderna Andrômeda formavam uma constelação que representava uma deusa da fertilidade, às vezes chamada de Anunitum ou a Dama dos Céus.

Andrômeda já foi conhecida como Mulier Catenata (“mulher acorrentada”) em latim e al-Mar'at al Musalsalah em árabe. Ela também foi chamada Persea (“esposa de Perseu”) ou Cepheis (“filha de Cefeu”), nomes que se referem ao papel de Andrômeda no mito greco-romano de Perseu, em que Cassiopeia, a rainha da Etiópia, gabava-se de que sua filha era mais bonita do que as Nereidas, ninfas marinhas abençoadas com incrível beleza. Ofendidas com este comentário, as ninfas pediram a Poseidon para punir Cassiopeia por sua insolência, o que ele fez enviando o monstro marinho Cetus para atacar a Etiópia. Em pânico, o pai de Andrômeda, Cefeu, foi informado pelo Oráculo de Amon de que a única maneira de salvar o seu reino seria sacrificando sua filha a Cetus. Ela foi acorrentada a uma rocha no mar, mas foi salva pelo herói Perseu, que, em uma versão da história, usou a cabeça da Medusa para transformar o monstro em pedra; em outra versão, contada pelo poeta Ovídio em sua obra Metamorfoses, Perseu matou o monstro com sua espada de diamante. Perseu e Andrômeda então se casaram; o mito diz que o casal teve nove filhos – sete homens e duas mulheres – e fundou Micenas e sua dinastia Persideae. Depois da morte de Andrômeda, Atena homenageou-a colocando-a no céu como uma constelação. Diversas constelações vizinhas (Perseus, Cassiopeia, Cetus e Cepheus) também representam personagens do mito de Perseu.

Andrômeda era uma das 48 constelações originais estabelecidas por Ptolemeu em sua obra Almagesto do século II, na qual ela era definida como um padrão específico de estrelas. Ela é tipicamente retratada com α Andromedae como sua cabeça, ο e λ Andromedae como as correntes, e δ, π, μ, Β e γ Andromedae representando seu corpo e pernas. Entretanto, não há uma representação universal de Andrômeda e as estrelas utilizadas para indicar seu corpo, cabeça e correntes. Os astrônomos árabes conheciam as constelações de Ptolemeu, mas eles incluíram uma segunda constelação representando um peixe aos pés de Andrômeda. Diversas estrelas em Andrômeda e a maioria das de Lacerta foram combinadas em 1787 pelo astrônomo alemão Johann Elert Bode para formar a constelação Frederici Honores (também chamada Friedrichs Ehre), assim designada para homenagear o rei Frederico II da Prússia, mas rapidamente caiu em desuso. Desde o tempo de Ptolemeu, Andrômeda permanece uma constelação, e é oficialmente reconhecida pela União Astronômica Internacional (UAI), embora, como todas as constelações modernas, ela seja agora definida como uma região específica do céu, que inclui tanto o padrão de Ptolemeu quanto as estrelas circundantes. Em 1922, a UAI definiu sua abreviação de três letras recomendada, “And”. Os limites oficiais de Andrômeda foram definidos em 1930 por Eugène Delporte como um polígono de 36 segmentos. Sua ascensão reta está entre e , e sua declinação está entre 53,19° e 21,68° no sistema equatorial de coordenadas.

Na astronomia não ocidental thumbnail|left|Foto da constelação Andrômeda, como aparece a olho nu. Foram incluídas linhas para maior clareza. Na astronomia chinesa tradicional, nove estrelas de Andrômeda (incluindo Beta Andromedae, Mu Andromedae e Nu Andromedae), juntamente com sete estrelas de Pisces, formavam uma constelação elíptica chamada “Pernas” (奎宿). Esta constelação representava o pé de uma pessoa caminhando ou um javali selvagem. Gamma Andromedae e suas vizinhas eram chamadas “Teen Ta Tseang Keun” (天大将军, grande general do céu), representando honra em astrologia e um grande general na mitologia. Alpha Andromedae e Gamma Pegasi faziam juntas "Parede" (壁宿) representando a parede oriental do palácio imperial e/ou a biblioteca pessoal do imperador. Para os chineses, a fileira norte de Andrômeda formava um estábulo para troca de cavalos (tianju, 天厩, estábulo no céu), e a parte a oeste, junto com a maior parte de Lacerta, fazia Tengshe, uma cobra voadora.

Uma constelação árabe chamada “al-Hut” (o peixe) era composta de várias estrelas em Andrômeda, M31, e várias estrelas em Pisces. v And, μ And, β And, η And, ζ And, ε And, δ And, π And e 32 And foram incluídas de Andrômeda; ν Psc, φ Psc, χ Psc e ψ Psc foram incluídas de Pisces.

Lendas hindus cercando Andrômeda são similares aos mitos gregos. Textos antigos em sânscrito apresentam Antármada acorrentada a uma rocha, como no mito grego. Estudiosos acreditam que os mitos astrológicos hindu e grego estavam estreitamente ligados; uma evidência mencionada é a similaridade entre os nomes “Antármada” e “Andrômeda”.

Andrômeda está também associada com a história da criação mesopotâmica de Tiamat, a deusa do Caos. Ela produziu muitos demônios para o seu marido Apsu, mas ao final decidiu destruí-los em uma guerra que terminou quando Marduque a matou. Ele usou o corpo dela para criar as constelações como marcadores do tempo para os humanos.

Nas Ilhas Marshall, Andrômeda, Cassiopeia, Triangulum e Aries estão incorporadas em uma constelação representando um boto. As estrelas brilhantes de Andrômeda estão principalmente no corpo do boto; Cassiopeia representa o seu rabo e Aries a cabeça. No arquipélago de Tuamotu, Alpha Andromedae era chamada Takurua-e-te-tuki-hanga-ruki, significando “Estrela do trabalho cansativo”, e Beta Andromedae era chamada Piringa-o-Tautu.

Índios brasileiros que habitam a região norte do país conhecem a constelação Anta do Norte, formada por estrelas das constelações ocidentais Cygnus, Cassiopeia, Lacerta, Cepheus e Andrômeda, sendo que desta última participam ψ Andromedae e λ Andromedae. Para as etnias que habitam regiões mais ao sul, a constelação é pouco conhecida porque se localiza muito próximo à linha do horizonte.

Objetos notáveis Estrelas

thumb|400px|400px|Andrômeda como aparece no céu noturno, com a figura superposta. α And (Alpheratz, Sirrah) é a estrela mais brilhante da constelação. É uma estrela binária de classe A0p com uma magnitude aparente visual total de 2,1 e uma luminosidade de 96 vezes a do Sol. Está a 97 anos-luz da Terra. Representa a cabeça de Andrômeda na mitologia ocidental, entretanto os nomes árabes tradicionais da estrela – Alpheratz e Sirrah, da frase surrat-al-faras – às vezes se traduziam como “umbigo do cavalo”. Os nomes árabes são uma referência ao fato de que α And forma um asterismo conhecido como o “Grande Quadrado de Pégaso” com três estrelas em Pegasus: α, β e γ Peg . Dessa forma, a estrela era inicialmente considerada como pertencente tanto a Andrômeda quanto a Pegasus, e era também designada como “Delta Pegasi”, embora este nome não seja mais formalmente utilizado. β And (Mirach) é uma estrela gigante vermelha do tipo M0 localizada em um asterismo conhecido como “a cinta”. Está a 198 anos-luz de distância, tem uma magnitude de 2,06 e luminosidade de 115 vezes a do Sol. Seu nome vem da frase árabe al-Maraqq, significando “os quadris” ou “a tanga”, uma frase traduzida dos textos de Ptolemeu. Entretanto, β And era considerada pelos árabes como parte de al-Hut, uma constelação representando um peixe maior do que Pisces nos pés de Andrômeda. γ And (Almach) é uma estrela gigante luminosa alaranjada do tipo K3, encontrada na ponta sul da constelação, com uma magnitude total de 2,14. Almach é uma estrela múltipla, com uma primária amarela de magnitude 2,3 e uma secundária azul-verde de magnitude 5,0, separadas por 9,7 segundos de arco. O astrônomo britânico William Herschel disse da estrela: “a notável diferença nas cores das duas estrelas sugere a ideia de um sol e seu planeta, para o que o seu tamanho desigual contribui bastante.” A secundária, descrita por Herschel como “azul-celeste clara, inclinada para verde”, é por sua vez uma estrela dupla, com uma secundária de magnitude 6,3 e um período de 61 anos. O sistema está a 358 anos-luz de distância. Almach foi nomeada a partir da frase árabe ‘Anaq al-Ard, que significa o “cabrito da terra”, uma obscura referência a um animal que ajuda um leão a encontrar a caça. δ And é uma estrela gigante alaranjada do tipo K3 de magnitude 3,3. Está a 105 anos-luz da Terra. ι And, κ And, λ And, ο And e ψ And formam um asterismo conhecido como “Glória de Frederico”, um nome derivado de uma constelação antiga, Frederici Honores. ι And é uma estrela branco-azulada da sequência principal do tipo B8, a 502 anos-luz da Terra; κ And é uma estrela subgigante branca do tipo B9 IVn, a 168 anos-luz da Terra, que possui um planeta extrassolar ou anã marrom descoberto por imagens diretas, a uma separação de 55 UA da estrela; λ And é uma estrela gigante amarelada do tipo G8, a 86 anos-luz da Terra; ο And é uma estrela gigante branco-azulada do tipo B6, a 679 anos-luz da Terra, e ψ And é uma estrela branco-azulada da sequência principal do tipo B7, a 988 anos-luz da Terra. μ And é uma estrela branca da sequência principal do tipo A5 e magnitude 3,9. Está a 130 anos-luz de distância. υ And é um sistema binário de magnitude 4,1, que consiste de uma anã tipo F e uma anã tipo M. A estrela primária tem um sistema planetário com quatro planetas confirmados, com 0,96, 14,57, 10,19 e 1,06 vezes a massa de Júpiter. O sistema está a 44 anos-luz da Terra. ξ And (Adhil) é uma estrela binária distante 217 anos-luz. A primária é uma estrela gigante alaranjada do tipo K0. π And é uma estrela binária branco-azulada de magnitude 4,3, a 598 anos-luz. A primária é uma estrela da sequência principal do tipo B5. Sua companheira tem magnitude 8,9.