Luiz Ruffato (Cataguases, 4 de fevereiro de 1961) é um escritor brasileiro. Seu romance Eles eram muitos cavalos, de 2001, ganhou o Troféu APCA oferecido pela Associação Paulista de Críticos de Arte e o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Em 2011, com a publicação do romance Domingos Sem Deus, concluiu a pentalogia Inferno Provisório.

Biografia Nascido em Cataguases, Minas Gerais em 1961, é filho de um pipoqueiro - filho, por sua vez, de imigrantes portugueses - e de uma lavadeira de roupas de origem norte-italiana. Formou-se em tornearia mecânica pelo Senai e trabalhou como operário da indústria têxtil, pipoqueiro e atendente de armarinho durante a juventude. Graduou-se em Comunicação pela Universidade Federal de Juiz de Fora e trabalhou em diversos jornais até se mudar para São Paulo em 1990. Em 2003, abandonou a carreira de jornalista para se tornar escritor em tempo integral.

Obras Primeiras obras Seu primeiro livro publicado foi O homem que tece (1979), poemas sobre o operariado e a classe média baixa brasileiros. Seu segundo livro publicado foi Histórias de Remorsos e Rancores (1998), reunião de sete contos que giram em torno dos mesmos personagens, moradores do beco do Zé Pinto, em Cataguases. Em resenha, o escritor Ivan Ângelo afirma que o autor demonstra “originalidade, ousadia formal, domínio da narrativa e do assunto, criação de uma linguagem que define o lugar e as pessoas”.

Em 2000, publicou (os sobreviventes), que recebeu menção especial do Prêmio Casa de las Américas. O livro é composto por seis contos, cujos personagens são pessoas comuns das classes baixa e média.

Ambos os livros, revistos e reescritos, foram incorporados ao projeto Inferno Provisório.

Eles eram muitos cavalos Seu primeiro romance, Eles eram muitos cavalos, publicado em 2001, recebeu o Troféu APCA e o Prêmio Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional. Com uma estrutura não linear é composto por 70 fragmentos. O único elo entre eles é o fato de todas as narrativas ocorrerem em um só dia, o dia 9 de Maio de 2000 na cidade de São Paulo. O título do romance faz uma alusão ao poema de Cecília Meirelles, “Dos Cavalos da Inconfidência”.

O romance veio da ideia de Ruffato de escrever uma espécie de tributo sobre São Paulo, a cidade que o acolheu como a tantos outros brasileiros. A estrutura do livro surgiu da incapacidade de se apreender esta metrópole, devido a sua extrema dinamicidade e multiplicidade. Assim, o autor buscou outras maneiras de expor essa pluralidade no livro, valendo se de registros literários e não-literários como o estilo da publicidade, do teatro, do cinema, da música, da descrição, da narração, da poesia, etc. Ruffato afirma que o livro não é no seu ponto de vista um “romance” tradicional, mas uma espécie de “instalação literária”.

Inferno Provisório Em 2005 iniciou com a obra Mamma, Son Tanto Felice a série Inferno Provisório, com cinco volumes. A série teve sequência com O Mundo Inimigo, publicada no mesmo ano. Depois vieram Vista Parcial da Noite (2006), O Livro das Impossibilidades (2008) e, finalmente, Domingos sem Deus (2011).

O projeto de Ruffato era o de ficcionalizar a história da classe operária brasileira desde meados do século XX até o início do século XXI. Cada volume trata de um período histórico específico dessa história. Segundo Ruffato em entrevista de 2008:

Mamma, son tanto Felice trata da questão do êxodo rural nas décadas de 50 e 60; O Mundo Inimigo discute a fixação do primeiro proletariado numa pequena cidade industrial (década de 60 e começo da de 70); Vista Parcial da Noite descreve o embate entre os imaginários rural e urbano, nas décadas de 70 e 80. O quarto volume, a ser publicado este ano , O Livro das Impossibilidades, registra as mudanças comportamentais das décadas de 80 e 90. E, finalmente, o quinto e último volume [Domingos Sem Deus] chega até os nossos tempos, começo do séc. XXI.O projeto foi concebido, segundo o autor, antes mesmo de publicar os seus dois primeiros livros. O núcleo da série estava nas narrativas de (Os sobreviventes) e de Historias de Remorsos e Rancores. As narrativas desses dois livros foram, inclusive, reescritas e reaproveitadas para os três primeiros volumes do projeto. Porém, a série só tomaria a forma final após a publicação de Eles eram muitos cavalos. Assim, desde a sua concepção a série levou cerca de 20 anos para ser concluída.

Outras obras Em 2007 foi selecionado para participar do Projeto “Amores Expressos”. O projeto se consistiu em apoiar viagens a diferentes cidades do mundo para escritores brasileiros, com o objetivo de que estes produzissem romances com a temática do “Amor”. Ruffato viajou a Lisboa, Portugal. Em 2009, Ruffato publicou o romance Estive em Lisboa e lembrei de você, resultado da sua participação no projeto. O livro conta a história de Sérgio, morador de Cataguases que, devido a uma série de infortunios da vida, vê na emigração para Portugal a solução para os seus problemas. Em Lisboa se vê enredado na difícil vida de imigrante.

Ruffato também escreveu livros de poesia com As máscaras singulares (2002) e Paráguas verdes (2011). Também escreveu um ensaio sobre o modernismo em Cataguases (2002). Participou de antologias de contos como o livro Geração 90: Manuscritos de Computador, organizado por Nelson de Oliveira. É também organizador de diversas antologias de contos, como 25 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira (2005) e os contos de Luiz Fernando Emediato (2004).

Lista de Obras Primeiras edições no Brasil Romance Eles eram muitos cavalos - São Paulo: Boitempo, 2001. Mamma, son tanto felice (Inferno Provisório: Volume I). Rio de Janeiro: Record, 2005. O mundo inimigo (Inferno Provisório: Volume II). Rio de Janeiro: Record, 2005. Vista parcial da noite (Inferno Provisório: Volume III). Rio de Janeiro: Record, 2006. De mim já nem se lembra. São Paulo: Moderna, 2007. O livro das impossibilidades (Inferno Provisório: Volume IV). Rio de Janeiro: Record, 2008. Estive em Lisboa e lembrei de você. São Paulo: Cia das Letras, 2009. Domingos sem Deus (Inferno Provisório: Volume V). Rio de Janeiro: Record, 2011. Inferno provisório (edição em volume único). São Paulo: Cia das Letras, 2016. Flores Artificiais. São Paulo: Cia das Letras, 2014.O verão tardio. São Paulo: Cia das Letras, 2019.O antigo futuro. São Paulo: Cia das Letras, 2022.

Poesia O homem que tece - Primeira edição - Juiz de Fora: Roseta Publicações, 1979. Segunda edição, Porto Alegre: Peripécia, 2023. As máscaras singulares - São Paulo: Boitempo, 2002. Paráguas verdes - São Paulo: Ateliê Acaia, 2011. O amor encontrado - São Paulo - Edição não comercial, 2013. Manhãs de sabre – São Paulo: Faria e Silva, 2021.

Crônica Minha primeira vez - Porto Alegre: Arquipélago, 2014. Ninguém em casa – Curitiba: Maralto, 2021

Infantil A história verdadeira do Sapo Luiz - São Paulo: DSOP, 2014.

Ensaio Os ases de Cataguases (uma história dos primórdios do Modernismo) - Cataguases: Fundação Francisca de Souza Peixoto, 2002 A revista Verde, de Cataguases (contribuição à história do Modernismo) – Belo Horizonte: Autêntica, 2022. Um deserto de estranhas veredas (Entrevista a Eloésio Paulo) – Curitiba: Maralto, 2023.

Conto A cidade dorme - São Paulo: Cia das Letras, 2018.

Organização de coletâneas RUFFATO, Luiz; RUFFATO, Simone (orgs.). Fora da ordem e do progresso - São Paulo: Geração Editorial, 2004. EMEDIATO, Luiz Fernando. Trevas no paraíso: histórias de amor e guerra nos anos de chumbo - Organização de Luiz Ruffato - São Paulo: Geração Editorial, 2004. 25 mulheres que estão fazendo a nova Literatura Brasileira - Rio de Janeiro: Record, 2005. Mais 30 mulheres que estão fazendo a nova Literatura Brasileira - Rio de Janeiro: Record, 2005. Tarja preta - Rio de Janeiro: Objetiva, 2005. Quando fui outro - Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. Entre nós: contos sobre homossexualidade - Rio de Janeiro: Língua Geral, 2007 Leituras de Escritor. Coleção Comboio de Corda - São Paulo: Edições SM, 2008. Questão de Pele - Rio de Janeiro: Língua Geral, 2009 Francisco Inácio Peixoto em Prosa e Poesia - Cataguases, Instituto Francisca de Souza Peixoto, 2008. Contos antológicos de Roniwalter Jatobá - São Paulo: Nova Alexandria, 2009. Mário de Andrade: seus contos preferidos - Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2011. A alegria é a prova dos nove - São Paulo: Globo, 2011. Sabe com quem está falando? contos sobre corrupção e poder - Rio de Janeiro: Língua Geral, 2012. Todos os possíveis caminhos, de Ascânio Lopes - Cataguases: Fundação Francisca de Souza Peixoto, 2005. Entre as quatro linhas: contos sobre futebol - São Paulo: DSOP, 2013. 24 contos paranaenses. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, 2014. Nos idos de março: A ditadura militar na voz de 18 autores brasileiros. São Paulo: Geração, 2014. Uns e outros: contos espelhados. Porto Alegre: Dublinense, 2017. (Com Helena Terra.) Presépio e outros contos de Natal - São Paulo: SESI-SP Editora, 2018. Uma pátria chamada infância - Curitiba: Positivo, 2019. O escrivão Coimbra e outros contos, de Machado de Assis - São Paulo: Carambaia, 2021. Der schwarze Sohn Gottes – 16 Fussballgeschichten aus Brasilien. Tradução de Michael Kegler - Berlim/Hamburgo: Assoziation A, 2013. O conto brasileiro contemporâneo - Arnes: Edición Laiovento, 2011. (Com Carmen Vilariño Pardo.) Pilkun Paikka – Brasilialaisia Jalkapallotarinoita. Tradução de Jyrki Lappi-Seppälä -Helsinki: Aviador, 2014. Brésil 25 – 2000-2015. Diversos tradutores - Paris: Metailié, 2015. Quando fui outro, de Fernando Pessoa - Carnaxide: Objectiva, 2010. Quando fui outro, de Fernando Pessoa - Lisboa: Companhia das Letras Portugal, 2017.

Participações em Antologias Olívia. In: Marginais do Pomba - Cataguases, Fundação Cultural Francisco Inácio Peixoto, 1985, p. 69-73. O profundo silêncio das manhãs de domingo. In: Novos contistas mineiros - Porto Alegre, Mercado Aberto, 1988, p. 83-85. Lembranças. In: 21 contos pelo telefone - São Paulo, DBA, 2001, p. 73-75. O ataque. In: OLIVEIRA, Nelson de (org.). Geração 90: manuscritos de computador - São Paulo: Boitempo Editorial, 2001, p. 223-238. Depoimento. In: MARGATO, Isabel e GOMES, Renato Cordeiro (org.). Espécies de espaço: territorialidades, literatura, mídia - Belo Horizonte: Editora UFMG, 2008. O prefeito não gosta que lhe olhem nos olhos. In: PENTEADO, Rodrigo (org.). Corrupção – 18 contos. Transparência Brasil/Ateliê, 2002, p. 71-73. André (a.C.). In: DENSER, Márcia (org.). Os apóstolos – doze revelações - São Paulo: Nova Alexandria, 2002, p. 24-35. Vertigem. In: GARCIA-ROZA, Lívia (org.). Ficções fraternas - Rio de Janeiro: Record, 2003, p. 71-87. Paisagem sem história. In: FREIRE, Marcelino; OLIVEIRA, Nelson de (orgs.). PS: SP - São Paulo, Ateliê, 2003, p. 58-63. Assim. In: FREIRE, Marcelino (org.). Os cem menores contos brasileiros do século - São Paulo, Ateliê, 2004, p. 52. Paisagem sem história. In: Geração Linguagem - São Paulo, Sesc-SP/Lazuli, 2004, p. 67-74. Kate (Irinéia). Inspiração - São Paulo, F.S Editor, 2004, p. 111-113. O profundo silêncio das manhãs de domingo. In: RESENDE, Beatriz (org.). A literatura latino-americana do século XXI - Rio de Janeiro, Aeroplano, 2005, p. 56-66. Sem remédio. In: Tarja preta - Rio de Janeiro, Objetiva, 2005, p. 65-77. Cicatrizes (uma história de futebol). In: COELHO, Eduardo (org.). Donos da bola - Rio de Janeiro, Língua Geral, 2006, p. 86-96. Mirim. In: LAJOLO, Marisa (org.). Histórias de quadros e leitores - São Paulo, Moderna, 2006, p. 75-81. Trens. In: MORAES, Angélica (org.). O trem – crônicas e contos em torno da obra de Thomaz Ianelli - São Paulo, Metalivros, 2006, p. 57-63. O repositor. In: GONÇALVES, Magaly Trindade; AQUINO, Zélia Thomas; BELLODI, Zina C. (orgs.). Antologia comentada de literatura brasileira – poesia e prosa - Petrópolis, Vozes, 2007, p. 533-534.