Padre Pio de Pietrelcina, nascido Francesco Forgione, O.F.M. Cap. (Pietrelcina, – San Giovanni Rotondo, ) foi um frade capuchinho e sacerdote católico italiano, elevado aos altares pela Igreja Católica em 2002, quando foi canonizado pelo Papa São João Paulo II com o título de São Pio de Pietrelcina.
Desde muito jovem, demonstrou profunda piedade e inclinação à vida espiritual, ingressando na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos aos 15 anos. Ordenado sacerdote em 1910, logo se destacou pela intensidade de sua vida de oração, pelo espírito penitente e pela entrega radical a Cristo. Em 1918, recebeu os estigmas da Paixão de Cristo, tornando-se o primeiro sacerdote estigmatizado da história da Igreja, o que despertou grande devoção popular, mas também muitas investigações da parte das autoridades eclesiásticas.
Ainda em vida, tornou-se objeto de veneração mundial devido a seus inúmeros carismas e dons espirituais, como a bilocação, a leitura de consciências, a levitação, a cura de enfermos e o fenômeno místico conhecido como "perfume de santidade". Passava longas horas no confessionário, tornando-se guia espiritual de milhares de fiéis que buscavam sua intercessão e conselho.
Após sua morte em 1968, a fama de santidade do Padre Pio aumentou bastante, e sua sepultura tornou-se um dos principais destinos de peregrinação na Itália. Sua memória litúrgica é celebrada em 23 de setembro.Ver a respeito o capítulo dedicado a Padre Pio em O Livro dos Mestres, de Mateus Soares de Azevedo (São Paulo, Ibrasa, 2016. Pp. 49-53.)
Biografia thumb|left|220px|Vista geral de Pietrelcina, na Itália, a terra natal do Padre Pio. Padre Pio nasceu em na localidade de Pietrelcina, muito próxima à cidade de Benevento, na Itália. Foi um dos sete filhos de Grazio Forgione e Maria Giuseppa De Nunzio. No dia seguinte ao seu nascimento foi batizado com o nome de Francisco.
Desde criança, tinha veneração por Nossa Senhora e o seu Filho Jesus. Foram Jesus e Maria que apareceram a ele quando ele recebeu pela primeira vez as dolorosas chagas de Cristo em 1910.
Também desde criança, recorria ao auxílio de seu anjo da Guarda. Aos doze anos, recebeu os sacramentos da primeira comunhão e do crisma.
Com quinze anos de idade entrou no noviciado em Morcone adotando o nome de "frei Pio"; concluído o ano de noviciado, formulou os votos simples em 1904; em 1907 formulou a profissão dos votos solenes. Frequentou estudos clássicos e filosofia. Foi ordenado padre em no Duomo de Benevento.
Durante os primeiros anos como frade capuchinho, frequentes problemas de saúde obrigavam Padre Pio a fazer visitas regulares à sua casa para receber cuidados de sua mãe, a quem chamava carinhosamente "Mama Peppa". Ele sofria de intensas dores no peito e nas costas, frequentes dores de cabeça, febres altas que chegavam aos 45° e estouravam os termômetros, problemas pulmonares e estomacais. Estes sintomas desapareciam inexplicavelmente quando ele voltava. Depois de sua ordenação, seus problemas de saúde o obrigaram a permanecer em casa até 1916. Quando voltou, nesse ano, foi mandado para o Convento de São João Rotondo, lugar onde viveu até a morte.
thumb|left|220px|Padre Pio na companhia do Padre Clemente Tomay, seu confessor. thumb|left|220px|Santa Maria das Graças, a imagem muito devotada pelo Padre Pio thumb|left|220px|A cela conventual do Padre Pio em San Giovanni Rotondo (Foggia, Itália). Aos casos mais urgentes e complicados o santo de Pietrelcina dizia: "Estes só Nossa Senhora", tamanha era a sua confiança na sua Mãezinha do céu a quem ele tanto amava e queria obter suas virtudes.
Percebendo que a sua missão era de acolher em si o sofrimento do povo, recebe como confirmação do Cristo os sinais da Paixão em seu próprio corpo. Entregando-se inteiramente ao Ministério da Confissão, buscava por este sacramento aliviar os sofrimentos atrozes do coração de seus fiéis e libertá-los das garras do Demônio que era conhecido por ele como "barba azul".
Percebendo que não somente deveria aliviar o sofrimento espiritual, foi inspirado a construir um grande hospital, o tão conhecido "Casa Alívio do Sofrimento", que viria a ser o referência em toda a Europa. Mesmo com o seu ministério sacerdotal vitimado por calúnias, não se arrefeceu o coração para com a Igreja por quem tinha grande apreço e admiração. Sabia muito bem distinguir de onde provinham as calúnias, sendo estas vindas por parte de alguns da Igreja, e não da Igreja mãe e mestra a quem ele tanto amava.
A pedido do Santo Padre, devido aos horrores provocados pela Segunda Guerra Mundial, cria os grupos de Oração. Na ocasião do aniversário de 50 anos dos grupos de oração celebra uma Missa nesta intenção. Seria esta Missa o caminho do seu Calvário definitivo, onde entregaria a alma e o corpo na madrugada do dia , no seu quarto conventual com o terço entre os dedos repetindo o nome de Jesus e Maria.
Casa do Alívio do Sofrimento thumb|right|220px|Padre Pio em visita ao Hospital-Casa do Alívio do Sofrimento. thumb|right|220px|Panorâmica da Casa do Alívio do Sofrimento (San Giovanni Rotondo). thumb|right|220px|Descida do Hospital-Casa do Alívio do Sofrimento para o Santuário do Padre Pio (San Giovanni Rotondo).
No campo da caridade social, esforçou-se por aliviar os sofrimentos e misérias de tantas famílias, principalmente com a fundação da Casa Sollievo della Sofferenza, que foi inaugurada no dia , em San Giovanni Rotondo.
Era a realização de um sonho por ele cultivado, desde há muito tempo, depois de ter visto a triste situação de tantos doentes que, naqueles anos dolorosos da guerra e de pós-guerra, não tinham assistência adequada. No dia da inauguração, ao fim de um longo caminho de obstáculos de diversos gêneros, o Santo de Pietrelcina, visivelmente comovido e feliz, dizia ao grande número de pessoas que estavam presentes:
Senhores e irmãos em Cristo, a Casa Alívio do Sofrimento está pronta. Agradeço aos benfeitores que, de diversas parte do mundo, colaboraram. Esta é uma criatura que a Divina Providência, com a ajuda de vocês, criou.
As crônicas nos dizem que padre Pio já tinha pensado em criar um hospital em 1940, chamando-o, na época de seu projeto, de “Casa Alívio do Sofrimento”, mas a declaração de guerra de impediu tudo. A construção começou imediatamente após o fim da suspensão forçada causada pela guerra, tendo os trabalhos sido iniciados em 1947. A princípio, foi inaugurada com 250 leitos.
Hoje o hospital administra 900 leitos, 206 leitos para idosos, 2 900 funcionários, 60 000 internações anuais, 9 500 cirurgias por ano e mais de 1,3 milhão de atendimentos ambulatoriais anuais, tornando-o um dos mais conceituados da Europa.
Os sinais milagrosos
Entre os sinais milagrosos que lhe são atribuídos encontram-se as estigmas, que duraram cinquenta anos ( a ), e o dom da bilocação. Entre os muitos milagres, está a cura do pequeno Matteo Pio Colella de San Giovanni Rotondo sobre o qual se assentou todo processo canônico que fizeram do frade São Pio.
Estigmas Padre Pio recebeu seu primeiro estigma aos 23 anos durante um período de convalescença em casa. Desejando não chamar atenção para si próprio, ele suplicou a Deus para lhe tirar os sinais das chagas de Cristo. Deus respondeu à sua oração. Os sinais externos do estigma sumiram.
Em , contudo, depois de ser transferido para um convento de frades capuchinhos muito pobre e distante, o Convento de Santa Maria das Graças em San Giovanni Rotondo, o Padre Pio recebeu os sinais físicos dos estigmas novamente.
Por 50 anos, ele carregou aquelas dolorosas chagas que causavam não somente agonia física, mas também sofrimento psicológico e espiritual.
Bilocação thumb|left|150px|O jovem Padre Pio de Pietrelcina com os estigmas.thumb|left|150px|O Padre Pio, já com idade avançada, com os estigmas muito visíveis.Maria era uma das filhas espirituais de Padre Pio e certa vez contou: "Uma vez, durante a noite, eu estava rezando com meu irmão quando de repente ele se sentiu adormecido. Ele se levantou imediatamente por ter recebido um tapa. Percebeu que a mão que o bateu estava coberta com uma luva. Ele pensou que era a mão de Padre Pio e no dia seguinte perguntou a ele se havia dado-lhe um tapa. Padre Pio respondeu: "Este é o jeito certo de se rezar?" Com um tapa, Padre Pio o levantou chamando sua atenção para a oração."
Um oficial do Exército italiano foi para a sacristia e assistindo Padre Pio disse: "Sim, aqui está ele! Eu não estou errado!" Ele se aproximou de Padre Pio e se ajoelhou em frente a ele e chorando disse: "Padre, obrigado por me salvar de morte". Aquele homem contou para aquelas pessoas que estavam lá: "Eu era Capitão da Infantaria e um dia, no campo de batalha, em uma hora terrível não longe de mim, eu vi um frade que disse: "Senhor, fique longe desse lugar!" Eu fui para ele e assim que eu me movi um estouro de granada no mesmo lugar onde eu estava poucos segundos antes. Aquela granada abriu uma cratera. Eu me virei para achar o frade, mas ele não estava mais lá".
thumb|right|250px|Vista panorâmica do Santuário do Padre Pio de Pietrelcina (San Giovanni Rotondo). thumb|right|250px|A fachada da Igreja de Santa Maria das Graças (Santa Maria delle Grazie) e da capela onde o Padre Pio celebrava a missa em San Giovanni Rotondo (Foggia, Itália). thumb|right|250px|O altar-mor da Igreja de Santa Maria das Graças (Santa Maria delle Grazie) em San Giovanni Rotondo (Foggia, Itália). thumb|right|250px|Interior da Igreja de Santa Maria das Graças (Santa Maria delle Grazie) em San Giovanni Rotondo (Foggia, Itália). Padre Alberto que conheceu Padre Pio em 1917 contou: "Eu vi Padre Pio que se levantou em frente a uma janela enquanto eu estava olhando para a montanha. Eu cheguei para beijar a mão dele, mas ele notou minha presença. Eu notei que o braço dele estava rígido. Naquele momento eu ouvi que ele estava concedendo a absolvição a alguém. Depois de um tempo ele se sacudiu como se ele estivesse saindo de um sono. Ele me viu e me falou: "Você estava aqui, e eu não o notei!" Alguns dias depois um telegrama foi recebido de Torino (Itália). Naquele telegrama alguém agradeceu o superior do convento porque ele tinha enviado Padre Pio a Torino para ajudar uma pessoa que estava morrendo. Eu percebi que o homem estava morrendo no mesmo momento no qual Padre Pio estava o abençoando em San Giovanni Rotondo". Obviamente o superior do convento não tinha enviado Padre Pio a Torino.
Em 1946 uma família americana foi da Filadélfia para São Giovanni Rotondo para agradecer Padre Pio. Na realidade o filho deles era piloto de um avião bombardeiro (durante a Segunda Guerra Mundial) e Padre Pio no céu do Oceano Pacífico o tinha salvado. "O avião estava voando para o aeroporto onde ia pousar depois de descarregar suas bombas. Mas o avião foi danificado por um avião de caça japonês. "O avião" — disse o filho — explodiu antes que a tripulação tivesse a chance de saltar com o para-quedas. Eu só tive sucesso saindo do avião; Eu não sei como eu fiz. Eu tentei abrir o para-quedas, mas eu não tive sucesso fazendo isto. Então eu teria me esmagado no chão se eu não tivesse recebido a ajuda de um frade que me apareceu no ar. Ele tinha uma barba branca, ele me levou em seus braços e me colocou suavemente no aeroporto. Você imagina, que tipo de surpresa eu tive, isto retirou minha fala. Ninguém acreditava em mim, mas por causa de minha presença todo mundo teve que acreditar. Eu reconheci o frade que salvou minha vida quando, depois de alguns dias, me deram licença e eu fui para casa. Eu vi o monge nas fotografias de minha mãe. Ela me falou que tinha pedido para Padre Pio que cuidasse de mim".