Revolução Industrial, também chamada de Primeira Revolução Industrial, foi a transição para novos processos de produção, na Grã-Bretanha, na Europa continental e nos Estados Unidos, a partir de c. 1760 até algum momento entre 1820 e 1840. Essa transição incluiu a passagem de métodos de produção manual para a produção mecânica, novos processos de fabricação de produtos químicos e metalúrgicos, o uso de energia a vapor e hidráulica, o desenvolvimento de máquinas-ferramentas e a ascensão do sistema fabril mecanizado. Além do aumento da produção, houve também, nesse período, um crescimento populacional sem precedentes. A indústria têxtil foi dominante da Revolução Industrial, em termos de geração de emprego, valor da produção e volume de capital, além de também ter sido a primeira a usar os novos métodos e técnicas.

A Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha, onde também foram introduzidas as mais significativas inovações tecnológicas e arquitetônicas.E. Anthony Wrigley, "Reconsidering the Industrial Revolution: England and Wales." Journal of Interdisciplinary History 49.01 (2018): 9–42. Em meados do século XVIII, o Reino Unido era a principal nação comercial do mundo, controlando um império comercial global com colônias na América do Norte e no Caribe, além de ter grande hegemonia militar e política no subcontinente indiano; particularmente com o proto-industrializado Mughal Bengal, através das atividades da Companhia das Índias Orientais.

O desenvolvimento do comércio e a ascensão dos negócios estavam entre as principais causas da Revolução Industrial, que marcou uma grande virada na história. Comparável apenas à adoção da agricultura pela humanidade no que diz respeito ao avanço material, a Revolução Industrial influenciou de alguma forma quase todos os aspectos da vida cotidiana. Em particular, a renda média e a população começaram a apresentar um crescimento sustentado sem precedentes. Alguns economistas disseram que o efeito mais importante da Revolução Industrial foi que o padrão de vida da população em geral no mundo ocidental começou a aumentar consistentemente pela primeira vez na história, embora outros tenham dito que não começou a melhorar significativamente até finais dos séculos XIX e XX. O PIB per capita era amplamente estável antes da do surgimento da economia capitalista moderna, sendo que a Revolução Industrial iniciou uma era de crescimento econômico per capita nas economias capitalistas. Os historiadores econômicos concordam que o início da Revolução Industrial é o evento mais importante na história da humanidade desde a domesticação de animais e plantas.

O início e o fim precisos da Revolução Industrial ainda são debatidos entre os historiadores, assim como o ritmo das mudanças econômicas e sociais.Eric Hobsbawm, The Age of Revolution: Europe 1789–1848, Weidenfeld & Nicolson Ltd., p. 27 Joseph E Inikori. Africans and the Industrial Revolution in England, Cambridge University Press. Google BooksRehabilitating the Industrial Revolution by Julie Lorenzen, Central Michigan University. Acessado em novembro de 2006. Eric Hobsbawm defendia que a Revolução Industrial começou na Grã-Bretanha na década de 1780 e não foi totalmente sentida até a década de 1830 ou 1840, enquanto T. S. Ashton sustentou que ocorreu aproximadamente entre 1760 e 1830. A rápida industrialização começou na Grã-Bretanha, começando com a fiação mecanizada na década de 1780, com altas taxas de crescimento na energia a vapor e na produção de ferro após 1800. A produção têxtil mecanizada se espalhou da Grã-Bretanha para a Europa continental e os Estados Unidos no início do século XIX, com importantes centros de têxteis, de ferro e de carvão surgindo na Bélgica e nos Estados Unidos e, posteriormente, na França.

Uma recessão econômica ocorreu do final da década de 1830 ao início da década de 1840, quando a adoção das primeiras inovações da Revolução Industrial, como fiação e tecelagem mecanizada, desaceleraram e seus mercados amadureceram. Inovações desenvolvidas no final do período, como a crescente adoção de locomotivas, navios a vapor e fundição de ferro a quente. Novas tecnologias, como o telégrafo elétrico, amplamente introduzidas nas décadas de 1840 e 1850, não eram poderosas o suficiente para impulsionar altas taxas de crescimento econômico, que começaram a ocorrer apenas a partir de 1870, decorrente de um novo conjunto de inovações no que se convencionou chamar de Segunda Revolução Industrial. Essas inovações incluíram novos processos de fabricação de aço, produção em massa, linhas de montagem, sistemas de rede elétrica, fabricação em larga escala de máquinas-ferramentas e o uso de máquinas cada vez mais avançadas em fábricas movidas a vapor.. Reprinted by McGraw-Hill, New York and London, 1926 (); and by Lindsay Publications, Inc., Bradley, Illinois, ()."There exist everywhere roads suitable for hauling".Robert Fulton on roads in France

Etimologia O primeiro uso registrado do termo "Revolução Industrial" parece ter sido em uma carta de 6 de julho de 1799 escrita pelo enviado francês Louis-Guillaume Otto, anunciando que a França havia entrado na corrida para industrializar. Em seu livro Keywords: A Vocabulary of Culture and Society, de 1976, Raymond Williams afirma na entrada para "indústria": "A ideia de uma nova ordem social baseada em grandes mudanças industriais era clara em Southey e Owen, entre 1811 e 1818, e estava implícita já em Blake no início da década de 1790 e Wordsworth na virada do século XIX". O termo Revolução Industrial aplicado à mudança tecnológica estava se tornando mais comum no final da década de 1830, como na descrição de Jérôme-Adolphe Blanqui em 1837 de la révolution industrielle.BLANQUI Jérôme-Adolphe, Histoire de l'économie politique en Europe depuis les anciens jusqu'à nos jours, 1837,

Friedrich Engels em sua obra A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra de 1844 falou de "uma revolução industrial, uma revolução que ao mesmo tempo mudou toda a sociedade civil". No entanto, embora Engels tenha escrito seu livro na década de 1840, ele não foi traduzido para o inglês até o final de 1800, e sua expressão não entrou na linguagem cotidiana até então. O crédito por popularizar o termo pode ser dado a Arnold Toynbee, cujas palestras de 1881 deram um relato detalhado do termo.

Historiadores econômicos e autores, como Mendels e Kenneth Pomeranz, argumentam que a proto-industrialização em partes da Europa, mundo islâmico, Império Mogol e China criou as condições sociais e econômicas que levaram à Revolução Industrial, causando assim a Grande Divergência. Alguns historiadores, como John Clapham e Nicholas Crafts, argumentaram que as mudanças econômicas e sociais ocorreram gradualmente e que o termo revolução é um equívoco. Este ainda é um assunto de debate entre alguns historiadores.Nicholas Crafts, "The first industrial revolution: Resolving the slow growth/rapid industrialization paradox." Journal of the European Economic Association 3.2-3 (2005): 525-534.

Histórico

As causas da Revolução Industrial foram continuam a ser um tema de debate. No entanto, seis fatores facilitaram a industrialização: altos níveis de produtividade agrícola para fornecer excesso de mão de obra e alimentos; um conjunto de habilidades gerenciais e empreendedoras; portos, rios, canais e estradas disponíveis para transportar matérias-primas e produtos a baixo custo; recursos naturais como carvão, ferro e cachoeiras; estabilidade política e um sistema legal que apoiasse os negócios; e capital financeiro disponível para investir. Uma vez iniciada a industrialização na Grã-Bretanha, novos fatores podem ser adicionados, como a ânsia dos empresários britânicos em exportar conhecimento industrial e a vontade de importar o processo. A Grã-Bretanha atendeu aos critérios e se industrializou a partir do século XVIII e depois exportou o processo para a Europa Ocidental (especialmente Bélgica, França e Estados alemães) no início do século XIX. Os Estados Unidos copiaram o modelo britânico no início do século XIX e o Japão copiou os modelos da Europa Ocidental no final do século XIX.Christine Rider, ed. Encyclopedia of the Age of the Industrial Revolution 1700–1920, (2007) p. xiii to xxxv.Phyllis Deane "The Industrial Revolution in Great Britain" in Carlo M. Cipolla ed., The Fontana Economic History of Europe: The Emergence of industrial societies Vol 4 part 2 (1973) pp 161–174.

Alguns historiadores acreditam que a Revolução Industrial foi uma consequência das mudanças sociais e institucionais trazidas pelo fim do feudalismo na Grã-Bretanha após a Guerra Civil Inglesa no século XVII, embora o feudalismo tenha começado a desmoronar após a Peste Negra de meados do século XIV, seguido por outras epidemias, até que a população atingiu um nível baixo no século XIV. Isso criou escassez de mão de obra e levou à queda dos preços dos alimentos e a um pico nos salários reais por volta de 1500, após o que o crescimento da população começou a reduzir os salários. A inflação causada pela degradação da moeda após 1540, seguida pelo aumento da oferta de metais preciosos nas Américas, fez com que os aluguéis de terras (geralmente arrendamentos de longo prazo que eram transferidos para os herdeiros por morte) caíssem em termos reais.

O movimento de cercamentos (enclosure) e a Revolução Agrícola Britânica tornaram a produção de alimentos mais eficiente e menos intensiva em mão-de-obra, forçando os agricultores que não podiam mais ser autossuficientes na agricultura para a indústria caseira, por exemplo, tecelagem e, a longo prazo, para as cidades e fábricas recém-desenvolvidas. A expansão colonial do século XVII com o desenvolvimento concomitante do comércio internacional, a criação de mercados financeiros e a acumulação de capital também são citados como fatores, assim como a Revolução Científica do século XVII."Scientific Revolution". Microsoft Encarta Online Encyclopedia 2009. 31 de outubro de 2009. Uma mudança nos padrões de casamentos, que aconteciam cada vez mais tarde, tornou as pessoas capazes de acumular mais capital humano durante a juventude, incentivando assim o desenvolvimento econômico.

Até a década de 1980, os historiadores acadêmicos acreditavam universalmente que a inovação tecnológica era o coração da Revolução Industrial e que a principal tecnologia capacitadora era a invenção e o aprimoramento da máquina a vapor.Hudson, Pat. The Industrial Revolution, Oxford University Press US. O professor Ronald Fullerton sugeriu que técnicas inovadoras de marketing, práticas de negócios e concorrência também influenciaram as mudanças na indústria manufatureira. thumb|esquerda|Fábrica da Krupp AG em Essen, 1864

Lewis Mumford propôs que a Revolução Industrial teve suas origens no início da Idade Média, muito antes da maioria das estimativas. Ele explica que o modelo para a produção em massa padronizada era a prensa tipográfica e que "o modelo arquetípico da era industrial era o relógio". Ele também cita a ênfase monástica na ordem e na cronometragem, bem como o fato de as cidades medievais terem em seu centro uma igreja com sinos tocando em intervalos regulares como sendo precursores necessários de uma maior sincronização necessária para manifestações posteriores, mais físicas, como como a máquina a vapor. A presença de um grande mercado doméstico também deve ser considerada um importante impulsionador da Revolução Industrial, explicando particularmente por que ela ocorreu na Grã-Bretanha. Em outras nações, como a França, os mercados eram divididos por regiões locais, que muitas vezes impunham pedágios e tarifas sobre mercadorias comercializadas entre elas.Deane, Phyllis. The First Industrial Revolution, Cambridge University Press. Google Books