A temporada de furacões no oceano Atlântico de 2014 foi uma temporada por abaixo da média que produziu nove ciclones tropicais, dos quais oito foram tempestades nomeadas, a menor quantidade desde a temporada de 1997, seis furacões e dois furacões maiores. Oficialmente, iniciou a 1 de junho de 2014 e finalizou a 30 de novembro de 2014. Estas datas historicamente têm descrito o período de cada ano quando a maioria de ciclones tropicais se formam na bacia do Atlântico.
Os prognosticadores acertaram em suas predições, a temporada foi abaixo da média. Isto em sua parte foi causado pela influência persistente de El Niño que obstaculizou a atividade ciclónica desse ano.
Prognósticos +Previsões da temporada do Atlântico de 2014.FonteDataTempestadesnomeadasFuracõesFuracõesmaioresMédia(1950–2000)9.65.92.3Registo de Maior Actividade28158Registo de Menor Actividade420†–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––TSR12 de dezembro de 20131463WSI24 de março de 20141152TSR7 de abril de 20141252CSU10 de abril de 2014931NCSU16 de abril de 20148-114-61-3UKMO16 de maio de 201410*6*<ref name=UKMO1605></ref>NOAA22 de maio de 20148-133-61-2GINO1 de junho de 2014962TSR5 de agosto de 20149–154–81–3NOAA7 de agosto de 20147-93-50-2–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––Atividade registada862* Somente de junho-novembro.† dos maiores acontecimentos recentes.
Os prognósticos da atividade ciclónica, são emitidos antes de cada temporada pelos experientes Philip J. Klotzbach, William M. Gray e sócios na Universidade Estadual do Colorado - CSU; e por separado os meteorólogos da NOAA.
A equipa de Klotzbach (anteriormente liderado por Gray) definiu a média do número de tempestades por temporada (1981 a 2010) de 12,1 tempestades tropicais, 6,4 furacões, 2,7 furacões maiores ou iguais à categoria três na escala de furacões de Saffir-Simpson e o índice ACE. A NOAA define uma temporada acima do normal, quase normal ou por abaixo do normal, por uma combinação do número de tempestades nomeadas, o número em atingir força de furacão, o número em atingir força de furacão maior e as do índice ACE.
Prognósticos pré-temporada A 13 de dezembro de 2013, a Tropical Storm Risk (TSR), um consórcio público formado por experientes em segurança, manejo de riscos e previsão climática estacional da University College London, emitiu uma faixa prolongada de prognósticos que preveem uma temporada de furacões acima da média. Em seu relatório, a TSR assinalou que a atividade de ciclones tropicais poderia ser de 14 (±4) tempestades nomeadas, 6 (±3) furacões, 3 (±2) furacões maiores, e um índice ACE acumulado de 106 (±58) unidades. Este prognóstico baseou-se em que pudesse se ver um incremento ligeiro dos ventos alisios no Atlântico tropical e um aumento ligeiro da temperatura superficial do mar na principal região ciclogénica do Atlântico. Enquanto, a 24 de março de 2014, o Serviço Internacional do Clima (Weather Services International; WSI pela suas siglas em inglês), uma companhia subsidiária da The Weather Channel emitiu o seu primeiro prognóstico nos quais, poder-se-iam formar 11 tempestades tropicais com 5 furacões e 2 maiores à categoria três. Isto se afirmou sobre a base de dois factores: a temperatura superficial do mar poderia encontrar-se mais fria que a média do El Niño, que suprimiriam a intensidade da temporada.
A 7 de abril, a TSR emitiu o seu segundo prognóstico, baixando o número de ciclones tropicais em relação ao seu primeiro prognóstico. Previram-se 12 tempestades tropicais, 5 furacões e 2 maiores a categoria três e um índice ACE de 75 (±57) unidades. a 10 de abril, a Universidade Estadual do Colorado emitiu o seu primeiro prognóstico do ano, predizendo uma atividade menor à média (temporadas 1981-2010). Este baseia-se em que a El Niño se encontra em sua fase intensiva moderada e que a temperatura superficial do mar se encontra mais fria da média. A organização previa 9 tempestades tropicais, 3 furacões e 1 maior à categoria três com um índice ACE de 55 unidades. Por último, a probabilidade de que um furacão intenso atinga os Estados Unidos desde o mar do Caribe é menor que a média. Por último, a Universidade Estatal da Carolina do Norte (NCSU) afirmou no seu prognóstico a formação dentre 8 e 11 tempestades tropicais dos quais, entre 4 e 6 seriam furacões e entre 1 e 3 superariam a categoria três.
A United Kingdom Meteorological Office emitiu o seu prognóstico a 16 de maio, indicando que a temporada poderia ser ligeiramente abaixo da média. Previram-se 10 tempestades tropicais com uma probabilidade de 70% de que o número varie entre 7 e 13; 6 furacões com uma probabilidade de 70% de que varie entre 3 e 9. Também previram um índice ACE de 84 unidades com uma probabilidade de 70% de que varie entre 47 e 121 unidades. Por outro lado, a 22 de maio, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) emitiu o seu prognóstico, indicando uma probabilidade de 50% de uma temporada por abaixo da média, um 40% de uma temporada relativamente normal e um 10% de uma temporada por abaixo da média. Também se previa num 70%, a possibilidade de formação dentre 8 e 13 tempestades tropicais, dos quais entre 3 e 6 converter-se-iam em furacões e entre 1 ou 2 atingiriam ou superariam a categoria três na escala de Saffir-Simpson. Isto é devido à influência do El Niño, que propiciaria o aumento de ventos em forma de cisalhamento e o incremento da estabilidade atmosférica do Atlântico tropical, dificultando a formação de perturbações provenientes da África.
Prognósticos em meados da temporada No dia 7 de agosto, a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) actualizou o seu prognóstico para a temporada, afirmando a formação dentre 7 e 12 tempestades tropicais nomeadas, dos quais, entre 3 e 6 converter-se-ão em furacões e entre 0 e 2 atingiriam ou superariam a categoria três. O dito deve-se a vários factores: as condições atmosféricas não eram favoráveis, devido à presença de cisalhamentos de vento, a proliferação de ondas tropicais débis e o aumento da estabilidade atmosférica. Igual sucedia nas condições oceánicas: temperatura superficial do mar baixa nos trópicos em comparação a outras bacias e o predominio de El Niño que suprimiria a formação de tempestades incrementando os factores anteriormente mencionados.
Resumo da temporada
A primeira tempestade da temporada, o furacão Arthur, formou-se a 1 de julho, um mês após o início oficial, enquanto a última tempestade do ano, o Hanna, dissipou-se a 28 de outubro. O furacão Arthur converteu-se no mais temporã em tocar terra no estado da Carolina do Norte e foi o único em tocar terra sobre os Estados Unidos esta temporada. Formado de um área de baixa pressão não tropical sobre o sudeste do país, o furacão tocou terra sobre Shackleford Banks a 4 de julho com ventos máximos sustentados de 160 km/h como furacão de categoria dois e se dissipou dias depois sobre o mar do Labrador. O furacão causou uma morte indireta e $52,5 milhões (USD 2014) em danos.
Outras tempestades foram muito notáveis pelas suas características. Por exemplo, o furacão Bertha deslocou-se sobre as Pequenas Antilhas mas os seus impactos foram relativamente menores. As correntadas do furacão Cristóbal afectaram aos estados de Maryland e Nova Jérsia, provocando um morto em cada estado. A tempestade tropical Dolly tocou terra sobre o leste do México e provocou inundações severas pelas chuvas torrenciais. O furacão Edouard converteu-se no primeiro furacão maior da temporada e o primeiro em formar-se no Atlântico norte desde o furacão Sandy de 2012. Ainda que o Edouard não tocou terra, se atribuíram duas mortes na costa de Maryland devido as ondas ciclónicas do furacão. O furacão Fay afectou as Bermudas ainda que o seu impacto foi relativamente menor.
O furacão Gonzalo, o furacão mais intenso da temporada, provocou destruição nas Pequenas Antilhas e Bermuda; converteu-se no primeiro de categoria quatro desde o furacão Ophelia da temporada de 2011 e o mais intenso desde o furacão Igor da temporada de 2010. Causou 5 mortes indiretas e danos de ao menos $200 milhões (2014 USD). A última tempestade da temporada, a tempestade tropical Hanna que se formou derivado da tempestade tropical Trudy do Pacífico, tomou um trajecto incomum ao sudeste e foi a primeira em tocar terra sobre a Nicarágua desde o furacão Ida da temporada de 2009; produziu só precipitações e danos menores na sua passagem.
Ciclones tropicais Furacão Arthur
O precursor do Arthur, foi uma baixa pressão que começou a ser monitorado pelo Centro Nacional de Furacões a 25 de junho enquanto se encontrava sobre o território sudeste dos Estados Unidos. a 27 de junho, uma baixa pressão não tropical se formou sobre a Carolina do Sul e iniciou a se deslocar em direcção sudeste, emergindo sobre o Atlântico ao dia seguinte. As condições ambientais permitiram o desenvolvimento da baixa, ademais dados de imagens de satélite e radar permitiram à NHC classificar ao sistema como a depressão tropical Um (01L) às 03:00 UTC de 1 de julho. Após isto, a convecção da depressão incrementou e a sua velocidade decresceu significativamente até ficar estacionário. Ademais, o cisalhamento de vento ao noroeste do sistema, que em dias anteriores impedia o desenvolvimento ciclónico do sistema, se encontrava se dissipando propiciando o fortalecimento deste. Por isso, a NHC o categorizou como a primeira tempestade tropical da temporada, com nome: Arthur, localizado a 155 quilómetros ao sudeste de Cabo Canaveral, Flórida. Pouco a pouco foi intensificando-se até converter num furacão categoria 1 com ventos de 130 quilómetros por hora e rachas mais fortes, sendo a primeira vez na história que o nome de Arthur atingisse a categoria de furacão depois que nas temporadas 1984, 1990, 1996, 2002 e 2008 só atingisse a categoria tempestade tropical. Isto se demonstrou no boletim das 09:00 UTC de 3 de julho, recompilado de dados de um avião caça furacões.
Durante as horas seguintes, o furacão Arthur seguiu definindo-se estruturalmente e intensificando-se funcionalmente. Nas imagens de satélite, podia-se observar um sistema de conveção profunda aderido a um olho evidentemente definido. Os ventos máximos nesse momento registaram-se em 150 km/h, no meio de condições ainda favoráveis mas limitadas para a sua intensificação. Às 01:00 UTC, o furacão atingiu a categoria dois, com ventos máximos de 160 km/h num minuto, enquanto localizava-se a 90 quilómetros ao este-nordeste de Cape Fear, Carolina do Norte. Às 03:15 UTC, o olho do ciclone tocou terra sobre Shackleford Banks, entre Cape Lookout e Beaufort, Carolina do Norte. Após isto, o ciclone, com um olho bem definido, emergiu novamente ao Atlântico e iniciou o seu debilitamento, pela temperatura superficial do mar diminuída e um cisalhamento de vento próxima. a 5 de julho, o Arthur completou a sua conversão a ciclone extratropical, iniciada horas antes e consequentemente a NHC emitiu o seu último aviso passando à área de responsabilidade da Canadian Hurricane Centre. Por último, os remanescentes do ciclone deslocaram-se sobre a Gronelândia sem características extratropicais.
Como resultado disto, os danos foram limitados, com estradas inundadas e escombros ao longo da sua passagem, pelos Estados Unidos. No entanto, não se reportaram lesionados gravemente nem muito menos, pessoas falecidas. Na Nova Inglaterra, o Arthur trouxe inundações e cortes de eletricidade, resultando no fechamento de várias estradas e a suspensão de serviços marítimos. No Atlântico canadiano, mais de 200 000 pessoas ficaram sem o serviço de eletricidade, sem reportes de lesionados ou pessoas falecidas.
Depressão tropical Dois