Maaibré Xexi () foi um faraó do Egito durante o Segundo Período Intermediário. A dinastia, a posição cronológica, a duração e a extensão de seu reinado são incertas e estão sujeitas a um debate em andamento. A dificuldade de identificação é refletida por problemas na determinação de eventos desde o fim do Império Médio até a chegada dos hicsos no Egito. No entanto, Xexi é, em termos do número de artefatos atribuídos a ele, o rei mais atestado do período que abrange o final do Império Médio e o Segundo Período Intermediário, aproximadamente entre 1800 e Centenas de sinetes com o seu nome foram encontradas em Canaã, Egito, Núbia e até Cartago, onde alguns ainda estavam em uso mil e quinhentos anos após a sua morte.

Três hipóteses concorrentes foram apresentadas para a dinastia à qual Xexi pertenceu. Egiptólogos como Nicolas Grimal, William C. Hayes e Donald B. Redford acreditam que ele deveria ser identificado com Salitis, fundador da XV dinastia, segundo fontes históricas, e rei dos hicsos durante a invasão do Egito. Salitis é creditado com dezenove anos de reinado e teria vivido em algum momento entre 1720 e O egiptólogo William Ayres Ward e a arqueóloga Daphna Ben-Tor propõem que Xexi foi um rei hicso pertencente à segunda metade da XV dinastia, reinando entre Caiã e Apopi I. Alternativamente, Manfred Bietak propôs que Xexi fôra um vassalo dos hicsos, governando alguma parte do Egito ou Canaã. A própria existência de tais vassalos é debatida. Por fim, Xexi pode ter sido um governante do início da XIV dinastia, uma linhagem de reis descendentes de cananeus que dominaram o Delta do Nilo Oriental imediatamente antes da chegada dos hicsos. Os defensores dessa teoria, como Kim Ryholt e Darrell Baker, atribuem a Xexi quarenta anos de reinado em torno de

Ryholt propôs que Xexi teria aliado seu reino com os cuxitas na Núbia, por meio de um casamento dinástico com a princesa núbia Tati. Ryholt postula ainda que o filho de Xexi e Tati foi Neesi, cujo nome significa "O Núbio", que ele acredita ter sucedido Xexi no trono, como o faraó Neesi Aaseré.

Evidências Nome e prenome em selos O Nome de Sá-Ré de Xexi está inscrito em mais de duzentos sinetes, que constituem os únicos atestados de seu reinado. O número de sinetes atribuídos a Xexi encontra paralelo apenas naqueles que levam o prenome Maaibré, que significa "O justo é o coração de Rá". Baseado nas semelhanças estilísticas entre os dois grupos de selos e em seus números inigualáveis, o consenso entre os egiptólogos é que Maaibré era o prenome de Xexi. thumb|Região onde foram encontrados alguns sinetes de Xexi. Consequentemente, Maaibré Xexi é o governante mais atestado do Segundo Período Intermediário, em termos do número de artefatos atribuídos a ele, com 396 sinetes e duas impressões de selos mostrando seu nome e prenome. Esse número é três vezes maior que os 123 sinetes atribuídos ao próximo rei mais bem atestado do período, Iaquebim Secaenré.

Além desses selos, Manfred Bietak sugeriu que um sinete descoberto em Ávaris e inscrito com o nome de um rei "Xenxeque" (Shenshek) provavelmente deveria ser atribuído a Xexi. Esta conclusão é rejeitada por Kim Ryholt e Darrell Baker, que acreditam que Xenxeque era um rei distinto.

Localização dos achados Mais de 80% dos sinetes atribuídos a Maaibré Xexi são de origem desconhecida, mas os 20% restantes foram encontrados em todo o Egito, Núbia e Canaã, indicando contatos comerciais e diplomáticos generalizados durante o reinado de Xexi.

Achados importantes incluem sinetes de Laquis, Gezer, Jericó, Tel Michal, Amã e Telel Ajul em Canaã. No Baixo Egito, três sinetes foram desenterrados em Telel Iaudia e Telel Mascuta e outros oito são da região do Delta. Quatro são originários de Sacará e outros cinco dos locais egípcios do Oriente de Abusir Elmaleque, Com Medinete Gurabe, Com Elamar e Deir Rifa. Ao sul, no Alto Egito, um total de vinte sinetes são conhecidos de Abidos, Hu, Tebas, Elefantina, Esna e Edfu. Na Núbia, sinetes de Xexi foram encontrados nas fortalezas egípcias de Uronarti e Mirgissa e, no Templo de Daca, Querma, Seiala, Aniba, Masmas, Faras, Uquema, Acaxa e Sai. Finalmente, foram encontrados duas impressões de Xexi em Cartago, datados arqueologicamente do

Os sinetes de Xexi estão agora espalhados em diversos museus diferentes, incluindo o Museu de Israel, Museu Petrie, Ashmolean, Museu Britânico, Louvre, Museu de Arte Walters, Metropolitan Museum of Art e o Museu Egípcio do Cairo.

Fontes históricas Nenhum atestado histórico do reinado de Xexi é conhecido com certeza. Ele está ausente do cânone de Turim, uma lista de reis escrita em papiro durante o período da XIX dinastia e que serve como fonte histórica primária para o Segundo Período Intermediário. Isso ocorre porque a seção do papiro que cobre as dinastias XIII a XVII está danificada, e o problema da posição cronológica do reinado de Xexi não pode ser resolvido a partir deste documento.

Não está claro se Xexi é mencionado na Egiptíaca, uma história do Egito escrita no pelo sacerdote egípcio Manetão, durante o reinado de Ptolomeu II . De fato, a Egiptíaca apenas relata nomes helenizados de faraós egípcios e a identificação de Xexi com qualquer nome em particular permanece controversa.

Finalmente, Aharon Kempinski e Donald B. Redford propuseram que Xexi é a figura histórica que deu origem ao Sesai bíblico, um dos enaquins que viveram em Hebrom na época da lendária conquista de Canaã pelos hebreus relatada em . David Rohl vai ainda mais longe e estabelece explicitamente a equivalência entre Xexi e Sesai. Em contrapartida, ele também pode ser o faraó anônimo mencionado na bíblia, o qual José serviu por vários anos. O que dá vida a essa possibilidade é que, durante seu reinado, há evidências de uma longa fome no Egito, que coincide com a história bíblica narrada em , onde José interpreta o sonho de faraó revelando um período de sete anos de fartura, seguidos por mais sete anos de fome. Evidências como o período de seu governo, a extensão de seu poder e influência e a fome em seu reino sugerem que os semitas serviam o governo egípcio na época.

Dinastia

Três hipóteses concorrentes foram propostas em relação à dinastia à qual Xexi pertenceu.

Governante Hicso thumb|150px|esquerda|Sinete inscrito de Xexi, Walters Art Museum William C. Hayes, Nicolas Grimal, Redford e Peter Clayton identificam Xexi com Salitis (também conhecido como Saites). Segundo a Egiptíaca, Salitis foi o fundador da XV dinastia hicsa. Alternativamente, Bietak e Janine Bourriau propuseram que Salitis deveria ser identificado com Saquir-Har, um governante pouco conhecido do segundo período intermediário que, ao contrário de Xexi, é conhecido por ter o título de "Hicso".

Se Xexi deve ser comparado a Salitis, então os seus selos descobertos na Núbia sugerem que os hicsos se aliaram aos núbios contra a XIII dinastia egípcia nativa, assim que chegaram ao Delta do Nilo, um evento que Grimal situa em cerca de Grimal visualiza o reino de Xexi como compreendendo todo o Delta do Nilo e o vale do Nilo ao norte de Pátiris. De acordo com Manetão, conforme relatado por Flávio Josefo em Contra Apião, Salitis reinou em Mênfis e fortificou a cidade existente de Ávaris, que se tornaria a sede do poder dos hicsos.

Grimal e Hayes igualam Xexi a Xareque, um rei cujo único atestado é encontrado em uma laje de pedra detalhando a genealogia de Anquefensequemete, um sacerdote que viveu no final da XXII dinastia (c. ), cerca de 900 anos após Xexi.

William Ayres Ward e a arqueóloga Daphna Ben-Tor confiam nas seriações dos sinetes de Xexi e de outros reis do Segundo Período Intermediário para datar Xexi até a segunda metade da XV dinastia, entre os grandes faraós hicsos Caiã e Apófis.

Vassalo dos hicsos Jürgen von Beckerath é menos assertivo sobre a identidade de Xexi e o situa entre a XV e a XVI dinastias, onde agrupa governantes hicsos cuja posição cronológica é incerta, junto com reis que ele vê como vassalos dos hicsos. A análise de Von Beckerath baseia-se na hipótese de que a XVI dinastia, descrita por Manetão, compreendia governantes menores da região do Delta do Nilo, chamados hicsos menores, que serviam aos grandes reis hicsos da XV dinastia, como Caiã e Apófis.

Para Manfred Bietak, o grande número de atestados de Xexi sugere que ele era um importante governante hicso, mas sua inclusão na XV dinastia pode ser duvidosa, dada a total ausência de monumentos atribuíveis a ele. Assim, Bietak conclui que Xexi deve ser colocado em um grupo de governantes semitas ocidentais que coexistiram com a XV dinastia, possivelmente como vassalos ou parcialmente independentes dela, e alguns dos quais até receberam o título de "hicsos".

A existência de reis menores hicsos no Egito é atualmente debatida. Ryholt mostrou que uma declaração no epítome de Eusébio da Egiptíaca, indicando que os hicsos tinham vassalos, contém uma corrupção do texto original de Manetão. Assim, ele rejeita a hipótese de que a XVI dinastia compreendia vassalos dos hicsos e sustenta que era uma dinastia egípcia nativa que reinava independentemente sobre a região de Tebas, entre a queda da XIII dinastia e o advento da XVII dinastia. Essas conclusões sobre a XVI dinastia foram aceitas por muitos estudiosos, incluindo Ben-Tor, James Peter Allen, Susan Allen, Baker e Redford. No entanto, tanto para Redford quanto para Bietak, "sem dúvida, havia, sob a égide dos governantes da décima quinta dinastia, uma série de vassalos no sul e no litoral da Palestina, no meio do Egito e em Tebas. [...] Esse era o sistema político dos hicsos e típico dos reinos amorreus da Síria e das cidades-estado da Palestina".

Rei da XIV Dinastia thumb|150px|Outro sinete do Faraó, Walters Art Museum.Ryholt e Baker rejeitam a identificação de Xexi como um governante da XV dinastia. Ryholt observa que os primeiros reis hicsos, como Saquir-Har e Caiã, adotaram o título Heqa khasewet, que significa "governante das terras estrangeiras", um título que Xexi não ostentava. Além disso, o último desses dois reis, Caiã, adotou apenas um prenome egípcio durante a segunda metade de seu reinado — uma prática que foi seguida pelos reis hicsos subsequentes. Por outro lado, se Xexi deve ser identificado com Maaibré, então Xexi tinha um prenome. Isso implica uma coisa ou outra: que ele era um rei hicso reinando após Caiã, em contradição com os sucessores conhecidos de Caiã, Apopi I e Camudi e o fato de Xexi não ter o título de Heqa khasewet; ou que ele pertencia a outra dinastia.

Consequentemente, Ryholt sugere que Xexi era na verdade um governante da XIV dinastia, sendo ela composta por uma linhagem de reis de descendência cananeia, possivelmente governando o Delta do Nilo Oriental imediatamente antes da chegada da XV dinastia hicsa. Muitos egiptólogos aceitam a existência da XIV dinastia com base em evidências arqueológicas e no fato de que cerca de cinquenta reis são registrados no cânone de Turim, entre a XIII dinastia e os governantes hicsos posteriores. Ao contrário, Redford sugere que esses cinquenta reis constituem a genealogia dos governantes hicsos e que a XIV dinastia é híbrida.