Paços de Ferreira é uma cidade portuguesa localizada na sub-região do Tâmega e Sousa, pertencendo à região do Norte e ao distrito do Porto.
É sede do município de Paços de Ferreira que tem uma área total de 70,99 km2Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado), 55.595 habitantes em 2021 e uma densidade populacional de 783 habitantes por km2, subdividido em 16 freguesiasDiário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I.. O município é limitado a leste pelo município de Lousada, a sul por Paredes, a sudoeste por Valongo e a oeste e norte por Santo Tirso.
É conhecida como Capital do Móvel por ser o mais importante centro de produção de mobiliário de Portugal, contando com cerca de 5000 empresas que constituem a maior área de exposição e venda de móveis na Europa, estimada em 2,5 milhões de metros quadrados.
História O território do atual município é povoado desde o Neolítico. Desse período resta o Dólmen da Leira Longa, em Lamoso. Palco de intensos e prolongados conflitos, a Colina e a Chã de Ferreira foram zona de fronteiras religiosas, militares, políticas e administrativas. Da Idade do Ferro, partindo do alto da colina, Citânia, temos, para um lado e para o outro, um notável conjunto de outros castros. Do período suévico temos topónimos que persistem, como Freamunde, Eiriz. Do período do domínio dos Árabes temos topónimos como Aldozinde, em Carvalhosa.
O primeiro documento, em papel, sobre este território, refere-se a uma doação de bens ao Mosteiro de Santa Maria de Cacães (Eiriz) de Ferreira, datado de 0976. "Villa Colina" e "Villa Cova" são referências fundamentais do Livro de Mumadona Dias, quando a Condessa de Portugal no século X, elenca os seus bens e igrejas em Ferreira. No período da fundação da Nacionalidade, os Ferreira e a sua Quinta e Honra _Casa do Paço, na freguesia de Eiriz_ foram cavaleiros de grande importância no seu serviço ao Reino. É à volta deste Termo de Ferreira (até meados do século XIII) que se afirmam as famílias nobiliárquicas dos Sousa e dos Ferreira. O cavaleiro Mem Viegas de Sousa foi senhor e cavaleiro de honrarias em Carvalhosa, Eiriz, Sanfins de Ferreira, como se vê em Gonçalo Mendes de Sousa.
Ferreira: o Termo, os coutos, os mosteiros, as dioceses, os forais e as comendas No período da reconquista, foi restaurada a Diocese de Braga e a Chã de Ferreira ficou a pertencer-lhe. Há registos que afirmam que, no ano de 1111, o cavaleiro Soeiro Viegas é senhor do “Couto de Fins de Ferreira” e que aqui fundou um mosteiro. Inicia-se a construção do Mosteiro de Ferreira e logo se divide este território. A diocese do Porto pretende recuperar os antigos limites e entra em conflito, com a Diocese de Braga, pela posse do território de Ferreira. Os século XII e XIII foram de grandes conflitos religiosos; o que obrigou a intervenção papal. Na prática, a diocese Braga ficou com as paróquias do norte do atual concelho, com o seu Mosteiro de "Sam Fins de Ferreira" e igreja de S. Pedro Fins de Ferreira. A diocese do Porto ficou com as paróquias a sul do atual concelho, com o seu Mosteiro de "S. Pedro de Ferreira" e igreja de São Pedro de Ferreira. O título nobiliárquico de “senhor do Couto de Fins de Ferreira” é referido ainda ao longo do século XII I e foi esta Igreja/Mosteiro que foi transformada em Comenda, cujo primeiro comendatário foi o humanista D. Miguel da Silva (cardeal).
alt=Mosteiro de S. Pedro Fins de Ferreira inscrição sepulcral, oferta ao Museu Martins Sarmento|miniaturadaimagem|left|Do Mosteiro de S. Pedro Fins de Ferreira inscrição sepulcral, oferta ao Museu Martins Sarmento
A restauração das Dioceses provocou disputas entre Braga e Porto que se prolongaram até 1882, data em que a Diocese de Braga devolveu à Diocese do Porto as igrejas dos medieovos Termo de Ferreira e Terra de Ferreira. alt=Posses e Igrejas constantes no livro de Mumadona, no território de Ferreira|direita|miniaturadaimagem||Posses de Mumadona, século X, no território de Ferreira
No Foral da Terra de Ferreira apenas constam as freguesias da Diocese de Braga e a norte do atual concelho de Paços de Ferreira: Raimonda, Codessos, Lamoso, Figueiró e Sanfins de Ferreira. Sanguinhedo, junto à nascente do Rio Ferreira mais distante da foz, já em Lustosa (no concelho de Lousada. Alguns territórios destas freguesias integravam também o Foral de Sobrosa.
A Terra de Frazão , Honra desde o século XIII, também recebeu Foral de D. Manuel, em 1514. A sede da Honra encontrava-se em Santa Maria Alta, hoje o S. Brás da Poupa. Com o Liberalismo obteve o estatuto de Concelho, sendo que a 20 de novembro de 1836, na Igreja Matriz de S. Martinho, se registou o último ato de vulto da autonomia administrativa, que se estendia pela Seroa e tinha marca histórica na Torre dos Alcoforados, na atual freguesia de Lordelo (Paredes). Em 1742, no Catálogo dos bispos do Porto, a sede do atual concelho de Paços de Ferreira é referida como Santa Eulália de Paços; dando a perceber o tardio determinativo de Ferreira.
Guerras da Restauração, Liberais e seus alinhamentos, os concelhos. O território do concelho de Paços de Ferreira nunca viveu a mesma identidade. Espartilhadas entre as Dioceses, os Nobres/Fidalgos, o Rei e a Casa do Infantado, as gentes defendiam os seus interesses. Neste quadro tiveram grande importância as Guerras, nomeadamente as da Prestação (1640-1668). Uns apoiavam D. João IV e outros continuavam a apoiar os Nobres fiéis ao Filipes (reis de Espanha). Os conflitos por cá duraram bastantes anos e os apoiantes de Castela viram os seus bens serem afetados aos vencedores nacionalistas, ou passando para a Casa do Infantado (como o caso da Honra de Sobrosa) ou para nobres nacionalistas (caso o caso da Comenda de Sanfins de Ferreira). Destes alinhamentos restam as referências a “espanhóis” com que gentes do sul do concelho alcunham as de Freamunde.
Até ao liberalismo estes territórios do atual concelho de Paços de Ferreira, integravam: Honra de Sobrosa, o couto de S. Pedro de Ferreira, a Honra e a Comenda de Frazão; a Comenda de S. Pedro Fins de Ferreira, a Comenda de Penamaior , a Casa do Infantado, a Honra de Paços de Ferreira. Com a reforma administrativa de 1836, com a diferença de uma ou outra freguesia, o concelho de Paços de Ferreira foi a única unidade administrativa que sobreviveu. A 6 de novembro de 1836, afirma-se a vitória dos liberais pacenses e dissolvem-se os poderes dos nobres conservadores (Sobrosa e Frazão) e da Igreja (S. Pedro de Ferreira e S. Pedro Fins de Ferreira). Os conflitos deixaram as suas marcas e, neste contexto, Freamunde, que pertencera à Casa do Infantado/Honra (Sobrosa) e Couto (Ferreira), mesmo sendo a freguesia mais desenvolvida e com maior vitalidade desta região, foi preterida.
O atual concelho de Paços de Ferreira corresponde à bacia hidrográfica das nascentes do rio Ferreira e integra os extintos concelhos de Frazão e de Ferreira, algumas freguesias do extinto concelho de Sobrosa e uma freguesia (Penamaior) que, até 1855, pertencia ao extinto concelho de Negrelos. Paços de Ferreira deixou, por breves tempos, de ser concelho e os seus territórios chegaram a estar distribuídos por Paredes e por Barrosas.
A unidade administrativa deste território nunca foi pacífica. A vitória dos Liberais impuseram Paços de Ferreira como a única sede concelhia mas as vontades das gentes nem sempre se vergam aos Decretos. Anda em 1998, o desejo de Freamunde se assumir como sede de concelho, com as antigas freguesias da Terra de Ferreira (Raimonda, Figueiró, Codessos, Lamoso e Sanfins de Ferreira) voltou a afirmar-se e fez chegar a sua proposta a votação na Assembleia da República, como se pode ver em publicação, 5 de março, no Diário da República
Da criação do concelho aos nossos dias esquerda|miniaturadaimagem|O Monumento ao Marceneiro, inaugurado em 1997 pelo Presidente da República Jorge Sampaio, é um dos símbolos modernos do concelho de Paços de Ferreira Nos séculos XIX e XX, o município registou um crescimento notável, tendo sextuplicado a sua população desde a sua criação. Para tal contribuiu a elevada natalidade, a proximidade à cidade do Porto, a melhoria dos acessos e a boa rentabilidade agrícola do solo, que permitiram que a população continuasse a crescer mesmo durante a onda migratória que teve lugar em Portugal durante as décadas de 1950 e 60.
No princípio do século XX, um professor local, Albino de Matos, inventou um conjunto de instrumentos que revolucionaram o ensino da geometria nas escolas primárias portuguesas. A fábrica que abriu para produzir estes instrumentos cresceu rapidamente, tendo sido a semente da indústria de mobiliário do concelho, que, na segunda metade do século XX, com o desenvolvimento económico do país, se reconverteu, começando a produzir móveis domésticos.
Nas décadas seguintes, o crescimento desta indústria, que acabou por tornar-se a mais importante do seu sector em Portugal, permitiu aumentar ainda mais a velocidade de crescimento demográfico do concelho. Na década de 80 começou a realizar-se a feira de mobiliário "Capital do Móvel", que deu fama à indústria do município e acabou por dar-lhe o "título" pelo qual é conhecido hoje em dia.
A 20 de Maio de 1993, por decreto do Parlamento português, a vila de Paços de Ferreira foi elevada à categoria de cidade. O mesmo sucedeu com a freguesia de Freamunde, que é cidade desde 19 de Abril de 2001. As freguesias de Frazão e Carvalhosa têm a categoria de vila desde 1995 e 2004, respectivamente.
Em 1997, cinco anos após a elevação a cidade, foram inaugurados o novo edifício dos Paços do Concelho e o Monumento ao Marceneiro, na Praça da República, popularmente conhecida como "Rotunda".
No início do século XXI, o município passou a ter também um certo carácter suburbano, ocasionado pela abertura, em 2004, da auto-estrada que permite a ligação de Paços de Ferreira ao Porto em apenas 15 minutos de viagem.
Freguesias miniaturadaimagem|416x416px|Mapa das freguesias do concelho de Paços de Ferreira O município de Paços de Ferreira é constituído por 16 freguesias:
Arreigada Carvalhosa (vila) Codessos Eiriz Ferreira (vila) Figueiró Frazão (vila) Freamunde (cidade) Lamoso Meixomil (vila) Modelos Paços de Ferreira (cidade) Penamaior Raimonda (vila) Sanfins de Ferreira Seroa (vila)
Quase todas as freguesias são bastante homogéneas em número de habitantes. Ainda assim, a população concentra-se predominantemente nas cidades de Paços de Ferreira e Freamunde, nas vilas de Frazão, Carvalhosa, Ferreira e Seroa. As características de aldeia mantêm-se em Arreigada, Codessos, Eiriz, Ferreira, Figueiró, Meixomil, Modelos, Lamoso, Penamaior, Raimonda, Sanfins de Ferreira.
Evolução da População do Município
★ Os Recenseamentos Gerais da população portuguesa, regendo-se pelas orientações internacionais da época (Congresso Internacional de Estatística de Bruxelas de 1853), tiveram lugar a partir de 1864 passando, a partir de 1900, a referenciar a população também por idades. Todos os censos encontram-se disponíveis para consulta no site do Instituto Nacional de Estatística.
★★ De acordo com os dados do censo de 2021 registaram-se no Município (e Distrito) as seguintes alterações relativamente a 2011: -1.6% de habitantes (-1.7%); -28% no grupo dos 0-4 anos (-20%); -6% no grupo dos 15-24 anos (-6%); -1% no grupo dos 25-64 anos (-5%); + 44% no grupo dos 65 e mais anos (+ 33%).
<small> Número de habitantes Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes 1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011 2021 9 627 10 226 11 361 11 900 13 924 13 864 15 686 18 697 21 999 27 537 33 655 40 687 44 190 52 985 56 340 55 595