Mosconi é uma antiga família nobre italiana oriunda de Bérgamo que ganhou proeminência e riqueza a partir do século XV como comerciantes de tecidos, lançando ramos em várias cidades italianas e na Áustria, Eslovênia e Hungria.

Origens

A família é atestada desde meados do século XII, oriunda de Leffe. Primitivamente chamavam-se Fogaroli (Focaroli, Fogarolo), lançando ramos em Vertova, Gazzaniga e Gandino. Foram reconhecidos como detentores da "cidadania original" de Bérgamo, que era a capital regional e tinha jurisdição sobre essas comunas.Mosconi, Giovanna Capoferri. I Mosconi Loraz - Imprenditori di Leffe. Corponove, 2013 A cidadania original era um estatuto que concedia nobreza. "Nobiltà derivante dalla iscrizione alla cittadinanza originaria di Bergamo". In: Bollettino ufficiale della Consulta Araldica, 1937 (11): 148

Entre os primeiros a se destacar estão Ottone de Fogaroli, cônsul de Bérgamo em 1256; Enrico de Fogaroli, membro do Conselho dos Nobres antes de 1281;Belotti, Bortolo. Storia di Bergamo e dei bergamaschi, Volume 2. Bolis, 1989 Ardrito Fogaroli, notário em torno de 1330; seu filho Oberto, notário em torno de 1360;Zonca, Andrea. Diplomata seu Iura Episcopatus Bergomi. Archivio Storico Diocesano di Bergamo, 2012 Pietro Andrea de Vertova era notário em 1358.Casirati, Mario. Collezione di pergamene 5. Biblioteca Civica Angelo Mai, 2018 Alessandro, delegado dos cônsules de Leffe em torno de 1392;Zalin, Giovanni. “La politica annonaria veneta tra conservazione e libertà”. In: Rivista di Storia dell'Agricoltura, 1972;. XII (3-4)

Com Adamo de Fogaroli inicia a linha que originou os Mosconi. Adamo foi o terceiro cônsul de Leffe e um dos três oficiais responsáveis pela organização e instituição dos Estatutos comunais em 1290.Tiraboschi, A. "Cenni intorno alla Valle Gandino ed ai suoi Statuti". In: Archivio storico lombardo, 1882 (9) Seu filho Ventura foi pai de Andreolo de Fogaroli, nascido em Leffe em torno de 1310, cujo apelido il Moscone originou o sobrenome. Seus filhos passaram a usar o sobrenome Mosconi de Fogaroli, quando a família foi reconhecida como antiga e portadora da cidadania original, sendo admitida em separado no Conselho dos Nobres de Bérgamo, e depois sua descendência abandonaria o Fogaroli.Schröder, Francesco. Repertorio genealogico delle famiglie confermate nobili e dei titolati nobili essistenti nelle provincie venete. Alvisopoli, 1830, p. 50

Enriquecimento e dispersão Guglielmo Mosconi de Fogaroli (Leffe, c. 1350 - antes de 1443), filho de Andreolo, foi o primeiro da família a investir nos lanifícios e fez fortuna rapidamente, sendo um dos pioneiros da produção de tecidos no Vale de Gandino. O contexto da região favoreceu o enriquecimento e dispersão da família. No início do século XV os lanifícios se tornaram a maior fonte de renda de Gandino e Leffe, e os Mosconi logo assumiram um definido protagonismo neste processo. Com o domínio veneziano, a partir de 1427 foi facilitada a exportação para os Alpes, iniciando a fase mais intensa do comércio. Os mercadores percorriam a "Estrada da Lã" até chegarem ao Passo Tonale, em Vermiglio, onde havia uma importante feira comercial, e de lá atingiam outras grandes feiras do Trentino. Seus tecidos eram consumidos em parte localmente e em parte seguiam para os mercados do centro da Europa.Provincia di Bergamo. “Itinerario Tematico: Il tessile e la Val Gandino”. In: Musei (3)L’Eco di Bergamo. Le Cinque Terre della Val Gandino. Segundo Gian Maria Varanini, Vermiglio se tornou um dos pontos mais nevrálgicos em toda a rede de comércio alpina, tinha também uma alfândega e uma importante hospedaria e controlava uma das duas principais vias de passagem do Trentino Ocidental usadas pelos produtores de Bérgamo e Bréscia, que acabaram por dominar completamente o comércio do Passo Tonale, onde a lã e os tecidos vindos das manufaturas de Lovere e Gandino estavam entre os itens mais importantes.Varanini, Gian Maria. "Itinerari commerciali secondari nel Trentino bassomedioevale". In: L’Apertura dell’Area Alpina al Traffico nel Medioevo e Nella Prima Era Moderna. Convegno Storico a Irsee, 13-1 S. IX, 1993

Giovannino Mosconi de Fogaroli, filho de Guglielmo, levou os negócios a um patamar mais alto. Na análise de Giovanna Capoferri Mosconi, doutora em história e a principal investigadoraGherardi, Giambattista. "Sei Secoli di Storia nel Libro sull’Epopea dei Mosconi Loraz". L'Eco di Bergamo da trajetória família,

"A figura de Giovannino, recuperada através de atos públicos notariais, representa um exemplo típico do empreendedor-mercador no setor dos tecidos de lã, vivendo em um período de grandes mudanças políticas e econômicas. Em 1427, com o domínio veneziano, foi dada aos habitantes dos vales a possibilidade de administrar e pagar à Câmara Fiscal os tributos devidos independentemente do controle da comuna de Bérgamo. Esta agilização favoreceu enormemente a atividade produtiva para os tecidos de lã, os quais, não ficando obrigados ao controle da cidade e dos mercadores locais, puderam ser vendidos e exportados diretamente pelos comerciantes dos vales. Foi exatamente graças a isso que nos séculos XV e XVI a indústria da lã cresceu a tal ponto que a economia de algumas comunidades, entre as quais Gandino, Leffe e outras nos arredores, passou a depender quase exclusivamente do trabalho na lã, do transporte e da venda de tecidos. Neste contexto se inserem Giovannino e seus filhos, que potencializando os meios de produção fundados por Guglielmo, souberam desenvolver a gestão dos negócios e seus bens derivados, incrementando tanto o patrimônio familiar já consolidado que adquiriram novos bens imobiliários valiosos no território do vale de Gandino, especialmente nas comunas de Gorlago, Grumello, Cenate e Trescore. Sem dúvida Giovannino devia ter uma personalidade forte, que não apenas lhe permitiu subir em seu campo econômico, mas que também o projetou de modo a ganhar uma posição de destaque na vida social do seu vale. A este propósito lembramos que em 1436 ele obteve o cargo de credendario da Comuna de Leffe. A Credenza era o órgão colegiado da comuna, onde os credendari, eleitos pelo Conselho formado de todos os chefes de família de Leffe, se ocupavam da gestão do erário público e das relações com outras comunas. Deviam também assistir os cônsules nos assuntos internos e tinham o direito de eleger os próprios cônsules".

Com o crescimento das suas atividades no setor da lã, a família passou a investir também na tinturaria, tornando sua empresa mais autossuficiente. Em meados do século XV já eram uma das famílias mais ricas da região, detinham um vasto patrimônio fundiário na região e muitas casas e outros bens na comuna, construíram um palácio e faziam importantes doações para a Igreja e para a caridade. Em 1505 Antonio Mosconi fundou na igreja matriz de Leffe, dedicada a São Miguel Arcanjo, uma capela privada dedicada aos santos Pedro e André, e pouco depois a família fundou um patronato hereditário junto à mesma igreja, dotado de um patrimônio de casas, terras e outros bens para o sustento de um capelão permanente. No século XVIII a igreja foi muito reformada e os Mosconi financiaram boa parte das obras, incluindo a ereção de um novo altar de São Pedro. Em 1754 construíram uma capela anexa ao seu palácio, dedicada a Santo Antônio de Pádua. No século XVII a capela foi adornada com uma pintura do famoso Paolo Veronese, e no século XIX esta capela foi cedida à paróquia.

Produziram muitos religiosos, como don Giacomo, monge franciscano, uma liderança entre os franciscanos da região no fim do século XVI, reformador da disciplina dos conventos de Gandino, Bérgamo e Pace d’Alzano, comissário apostólico na Província de Bréscia, "rico de méritos e ornado com todas as virtudes", mas assassinado no convento de Bérgamo em 1601;Archivum franciscanum historicum. Collegio S. Bonaventura, 1980Calvi, Donato. Effemeride sagro-profana di quanto di memorabile sia successo in Bergamo, sua diocese, et territorio da suoi principii fin al corrente anno, volume II. Vigone, 1676, p. 526 don Giovanni Antonio, don Stefano, don Giovanni Paolo e don Santo, capelãos; don Giovanni Battista, cônego da Catedral de Bérgamo, reitor de São Miguel Arcanjo e capelão da capela familiar; don Rinaldo, pároco de Leffe entre 1528 e 1541, responsável pela ampliação da igreja matriz; don Rocco, pároco de 1567 a 1609, vigário forâneo de Gandino até 1614, construtor da segunda igreja matriz e da igreja de São Roque; don Giovanni Andrea, pároco de 1609 a 1656, mandou construir um grande altar na igreja matriz e terminou as obras da igreja de São Martinho; don Giovanni Battista, pároco de 1656 a 1695, e don Antonio Maria, preboste de 1764 a 1785, restaurador da igreja de São Martinho. As dominae Lucia e Ludovica de Leffe foram monjas em Gandino, atestadas em 1655,Casirati, op. cit. Lucia foi uma das primeiras monjas do mosteiro beneditino de São Carlos de Gandino, fundado em 1676, também foram monjas a domina Paola Maria e a domina Maria Vittoria, filhas do conde Giovanni Battista de Leffe, a primeira tomou o hábito em 1710 e a segunda em 1712, e Paola Maria chegou a ser abadessa.Vita della serva di Dio donna Maria Eletta crocifissa Gualdo dell'ordine di S. Benedetto. Antoine, 1795, pp. xv-xvi

Outros membros do ramo de Leffe ganharam projeção em atividades cívicas, como Sandrino, cônsul no século XIV, Martino, chanceler de Leffe no século XV e um dos responsáveis pela reforma dos Estatutos comunais; Giuseppe, conselheiro no século XV; dominus Rocho filho do dominus Lazaro, um dos síndicos da comuna e um dos fabriqueiros da Igreja de São Miguel em 1596, neste ano os domini Santo filho de Paolo, Francesco filho de Victorio e Victorio filho de Lazaro eram delegados dos cônsules na Fábrica da Igreja. Cristoforo filho de Andrea era conselheiro em 1600 e o dominus Cristoforo filho do dominus Angelo era o primeiro fabriqueiro de São Miguel, em 1601 o dominus Rocho era conselheiro.Casirati, op. cit. Giuseppe, deputado para a Saúde, destacou-se pela ajuda prestada à comuna durante a peste de 1631, recebendo elogiosos agradecimentos públicos, Francesco Giuseppe, administrador da Escola de São Pedro e São Paulo no fim do século XVIII, Giovanni Battista, tesoureiro comunal em 1776, e Francesco, síndico da cidade (prefeito) em 1800.Pezzoli, Gianni. Un grato e riconoscente ricordo per la Professoressa Giovanna Capoferri Mosconi autrice del libro I Mosconi Loraz Imprenditori di Leffe - Sei secoli di storia. Comune di Leffe, 2011 Os irmãos Antonio e Andrea doaram a fortuna de 150 mil liras para a fundação de um hospital, inaugurado em 1803.Ponte, Giovanni Maironi da. Osservazioni sul dipartimento del Serio. 2ª edição ampliada. Natal, 1803, p. lii O soldado Luigi recebeu a Cruz do Mérito Militar por bravura na I Guerra Mundial."Ricompense al Valor Militare". Bollettino ufficiale – Ministero della Guerra, 10/10/1924, p. 2712