Agrário de Souza Menezes (Salvador, 25 de janeiro de 1834 - Salvador, 23 de agosto de 1863) foi um escritor, periodista, editor, poeta e dramaturgo brasileiro, patrono da Cadeira 29 da Academia de Letras da Bahia.
Biografia Nascido em solo baiano, em 25 de janeiro de 1834, na cidade de Salvador, Bahia,Jornal A Hora (BA), 25 de janeiro de 1929. em uma família baiana tradicional, cuja ramificação remonta aos Sá Menezes, seus antepassados lusitanos, do memorável Mem de Sá, 3.º Governador-Geral do Brasil, nomeado pela rainha Catarina de Áustria (1507-1578). Agrário era filho de Ignácio de Souza Menezes e de Dona Ana Vicentina de Araújo Menezes.
Agrário nasceu sem alardear sobre sua chegada a este mundo. Os médicos prognosticaram a gravidez de sua mãe como sendo uma doença adversa, uma espécie de caso perdido e, com isso, declinaram de seus cuidados. Ao mesmo tempo, uma “”mulher do povo””, simples e sem formação clínica, detectou na mãe de Agrário, um caso de gravidez. Ao cabo de nove meses nascia Agrário, despertando a surpresa aos catedráticos da Faculdade de Medicina, que, pelo visto, já não mereciam o elogio que lhe dedicara o Sr. Rosendo Moniz.Pinheiro Chagas para “A Ilustração Portuguesa”, Lisboa, de 4 de abril de 1887.Pinheiro Chagas para o Jornal “Novidade” 5 de agosto de 1887.
Concluído o curso de humanidades, Agrário ingressou na Faculdade de Direito de Recife, pela qual foi diplomado em ciências jurídicas e socias.Literatura brasileira: síntase histórica Dino Fausto Fontana. Ed. Saraiva, 1968 - 261 páginas
Pelos idos de 1854, com seus vinte anos Agrário, já mantinha uma intensa vida literária, colaborando em jornais e revistas de estudantes no Recife. Àquela época, juntamente com Franklin Dória, redigiu no Recife, o periódico Estréa (Astréa) e colaborou com farta quantidade de artigos em prosa e verso em muitas outras desta cidade e de sua província, a exemplo do Ateneu Pernambucano,O Estudante na História Nacional. Progresso, 1954 - 217 páginas O Liberal, O Echo Pernambucano, O Diário de Pernambuco, etc. Em uma nota autobiográfica, alinhou Agrário os Jornais em que colaborou: "Jornal da Bahia", "Daiáaraiao", "Correio Mercantil" "País", "Protesto", "Noticiador Católico", "Correio da Tarde", "Guaicuru", "Estudante", “Marmota", "Caixeiro Nacional”, "Estréia", "Prisma". Uma lista longa, mas a sua produção Jornalística Jaz no esquecimento.Jornal "Correio da Manhã" (RJ), 25 de fevereiro de 1956.
Não passou muito e ele retornou à Bahia, terra de seus ancestrais e, agora como homem de letras e advogado, ele passou a dedicar-se ao exercício de sua profissão no foro de Salvador e, ao mesmo tempo ele dedicou-se também à política provincial e foi eleito deputado a respectiva assembléia, em várias legislaturas. Entretanto, nos vai-e-vens de seus enfrentamentos jurídicos, ele achava tempo, para o exercício da literatura e da oratória.
Agrário era um cultor do romantismo, como gênero literário e foi um dos primeiros cultores da literatura no Brasil e, neste período, colaborou nos seguintes jornais baianos, Jornal da Bahia, Diário da Bahia, O Noticiador Católico, O Prisma, etc. Como um reconhecido dramaturgo ele fez-se diretor do Teatro São João e aí morreu, na noite do dia 23 de agosto de 1863, vítima de uma fulminante apoplexia (congestão pulmonar), no momento em que, do seu camarote de administrador, onde se achava com o pai e a esposa, no momento em que era ovacionado pela representação de uma de suas peças. Outra versão, registrada pela imprensa indígena, diz que, naquela funesta noite, ele deu seu último suspiro, no momento exato em que aplaudia a apresentação da Companhia Spalding e Rogers, com o seu Circo Oceânico.Revista "Bahia Ilustrada" (BA), setembro de 1918. O fato é que morria num teatro para o qual sempre viveu numa preocupação de todas as horas.
Sobre o amor e seu caráter dizia ele: "Jornal de Recife" (PE), 24 de junho de 1933.
Agrário pertencia ao circulo de Moniz Barreto, o velho repentista ou ‘Célebre improvisador’’, *O Curso de Literatura Brasileira Mello Moraes Filho. 1870. Emilio Dupont Editor."Jornal de Recife" (PE), 20 de março de 1912. ao qual pertenciam também Augusto de Mendonça, Junqueira Freire, Álvares da Silva, Laurindo Rebelo e muitos outros poetas de talento. Muniz era pai de um famoso rabequista, Francisco Moniz Barreto Filho.Dicionário literário brasileiro, ilustrado, Volume 1. Raimundo de Menezes. Edição Saraiva, 1969 - 1499 páginas
Na Bahia, Agrário de Menezes foi um dos fundadores da Sociedade de Belas-Artes, um dos fundadores e Presidente do Conservatório Dramático, ambos no ano de (1856), e sócio do Instituto Histórico e Geográfico, e participou, na mesma cidade, de outras associações literárias. A fundação do Conservatório Dramático contou com a participação de outros ilustres homens de letras, como Cunha Vale, Antônio Joaquim Rodrigues da Costa, Álvares da Silva e outros."Revista da Bahia" (BA), 30 de novembro de 1911.
O Autor e a obra Agrário de Menezes, dramaturgo sagaz e dono de um espírito assazoado e de um pensamento maduro, acondicionado em seu, ainda jovem, cérebro, imprimiu uma roupagem colorida e diversa em sua peça "Os Miseráveis'". A peça, por vezes, em tons carregados e aspérrimos, exprimia seus corajosos diálogos e os princípios convicto e autênticos do autor. Em sua obra, o autor disse o que tinha a dizer, não fez omissões quaisquer, e, desde as primeiras cenas (e enredo afora), a trama habilmente disposta, destaca judiciosa, viva e tangivelmente seus personagens.Jornal "O Ypiranga" (SP), 3 de julho de 1868. E não tardou muito para que a peça alcançasse reputação de destaque e fosse considerada uma das melhores composições brasileiras. Na corte (Guanabara) foi ela exibida inúmeras vezes sempre com toda a aceitação.Jornal "Gazeta de Campinas" (SP), 2 de dezembro de 1869. O colunista de "O Diário de Belém, destoando um pouco deste quadro, diz que "As necessidades do útil fizeram-no desprezar o utilidade do agradável." E que para "poder apontar e condenar os vícios e misérias da sociedade o autor foi, talvez, obrigado a incluir em seu drama personagens desnecessários à ação", como por exemplo, o Dr. Gonzaga e ainda Vicente Ferrer que "ninguém sabe de onde vem e , nem para onde vai."Jornal "Diário de Belém" (PA), 6 de abril de 1879.
A sua obra master Calabar, acende os faróis sobre a figura marginalizada de Domingos Fernandes Calabar (1609-1635), que ficou alcunhado de traidor. A cena passa-se no Brasil na época da dominação dos Filipes (I), (II) e (III) (1580-1640) em Portugal.Jornal “O Globo”, 30 de outubro de 1876. Ele o retrata em sua peça como humilhado e ofendido em seu orgulho e moral e que assim se vinga de uma sociedade dominada por estrangeiros.Literaruras da Língua Portuguesa - Marcos e Marcas. Antônio Manoel dos Santos Silva, Romildo Sant'Anna. Arte e Ciência Editora. 2007. ISBN 978-85-7473-337-1 Nesta obra de 5 atos, escrita em versos magistrais,"Bahia": Na Typographia de Epifânio José Pedrosa, 1858. 186 páginas. o autor imprime um colorido vibrante, ladeado por uma constante nuance psicológica, perceptível do início ao fim de seus atos."Jornal do Recife" (PE), 14 de fevereiro de 1890. Calabar, considerado a primeira tragédia brasileira, prima-se pela elegância de linguagem e pelo estilo, sobretudo pelos conceitos. A sua beleza de imagens e das comparações é fortuitamente feliz. É um belo poema para ser degustado, sorvido. Agrario rabiscou o seu Calabar nos moldes do Catão, citando Garret nas suas notas."Revista Moderna" (RJ), Ano III, N.º 28, de fevereiro de 1899. O insigne escritor português o Sr. Manoel Pinheiro Chagas, em seu romance histórico "A viagem Guaraciaba", cap. l.°, infine,Chagas, Manoel Pinheiro. "A Virgem Guaraciaba" - C. S. Afra, 1866, 1ª edição. "Crônicas Brasileiras". Brochura. 267 p. diz que Agrário (a quem qualifica de exímio escritor) "doou à literatura portuguesa e brasileira esse esplêndido livro que se intitula Calabar".Jornal "O Globo", 30 de outubro de 1876. O Autor, Agrário, não trata da questão Calabar sob uma ótica política, e sim amorosa, imputando a este (e justificando) os motivos da vingança sobre seu rival, tecendo uma interessante reflexão a respeito do patriotismo.
No Brasil daquela época, Agrário, juntamente com Martins Pena (na comédia) e Manoel Antonio de Almeida (no romance de costumes pátrios) formavam um trio nas letras pátrias.Jornal "Diário do Rio de Janeiro" (RJ), 25 de janeiro de 1870. Ademais, o destaque que imprimiu às letras o Frei Francisco do Monte Alverne em suas obras de cunho filosóficoJornal "Diario do Rio de Janeiro" (RJ), 4 de maio de 1877. e Domingos de Magalhães, cujo trabalho, somado ao de Agrário, e ambos os outros mencionados, fundiram em grandes moldes, com maravilhoso resultado, a epopéia dramática.Jornal "Diário de Belém" (PA), 25 de maio de 1869. E naquele justo momento, em que a literatura brasileira despontava, Agrário fazia-se presente e ativo. E, ao tempo de seu Calabar, outros autores e outras publicações, conforme nos diz O Sr. Melo Moraes Filho (1843-1919), surgiam à luz no cenário nacional. Nos diz o Sr. Melo acerca da lenda da abóbora (do folclore de Sabará/MG), firmando-se nos juízos, aliás competentíssimo, do ilustrado crítico o Sr. Dr. Eunápio Deiró, conclui por considerar as flores silvestres de Bitencourt Sampaio, o livro Quadros de J. Serra, Miniaturas de Gonçalves Crespo, A filha do mestre régio, de Sílvio Romero, A Insulana e as lendas de Franklin Dória e os Cantos populares de Juvenal Galeno, brasileiros, representando melhor o sentir nacional que a finada Confederação dos Tamoios (de acordo) e as fantasmagórias tupicas do autor dos Timbiras. Jornal “Brasil” (RJ), 9 de março de 1884.
Agrário de Menezes morreu farto de glória, na hora do triunfo, quando o mundo lhe dera tudo que tinha, e só a imortalidade podia premiá-lo.
Agrário segundo Clóvis Bevilacqua Sobre Agrário, assim se expressa Clóvis Bevilacqua em seu artigo sobre "O teatro brasileiro e as condições de sua existência; Esboço sintético do movimento romântico brasileiro; e Frases e fantasias: "Agrário de Souza Menezes é considerado geralmente, como uma organização dramática das mais poderosas que temos possuído. E não é sem razão que essa opinião se mantém. Escreveu ele "Matilde”, "Dom Forte”, "Retrato do Rei", "Os contribuintes", "Voto livre”, "Primeiro amor", "O príncipe do Brasil", "Uma festa no Bonfim", "Os miseráveis", "Bartolomeu de Gusmão", "O Calabar" e algumas peças não concluídas. Sua produtividade foi das mais avultadas. Além de peças para o teatro, abordou a poesia em diversos gêneros e o jornalismo".
Agrário e o Teatro na Bahia Luiz Pena e Agrário foram os continuadores do monumento artístico que se vinha erigindo no vasto campo lítero-social, de nossa nacionalidade. E que teve início com o Visconde de Araguaia, José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo.Diário da Manhã 1928 26 de janeiro A Caverna Mágica por Elpídio C de Oliveira Era o momento aquele que tentavam organizar o teatro brasileiro a partir da precedente organização teatral. Martins Pena, Agrário, Arthur Azevedo, Lima Campos, Coelho Neto, Oscar Lopes, Goulart de Andrade, entre outros.Frou-Frou fevereiro de 1926 Em 1856 fez-se uma tentativa para criar o domínio da arte na Bahia. Uma plêiade tomou a iniciativa do movimento. Cons. Jonathas Abbott (1796-1868), D. Antônio José Alves, Dr. João Barbosa de Oliveira, Dr. Agrário, Dr. Francisco Muniz, José Rodrigues Nunes, Paulo Bittencourt e outros.Revista Excelsior, maio de 1936