Lao Zi ou Laozi (também conhecido como Lao-Tzu"Lao-tzu". Random House Webster's Unabridged Dictionary., Lao-Tze e Lao Tsé , literalmente "Velho Mestre") foi um filósofo e escritor da Antiga China. É conhecido por ser o autor do importante livro Tao Te Ching, por ser o fundador do taoismo filosófico e por ser uma divindade no taoismo religioso e nas religiões tradicionais chinesas. Embora seja uma figura lendária, Lao Zi é geralmente situado por volta do século VI a.C. Pensa-se que foi contemporâneo de Confúcio, mas alguns historiadores acreditam que ele viveu no Período dos Estados Combatentes, algures nos séculos V e IV a.C. É uma personagem-chave na cultura chinesa: tanto os imperadores da dinastia Tang como as pessoas hodiernas do apelido Li consideram-no o fundador da sua linhagem. O trabalho de Lao Zi tem sido adoptado por vários movimentos antiautoritários e pelo legalismo chinês.
Nomes Segundo os registros tradicionais, o nome real de Lao Zi é tido geralmente como Li Er Ant. *Rəʔ Nəʔ,Baxter, William et al. "Baxter–Sagart Old Chinese Reconstruction". 20 Feb 2011. Acessado a 30 de Junho de 2017. Pin. Lǐ Ěr) e o seu nome de cortesia como Boyang Ant. *Pˤrak-lang, Pin. Bóyáng). Um nome póstumo proeminente era Li Dan Lǐ Dān). Lao Zi é um título honorífico: (Ant. *rˤuʔ, "velho, venerável") e (Ant. *tsə′, "mestre").
Tem sido romanizado de várias maneiras, levando por vezes à confusão. Hodiernamente, a forma mais comum é Laozi ou Lǎozǐ, baseada no sistema de transliteração Hanyu Pinyun, adoptado pela República Popular da China em 1958 e por Taiwan em 2009. Ao longo do século XX, Lao-tzu era mais comum, baseada no outrora dominante sistema Wade-Giles. No século XIX, o título costumava ser romanizado como Lao-tse.Franz, Alex et al. ed. Google corpus. 2008. Accessed 17 Jan;2014. Outras variantes são Lao-tze e Lao-tsu.
Tsé é o sufixo de muitos nomes chineses, indicando menino, menina, jovem e adolescente. Assim, podemos transliterar Lao-Tsé por "jovem sábio" ou "adolescente maduro".
Sendo uma figura religiosa, ele é adorado com o nome de "Senhor Velho Supremo" , Tàishàng Lǎojūn) e como um dos "Três Puros". Durante a dinastia Tang, ele recebeu o título de "Imperador Supremamente Misterioso e Primordial" Tàishàng Xuānyuán Huángdì).
Visões históricas A meados do século XX, houve um consenso entre os especialistas e doutos que punha em dúvida a historicidade da pessoa conhecida como Lao Zi e que o Tao Te Ching era "uma compilação de ditados e adágios taoistas de diversa procedência". Alan Watts pediu mais precaução, alegando que este consenso era resultado de uma tendência académica cética acerca de personagens históricas espirituais e religiosas e dizendo que ainda não se saberia por anos – ou possivelmente nunca – para fazer uma avaliação sólida.
A primeira referência da que temos segurança sobre a figura de Lao Zi encontra-se no livro Registos do Historiador (simp. 史记 ; trad. 史記 ; Pin. Shǐjì) do século I a.C., reunido pelo historiador Sima Qian a partir de relatos anteriores. Num destes relatos, diz-se que Lao Zi foi um contemporâneo de Confúcio, durante o século VI ou V a.C. O seu apelido era Li e o seu nome pessoal era Er ou Dan. Ele era um funcionário nos arquivos imperiais e escreveu um livro dividido em duas partes, antes de partir para o Oeste. Noutro, Lao Zi era também contemporâneo de Confúcio, mas chamado Lao Laizi e escreveu um livro divido em quinze partes. Numa terceira versão, era o astrólogo da corte Lao Dan, o qual viveu durante o século IV a.C., durante o reinado de Xian de Qin da dinastia Qin. O texto mais antigo do Tao Te Ching até hoje recuperado foi escrito em faixas de bambu e é datado de finais do século IV a.C.
De acordo com os registos tradicionais, Lao Zi foi um erudito que trabalhou como curador dos arquivos da corte real de Zhou. Isto dar-lhe-ia accesso livre à obra de Huangdi e outros clássicos daquele tempo. As estórias afirmam que Lao Zi nunca abriu uma escola formalmente, tendo porém atraído muitos estudantes e discípulos leais. Há muitas variações acerca do encontro entre ele e Confúcio, mais conhecido no Zhuangzi.
Por vezes, é dito que provinha da aldeia de Chu Jen em Chu. Nos relatos que dizem que Lao Zi era casado, refere-se que tinha um filho chamado Zong, que se tornaria num soldado célebre. Muitos clãs da família Li traçam a sua ascendência até Lao Zi, incluindo os imperadores da dinastia Tang. Esta família era conhecida como a linhagem Longxi Li (隴西李氏). De acordo com os Simpkinses, a maioria (senão todas mesmo) destas linhagens questionáveis fornece-nos uma clara imagem do impacto de Lao Zi na cultura chinesa.
A terceira história colectada por Sima Qian afirma que Lao Zi cansou-se da corrupção moral da sociedade e dos bons costumes em Luoyang e notou o declínio do reino. Ele foi viver para o Oeste como um eremitão nas incertas fronteiras do reino, com 80 anos. Na parte occidental da cidade (ou do reino), ele foi reconhecido pelo guarda Yin Xi. Antes de lhe franquear a saída, o guarda exigiu do velho mestre que registrasse por escrito a sua sabedoria para o bem do país. O texto que Lao Zi escreveu relaciona-se como sendo o Tao Te Ching, embora a versão actual do texto inclui adições de épocas mais tardias. Nalgumas versões da história, o sentinela ficou tão comovido pela obra que tornar-se-ia em discípulo de Lao Zi, desaparecendo com este. Noutras, o "Velho Mestre" viajou até à Índia e fora o professor de Sidarta Gautama, o Buda. Outros dizem que ele próprio era o Buda.
250px|thumb|Confúcio encontra-se com Lao Zi, Shih Kang, dinastia Yuan. Uma obra do século VII, o Sandong Zhunang ("Saco Nacarado das Três Cavernas"), idealizou a relação entre Lao Zi e Yin Xi. Lao Zi fingiu ser um lavrador quando chegou ao portão ocidental, mas foi reconhecido por Yin Xi, que pediu ao mestre para que o ensinasse. Lao Zi não estava satisfeito pelo simples facto do guarda ter reparado nele e pediu uma explicação. Yin Xi expressou o seu forte desejo em encontrar o tao e disse que o seu estudo prolongado da astrologia permitia-lhe detectar a aproximação de Lao Zi. Yin Xi foi aceito por Lao Zi como discípulo. Isto é considerado como uma interação exemplar entre um discípulo e um mestre taoista, refletindo o "teste" pelo qual um candidato deve passar, antes de ser aceito. Espera-se do candidato que prove a sua determinação e talento, expressando claramente os seus desejos e mostrando que ele tinha aprendido de forma autodidata o seu caminho do Tao.
O Sandong Zhunang prossegue a analogia com a procura de um sequaz. Yin Xi foi ordenado quando Lao Zi transmitiu o Tao Te Ching, juntamente com outros textos e preceitos, tal como as ceremónias tradicionais taoistas, nas quais os candidatos recebem vários ensinamentos, escrituras sagradas e métodos nas suas ordenações. Isto é apenas um ordenação inicial e Yin Xi ainda precisava de mais tempo para perfeccionar as suas virtudes, por isso Lao Zi acordou com Yin Xi que em 3 anos o encontraria em Changan em um mercado que vendia vísceras de ovelhas negras. Yin Xi dedicou-se de corpo e alma à vida religiosa. Depois dos 3 anos, Yin Xi voltou a demonstrar a sua determinação e capacidades, e retornou ao mercado na hora marcada, estabelecendo este gesto como sinal.Daoist Mystical Philosophy: The Scripture of Western Ascension - Googlebooks, visitado em Finalmente, encontra-se outra vez com Lao Zi, que anuncia a Yin Xi que o seu nome era imortal, estando na lista do céus e invoca uma procissão celeste para vestir Yin Xi com as vestes dos imortais. A história prossegue, dizendo que Lao Zi outorgou vários títulos a Yin Xi e levou-o consigo numa viagem pelo universo, inclusive nos nove céus. Depois desta viagem fantástica, os dois sábios foram às terras ocidentais habitadas pelos bárbaros. O período de treino, as reuniões e as viagens representam a realização mais fiel das prescrições da mais alta patente do taoismo medieval chamada "Preceptor das Três Cavernas". Nesta lenda, Lao Zi é o mestre taoista perfeito e Yin Xi é o discípulo taoista ideal. Lao Zi é apresentado como o tao personificado, dando a sua doutrina à humanidade para a sua salvação. Yin Xi segue os procedimentos formais de preparação, teste, treino e retidão.
A história de Lao Zi tem adotado fortes implicações e conotações religiosas desde a dinastia Han. Com a expansão do taoismo, Lao Zi seria adorado como um deus. A crença na revelação do tao através de Lao Zi, resultaria na formação do Caminho dos Mestres Celestiais, a primeira seita taoista organizada. Na tradição taoista mais tardia, Lao Zi começou a considerar-se como a personificação do Tao. É dito que passou por várias "metamorfoses" e assumiu várias aparências em diversas incarnações ao longo da história para iniciar os devotos no Caminho. O taoismo religioso costuma realçar que "O Velho Mestre" não desapareceu depois de escrever o Tao Te Ching, mas teria passado o resto da sua vida a viajar e a espalhar a doutrina do tao.
thumb|Ilustração de Lao Zi no livro Myths and Legends of China de E. T. C. Werner.
Os mitos taoistas proferem que Lao Zi foi engendrado quando a sua mãe contemplou uma estrela cadente. Ele supostamente teria estado no seu útero sessenta e dois anos antes da nascer enquanto a sua mãe estava inclinada sobre uma ameixoeira. (O apelido chinês Li é escrito com o mesmo caractere que "amêixoa"). É dito que Lao Zi surgiu como um homem adulto, com uma barba cinzenta já crescida e com longos lóbulos da orelha, ambos símbolos de sapiência e longevidade. Outros mitos expõem que ele se tinha reencarnado treze vezes antes da sua primeira vida, a qual decorreu na altura de Fu Xi. Na sua última encarnação, como Lao Zi, viveu novecentos noventa anos e dedicou-se inteiramente a viajar de maneira a revelar o Tao.
Tao Te Ching
195px|esquerda|thumbnail|Lao Zi, "Grande Mestre Imortal do Céu". Lao Zi é tido tradicionalmente como o autor do Tao Te Ching (Pinyin. Dàodéjīng), embora a identidade do autor ou do compilador seja incerta, sendo palco de vários debates ao longo da história. É um dos tratados mais importantes da cosmogonia chinesa. Tal como a maioria dos filósofos chineses, Lao Zi frequentemente explica as suas ideias através de paradoxos, analogias e utilização de ditados e adágios antigos, repetições, simetrias, rimas e ritmos. De facto, o livro inteiro pode ser considerado como uma analogia – por um lado, o governante é a personificação da consciência, ou da consciência própria, na meditação, e pelo outro lado, o império é a experiência do corpo, dos sentidos e dos desejos.
O Tao Te Ching, geralmente chamado Lao Zi pelo nome do seu autor presumido tradicionalmente, descreve o tao como a fonte e origem de toda existência: é invisível, mas não transcendente, omnipotente, contudo, humilde; sendo a raiz de todas as coisas. As pessoas têm desejos e livre vontade (por conseguinte, podem alterar a sua própria natureza). Muitos atuam "artificialmente", contrariando o equilíbrio natural do Tao. O Tao Te Ching pretende levar os discípulos a "voltar" ao seu estado natural, em harmonia com o tao. A linguagem e a sabedoria convencional são avaliadas com dureza. O taoismo considera-as como tendenciosas e artificiais, servindo-se amplamente de paradoxos para provar o seu ponto de vista.