Le Corbeau (bra: Sombra do Pavor, também conhecido como Cartas Anônimas ou O Corvo) é um filme Francês de 1943 dirigido por Henri-Georges Cluzot e escrito por Cluzot e Louis Chavance. O filme estrela Pierre Fresnay no papel do Dr. Rémy Germain, um médico em uma pequena cidade francesa cujos moradores começam a receber cartas assinadas pelo Corvo contendo segredos escuros e acusações perigosas sobre os outros moradores.

O filme causou sérios problemas a seu diretor após a Segunda Guerra Mundial, uma vez que havia sido produzido pela Continental Films, uma compania de produção alemã estabelecida perto do início da Ocupação da França, e porque o filme fora visto pela resistência e pela imprensa comunista como difamador do povo Francês. Por causa disso, Clouzot foi proibido de dirigir França pelo resto de sua vida, mas após protestos a decisão foi revocada em 1947. O filme no entanto foi suprimido até 1969. Um remake americano dirigido por Otto Preminger e intitulado The 13th Letter foi lançado em 1951.

Enredo Em uma pequena cidade Francesa, cartas injuriosas assinadas pelo misterioso Corvo são enviadas a diversos moradores. As cartas começam acusando o Doutor Germain de praticar abortos ilegais e de ser o amante de Laura Vorzet, a jovem esposa do velho psiquiatra, o Dr. Vorzet. A partir disso, praticamente todos os moradores dessa pequena comunidade recebem cartas pelo Corvo, acusando pessoas próximas ou revelando segredos, mas sempre voltando à principal vítima, o Dr. Germain. A situação leva a confrontamentos e violência, culminando na morte por suicídio de François, um paciente com câncer que descobre que sua doença é terminal. Enquanto a cidade busca um culpado, a mãe de François jura matar o Corvo de vingança.

A enfermeira Marie Corbin (que é irmã de Laura) se torna a principal suspeita e é presa, mas as cartas não param de ser enviadas. Quando uma carta é lançada da galeria da igreja, torna-se evidente que o Corvo deve ser uma das pessoas sentadas lá. Eles são reunidos na escola para recopiar as cartas do Corvo, ditadas pelo Dr. Vorzet, para comparar a caligrafia . A amante de Germain, Denise, se torna suspeita quando desmaia durante o ditado, porém quando confrontada por Germain ela nega é indica que Laura está em perigo. Germain vai a casa dos Vorzet para investigar e acaba descobrindo traços das cartas do Corvo na escrivaninha de Laura. O Dr Vorzet revela que Laura sofre de problemas mentais mas que não pode dar a ordem para interna-la por ser seu marido. Germain concorda em assinar uma nota médica atestando a insanidade de Laura e ela é levada para um hospício. Quando Germain volta para ver Vorzet após a partida de Laura ele o encontra morto em sua mesa, assassinado pela mãe do paciente No momento em que a ambulância leva Laura, Germain encontrar o Dr. Vorzet morto em sua mesa, sua garganta cortada pela mãe de François, enquanto ele escrevia a triunfante ultima carta assinada pelo Corvo.

Elenco

Pierre Fresnay... Doutor Rémy Germain Ginette Leclerc... Denise Saillens Pierre Larquey... Doutor Michel Vorzet Héléna Manson... Marie Corbin Pierre Bertin... O Subprefeito Liliane Maigné... Rolande Saillens Roger Blin... François Micheline Francey... Laura Vorze

Produção O filme é vagamente baseado em um caso na cidade de Tulle, Limousino, em 1917. Cartas anônimas foram enviadas por alguém assinando "o olho do tigre". A primeira versão do roteiro foi escrita por Louis Chavance logo após o incidente das cartas de Tulle, e anos antes do filme finalmente ser produzido.Henri Jeanson, "The Return of Clouzot's Le Corbeau or The Commies vs. Le Corbeau," L'Intransigeant, 10 September 1947.

Le Corbeau foi produzido pela Continental Films, que além de ser uma compania alemã estabelecida durante a ocupação, era conhecido por fazer filmes de detetive "com um tom leve, até cômico" e muitas vezes estrelando Pierre Fresnay,Alan Williams, "Le Corbeau," The Criterion Collection, 16 February 2004, URL accessed 21 June 2016. que fez o papel de Germain neste filme. Clouzot trabalhou anteriormente com Fresnay em outro projeto da Continental Films, L'Assassin habite au 21 de 1942. O escritor Joseph Kessel mais tarde criticou as origens do filme na Continental, observando que Le Corbeau foi financiado pelos alemães, e nesse contexto poderia ser visto como um testamento da corrupção francesa. Kessel questionou se o filme teria sido feito se fosse ambientado na Alemanha.Joseph Kessel, "The Corbeau Affair (continued)," L'Intransigeant, 27 September 1947.

Foi filmado nos Estúdios Billancourt, em Paris, e também em Montfort-l'Amaury .

Lançamento Le Corbeau foi lançado na França em 28 de setembro de 1943. Embora Le Corbeau tenha sido banido depois da guerra e a esquerda tenham suportado manter a proibição, o filme foi exibido em cineclubes por toda a França e atraiu milhares de espectadores.Henri Jeanson, "The Return of Clouzot's Le Corbeau or The Commies vs. Le Corbeau," L'Intransigeant, 10 September 1947.

Recepção Em 1947, o filme foi lançado comercialmente, com o escritor Henri Jeanson elogiando-o como uma peça importante no cinema francês, argumentando que era repulsivo, mas, quando comparado à realidade, tornava-se quase romântico.Henri Jeanson, "The Return of Clouzot's Le Corbeau or The Commies vs. Le Corbeau," L'Intransigeant, 10 September 1947. Apesar de criticar suas origens, Joseph Kessel, escrevendo em resposta a Jeanson, disse que Le Corbeau era indiscutivelmente um filme notável.Joseph Kessel, "The Corbeau Affair (continued)," L'Intransigeant, 27 September 1947.

Escrevendo em 2004, o professor Alan Williams considerou Le Corbeau o "primeiro clássico filme noir francês ", embora tenha sido feito antes do termo ser cunhado.Alan Williams, "Le Corbeau," The Criterion Collection, 16 February 2004, URL accessed 21 June 2016. Ele encontrou um humor discreto no roteiro e também argumentou que ele propunha "um debate filosófico sobre os efeitos da ocupação alemã", comparando a atmosfera criada pelas cartas do Corvo com a de Ocupação.

Um legado notável do filme foi tornar "corvo" em um termo para um informante malicioso. Em 2006, o filme viu um ressurgimento na sua popularidade em Paris após o caso Clearstream, em que cartas anônimas acusavam os políticos franceses de ter contas bancárias ocultas.

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