A disputa por Xatalárabe refere-se à disputa territorial entre o Irã e o Iraque que ocorreu pela região de Xatalárabe. O Xatalárabe era considerado um canal importante para as exportações de petróleo dos dois países e disputa foi coincidente e relevante para a Guerra Irã-Iraque.
Contexto Desde as guerras otomano-persas dos séculos XVI e XVII, o Irã (conhecido como "Pérsia" antes de 1935) e o Império Otomano disputaram pelo Iraque (então conhecido como Mesopotâmia) e pelo controle total do Xatalárabe até a assinatura do Tratado de Zuhab em 1639, que estabeleceu as fronteiras finais entre os dois países.
Confrontos Tensões entre a dinastia iraniana Pahlavi e o Reino do Iraque O Xatalárabe foi considerado um canal importante para as exportações de petróleo dos dois países e, em 1937, o Irã e o Reino do Iraque recém-independente assinaram um tratado para resolver a disputa. No mesmo ano, o Irã e o Iraque aderiram ao Tratado de Saadabad, e as relações entre ambos permaneceram boas por décadas depois.
Tensões entre a dinastia iraniana Pahlavi e o Iraque Baathista Crise nas relações 1969-1974 Em abril de 1969, o Irã revogou o tratado de 1937 sobre o Xatalárabe e, por conseguinte, deixou de pagar portagens ao Iraque quando seus navios usavam a hidrovia. A revogação do tratado pelo Irã marcou o início de um período de forte tensão iraquiano-iraniana que duraria até o Acordo de Argel de 1975. Em 1969, Saddam Hussein, vice-primeiro-ministro do Iraque, declarou: "A disputa do Iraque com o Irã está relacionada ao Cuzistão, que faz parte do território iraquiano e foi anexado ao Irã durante o domínio estrangeiro".
Em 1971, o Iraque (agora sob o domínio efetivo de Saddam) rompeu relações diplomáticas com o Irã depois de reivindicar direitos de soberania sobre as ilhas de Abu Musa e Grande e Pequena Tunb no Golfo Pérsico após a retirada dos britânicos. Como retaliação às reivindicações do Iraque ao Cuzistão, o Irã se tornou o principal patrono dos rebeldes curdos iraquianos no início da década de 1970, dando bases aos curdos iraquianos no Irã e armando os grupos curdos. Além de o Iraque fomentar o separatismo no Cuzistão e o separatismo no Baluchistão, no Irã, os dois países também incentivaram atividades separatistas dos nacionalistas curdos no território do país rival.
Confrontos militares em 1974-1975
De março de 1974 a março de 1975, Irã e Iraque travaram escaramuças fronteiriças sobre o apoio do Irã aos curdos iraquianos. Em 1975, os iraquianos lançaram uma ofensiva no Irã usando tanques, embora os iranianos os tenham derrotado. Vários outros ataques ocorreram; no entanto, o Irã tinha o quinto exército mais poderoso do mundo na época e derrotou facilmente os iraquianos com sua força aérea. Cerca de 1.000 pessoas morreram durante os confrontos de 1974-1975 na região de Xatalárabe. Como resultado, o Iraque decidiu não continuar o conflito, optando por fazer concessões a Teerã para acabar com a rebelião curda. No Acordo de Argel de 1975, o Iraque fez concessões territoriais - incluindo a hidrovia Xatalárabe - em troca de relações normalizadas. Como contrapartida, o Iraque reconheceu que a fronteira no canal percorria ao longo de todo o talvegue e o Irã encerrou seu apoio às guerrilhas curdas iraquianas.
Após a Revolução Iraniana Apesar dos objetivos do Iraque de recuperar o Xatalárabe, o governo iraquiano pareceu inicialmente acolher a Revolução Iraniana, que derrubou o xá iraniano, que era visto como um inimigo comum. No entanto, em 17 de setembro de 1980, o Iraque anulou repentinamente o Protocolo de Argel após a Revolução Iraniana. Saddam Hussein afirmou que a República Islâmica do Irã se recusou a cumprir as estipulações do Protocolo de Argel e, portanto, o Iraque considerou o protocolo nulo e sem efeito. Cinco dias depois, o exército iraquiano cruzou a fronteira.
Ligações externas The Shatt Al-Arab: Obstacle to Iran-Iraq Peace por Emile S. Siman, Washington Report on Middle East Affairs, Abril de 1989.
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