Aeroporto Campo de Marte é um aeroporto brasileiro, no bairro de Santana,Primeiro aeroporto da cidade, Campo de Marte é marca da zona norte no distrito homônimo, Zona Norte do município de São Paulo.
Foi o primeiro terminal aeroportuário de São Paulo, e um dos mais antigos aeroportos do Brasil, sendo que hoje não conta mais com linhas comerciais regulares, predominando o tráfego de helicópteros e aviões de pequeno porte, particulares ou de empresas de Táxi aéreo, a denominada área de aviação geral. Apresenta a maior frota de helicópteros do Brasil e sua infraestrutura permite que São Paulo abrigue a maior frota do mundo desse tipo de aeronave, tendo superado a de Nova York. O aeroporto é mais do que uma instalação aeronáutica; é um testemunho vivo da história da aviação em São Paulo e no Brasil. Sua trajetória reflete as complexas mudanças políticas, sociais e tecnológicas que moldaram o país ao longo do século XX, mantendo-se como um ponto de interesse para entusiastas da aviação e historiadores, simbolizando progresso e inovação na cidade de São Paulo.
Seu nome "Campo de Marte" vem do Champ de Mars, parque em Paris, onde o primeiro vôo em solo europeu ocorreu. Está localizado na Avenida Santos Dumont, que, por sua vez, foi nomeada em homenagem a Santos Dumont, aeronauta inventor do 14-bis, o avião responsável pelo vôo.
Atualmente se trata de um aeroporto compartilhado, com parte da área física sob controle do Comando da Aeronáutica e outra sob a administração da PAX Aeroportos.
História O aeroporto é um marco histórico na aviação brasileira e o primeiro aeroporto da capital paulista e um dos primeiros do país. A história da região remonta a 1906, quando o local, então uma várzea alagadiça, era utilizado como espaço para exercícios militares de infantaria e cavalaria da Força Pública do Estado de São Paulo, entidade que mais tarde se tornaria a Polícia Militar.Conheça a história do aeroporto Campo de Marte - Canção Nova Para proporcionar um treinamento de alta qualidade, foram contratados instrutores do exército francês, que, ao observarem o grande terreno descampado, apelidaram a região de "Champs de Mars", em homenagem à área francesa de mesmo nome. Esta nomenclatura foi traduzida literalmente pelos militares paulistas para "Campo de Marte", nome que perdura até hoje.
Em 1920, o governo estadual, em parceria com o alto comando da Força Pública, decidiu criar uma escola de aviação militar no Campo de Marte. Esta iniciativa visava fortalecer as defesas da cidade e preparar soldados para as necessidades do exército brasileiro. O local foi escolhido para a pista de operações das aeronaves devido à sua proximidade com o Quartel da Luz e por já estar à disposição da corporação. Os primeiros alunos do curso de preparação para pilotagem aérea eram integrantes da cavalaria e tiveram como professor um piloto americano.
Em São Paulo, havia algumas pistas de pouso, mas apenas um único aeródromo, o Campo de Marte em Santana, inaugurado em 1929. Foi desse local que decolaram os primeiros aviões ingleses para três passageiros da Viação Aérea São Paulo – VASP.
Infelizmente, a escola foi fechada após um ano devido à falta de recursos. No entanto, em 1925, alguns aviadores se reorganizaram e conseguiram reabrir a escola com algum recurso e apoio político, o que foi crucial para sua longevidade. A escola formou os alunos que constituíram a esquadrilha da aviação da Força Pública do Estado, também conhecida como “Bandeirantes do Ar”. Esta esquadrilha foi de extrema importância para o desenvolvimento da aviação no interior do Estado e em vários estados do país. Suas missões de exploração e o estabelecimento de rotas aeronáuticas difundiram a aviação e promoveram a abertura de diversos aeródromos e aeroportos pelo interior de São Paulo e em estados como Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais e Goiás. Com o apoio irrestrito do poder público e dos militares, a Força Pública crescia em um ritmo importante, auxiliando também no desenvolvimento da aviação civil, um modal de transporte crucial para São Paulo.Aeroporto Campo de Marte completa 98 anos Ainda na década de 1920, foi criada dentro do Campo de Marte a Empresa Aeronáutica Ypiranga, de propriedade de Fritz Roesler e Thereza Di Marzo, primeira aviadora brevetada brasileira. Nos hangares da Força Pública, através do mecânico e aviador americano Orthon W. Hoover, foi fabricado o primeiro avião paulista, que recebeu o nome de São Paulo e se tornou o mascote da esquadrilha.
Nos anos 30, São Paulo já não era mais aquela pequena cidade do século XIX. Sua população havia mais que triplicado, passando de 64.934 habitantes em 1890 para 1.060.120 em 1934. Embora seu desenvolvimento tenha sido mais lento em comparação com cidades do norte do país ou mesmo com o Rio de Janeiro, sua evolução esteve sempre ligada à expansão das vias de comunicação. Inicialmente, a cidade cresceu acompanhando os caminhos que levavam ao sertão e ao litoral. Posteriormente, no final do século XIX, as ferrovias se tornaram fundamentais para o comércio, especialmente do café, e para o desenvolvimento econômico. Com o crescimento da cidade, o transporte ferroviário já não era suficiente para atender ao fluxo de pessoas que demandavam a capital, e o ritmo das locomotivas não acompanhava mais o ritmo de crescimento da cidade. Um novo meio de transporte, os aviões, começava a atrair a atenção e o desejo de homens ousados. O aeroporto alvo de um ataque aéreo pesado, pois seus pilotos haviam sido convocados para integrar o Movimento Constitucionalista, juntamente com outros aviadores militares que haviam aderido à causa. Terminada a contenda, todos os aviões do Campo de Marte foram levados para o Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, o avião se tornou uma potente e indispensável arma de guerra. De um lado estavam as esquadrilhas legalistas e do outro, em São Paulo, alguns aviadores formaram o Grupo Misto de Aviação Bandeirante, que incluía a esquadrilha dos “Gaviões de Penacho”, composta por valorosos pilotos de combate.Aeroporto de São Paulo (Campo de Marte) Este grupo era um conjunto único de aviadores do exército, favoráveis à causa paulista, com antigos integrantes da extinta esquadrilha da Força Pública e alguns pilotos voluntários, fazendo do Campo de Marte o quartel general dos aviadores constitucionalistas. Com o fim da guerra civil brasileira e a consequente derrota de São Paulo, o potencial estratégico do Campo de Marte não foi desprezado.São Paulo: Campo de Marte (1927)
Novas empresas ligadas ao setor aeronáutico surgiram intensamente, gerando novas oficinas, empregos e desenvolvimento para o setor aéreo do Brasil. Surgiram escolas particulares de aviação, e o aeroporto viu nascer o voo de planador e a primeira escola de paraquedismo do país. Além do peso comercial das viagens feitas a partir dele, o local se destacava por apresentações aéreas, circos voadores e shows aéreos, atraindo multidões de curiosos para assistir à ousadia dos pilotos e à sincronia das esquadrilhas. Apesar das mudanças, o tratamento entre militares e aviadores civis foi de extrema educação, respeito e simpatia, permitindo que o desenvolvimento da aviação civil continuasse, mesmo com os conflitos da época. No ano de 1931, após muitas conversas, foi fundado o Aeroclub de São Paulo com sua tradicional escola de aviação civil. Os primeiros instrutores eram oficiais e sargentos aviadores do exército, que ensinavam voluntariamente, movidos por ideais de progresso da aviação civil. Esta escola era a segunda do Brasil, ficando atrás apenas do Aeroclub Brasileiro, fundado no Rio de Janeiro.
No entanto, a grande enchente de 1929 (maior inundação da história da cidade)São Paulo teve maior enchente de sua história em 1929, dos danos causados pelos ataques aéreos e a interdição do local em 1934 pelo governo revolucionário de Getúlio Vargas, devido à participação do estado na Revolução de 1932, levaram ao início de estudos técnicos para a escolha de um sítio alternativo.Aeroporto Campo de Marte: Seu Portão para SP O sítio escolhido foi Congonhas inaugurado em 1936, os bairros Brooklin e Indianópolis também foram cogitados na época. Em 12 de novembro de 1933 houve uma cerimônia, na qual inauguraram-se voos para o interior paulista com a VASP, com duas rotas; uma para São José do Rio Preto com escala em São Carlos, e outra para Uberaba com escala em Ribeirão Preto, o que veio implementar em 1934, o Parque Aeronáutico, que ocupou uma boa parcela da área do Campo de Marte.
Com a criação do Ministério da Aeronáutica em 1941, as instalações militares do Campo de Marte passaram a fazer parte da Força Aérea Brasileira, incluindo o Centro Logístico da Aeronáutica. O local continuou a reforçar sua tradição aeronáutica com eventos como a fabricação do avião EAY-201, que deu origem ao lendário avião de treinamento Paulistinha CAP-4.Aeroporto Campo de Marte completa 98 anos nesta quinta-feira
Na década de 1950, o Campo de Marte se destacou ainda mais com a realização de grandes feitos aeronáuticos. Em 1952, foi palco da maior revoada de aviões esportivos da América Latina, quando 270 aeronaves de pequeno porte partiram para Buenos Aires, sendo recebidas pelo presidente da Argentina. Este evento consolidou o Campo de Marte como o aeroporto mais movimentado e de maior concentração de aviação geral do Brasil e, possivelmente, da América Latina. Além disso, o aeroporto passou a abrigar o imprescindível apoio da polícia civil e militar da cidade. O Campo de Marte também foi o ponto de partida para voos históricos de aviadores renomados, como Ada Rogato, brasileira conhecida internacionalmente por ser a primeira mulher a obter licença como paraquedista, a primeira volovelista (piloto de planador) e a terceira a se brevetar em avião. O aeródromo, envolto em um carisma de tradição, foi palco de partida e chegada de dezenas de raides pioneiros e revoadas fantásticas, como a revoada internacional do Quarto Centenário da cidade de São Paulo, que reuniu aviões de vários países da América do Sul.
Em 1958, a prefeitura de São Paulo iniciou uma disputa judicial, que ainda persiste, para retomar o controle do Campo de Marte. Apesar disso, o local continua a ser um importante centro de aviação geral, com a possibilidade de expansão para ajudar a desafogar os aeroportos de Congonhas e Guarulhos, demonstrando seu valor estratégico e logístico. Nove anos depois, em 26 de outubro, um grande incêndio destruiu o hangar Santos Dumont, que pertencia ao Aeroclube de São Paulo. Cerca de 26 aeronaves P-56 Paulistinha foram consumidas pelo fogo. O Aeroclube estimou o prejuízo em torno de 1 bilhão de cruzeiros velhos, o que nos dias de hoje seria algo equivalente a pouco mais de 3,2 milhões de reais.
Durante a década de 1980, o Aeroporto Campo de Marte continuou a ser um importante centro de aviação geral em São Paulo. Nesta época, o aeroporto enfrentou desafios relacionados à sua localização em uma área densamente povoada, o que limitava sua expansão física. No entanto, o Campo de Marte manteve sua relevância como um hub para helicópteros e aviação executiva, além de abrigar escolas de aviação e clubes aéreos. Nos anos 1990, o Campo de Marte viu um aumento significativo na aviação executiva, com um crescimento no número de voos de helicópteros, especialmente devido ao aumento do tráfego e congestionamento nas ruas de São Paulo.INFORMAÇÕES GERAIS DO AEROPORTO CAMPO DE MARTE - SBMT Este período também foi marcado por discussões sobre a necessidade de modernização das instalações para atender melhor às demandas crescentes da aviação geral.