As línguas chapacuras (ou txapakuraNikulin, Andrey; Fernando O. de Carvalho. 2019. Estudos diacrônicos de línguas indígenas brasileiras: um panorama. Macabéa – Revista Eletrônica do Netlli, v. 8, n. 2 (2019), p. 255-305. (PDF)) formam uma família de línguas ameríndias da Bolívia e do Brasil (em Rondônia e Mato Grosso).Jolkesky, Marcelo Pinho de Valhery. 2016. Estudo arqueo-ecolinguístico das terras tropicais sul-americanas. Doutorado em Linguística. Universidade de Brasília.

Línguas Lista das línguas chapacuras (Angenot 1997):

Faladas no Brasil: Torá: 25 Torá na Área Indígena Torá, município de Auxiliadora (CEDI, 1990).CEDI/PETI (1990). Terras Indígenas do Brasil. São Paulo. 137 pp. 20 palavras (Nimuendajú & Valle Bentes, 1923); 387 palavras e 100 frases (Nimuendajú, 1925).NIMUENDAJU, Curt (1925). “As tribos do Alto Madeira”, Journal de la Societé des Américanistes de Paris, 17:137-72. [Torá 148-57, Urupá 158-9] Urupá: entre 150 e 250 Urupá (SIL, 1986, apud Grimes, 1988 no Ethnologue). 134 palavras (Nimuendajú, 1925); 36 palavras (Loukotka, 1963).LOUKOTKA, Chestmir (1963). "Documents et vocabulaires inédits de langues et de dialectes sudaméricains", Journal de la societé des Américanistes de Paris, 17:137-72. [Abitana 19, Kumaná, Yaru 20] Jarú: em 1915: só alguns indivíduos avulsos (Nimuendajú, 1925). 276 palavras (Barbosa, 1948)BARBOZA de FARIA, J. (n.d.a). Vocabulário Pacanóvas, Jaru, Urupá e Uomo (723 itens). Publicações da Comissão Rondon, 76. Rio de Janeiro: Museu do Índio. 22 pp.; 36 palavras (Loukotka, 1963). Jamará: provavelmente extintos Oro Wín: 5 falantes ativos nos anos 1990s, numa população de 40 Oro Win, na Fazenda São Luiz. 1.200 palavras e algumas frases (CEPLA). Warí (Pakaas Novos): Área Indígena (A.I.) Igarapé Lage: 235 Wari’; A.I. Igarapé Ribeirão: 85 Wari’; A.I. Sagarana: 148 Wari’; A.I. Pacaás-Novas: 473 Wari’; A.I. Rio Negro/Ocaia: 290 Wari’; e A.I. Rio Guaporé: alguns Wari’ (CEDI, 1990). 3.000 palavras (Kern, 1996) e uma gramática (Everett & Kern, 1996).EVERETT, Daniel & Barbara KERN (1996). The Wari’ language of western Brazil (Pacaas Novos). London: Routledge. 414 pp. Dialetos-Norte: Wari’-Oro Waram Wari’-Oro Mon Wari’-Oro Waram XijenCouto, F. P., & Marcelina Oro Waram Xijein. (2020). Descrição Preliminar da Fonologia do Oro Waram Xijein (Família Txapakúra). Revista Brasileira De Linguística Antropológica, 12(1), 341–372. Dialetos-Sul: Wari’-Oro Não Wari’-Oro EoMaeda, Cláudia Teles. 2000. Descrição preliminar do Oro Eo: um caso de sílaba embutida no onset. Mestrado, Universidade Federal de Rondônia (Guajará-Mirim). Wari’-Oro At Wari’-Oro Jowin Wari’-Oro Kao Oro Aje Tapoaya: provavelmente extintos Kuyubi: 3 falantes, Suzana (residente em Guajará-Mirim), Rosa em Sagarana e Francisca na Baia da Onça, Guaporé. Léxico por de Angenot & Santos (1997)ANGENOT, Geralda DE LIMA & Luciana F. DOS SANTOS (1997). Léxico Português-Kuyubi e Kuyubi-Português. CEPLA Working Papers in Amerindian Linguistics. Série ‘Documentos de Trabalho’. e também por Rodrigues Duran (2000).Rodrigues Duran, Iris. 2000. Descrição fonológica e lexical do dialeto "Kaw Tayo" (Kujubi) da língua Moré. Mestrado, Universidade Federal de Rondônia (Guajará-Mirim). (PDF) Kutiana: provavelmente extintos Matáwa (Matáma): provavelmente extintos Kumana (Cautario): provavelmente extintos Uomo: provavelmente extintos Urunamakan: provavelmente extintos Kujuna: provavelmente extintos Wanyam (Wanham) Pawumwa-Wanyam: provavelmente extintos. 124 palavras (Haseman, 1912); 21 palavras de Loukotka (1963), com base em dados inéditos de Emilie Snethlage. Abitana-Wanyam: provavelmente extintos. 21 palavras de Loukotka (1963), com base em dados inéditos de Emilie Snethlage. Kabishi-Wanyam: por volta de 1950: 5 falantes na bacia do rio São Miguel (segundo Wanda HankeHANKE, Wanda n.d. Notas lingüísticas del idioma Huanyan, apud Montaño Aragón. La Paz, Bolívia. [Kabishi, Miguelinho]); o último falante conhecido da região de São Miguel, Mariano, faleceu no final de 1996. 83 palavras e 16 linhas de canções (W. Hanke). Miguelenho-Wanyam: por volta de 1950: 11 falantes (segundo Wanda Hanke); 1 falante idoso conhecido nos anos 1990s, Firmino Miguelem, residente em Guajará-Mirim. 95 palavras e 16 linhas de canções (W. Hanke); 2.100 palavras (de Lima Angenot & Ribeiro).ANGENOT. Geralda DE LIMA & Michela A. RIBEIRO (1997). Dicionário Português-Wanham e Léxico Português-Wanham. [2.100 vocábulos]. CEPLA Working Papers in Amerindian Linguistics. Série ‘Documentos de Trabalho’. Pp. 134.

Faladas na Bolívia: Moré (Iten): 200, dos quais 21 falantes ativos e 65 semi-falantes e falantes passivos (segundo Lima Angenot). 3.800 palavras (Angenot & Angenot).ANGENOT, Geralda de LIMA & Jean-Pierre ANGENOT (1997). Dicionário Português-Moré e Léxico Moré-Português [3.800 vocábulos]. CEPLA Working Papers in Amerindian Linguistics. Série ‘Documentos de Trabalho’. Pp. 500. Muré: provavelmente extintos. Traduções do Pater Noster, do Ave Maria e do Credo (Teza, 1868).TEZA, Emilio (1868). Saggi inediti di lingue americane. Appunti bibliografici. Annali delle Universitá Toscane. (Parte prima: scienze neologiche) 1.10:117-43. Pisa. [Mure text only, Rocona] Itoreauhip: provavelmente extintos Rokorona: provavelmente extintos. Traduções do Pater Noster, do Ave Maria e do Credo (Teza, 1868). Herisobokono: provavelmente extintos Chapakura (Huachi, Tapakura): provavelmente extintos. 436 palavras (Créqui-Montfort & Rivet, 1913, com base em dados inéditos de d’Orbigny).CRÉQUI-MONTFORT, G de & Paul RIVET (1913). "Linguistique bolivienne. La famille Chapakura", Journal de la Societé des Américanistes de Paris, 10:119-71. Kitemoka (Kitemo): no início da década 1980s: 20 falantes (Plaza Martínez & Carvajal, 1985).PLAZA MARTÍNEZ, Pedro & Juan CARVAJAL CARVAJAL (1985). Etnias y Lenguas de Bolivia. La Paz: Instituto Boliviano de Cultura. 228 pp. 339 palavras (Créqui-Montfort & Rivet, 1913, com base em dados inéditos de d’Orbigny). Napeka (Nape): provavelmente extintos. 78 palavras (Créqui-Montfort & Rivet, 1913). Kusikia-Manasi: no início da década 1980s: 10 falantes (Plaza Martínez & Carvajal, 1985).

Classificação Classificação das línguas chapacuras (Ramirez 2010: 21):Ramirez, Henri. 2010. Etnônimos e topônimos no Madeira (séculos XVI-XX): um sem-número de equívocos. Revista Brasileira de Linguística Antropológica v. 2 n. 2, p. 179-224. (PDF)

Chapacura Chapakura Torá Moré (Itene); Cautário; Tapakuara, Kitemoka Chapakyra Urupá, Jaru; Wanham, Miguelenho Wari' Oro Win

Comparações lexicais Comparação lexical interna das línguas chapacuras (Rodrigues 1986):Rodrigues, Aryon Dall'Igna. 1986. Línguas brasileiras: Para o conhecimento das línguas indígenas. São Paulo: Loyola. (PDF)

Português Torá Urupá dente iat ieti língua kapiak kapiaka olho tok tyke mão um tipra sol apyto kumen terra timak manakã água kom kom pai ité été mãe inia ive você wâm vim anta imin imin fume iuwâ kahâb arco pari mapip canoa anawa arawa

Alguns paralelos lexicais entre o Proto-Chapacura e as línguas macus (Jolkesky 2016):

Português Proto-Chapacura Proto-Kakwa-Nukak Kakwa Puinave árvore *panaː bãdã boca/bico *ʔijat ‘bico’ je ‘boca’ falar *jaː jat irmã *ami amiʔ mãe *ʔinaʔ *naʔ mandioca *ʔakop *kob ‘raiz’ olho/ver *tok ‘olho’ duk ‘ver’ ombro *ʔapam pem papagaio *kawit *kawetʔ terra *namaka *bak vermelho/sangue/urucum *mem ‘vermelho’ *mepʔ ‘sangue’ meʔ ‘urucum’ viver/nascer *ʔipan ‘nascer’ *ʔɨpʔ ‘viver’ voar/voar *takiʔ ‘voar’ *takeko ‘asa’

Alguns paralelos lexicais entre o Proto-Chapacura e o Irantxe (Jolkesky 2016):

Português Proto-Chapacura Irantxe barriga *ʔamon tũmula boca/falar *jaː ‘falar’ jaʔa ‘boca’ caminho *wanaː waːnõkuwɯ estrela *pijuʔ pijãpa flor *pwiw pewi gordura *mapom mamɯ̃ madeira *mawin amaʔi ombro *ʔapam tapan peito *ʔikim ikip-si, ikip-katɯ rabo *kipun tikipu rosto/cabeça *matan ‘rosto’ mate ‘cabeça’

Alguns paralelos lexicais entre o Proto-Chapacura e o Proto-Arawá (Jolkesky 2016):

Português Proto-Chapacura Proto-Arawá boca *iʤahi ‘boca/lábio’ *ʔijat ‘bico’ comer *hawa *kawˀ mãe/irmã maior *ami ‘mãe’ *ami ‘irmã maior’ macaco *ʤuwihi *jowin olho *nukʰu *tok pai/sogro *abi ‘pai’ *ʔapiː ‘sogro’ papagaio *kawa *kawit terra *nami *namaka vermelho/urucum *mawin ‘urucum’ Deni mavani

Reconstrução A reconstrução do protochapakura (Angenot 1997):Angenot, Geralda de Lima (1997). Fonotática e Fonologia do Lexema Protochapacura. Dissertação do Mestrado, Universidade Federal de Rondônia.