Naul de Azevedo (Bananal, — São Paulo, ) foi um coronel da Força Pública do Estado de São Paulo e comandante na Revolução Constitucionalista de 1932.
Biografia Naul de Azevedo nasceu no dia , na cidade de Bananal, filho de Elpídio Lopes de Azevedo e Maria Luiza de Paula Ferreira, uma família tradicional daquele município. Teve os irmãos: Iaria, Mário, Antenor, Maria Natalina, Francico, Alidéia e Heloisa, sendo o filho de menor idade. Seu avo, Ladislau Lopes de Azevedo foi alferes do 7º Batalhao de Voluntários Paulistas na Guerra do Paraguai.
Em 1920, seguindo o exemplo do seu irmão mais velho, Mário de Azevedo, Naul ingressou na Força Pública do Estado de São Paulo, como soldado. Em 1922 matriculou-se na escola de oficiais da corporação. Na época, a Força Pública era o segundo maior corpo armado da América Latina, somente atrás do próprio Exército Brasileiro. Alguns anos depois também realizou curso de aviação e pilotagem naquela corporação, com o notório instrutor Horton Willian Hoover, tendo conseguido o brevet internacional.
Durante a Revolução de 1924, o então aspirante combateu pela legalidade, contra os rebeldes na capital paulista. Pelo seu desempenho na campanha militar, recebeu a “Medalha da Legalidade” em junho de 1926 pelo Governo do Estado.
Em 9 de julho de 1925 foi promovido a 2º tenente.
Em 3 de março de 1927 foi promovido a 1º tenente.
Entre outubro e dezembro de 1928 serviu como delegado de polícia em comissão na cidade de Potirendaba.
Entre o final da década de 1920 e o ano de 1930 participou de experiências no Grupo de Aviação da Força Pública, com a equipe do tenente João Negrão. Realizou viagens para Goiás, Minas Gerais e pelo interior paulista no avião bombardeiro "Anhanguera", de 200hp, realizando voos de observação em inóspitos sertões. Em agosto de 1927, durante uma apresentação do avião “Jahu”, por ocasião das comemorações da sua travessia pelo Atlântico, o tenente Naul de Azevedo sofreu um acidente aéreo na cidade de Santos, durante a decolagem com o avião "Paes Leme" da Força Pública. Naquele dia, durante a corrida para a decolagem, o piloto foi obrigado a levantar o avião precocemente para desviar de uma aglomeração de pessoas que inadvertidamente estavam próximas à pista, apesar dos esforços a aeronave entrou em stall e caiu, resultando em avarias em uma das asas e na hélice do aparelho e no ferimento do piloto. No acidente, houve ainda a morte de uma criança.
Durante a Revolução de 1930, ocorrida entre 3 e 24 de outubro daquele ano, combateu os rebeldes na fronteira entre os Estados de São Paulo e Minas Gerais, na ponte fronteiriça situada no município de Igarapava, onde foi ferido durante as escaramuças. Naquele conflito também realizou missões de reconhecimento com aeroplano da Força Pública.
Em 1930 serviu no comando da guarnição de Ribeirão Preto.
Entre 1930 e 1931 serviu como subcomandante na 4ª Cia do 4º Batalhão da Força Pública, sediada em Bauru. Na ocasião, o seu irmão, o capitão Mario de Azevedo servia na mesma unidade, no Estado-Maior do comandante do batalhão, o tenente-coronel Patrício Baptista da Luz.
Tomou parte da “Abrilada”, um princípio de levante contra o interventor João Alberto Lins de Barros, ocorrido em 28 de abril de 1931 em algumas guarnições da Força Pública na capital paulista.
Em 9 de julho de 1932, por ocasião da deflagração da Revolução Constitucionalista, servia na 4ª Cia do 9º Batalhão de Caçadores Paulistas (9º B.C.P.), de Bauru, comandado pelo major Genésio de Castro e Silva. Aderiu ao levante e rumou para a frente de combate em 14 de julho, rumo a Ourinhos junto com parte do seu batalhão. Na fronteira com o Paraná, desde Palmital até Itaporanga enfrentaram as tropas governistas mistas, comandadas pelo major do Exército João Francisco Pereira de Souza.
Inicialmente se concentraram na ponte do Rio Paranapanema em Chavantes, a divisa com o Paraná, com a incumbência de defender a linha Chavantes-Itaporanga, no flanco esquerdo, constituindo uma segunda coluna do destacamento do coronel Pedro Dias de Campos, cujas forças respondiam pelas defesas da região do Baixo Paranapanema.
No final de julho de 1932, Naul de Azevedo iniciou a abertura de uma cabeça de ponte sobre o território paranaense para consolidar as defesas do extremo flanco direito do destacamento. Em 18 de julho, antes de ingressar em território paranaense, lançou boletim distribuído nas cidades do norte do Paraná, dirigido aos oficiais e praças da Força Pública do Estado do Paraná, sob título Camaradas da Força Pública do Estado do Paraná, conclamando sua adesão à Revolução Constitucionalista.
Em 31 de julho ocupou a cidade de Ribeirão Claro, onde a tropa paulista foi bem recebida pela população, solidários com os paulistas na causa Constitucionalista. Ainda naquela cidade obteve a adesão das autoridades locais e de diversos voluntários que formaram um batalhão local e incorporaram-se a sua coluna de combatentes, conforme comunicado da época do prefeito ao Governador Pedro de Toledo:
Na sequência iniciou a tomada das cidades de Jacarezinho, Bandeirantes, Santo Antônio da Platina, de Cambará e da Vila de Leoflora, porém, nessas localidades enfrentou razoável resistência das guarnições locais leais ao Governo Federal.
Em 4 de agosto, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, durante uma patrulha com 10 homens nas proximidades da ponte do Rio Jacarezinho, teve contato uma tropa governista dando combate por doze horas, que resultou na fuga dos adversários e na tomada das duas cidades. A tomada de Jacarezinho, Santo Antonio da Platina e Bandeirantes contou com o concurso do Batalhão de Presidente Prudente, comandado pelo tenente-coronel Miguel Brisolla de Oliveira, que assumiu a defesa daquelas três cidades. A defesa em Cambará foi entregue a uma Cia de Granadeiros do Batalhão Floriano Peixoto e Ribeirão Claro assumiu as tropas do 1º tenente Naul de Azevedo. Com isso, consolidaram a posição do extremo flanco direito da linha de defesa paulista. Porém, com a escassez de munição e recursos gerais para as tropas e perda da importância tática, o tenente recebeu ordens do Chefe do Estado-Maior da Força Pública para recuar para território paulista, o que ocorreu por volta de 10 de agosto. Após a travessia dinamitaram as pontes fronteiriças do Rio Paranapanema, e tomaram posições na margem paulista, aproveitando as defesas naturais.
Ao longo da campanha militar sua coluna acumulou um grande contingente de combatentes, reunindo alguns batalhões de voluntários, como os de Presidente Prudente e Chavantes. Ainda durante o conflito chegou a ser comissionado major.
Em setembro de 1932, com o recrudescimento da ofensiva do Exército Federal, a sua coluna tomou parte de uma série de combates na região do Rio Paranapanema. No início daquele mês, rechaçou as tropas do tenente Pimpão, na localidade de Maria Ferreira, na região de Chavantes e Fartura. Mais ao norte, na região entre Salto Grande e Ourinhos, os governistas tentaram outra incursão, sendo repelidos pelas forças constitucionalistas, recuando para o Paraná. Também em Bello Monte (atual município de Tejupá) e Ribeirópolis (atual Taguaí) houve novas incursões malogradas de tropas governistas, que forçaram a linha de defesa entre Piraju e Fartura. As tropas inimigas na região totalizavam na ocasião cerca de 1.200 homens. As tropas do 1º tenente Naul de Azevedo, em menor número, conseguiram repelir os adversários usando morteiros e granadas de mão, causando diversas baixas. Em meados daquele mês, as tropas paulistas daquela região foram reforçadas com cerca de 400 homens do esquadrão da reserva do 2º R.C.D. comandados pelo 1º tenente do Exército Corrêa Velho, que tomaram parte dos em Ribeirópolis.
Ao final de setembro o destacamento do coronel Pedro Dias de Campos, do qual a sua coluna fazia parte, ainda controlava a região dos municípios de Santa Cruz do Rio Pardo e Avaré, onde a linha de defesa dessas tropas situava-se às margens do Rio Pardo e Rio Paranapanema. Continuou nos combates até 4 de outubro, dois dias após a assinatura do acordo que encerrou o conflito, na ocasião cobriu a pé com seus homens a retirada geral das tropas da região. Findo os combates, retornou ao quartel do 9º B.C.P. em Bauru.
Em março de 1935, o tenente-coronel do Exército Adolfo Cunha Leal, chefe do Estado-Maior do destacamento do coronel Pedro Dias de Campos na Revolução Constitucionalista, em artigo na imprensa onde se defendeu de acusações do capitão do Exército Corrêa Velho, sobre fatos relativos àquele conflito, utilizou o testemunho do capitão Naul de Azevedo para refutar as alegações. Nesses relatos deu detalhes do combate ocorrido entre 18 e 19 de setembro de 1932 em Ribeirópolis (hoje município de Taguaí), onde foi ferido pela segunda vez:
Era assíduo participante dos eventos cívicos, militares e comemorativos relativos à Revolução Constitucionalistas, além de eventos especiais em homenagens a ilustres chefes da Revolução. Atuou também no apoio às famílias de ex-combatentes. Entre os anos 1940 e 1950 ainda integrou diretoria da Associação de ex-combatentes de São Paulo.
Em 19 de julho de 1933 foi promovido a capitão, por merecimento, por ato do interventor militar no Estado, o general Waldomiro Lima. Contudo, esse decreto foi revogado posteriormente após a saída daquele interventor. Entre maio e junho de 1935 serviu como ajudante de ordens do comandante geral interino da Força Pública, o coronel Arlindo de Oliveira. Foi enfim promovido a capitão, por antiguidade, em 9 de abril de 1936, por decreto do Governador Armando Salles de Oliveira. Pelo motivo de sua promoção foi homenageado num evento organizado por amigos e colegas da corporação. Em 31 de julho de 1936 foi classificado na 1ª Cia do 6º B.C.P. de Santos.
Entre 1935 e 1936 serviu como ajudante de ordens do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, o sr. Arthur Leite de Barros Junior. Ainda em 1936 retornou ao mesmo posto, quando Ignácio da Costa Ferreira assumiu aquela Pasta de Governo. Em 4 de dezembro de 1937 saiu do cargo e foi na sequência classificado no 3º B.C.P. da Força Pública, sediado em Ribeirão Preto, por necessidade de serviço. Em 10 de maio de 1938 foi transferido para o C.B., também pelo motivo anterior.
Em 1937 criou a “Revista dos Militares” da qual foi diretor.
Em 1941 e 1942 comandou a 2ª Zona do Corpo de Bombeiros da Força Pública de São Paulo. Entre 1941 e 1946, paralelamente a sua atuação policial, dirigiu a sucursal de São Paulo da revista fluminense Visão Brasileira.
Entre 1945 e 1946 foi comandante em comissão na Polícia Especial em São Paulo.
Em 15 de outubro de 1947 foi promovido a major.
Em 1951 obteve a patente de tenente-coronel e classificado para o comando do 7º Batalhão da Força Pública do Estado.
Em 1953 chefiou o Serviço de Material Bélico da Força Pública Paulista. Em 29 de dezembro daquele ano, por ato do Governador do Estado, foi promovido a coronel.
Em 1954 comandou o batalhão policial. Naquele período também assumiu a direção da revista "Vigilância", revista dedicada à cultura paulista. Ainda naquele ano passou para a reserva da Força Pública do Estado.
Nas Eleições Estaduais de outubro de 1954 candidatou-se para deputado na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) pelo PTN.
Entre 1956 e 1959 foi 1º vice-presidente da Cia de Armazéns gerais.
Em 1959 foi interventor nos frigoríficos de Guarulhos e Cruzeiro durante crise de abastecimento de carne no Estado de São Paulo.
Faleceu na cidade de São Paulo em 5 de dezembro de 1974, aos 70 anos de idade. A Missa de Sétimo Dia foi realizada na “Capelania” da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Era casado com Isis Maria de Castro Monteiro de Barros Azevedo, uma bisneta do Barão de Leopoldina Manuel José Monteiro de Castro. Com sua esposa teve dois filhos: Antônio Carlos de Azevedo e Cláudia Maria de Azevedo.