Categoria:Bibliotecas de Portugal A Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro integra a Rede de Bibliotecas Municipais de Lisboa e localiza-se no centro histórico de Telheiras. Ocupa um conjunto edificado resultante da reconversão e ampliação do Solar da Nora, do século XVIII.Nova biblioteca
História
Origens Junto ao Convento da Porta do Céu e à Quinta de São Vicente, em Telheiras, construiu-se no século XVIII o Solar da Nora, um edifício rústico com características de palacete. O conjunto situa-se paralelamente à antiga Estrada de Telheiras.
Descrição
Projecto arquitectónico Para criar um pólo de leitura pública na zona, a Empresa Pública de Urbanização de Lisboa convidou o arquitecto Duarte Nuno Simões, em Maio de 2000, para projectar a adaptação da antiga moradia agrícola. O projecto exigiu uma revisão profunda, pois as necessidades funcionais não cabiam na estrutura original, que à data, segundo o arquitecto, "era um destroço completo".
Para resolver a falta de espaço, o arquitecto optou por ocupar a zona poente do pátio de entrada, criando uma estrutura de raiz para acolher os novos espaços necessários. Em 2002, iniciaram-se os complexos trabalhos de restauro e remodelação do edifício setecentista, em simultâneo com a construção do novo bloco. O autor do projecto justificou assim a sua abordagem estética e estrutural:com uma afirmação que é, também, uma crença: tudo o que de novo se fez neste conjunto assumiu sem complexos a linguagem do seu tempo – do meu tempo – usada de tal modo que não entrasse em conflito com o edifício pré-existente e o respeitasse: julgo que o 'casamento' entre as duas linguagens terá sido e será um casamento feliz dando origem a um ente que, espero, honre a cidade de Lisboa e os seus cidadãos. miniaturadaimagem|Solar da Nora (à esquerda) e capela e paço da Quinta de São Vicente (à direita)
Inauguração e homenagem a Orlando Ribeiro A biblioteca foi inaugurada a 18 de Dezembro de 2003, numa cerimónia que contou com o então presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Pedro Santana Lopes, que disse:Esta biblioteca é um espaço privilegiado de descoberta, de cultura e de encontro. É um espaço pensado para as necessidades do presente e os desafios do futuro, sem esquecer a riqueza do passado. Um espaço que será, sem dúvida, uma referência para a comunidade e, certamente, um modelo a seguir na política da promoção do livro e da leitura.O edifício homenageia Orlando Ribeiro, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e prestigiado geógrafo e historiador que se destacou pelo rigoroso trabalho de campo, e ainda pela vasta colecção fotográfica e gosto pela música.
A geógrafa Suzanne Daveau, geógrafa franco-portuguesa viúva do referido humanista, relata a biblioteca como "tranquila, acolhedora, de porta sempre aberta, a Biblioteca conheceu um imediato e sustentado sucesso, que muito teria agradado ao homenageado". Refere ainda, a propósito da ligação entre o seu marido e os livros, que "Ribeiro foi [...] desde a infância, grande frequentador das bibliotecas públicas ao seu alcance, tanto no jardim da Praça do Príncipe Real, no bairro lisboeta de São Mamede, como em Viseu durante as férias."
A homenagem foi além da atribuição do seu nome ao espaço cultural. Daveau descreveu assim as várias iniciativas comemorativas da época:O projecto inicial de homenagem era ambicioso: duas exposições e um ciclo de colóquios sobre as múltiplas facetas da vida e da obra de Orlando Ribeiro. Sem esgotar os possíveis temas, a lista proposta em Outubro de 2003 era aliciante, de modo que aderi com entusiasmo quando me foi proposto tomar conta da sua realização [...] Ainda se podia pensar noutros temas, como as ligações de Orlando Ribeiro com Espanha, Brasil ou África, ou as suas preocupações sobre religião e organização social. Foram além disso projectados, em Outubro de 2004, novos ciclos de conferências, a organizar pelo Centro de Estudos Geográficos da Universidade de Lisboa.Os "colóquios" realizados por homenagem a Orlando Ribeiro incidiram sobre os temas: Orlando Ribeiro, Geógrafo; Orlando Ribeiro, Encontros e Desencontros com a Política; Orlando Ribeiro, Historiador; Orlando Ribeiro, Da Fotografia ao Documentário; Orlando Ribeiro, Encontros com a Antropologia; Orlando Ribeiro, Da Terra; e Orlando Ribeiro, Percursos Biográficos".
A biblioteca O complexo divide-se em duas construções de épocas diferentes, partilhando uma fachada de 66 metros. Apesar da diferença de idades, o arquitecto nivelou as cérceas para criar uma imagem visual unitária. No entanto, o ritmo das janelas e portas distingue claramente cada fachada. A poente fica o novo edifício; a nascente, a parte do século XVIII. miniaturadaimagem|Painel de azulejos de Maria Keil, no pátio da entrada A ligação entre ambas faz-se pelo pátio original de entrada. Sobre este acesso, integrando a fachada principal e unindo a arquitectura histórica à contemporânea, existe uma ponte pedonal coberta. Este passadiço, acessível pelo interior do palacete ou por uma escada exterior, liga directamente ao piso superior da ala nova. No pátio, há ainda um painel de azulejos da ilustradora Maria Keil, intitulado Festa.
Edifício Nascente O antigo edifício agrícola e senhorial fica à direita da fachada principal e acolhe a recepção. O seu interior tem várias pequenas divisões, destinadas sobretudo aos serviços para adultos. A fachada manteve a cantaria original do século XVIII, com janelas de peito no rés-do-chão e de sacada no primeiro andar.
No rés-do-chão, o espaço organiza-se em torno de um pátio central envidraçado, com vestígios do século XVII. Este núcleo exibe a estrutura metálica da antiga nora e o seu poço, preservando a memória do edifício ao longo dos dois primeiros pisos. O ambiente histórico é reforçado por esculturas em pedra, fragmentos de frescos e painéis de azulejos do século XVIII.
A biblioteca tem quatro salas de leitura. Duas ficam no primeiro andar, à volta do pátio interior, junto a um saguão ao ar livre e ao antigo acesso à garagem (agora sala de arquivo). As outras duas situam-se no segundo andar, onde existe também um terraço fechado ao público.
Acervo documental e fonoteca A biblioteca possui um grande acervo de publicações periódicas, monografias e suportes digitais. Reflectindo os interesses do seu patrono, destaca-se a bibliografia sobre fotografia, viagens e geografia. O espaço também acolhe a antiga Fonoteca Municipal de Lisboa, antes situada no Saldanha.
Este departamento é dedicado à informação musical. O catálogo, pesquisável nos computadores locais, reúne cerca de 22.000 fonogramas em CD e DVD. O espólio inclui vários géneros: música clássica, pop, rock, blues, jazz, música tradicional e infantil. A secção permite o empréstimo domiciliário e a consulta local de plataformas digitais, discos de vinil, partituras e literatura especializada, contando com o apoio técnico permanente de musicólogos. Este arquivo serve de base para várias actividades culturais, promovendo exposições temporárias e dinâmicas para crianças e famílias, em articulação com a comunidade.
Edifício novo: auditório e secção infantil A ala poente, construída para resolver a falta de espaço do edifício antigo, acolhe os equipamentos maiores. A entrada no rés-do-chão faz-se por um foyer com bar que dá acesso ao auditório. Esta sala de espectáculos tem lotação máxima de 140 lugares sentados e dois espaços para pessoas com mobilidade reduzida. O recinto segue o modelo de cena à italiana, com palco central fixo, plateia e régie na retaguarda. Está equipado para teatro, dança, música, debates e conferências. Actualmente, o auditório é gerido de forma independente da biblioteca, embora esta mantenha algum tempo de utilização do espaço.
O primeiro andar do novo edifício, acessível pela ponte coberta, é dedicado ao sector infanto-juvenil e divide-se em duas salas. A sala Gente Pequena, para crianças dos 2 aos 7 anos, é um espaço amplo com mesas e cadeiras pequenas para actividades como a hora do conto, além de uma zona mais resguardada. A sala Gente Palmo e Meio, para jovens dos 8 aos 14 anos, tem paredes forradas de estantes com livros organizados por temas, oferecendo boas condições para estudo e leitura.