Fernando Leite Mendes (Ilhéus, 6 de fevereiro de 1931 — Rio de Janeiro, 9 de agosto de 1980), filho de Maria Augusta e José Aristides Leite Mendes, foi um jornalista, cronista, radialista e apresentador de TV. "Jornalista de talento excepcional, de Salvador seguiu Fernando Leite Mendes com sua vocação para o Rio onde, nos anos em que residiu na metrópole, nunca esqueceu as raízes baianas, sintonizadas em Ilhéus e Salvador. Em terras cariocas, no seu voo de homem inteligente, se impôs como editor, redator e cronista dos principais veículos da imprensa." "Havia nele uma permanência de bom gosto e de clareza expositiva, onde forma e conteúdo viviam unidos, numa linguagem siamesa que ele reinventou e da qual se utilizava com uma simplicidade exasperante."Raul Giudicelli, "O retrato do ausente", Revista Nacional n. 176 (11-17/4/1982) do Jornal do Commercio.

Biografia Aos 14 anos publicou sua primeira crônica no Diário da Tarde.Nota de falecimento no Jornal do Brasil de 10/8/80, p. 38 do primeiro Caderno. Em 1948 foi presidente da Associação dos Estudantes Secundários da Bahia (AESB).O Momento, 27 de fevereiro de 1948, acessado na Hemeroteca Digital. Na década de 1950, como repórter político do jornal Última Hora, cobriu a campanha presidencial do candidato pela coligação PSD-PTB Juscelino Kubitschek no interior do país."Norte do Paraná, mitologia e oeste americano sobre campos de café. A poeira vermelha cobrindo o asfalto novo das estradas e incendiando a imaginação. Eu era repórter de um jornal do Rio e estava acompanhando a viagem eleitoral de um candidato à Presidência da República. Corria o ano da graça de 1955; corriam também rumores de golpe: mudam os anos mas isso não muda." Crônica "As Tartarugas em Flor", Correio da Manhã, 25 de junho de 1965. Sobre ele, escreveu na matéria "Afinal, Quem É Esse Juscelino?", na Última Hora de 14/6/1955:

Em 1954, publicou a coluna A POESIA DO ASFALTO na revista O Mundo Ilustrado. Em 1964 e 1965, colaborou assiduamente com o jornal Correio da Manhã, publicando, além de reportagens, uma coluna semanal de crônicas, SEXTA-FEIRA, ESTÓRIAS. Crítico da então chamada Revolução, o golpe militar de 1964, em "O Besouro Subversivo" (Correio da Manhã, 27 de novembro de 1964) vale-se de uma narrativa kafkiana para alfinetar o regime:

Em 1965, foi apresentador do programa Telesemana na TV Globo. Em 1966, editou a revista Posto de Serviço e em 1967 foi diretor de T - Revista Brasileira de Turismo. Nessa época, chefiou a equipe de relações públicas da agência publicitária Rio Propaganda. Teve uma participação especial no filme de Maurício Gomes Leite A Vida Provisória de 1968, no papel de Ministro de Assuntos Exteriores. Colaborou com o jornal Diário de Notícias de 1971 a 1976, inicialmente com uma coluna semanal intitulada "Fernando Leite Mendes aos sábados". Na crônica inaugural da coluna, em 31 de julho de 1971, escreveu:

A partir de 1972, sua coluna passou a ser diária, intitulada "FERNANDO LEITE MENDES". Nessa época escrevia editoriais para o jornal Última Hora sob o pseudônimo Hélio Werneck.Coluna Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa, 12/4/1973. Mais à frente, na tentativa de atingir um público mais amplo, passou a atuar assiduamente no rádio e televisão. Em 1976-77, o programa Abertura da TV Educativa, canal 2, apresentava regularmente crônicas de Fernando Leite Mendes. Foi apresentador do programa "Aqui e Agora" da TV Tupi até o fechamento desse canal em julho de 1980, "o único programa que acredita em disco-voador", nas palavras de "o poeta", como Fernando Leite Mendes era chamado pelos colegas.Mara Caballero, "Kitsch", "Happening", o Mau Gosto Bem-Sucedido, Jornal do Brasil, 11 de maio de 1980, Caderno B, p. 10. Participava do Debate Popular do programa Haroldo de Andrade na rádio Globo. Segundo Artur da Távola, "O rádio primeiro e depois a TV praticamente fizeram renascer um homem: Fernando Leite Mendes. Quando começou nos 'Debates Populares' de Haroldo de Andrade na Rádio Globo, Fernando era uma pessoa magoada e ressentida com a falta de repercussão e reconhecimento após muitos anos de jornalismo escrito. Boêmio, jamais tratou de juntar seus escritos. Esbanjava talento a varejo, frases soltas, fechos de editoriais. Perdia qualquer coisa, menos a boa frase."Crônica acessada no blog Wilson Mendes: A notícia atualizada diariamente, no blogspot.

Sobre Fernando Leite Mendes diz Cyro de Mattos: "Intensamente humano, autêntico lírico que gostava de expressar o lado encantador da vida, com uma capacidade de falar de modo simples e, ao mesmo tempo, sedutor e culto, de gesto solidário e terno, o tempo não quis que esse amanuense da palavra vivesse mais anos aqui entre os humanos."

Morte Morreu de infarto do miocárdio a caminho do Hospital Souza Aguiar, no Centro carioca. Foi enterrado no Cemitério do Campo Santo, em Salvador. Quando morreu, morava no bairro carioca de Santa Teresa, à Rua Almirante Alexandrino, 177, numa casa antiga que apelidou de Mansão do Rato Molhado, devido à proximidade do mirante com este mesmo nome.Informação fornecida pelo filho Wilson Leite Mendes.

Obras Os olhos azuis de D. Alina e algumas crônicas, coletânea de 50 crônicas publicadas postumamente em 1985 pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. O gigante e a bicicleta e outras belas crônicas, seleção e organização de Cyro de Mattos e Ivo Korytowski, Editora Via Litterarum, 2020.

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