Mawaca é um grupo musical de São Paulo que pesquisa e recria, em arranjos próprios, a música das mais diversas culturas do mundo dirigido por Magda Pucci.

O grupo é formado por sete cantoras que interpretam canções em mais de vinte línguas, acompanhadas por um grupo instrumental acústico composto por sanfona, violoncelo, flauta, saxofones e contrabaixo, além de instrumentos de percussão, como congas, berimbau, tablas indianas, derbak, djembê, cajón, vibrafone e pandeiros diversos.

Foi criado por Kitty Pereira e Magda Pucci, nos primórdios dos anos 1990, como um grupo de estudos e experimentações. O grupo se estabeleceu profissionalmente em 1995, quando realizou seus primeiros shows oficiais no Teatro Hall e no Teatro Paulista.

O repertório do grupo é formado por músicas de diversas partes do globo: Japão, África, Mediterrâneo, Bálcãs, Índia, Oriente Médio, entre outras, com especial foco para a música indígena brasileira. São temas tradicionais que revelam as muitas sonoridades do mundo, buscando sempre estabelecer e revelar conexões com a música brasileira.

Com sete álbuns, três DVDs e dois livros, o grupo já se apresentou na Alemanha, Espanha, em Portugal, na Grécia, França, Bolívia e China, e em várias cidades e estados brasileiros.

Em 2003, foi selecionado para integrar a programação artística da feira internacional de música Womex. Ganhou duas vezes o prêmio PPM (Profissionais da Música): em 2016, na categoria de melhor Grupo de Cultura Popular e em 2019, na categoria de Melhor Grupo Vocal. Em 2012, levou o prêmio de melhor performance no World Leisure Expo, em Hangzhou, China.

O grupo tem realizado intercâmbios com músicos de diferentes localidades do globo. Carlos Núñez (Galícia), We Like We (Dinamarca), Uxía Senlle (Espanha), Né Ladeiras (Portugal), Sutari Band (Polónia), Yair Dalal (Israel) e Rinken Band (Japão) são alguns artistas que já estiveram em projetos com o Mawaca.

Integrantes

Magda Pucci - cantora, arranjadora, pesquisadora e diretora musical (1992 até hoje) Gabriel Levy - sanfona (1996 até hoje) Armando Tibério - tablas, berimbau, congas (1997 até hoje) Zuzu Leiva - cantora (1997 até hoje) Angélica Leutwiller - cantora (1998 até hoje) Cris Miguel - cantora (1998 até hoje) Cristina Guiçá - cantora (1998 até hoje) Ana Eliza Colomar - violoncelo e flauta (1998 até hoje) Ramiro Marques - saxofones (1998 até hoje) Valéria Zeidan - vibrafone, djembê e frame drums (1997 até hoje) Rita Braga - cantora (2009 até hoje) Ricardo Zoyo - contrabaixo (2015 até hoje)

Destaques na carreira

A estreia profissional do grupo Mawaca (ainda com K na grafia) se deu com o show Dos Cantos Pigmeus às Canções Escocesas, no Teatro Hall e no Teatro Paulista, em 1995. No ano seguinte, com a primeira formação: Kitty Pereira, Magda Pucci, Fabiana Lian, Marta Espírito Santo, Valéria Piccoli, Christiane Mariano, Rosana Araújo e Viviane Querino, o grupo apresentou o espetáculo cênico Sequenzas, sob direção cênica de Kleber Montanheiro, no Teatro Tuca-Arena, e participou do Festival Internacional de Música Antiga e Tradição Oral em Curitiba.

Primeiro álbum – Projeto com faixa multimídia Em 1998, com nova formação, o grupo lançou seu primeiro álbum, CD-Plus Mawaca, no Instituto Cultural Itaú e na Livraria Ática, com apoio de Lei de Incentivo à Cultura do Estado de São Paulo. Esse espetáculo teve direção cênica e figurinos de Kleber Montanheiro. O primeiro trabalho do Mawaca procura enfatizar, de modo panorâmico, a diversidade musical do mundo, e percorre da África ao mundo celta. O álbum inclui uma faixa multimídia, de conteúdo lúdico e educativo, feita por Maurício Nacif, com pesquisa musical de Magda Pucci e pesquisa iconográfica de Itamar Vidal, onde cada música é abordada em seu contexto cultural. No mesmo ano, Mawaca participou do Festival de World Music, com curadoria de Jean Yves de Neufville, no teatro do Sesc Vila Mariana, ao lado de artistas da World Music, como o grupo inglês Baka Beyond, o iraniano Jamshied Sharifi, o senegalês Baaba Maal e o marroquino Hassam Hakmoun. Em 1999, o grupo abriu o show para a Rinken Band de Okinawa, a convite da Fundação Japão, também no teatro do Sesc Vila Mariana.

Segundo projeto – astrolabiotucupira.com.brasil Em 2000, o grupo lançou seu segundo álbum, astrolabiotucupira.com.brasil, em espaços de São Paulo, como o teatro do Crowne Plaza, Sesc Pompeia e Centro Cultural São Paulo. Gravado no Estúdio Zabumba por André Magalhães, o segundo CD do Mawaca traz canções que representam o movimento migratório que constituiu a identidade cultural brasileira. Além de trazer um exemplo de música dos povos originários, a canção "Koi Txangaré", dos Paiter Suruí, o álbum foi concebido a partir da ideia do astrolábio, instrumento de navegação que trouxe para o Brasil os portugueses, árabes, japoneses, espanhóis, italianos e africanos escravizados. No repertório, canções representativas dessas culturas, como "Cangoma", "Maçadeiras", "Sopros do Oriente", "Qyria Yefefyia", "Nihon Pizzi" e "Roxinha da Sanabria". O álbum conta com a participação especial da cantora portuguesa Né Ladeiras, em "Alvíssaras" e "Reis"; do compositor e cantor maranhense Tião Carvalho, na faixa "Cacuriá"; do baixista Célio Barros, nas faixas "Vinheta Astrolábio" e "Cangoma" e do grupo de percussão Meninos do Morumbi nas músicas "Aguerê de Iansã", "Tambores de Mina" e "Maracatus" (coletados por Guerra-Peixe). O CD foi lançado pela Ethos Music no teatro do Sesc Pompeia.

Trilha Os Lusíadas - terceiro álbum Em 2001, Magda Pucci foi convidada a compor a trilha do espetáculo Os Lusíadas, uma produção de Ruth Escobar que estreou na Estação das Artes, em São Paulo, com elenco de 53 atores e direção de Iacov Hillel. Magda musicou poemas de Luís de Camões adaptados pelo dramaturgo José Rubens Siqueira.

A trilha sonora contou com a colaboração dos músicos do Mawaca, Cíntia Zanco, Ramiro Marques e Itamar Vidal (autores e arranjadores) e foi gravada com arranjos orquestrais, originando Os Lusíadas, terceiro CD do grupo, lançado em 2002 no Teatro Arthur Rubinstein e no Sesc Belenzinho com a participação da Orquestra Sinfonia Cultura regida pelo maestro João Mauricio Galindo. O concerto foi gravado e exibido pela TV Cultura.

Logo na sequência, o grupo apresentou-se pela primeira vez no Theatro Municipal de São Paulo, em evento organizado pela Casa de Portugal de São Paulo, com a participação da cantora portuguesa Né Ladeiras e acompanhamento de orquestra de cordas, tendo os músicos Swami Jr. e Simone Sou como convidados. Em 2005, esse repertório foi apresentado novamente com a Orquestra Jovem de Guarulhos sob a regência de Emiliano Patarra.

Rock in Rio e CD Mawaca-Remix Em 2001, Mawaca apresentou-se na Tenda Raízes, no Rock in Rio, ao lado de grandes artistas da World Music como Régis Gizavo (Madagascar), Henri Dikongué (Camarões), Thierry Robin (França), Tyours Gnawas (Marrocos), Companyia Electrica Dharma (Espanha) e Värttinä (Finlândia). Na ocasião, foi lançado, pela MCD, seu CD de remixes, produzido por Alex Antunes. O CD possui faixas produzidas por Mauricio Bussab, anvilFX (aka Paulo Beto), André Abujamra, Andrea Gram, entre outros. Houve uma segunda tiragem desse CD para a Caixa Mawaca 10 anos, dessa vez lançado pela Ethos Music e ampliado com mais três remixes: a canção "Tango dos Chavicos", pelo coletivo Visavis; a música de Hokkaido, "Soran Bushi", por Marcos Xuxa Levy e "Acometado", por Paulo Bira, baixista da banda.

Quarto projeto – Pra todo Canto Em 2003, foi gravado o CD Pra Todo Canto, no Estúdio Zabumba, por André Magalhães. O trabalho foi lançado no Teatro Tuca-Arena, em São Paulo, em 2004. Em 2005, foi a vez do DVD Pra Todo Canto, gravado ao vivo no teatro do Sesc Pompeia e lançado no ano seguinte no Sesc Vila Mariana. O repertório apresenta exemplos de diferentes tradições musicais, com destaque para "As Sete Mulheres do Minho", do compositor e poeta português Zeca Afonso; o tema indígena "Akoj té", dos Ikolen-Gavião que, no arranjo, se encontra com a cantiga japonesa "Hotaru Koi"; e o canto sefardita "Tango dos Chavicos", com participação de Thomas Howard no violão flamenco. Já em "Boro Horo", o grupo reúne em uma só faixa "Hirigo", um canto das mulheres indígenas Tupari, o horo búlgaro "Bre Petrunko" e a canção de runa finlandesa "Suuret Ja Soriat". O CD foi lançado pela Azul Music, relançado pelo selo independente Ethos Music e se tornou o CD mais vendido do grupo. O espetáculo Pra Todo Canto teve cenografia de Kiko Junqueira e Silvana Marcondes e figurinos de Cecília Borelli. O grupo apresentou esse trabalho em diversos projetos e lugares do Brasil, como: unidades do Sesc - SP; projeto Café Filosófico, em Campinas, com curadoria de Arrigo Barnabé; Festival Vox Brasilis; Centro Cultural Banco do Brasil, no Projeto Encantadeiras, sob curadoria de Lu Araújo; Centro Cultural Justiça Federal, no Rio de Janeiro; Teatro Adamastor em Guarulhos; projeto de concertos didáticos Horizontes Musicais do Projeto Guri Santa Marcelina, na Sala São Paulo; projeto São Paulo de todos os povos, no Museu da Casa Brasileira.

Incursões pelo mundo sonoro indígena e projeto Rupestres Sonoros alt=|miniaturadaimagem|Show Mekaron. Mawaca e Kayapó Sesc Pompeia Foto: Amanda Moraes.O Mawaca tem incluído músicas indígenas em seu repertório desde o início da carreira. Magda Pucci, diretora do grupo e também antropóloga, tem especial interesse por essa temática, o que levou o grupo a conhecer e a participar de vários eventos e shows com a colaboração de artistas de diferentes povos indígenas. A primeira música indígena gravada foi "Koi Txangaré" do povo Paiter Suruí, no álbum astrolabiotucupira.com.brasil, em 2000. Dois anos depois, Mawaca fez o show de abertura do evento Amazônia.br no Sesc Pompeia, e teve a oportunidade de apresentar pela primeira vez, ao lado de Tetê Espíndola e Marlui Miranda, alguns temas desse repertório. No CD Pra Todo Canto, consta "Akoj té", um canto dos Ikolen-Gavião, que seria regravado no CD Rupestres Sonoros. Em 2004, os indígenas Wauja do Xingu foram a São Paulo participar do Fórum Mundial e se apresentaram junto ao Mawaca, com participações do músico curdo Şivan Perwer e de Carlinhos Antunes, no teatro do Sesc Vila Mariana.

Como fruto do amadurecimento da pesquisa, veio o CD Rupestres Sonoros – O Canto dos Povos da Floresta, produzido por Marcos Xuxa Levy e Paulo Bira. O repertório apresenta parte da diversidade musical dos povos indígenas brasileiros, com recriações e arranjos contemporâneos para canções dos povos Paiter Suruí, Ikolen-Gavião, Pakaa Nova de Rondônia, Kayapó do Xingu e Huni Kuin do Acre. Além dos cantos tradicionais indígenas, Magda Pucci compôs três peças inspiradas em nomes de povos indígenas: "Asurini", "Tupari" e "Waiko Koman". O compositor francês Philippe Kadosch compôs o tema "Mawaca", que abre o trabalho e conta com participação especial de Tetê Espíndola. Destaque também para a participação de Marlui Miranda na faixa "Matsa Kawa", do povo Huni Kuin. O CD foi lançado em show no Auditório Ibirapuera, em 2009.

Em 2009, O CD Rupestres Sonoros ficou em quarto lugar no ranking do World Music Charts, e ganhou uma crítica na revista inglesa Songlines pelo crítico Jill Turner. O CD recebeu também uma boa crítica do jornalista português Luis Rei, na coluna Crônicas da Terra.

Em 2010, o grupo gravou o DVD Rupestres Sonoros ao vivo no Auditório Ibirapuera, com participações de Marcos Xuxa Levy e Carlinhos Antunes, cenografia de Silvana Marcondes, videocenário de Panais Bouki e figurinos de Jessica Vidal. No ano seguinte, o grupo relançou esse DVD na celebração de seus 15 anos em show no Sesc Pinheiros.