Tatiana Nascimento (Brasília, 1981) é uma escritora, tradutora, cantora, poeta, slammer, cantora e compositora brasileira. Escreve, investiga e publica livros de autoras negras e LGBT. É idealizadora e co-fundadora da padê editora. Foi finialista do prêmio Jabuti de poesia de 2022, com o livro Palavra Preta (2021). Venceu o Prêmio Pallas de Literatura em 2024, sendo premiada com a publicação de seu primeiro romance e décimo-oitavo livro, Água de maré (Pallas, 2025).
O seu livro lundu, foi uma das publicações selecionadas pelo Projeto Nacional Leia Mulheres na categoria Melhores Livros de 2016. Também realiza de forma experimental em audiovisual.
Criadora do conceito cuírlombismo literário (também grafado como "cuíerlombismo", ou "kuírlombismo"), propõe com o termo uma remitologização da dissidência sexual como parte fundante do imaginário ancestral da diáspora negra; e um novo parâmetro interpretativo da produção artística feita por pessoas negras LGBTQIs simultaneamente a partir e em ruptura com o paradigma dor/resistência/denúncia apontado pelo cânone de crítica/teoria literária como fundante da literatura negra brasileira.
A autora se identifica com o gênero não binário.
Percurso Tatiana Nascimento nasceu em 1981 em Brasília.
Nascimento é licenciada em letras – português pela Universidade de Brasília (UnB).
Em 2014 doutorou-se em estudos da tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com a tese Letramento e tradução no espelho de Oxum: teoria lésbica negra em auto/re/conhecimentos, sob orientação de Luciana Rassier.
Em 2015, cofundou com Bárbara Ismenia a padê editorial, um coletivo editorial dedicado à publicação de livros artesanais/cartoneros de autoras negras e/ou LBTs – lésbicas, travestis, trans e bissexuais.
Também em 2015, Nascimento idealiza, cofunda (com Valéria Matos) e produz o Slam das Minas DF, em Brasília — a primeira batalha de poesia falada exclusiva para mulheres e lésbicas no Brasil, que se tornou também um movimento ativista.
Em 2017, cofundou a Palavra Preta – Mostra Nacional de Negras Autoras, que realiza anualmente. Esta mostra surgiu de um convite da cantora baiana Luedji Luna e foi intitulada a partir do zine de poesia "palavra preta", que Nascimento escreve desde 2015. A primeira edição da Mostra Palavra Preta, em Salvador, teve uma participação de 300 pessoas nos três dias de programação. A segunda edição, em 2018 teve lugar no Festival Latinidades, em Brasília, com a participação de Kati Souto, Nina Ferreira e Jorge Maravilha.
Em 2018, Tatiana Nascimento coordenou o atelier de poesia LGBT Do dever de sofrer, ao direito de sonhar, na Oficina Cultural Oswald de Andrade em São Paulo, como laboratório de leitura e produção de texto a partir das existências negras e dissidentes.
Também nesse ano, Tatiana foi convidada pela Embaixada da Suécia no Brasil e pela ONU Mulheres para apresentar a cerimónia de abertura da exposição “Pais presentes: a paternidade ativa na Suécia e no Brasil”, realizada no âmbito da iniciativa ElesPorElas (HeForShe). O evento contou com a presença de representantes do Governo do Distrito Federal, do Metrô de Brasília, da ONU Mulheres e da Embaixada da Suécia.
Enquanto educadora ministra o curso “privilégio branco: uma questão feminista?”, primeira formação brasileira sobre o tema de branquitude, colonialidade e racismo estrutural, que já teve mais de 100 turmas desde 2019, quando iniciado.
Obra Em 2025, a autora estreia na prosa literária com o romance água de maré, vencedor da primeira edição do Prêmio Pallas de literatura (2024), depois de 17 títulos publicados desde 2016, quando lança seu primeiro poemário.
Seu primeiro álbum musical autoral, meio beat meio banzo, é lançado em formato digital.
Tatiana Nascimento compôs a faixa Iodo+Now Frágil de Um corpo no mundo, disco de estreia de Luedji Luna.
Em 2018, publica na Revista Observatório Itaú Cultural, número 24, juntamente com Carlos Gomes, Consuelo Bassanesi, Denise Stoklos, Lucina Jiménez Lopéz, Chico Pelúcio, Guti Fraga, Ana Mae Barbosa, Alcione Araújo, Ricardo Dal Farra, Kiko Dinucci, Benjamim Taubkin, Maria Vlachou, German Ray, Claudio di Girólamo.
Poesia esboço, Brasília: Padê editorial, 2016 lundu, Brasília: Padê Editorial, 3ª edição, 2016 mil994, Brasília: Padê Editorial, 2018 07 notas sobre o apocalipse, ou, poemas para o fim do mundo, Garupa e Kza1 edições, 2019 Oriki de amor selvagem: todos os poemas de amor preto (ou quase), Brasília: Padê Editorial, 2020 Palavra Preta, Salvador: Organismo, 2021 Lunduzinho, trad. Natália Affonso (inglês), Nova Iorque: Ugly Duckling Press, 2022 um ebó di boca y otros [silêncios], São Paulo: Peirópolis, 2023 Abebe, Rio de Janeiro: Navezona, 2023 palabra, prieta, trad. Lucía Teninna (espanhol), Buenos Aires: Mandacaru, 2024
Conto Três tigres tortas, Rio de Janeiro: Amarcord (um selo da ed. Record), 2023
Romance Água de maré, Rio de Janeiro: Pallas, 2025
Ensaio
leve sua culpa branca pra terapia (ed. trilíngue), Brasília: Padê Editorial, 2019 um sopro de vida no meio da morte, Juiz de Fora: macondo editora, 2019 cuírlombismo literário: poesia negra lgbtqi desorbitando o paradigma da dor, n-1 edições, 2019 Mas como toda a opressão está conectada? in Patrícia Lessa, Dolores Galindo (orgs.), Relações multiespécies em rede: feminismos, animalismos e veganismo [online], Maringá: Eduem, 2017 leve sua culpa branca pra terapia, 2. ed, São Paulo: n-1, 2020 racismo visual, sadismo racial: quando (?) nossas mortes importam, São Paulo: n-1, 2020 privilégio branco: uma questão feminista (?), Brasília: Padê, 2022
Tradução Entre nós mesmas, poesia de Audre Lorde, Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020 Calamidades, ensaios de Renee Gladman, Rio de Janeiro: A Bolha, 2021 A vulva é uma ferida aberta e outros ensaios, ensaios de Gloria Anzaldua, Rio de Janeiro: A Bolha, 2021 Nossos mortos em nossas costas, poemas de Audre Lorde, Rio de Janeiro: A Bolha, 2021 Os diários do câncer, ensaios de Audre Lorde, Rio de Janeiro: Ginecosofia, 2024 Abdias, intérprete do Brasil, São Paulo: Todavia, 2025
Música "Meio beat meio banzo", online: spotify, 2025
Reconhecimentos Água de maré (romance) ganhou o Prêmio Pallas de literatura, 2024
Palavra Preta (poesia) foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria poesia, em 2022
Lundu foi selecionado pelo Projecto Nacional Leia Mulheres (Brasil), na categoria Melhores Livros de 2016. Em Dezembro de 2017 foi Livro do Mês na edição de Lendo Mulheres Negras, em Brasília, e no ano seguinte, em 2018, na edição de Salvador.
Os livros de poesia, lundu e mil994, aparecem como sendo uma referência em The Art of Brasília: 2000-2019, Springer International Publishing, de Sophia Beal, que tem retrato de Tatiana Nascimento na capa da primeira edição.
Ligações externas Tatiana Nascimento – Encontros de Interrogação organizados pelo Itaú Cultural em 2017 Elisa Lucinda e Tatiana Nascimento: O negro na literatura – Diálogos Ausentes organizados pelo Itaú Cultural em 2017 Tirando de Letra: Tatiana Nascimento no Canal de TV da Universidade de Brasília Meio beat meio banzo | calisto + lundu
Categoria:Poetas do Distrito Federal (Brasil) Categoria:Naturais de Brasília Categoria:Compositores do Distrito Federal (Brasil) Categoria:Cantores do Distrito Federal (Brasil) Categoria:Escritoras lésbicas Categoria:Escritores LGBT do Brasil Categoria:Lésbicas do Brasil Categoria:Poetas LGBT Categoria:Poetas do Brasil Categoria:Brasileiros de ascendência africana Categoria:Alunos da Universidade de Brasília