A Classe Tegetthoff, também chamada de Classe Viribus Unitis, foi uma classe de navios couraçados operados pela Marinha Austro-Húngara, composta pelo , , e . Suas construções começaram no início da década de 1910; os batimentos das quilhas das duas primeiras embarcações ocorreram em 1910, enquanto das últimas duas aconteceram em 1912. O Viribus Unitis, Tegetthoff e Prinz Eugen foram construídos pelos estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino em Trieste, enquanto Szent István foi construído pela Ganz-Danubius em Fiume, assim ambas as partes da monarquia dual da Áustria-Hungria se envolveram.

O Viribus Unitis foi comissionado na frota austro-húngara em dezembro de 1912, seguido pelo Tegetthoff em julho de 1913 e pelo Prinz Eugen em julho de 1914. Entretanto, os estaleiros da Ganz-Danubius eram muito menores do que aqueles da Stabilimento Tecnico Triestino, o que fez com que a construção do Szent István atrasasse muito, atraso este piorado pelo início da Primeira Guerra no final de julho de 1914, com o navio só sendo comissionado em dezembro de 1915. Isto foi muito tarde para que ele participasse do Bombardeio de Ancona, em que os outros três couraçados tomaram parte imediatamente depois da Itália ter declarado guerra contra a Áustria-Hungria em maio de 1915.

Com o início da guerra, todos os navios foram designados para integrarem a 1ª Divisão de Couraçados e ficaram estacionados na base naval de Pola. Os quatro, depois do ataque contra Ancona e o comissionamento do Szent István, tiveram poucas oportunidades de combate devido à Barragem de Otranto, que impediu que a frota de superfície da Marinha Austro-Húngara deixasse o Mar Adriático. Os astro-húngaros tentaram romper o bloqueio em junho de 1918 com um grande ataque que tinha o objetivo de garantir passagem segura para u-boots, porém a operação foi abandonada depois do Szent István ter sido afundado por uma lancha torpedeira italiana na manhã do dia 10 de junho.

Em outubro de 1918, com a Áustria-Hungria à beira da derrota, os navios foram transferidos para o recém declarado Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios para não serem tomados pelos Aliados. O Viribus Unitis foi renomeado para Jugoslavija, porém foi afundado por explosivos um dia depois. O Armistício de Villa Giusti de novembro de 1918 não reconheceu as transferências. Depois da assinatura do Tratado de Saint-Germain-en-Laye em setembro de 1919, o Prinz Eugen foi transferido para a França e afundado como alvo de tiro em 1922, enquanto o Tegetthoff foi entregue a Itália e desmontado entre 1924 e 1925. Os destroços do Viribus Unitis foram desmontados na década de 1920.

Antecedentes esquerda|thumb|260px|Mapa da Áustria-Hungria e Itália em 1911, com o Mar Adriático entre os dois A Liga Naval Austríaca foi estabelecida em setembro de 1904, enquanto no mês seguinte o vice-almirante conde Rudolf Montecuccoli foi nomeado para os cargos de Comandante da Marinha e Chefe da Seção Naval dentro do Ministério da Guerra. Com isso, a Marinha Austro-Húngara começou um programa de expansão naval que tinha a intenção de igualar a Áustria-Hungria com as outras grandes potências europeias. Montecuccoli imediatamente foi atrás dos mesmos esforços defendidos pelo almirante barão Hermann von Spaun, seu predecessor, e começou a fazer pressão por uma marinha expandida e modernizada.

Além dos próprios planos de Montecuccoli para a marinha, existiam outras motivações adicionais que levaram ao desenvolvimento da Classe Tegetthoff. Novas ferrovias tinham sido construídas entre 1906 e 1908 através dos passos alpinos, conectando Trieste e o litoral da Dalmácia com o resto do império. Impostos mais baixos no porto de Trieste ajudaram na expansão da cidade e também no crescimento similar da marinha mercante austro-húngara. Estas mudanças necessitaram o desenvolvimento de novos navios couraçados capazes de fazerem mais do que apenas defenderem o litoral da Áustria-Hungria.

Poderio naval, antes da virada do século, não tinha sido uma prioridade da política externa do império e a marinha atraia pouco interesse ou apoio público. Entretanto, a nomeação em setembro de 1902 do arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro e um grande proponente da expansão naval, para a posição de almirante aumentou muito a importância da marinha nos olhos do público e também dos parlamentos austríaco e húngaro. O interesse de Francisco Fernando vinha principalmente de sua crença de que uma marinha forte seria necessária para competir com a Itália, que ele enxergava como a maior ameaça regional da Áustria-Hungria.

Os couraçados da Classe Tegetthoff foram autorizados quando a Áustria-Hungria estava em uma corrida armamentista contra a Itália, que era, pelo menos nominalmente, sua aliada. A Marinha Real Italiana era considerada a potência naval mais importante da região, com a qual a Áustria-Hungria frequentemente se comparava desfavoravelmente. A disparidade entre as marinhas dos dois países já existia há décadas; no final da década de 1880, a Itália tinha a terceira maior frota naval do mundo, atrás apenas da Marinha Real Britânica e da Marinha Nacional Francesa. Essa disparidade foi um pouco equalizada pelo crescimento da Marinha Imperial Russa e da Marinha Imperial Alemã, que superaram a Marinha Real Italiana em 1893 e 1894, respectivamente, porém o equilíbrio começou a pender de volta em favor da Itália em meados de 1903, com os italianos reivindicando na época possuírem dezoito pré-dreadnoughts em serviço ou em construção, comparado a apenas seis couraçados austro-húngaros.

Os italianos, após os dois últimos couraçados da Classe Regina Elena, decidiram construir cruzadores blindados em vez de mais couraçados. Além disso, uma investigação governamental sobre um escândalo nos contratos de aço fez com que vários programas de construção naval fossem adiados por três anos. Isto significou que a Marinha Real Italiana só iria iniciar a construção de um novo couraçado em 1909, dando assim a oportunidade para a Áustria-Hungria abordar a disparidade entre as duas marinhas.

Corrida armamentista direita|thumb|220px|Rudolf Montecuccoli, defensor da modernização da frota austro-húngara A vantagem naval italiana parecia tão grande em 1903 que a dificuldade austro-húngara em alcançar a Marinha Real Italiana, muito menos superá-la, parecia quase impossível. Porém, os eventos mudaram, decorrência da revolução tecnológica criada pelo lançamento, em 1906, do britânico e pela corrida armamentista naval anglo-germânica que se seguiu. O valor de couraçados pré-dreadnoughts rapidamente caiu e as embarcações de diversas marinhas europeias ficaram obsoletas, dando uma oportunidade para a Áustria-Hungria compensar pela negligência naval do passado. Além disso, a situação financeira interna do país tinha melhorado depois do compromisso austro-húngaro de 1867 e Francisco Fernando e Montecuccoli estavam em boa posição para defenderem a construção de uma nova classe de couraçados modernos, criando consequentemente uma situação ideal para o surgimento da Classe Tegetthoff.

Montecuccoli esboçou, em 1905, uma primeira proposta para uma frota austro-húngara moderna. Ela consistiria em doze couraçados, quatro cruzadores blindados, oito cruzadores de reconhecimento, dezoito contratorpedeiros, 36 barcos torpedeiros de alto-mar e seis u-boots. Estes planos eram ambiciosos, mas não continham navios do tamanho da Classe Tegetthoff. Outras propostas vieram de fora do Setor Naval do Ministério da Guerra. Ivan Šusteršič, um político esloveno e grande proponente do trialismo, apresentou uma proposta ao Conselho Imperial em 1905 que pedia a construção de outros nove couraçados. A Liga Naval Austríaca também apresentou propostas para a construção de vários couraçados, peticionando à Seção Naval em março de 1909 pela construção de três couraçados de dezenove mil toneladas. A Liga justificou sua proposta afirmando que uma marinha forte seria necessária para proteger a crescente marinha mercante austro-húngara, além de que os gastos navais da Itália eram duas vezes maiores do que da Áustria-Hungria.

Depois da finalização da construção de todas as embarcações da Classe Radetzky, os últimos couraçados pré-dreadnought da Áustria-Hungria, Montecuccoli apresentou à Marinha Austro-Húngara sua primeira proposta para couraçados dreadnought. Ele aproveitou-se do apoio político para uma expansão naval, tanto na parte austríaca quanto na parte húngara do império, e também dos medos austríacos de uma guerra contra a Itália por causa da Crise Bósnia, até então em andamento, e enviou, em janeiro de 1909, um novo memorando ao imperador Francisco José I propondo uma marinha maior, que seria formada por dezesseis couraçados, doze cruzadores, 24 contratorpedeiros, 72 barcos torpedeiros de alto-mar e doze u-boots. Isto era uma versão modificada de seu plano original de 1905, porém desta vez incluía quatro couraçados extras de deslocamento de vinte mil toneladas. Estes navios tornariam-se a Classe Tegetthoff.

+Poderio naval da Itália e Áustria-Hungria em maio de 1909 Tipo Itália Áustria-Hungria Razão detonelagem Número Tonelagem Número Tonelagem Couraçados 10 (2 em construção) 124 112 t 9 (3 em construção) 73 863 t 1,7:1 Cruzadores blindados 8 (2 em construção) 59 869 t 3 18 992 t 3,1:1 Cruzadores protegidos 6 (1 em construção) 14 605 t 6 16 727 t 0,9:1 Barcos torpedeiros 6 3 110 t 6 2 730 t 1,1:1 Contratorpedeiros 17 (2 em construção) 5 698 t 8 (4 em construção) 3 200 t 1,8:1 Torpedeiros de alto-mar 8 (8 em construção) 5 936 t 17 (7 em construção) 3 400 t 1,7:1 Torpedeiros costeiros 59 5 254 t 28 (14 em construção) 2 410 t 2,1:1 Submarinos 7 (5 em construção) 1 155 t 2 (6 em construção) 474 t 2,4:1 Total 121 (20 em construção) 219 759 t 79 (34 em construção) 121 769 t 1,8:1

Propostas A Marinha Austro-Húngara enviou, em outubro de 1908, especificações dos couraçados da Classe Tegetthoff para os estaleiros da Stabilimento Tecnico Triestino em Trieste, que por sua vez contratou o arquiteto naval Siegfried Popper para produzir um projeto. Dois meses depois, a Seção Naval do Ministério da Guerra começou uma competição para o projeto dos navios, com o objetivo de possuir desenhos alternativos para aquele que estava sendo desenvolvido pela Stabilimento Tecnico Triestino.

Francisco José aprovou o plano de Montecuccoli em janeiro de 1909 e ele foi repassado e circulou pelos governos de Viena e Budapeste. Popper apresentou cinco desenhos pré-projetos em março. Estes eram, em essência, versões maiores da predecessora Classe Radetzky e não possuíam as torres de artilharia triplas que acabariam por ser instaladas na Classe Tegetthoff. Popper voltou com um novo conjunto de propostas em abril, chamadas de "Variante VIII", que incluía as torres triplas. O memorando de Montecuccoli foi parar nos jornais italianos no mesmo mês, causando histeria entre o público e os políticos italianos. A Marinha Real Italiana usou as notícias como justificativa para iniciarem um novo programa de construção de couraçados. Consequentemente, o Dante Alighieri teve sua construção iniciada em junho em Castellammare di Stabia.

Financiamento Crise orçamentária thumb|esquerda|200px|Primeira página do Arbeiter-Zeitung de 14 de abril de 1910, que revelou o acordo de construção para a Classe Tegetthoff O desenvolvimento do Dante Alighieri deixou a Marinha Austro-Húngara em uma situação precária. A construção do couraçado italiano ocorreu principalmente por causa do vazamento do memorando de Montecuccoli, enquanto a proposta para a construção dos quatro novos navios da Áustria-Hungria ainda estava nos estágios de planejamento. Complicando ainda mais a questão estava a queda do governo de Sándor Wekerle em Budapeste, que deixou a Dieta da Hungria sem um primeiro-ministro por quase um ano. Os esforços para conseguir financiamento para embarcações e consequentemente o início das construções foi paralisado sem um governo húngaro para aprovar um orçamento.