Folklore (estilizado em letras minúsculas) é o oitavo álbum de estúdio da artista musical estadunidense Taylor Swift, lançado em 24 de julho de 2020 através da editora discográfica Republic Records. A concepção de Folklore se deu no contexto da pandemia de COVID-19, quando Swift foi obrigada a entrar em quarentena, vindo a abortar os planos de embarcar em uma turnê mundial para promover seu disco anterior, Lover (2019), bem recebido comercial e criticamente. Nesse período, ela idealizou Folklore como "uma coleção de canções e histórias que fluíam como um fluxo de consciência de sua imaginação", dedicando-se a trabalhar virtualmente com os produtores musicais Aaron Dessner e Jack Antonoff. A cantora gravou os vocais do álbum em um estúdio embutido em sua residência em Los Angeles, enquanto Dessner e Antonoff trabalharam em Hudson Valley e Nova Iorque, respectivamente.

Musicalmente, Folklore marca uma nova direção para Swift, distanciando-se das sonoridades pop comerciais presentes nos últimos trabalhos dela, bem como do country que a acompanhou no início de sua carreira. Este, por sua vez, derivou-se de gêneros pouco explorados como indie folk e chamber pop, bem como foi influenciado por elementos de rock alternativo. Nesse sentido, por ter sido concebido durante um período de isolamento social, o disco manifesta liricamente uma narrativa vivida que canaliza escapismo, nostalgia, solidão e introspecção, opondo-se aos trabalhos anteriores da artista nos quais temas autobiográficos abundavam o escopo lírico. Em Folklore dá-se maior ênfase à retórica de terceira pessoa, culminando na entrega de histórias intensas e dramáticas ao longo das canções, que incluem personagens fictícios. O título da produção foi inspirado no legado duradouro da música folclórica, enquanto a estética visual reflete o cottagecore.

Após o lançamento, Folklore foi recebido positivamente por críticos musicais especializados, que destacaram as letras poéticas, o clima descontraído e o peso emocional, sendo apontado por muitos como o melhor álbum de Swift até então. Diversos especialistas consideram oportuna a essência introspetiva do disco, dado o contexto pandêmico, bem como apontaram a nova sonoridade como uma reinvenção ousada da arte da cantora. Dada a repercussão positiva, Folklore rendeu a ela uma série de prêmios, incluindo a vitória na categoria Álbum do Ano do Grammy Awards 2021, tornando-a a primeira artista feminina a vencer a categoria por três vezes. O álbum figurou em diversas listas e compilados sobre os melhores lançamentos do ano, a exemplo das revistas Billboard e Rolling Stone, que o elegeram como o melhor do ano. Comercialmente, Folklore também foi bem recebido, registrando recordes de streams e liderando as tabelas musicais de várias nações, comercializando, na semana de lançamento, 846 mil unidades nos Estados Unidos, o que lhe garantiu o topo da tabela Billboard 200, sendo o disco com maior número de vendas semanais entre qualquer outro naquele ano. Posteriormente, recebeu um certificado de platina dupla pela Recording Industry Association of America (RIAA), e foi o segundo mais adquirido ao redor do mundo em 2020.

De Folklore foram lançados três singles oficiais, "Cardigan", "Exile" e "Betty", nessa ordem. Os dois primeiros alcançaram boa receptividade nas paradas, com o lançamento inicial, "Cardigan", convertendo-se na sexta liderança de Swift na parada estadunidense Billboard Hot 100: estreando diretamente no topo. Na esteira da divulgação do álbum, em 25 de novembro de 2020, a cantora liberou exclusivamente no Disney+ o documentário Folklore: The Long Pond Studio Sessions, onde aparece cantando todas as 17 canções do álbum e discutindo o processo criativo por trás de cada uma delas. Retrospectivamente, Folklore tem sido considerado uma das grandes obras de arte surgidas em meio ao isolamento da pandemia e vários artistas musicais o citam como fonte de inspiração para seus trabalhos.

Antecedentes e desenvolvimento miniatura|200px|Swift realizando o ato Folklore na turnê Eras Tour (2023) em Inglewood, Califórnia. Em 23 de agosto de 2019, Taylor Swift liberou o seu oitavo álbum de estúdio, Lover. O projeto foi recebido positivamente pela crítica especializada, que elogiou as composições da artista por transmitirem maturidade emocional e evolução artística. Outros, contudo, negativaram a duração da obra, avaliando que continha um número "inconsistente" de músicas. Comercialmente, tornou-se um sucesso, sendo o álbum de estúdio mais vendido de 2019 e comercializando cinco milhões de unidades até o momento. Nos Estados Unidos, foi o sexto álbum de estúdio da artista a alcançar o topo da tabela Billboard 200 e o quarto de sua carreira a listar-se como o mais bem sucedido de um ano no país. Em apoio ao material, a cantora programou-se para embarcar em sua sexta turnê, a Lover Fest, em abril de 2020, que acabou sendo cancelada após o agravamento da pandemia de COVID-19. Nesse período, ela se colocou em quarentena, vindo a assistir a vários filmes — como Rear Window (1954), L.A. Confidential (1997), Pan's Labyrinth (2006), Jane Eyre (2011), Marriage Story (2019) —, e leu mais livros do que nunca, os quais "tratavam de tempos passados, um mundo que não existe mais", como Rebecca (1938), de Daphne du Maurier. As ficções a inspiraram a se aventurar além do estilo autobiográfico usual de composição que estava acostumada e experimentar diferentes pontos de vista narrativos.

"[O desenvolvimento] começou com imagens. Visuais que surgiram em minha mente e despertaram minha curiosidade. Estrelas desenhadas em torno de cicatrizes. [...] Navios de guerra afundando no oceano, para baixo. O balanço de uma árvore na mata durante minha infância. Tons incentivando a "fugirmos" mas que nunca concretizamos. [...] Uma bola de discoteca espelhada pairando sobre uma pista de dança. Uma garrafa de uísque acenando. Mãos seguradas através de plástico. Um único fio que, para o bem ou para o mal, amarra ao seu destino. Logo essas imagens em minha cabeça ganharam rostos ou nomes e se tornaram personagens. Eu me vi não apenas escrevendo minhas próprias histórias, mas também escrevendo sobre ou da perspectiva de pessoas que nunca conheci, pessoas que conheci ou aquelas que gostaria de nunca ter conhecido."

Isolada, ela deixou a imaginação "correr solta", o que resultou em um conjunto de imagens e visuais que consequentemente se tornaram Folklore. Em entrevista à revista Billboard, Swift relatou que o conceito do álbum iniciou-se "com fotos, elementos visuais que surgiram na minha cabeça e despertaram em mim criatividade e curiosidade". Acrescentando; "Despejei no disco todos os meus desejos, sonhos, medos e pensamentos. Compus e gravei a música me isolando, mas na verdade o fiz colaborando com vários companheiros de percurso". Algumas das imagens que a artista desenvolveu incluem: "Um homem exilado caminhando pelas falésias de uma terra que não é sua, imaginando como tudo deu tão terrivelmente errado. Um atormentador amargurado aparecendo no funeral de seu objeto caído de obsessão. Um jovem de dezessete anos de pé em uma varanda, aprendendo a se desculpar. Crianças apaixonadas vagando para cima e para baixo na perene High Line. Meu avô, Dean, desembarcando em Guadalcanal em 1942. Uma viúva desajustada se vingando da cidade que a expulsou".

Produção Em Folklore, as composições de Swift inclinaram-se para uma direção mais romântica e escapista. Ela recrutou dois produtores para alcançar o som que almejava; o colaborador de longa data Jack Antonoff — com quem já havia trabalhado em 1989 (2014), Reputation, e Lover —, e o colaborador estreante Aaron Dessner, guitarrista da banda estadunidense The National. Devido às precauções com o COVID-19, Swift, Antonoff e Dessner ficaram remotamente em quarentena, separados uns dos outros, criando músicas por meio da troca contínua de arquivos digitais de instrumentais e vocais. O álbum resultou de um processo conhecido como "faça você mesmo", sendo mixado e engenhado por uma equipe espalhada ao redor dos Estados Unidos. A cantora já havia conhecido o National assistindo um episódio do Saturday Night Live em 2014, e compareceu a um dos shows deles em 2019, onde conversou com Dessner e seu irmão gêmeo Bryce. Ela perguntou a Dessner sobre qual técnica de composição ele utilizava, justificando que é a "coisa que mais gosto de perguntar às pessoas de quem sou fã", que respondeu explicando que como os membros de sua banda viviam em diferentes partes do mundo, ele fazia faixas instrumentais e depois as enviava para o vocalista, Matt Berninger, que escrevia as letras — isso deu em Swift a inspiração de criar música durante a quarentena.

Devido à pandemia, todos os estúdios de gravação tiveram que ser fechados, a cantora então construiu um estúdio dentro da residência em que vivia, em Los Angeles, denominado Kitty Committee, com ajuda da engenheira de som Laura Sisk. Antonoff, com quem Swift trabalhou em cinco canções do álbum, operava na cidade de Nova Iorque enquanto Sisk gravava os vocais dela em Los Angeles. "My Tears Ricochet" foi a primeira música escrita para o projeto. A artista escreveu sobre a relação que tinha com Scott Borchetta, fundador de sua antiga gravadora, com quem rompeu de forma não amigável. Antonoff comparou o processo de composição de "Mirrorball" e "August" ao de "Out of the Woods" (2016). Ela escreveu "Mirrorball" após o cancelamento da Lover Fest, como uma ode aos fãs que encontram consolo em suas músicas e shows.

"August" foi composta pensando em um namorado fictício e "This Is Me Trying" com base em várias narrativas, como lidar com o vício e na própria saúde mental entre 2016 e 2017, quando sentia-se valendo "absolutamente nada". No final de abril, Swift abordou Dessner para compor remotamente. Ele trabalhou em onze das 16 faixas do álbum nos meses seguintes. O músico "achou que demoraria um pouco para que as ideias de canções começassem a surgir" e "não tinha expectativas quanto ao que poderíamos realizar remotamente", mas ficou surpreso que "algumas horas depois de compartilhar a faixa, meu telefone acendeu com um memorando de voz de Taylor apresentando-a completamente finalizada — o ímpeto nunca parou realmente". A cantora e Dessner "estiveram em contato praticamente diariamente por três ou quatro meses por meio de mensagens de texto e telefonemas". Ele enviaria a ela pastas contendo instrumentais, enquanto a mesma escrevia "toda a primeira linha" — melodia e letra, e "ele não saberia sobre o que seria a música, como se chamaria, onde [ela] iria encaixar o refrão". A primeira a ser escrita pela dupla foi "Cardigan", que é baseada em um dos esboços de Dessner chamado "Maple". "Cardigan" foi seguido por "Seven" e "Peace". Ao ouvir a composição de "Peace", Swift sentiu uma "sensação imediata de serenidade" que a despertou a sensação de estar em paz, mas sentiu que seria "muito óbvio" cantar sobre sentimentos positivos; em vez disso, alterou suas linhas para que abordassem sentimentos "conflituosos" contrastando com o som calmante, e a gravou em uma tomada vocal.