A Cardinal foi uma caravela portuguesa do início do , que foi capturada pela frota inglesa perto da costa da Gasconha em 1225.

História Em 1225, aquando o bloqueio inglês da costa da Gasconha, a frota inglesa impediu a saída de qualquer navio dos portos franceses. A caravela Cardinal, carregada de sebo e óleo e iniciando a viagem de regresso a Portugal, proveniente de Bordéus, foi interceptada pelo navio inglês Queen e foi capturada. A Cardinal foi posteriormente transferida para a frota inglesa e mudou de nome, nunca mais havendo registo do seu paradeiro nem da coga Queen.Matth, Paris. Hist. Major, ed. 1640 - p.833,1,5,ann. 1252

A 12 de Dezembro de 1225, Henrique III de Inglaterra emite uma carta a Richard Renger, mayor (presidente do município) de Londres sobre a captura da caravela Cardinal. Pretende-se dar uma compensação monetária a dois académicos portugueses que estudavam, na altura, na Universidade de Paris, visto que os seus familiares tinham enviado dinheiro e bens através da caravela no valor de 40 marcos ingleses.

Características Nada se sabe sobre as características físicas desta embarcação. No entanto, pode-se afirmar que a embarcação tratava-se de uma caravela (e não uma coga) pois possuía características de uma caravela do .

As primeiras caravelas de que temos documentação aparecem em Itália como embarcações de serviço a navios de grande porte, em 1159.Furio Ciciliot, op. cit., p. 139-141. Em Portugal são referidas em 1255, no foral de Vila Nova de Gaia.Martin Malcolm Elbl, “The Portuguese Caravel and European Shipbuilding: Phases of Development and Diversity” in Revista da Universidade de Coimbra (1985) 33, p. 546, citando Francisque Michel, "Histoire du commerce et de la navigacion à de Bordeaux." 2 Vols. Bordeaux: J. Delmas 1867-70, Vol. 1, p. 153. No início do , o termo "caravela" estava associado a uma embarcação idêntica às embarcações muçulmanas algarvias e magrebinas, de dimensões reduzidas, com equipamento feito para anteder às condições da navegação no Atlântico. Em relação à caravela do sabe-se, a partir do foral de Vila Nova de Gaia, que essas caravelas eram pequenas e de capacidade limitada. Durante esse período, o seu uso era muito limitado, servindo de barco de pesca e transporte de mercadorias em zonas costeiras e zonas fluviais. Elbl 1985, 545. Visto que o seu calado era curto e a boca bastante pequena indica a sua utilidade como um navio de uso ao longo das costas do Atlântico e do Mediterrâneo. No entanto, também é concebível que esses navios tenham sido empregados para o comércio.

Como muitos navios durante esse período foram semelhantes à caravela em tamanho e aparência, uma comparação provisória pode ser feita com outros navios em relação às proporções de tonelagem e quilha/viga. d'Albertis 1892, 41; Elbl 1985, 549. Tradução deste autor. Através dos registos datados de 1307 da área da Biscaia, são mencionadas pequenas caravelas com tripulações de nove homens cada. Essas taxas de tripulação representam navios de 18 a 20 tonéis portugueses .Azevedo 1934; Elbl 1985, 548. Em 1901, Charles Dixon - um pintor marítimo britânico do final do e início do XX - pintou o confronto entre a coga inglesa Queen e a caravela Cardinal. No entanto, é importante salientar as grandes imprecisões da pintura. O navio português apresentado na pintura é uma coga, ao invés de uma caravela mediterrânica. A bandeira da popa é uma liberdade artística, visto que apresenta o distintivo pessoal do ministro da Marinha previsto para uso nos navios da Armada Portuguesa no final da monarquia. Também a vela do mastro apresenta o brasão de armas português em uso após o .

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