Ingrid Jonker (19 Setembro 1933 - 19 Julho 1965) (OIS), era uma poetisa sul-africana. Embora escrevesse em Afrikaans, os seus poemas foram amplamente traduzidos para outras línguas.
Durante as décadas de 1950 e 1960, que assistiram à aplicação draconiana das leis do Apartheid e à escalada da violência entre as forças de segurança do governo e o uMkhonto we Sizwe, a ala paramilitar do Congresso Nacional Africano, Jonker associou-se à boemia literária racialmente mista da Cidade do Cabo. Tanto nos seus poemas quanto nas entrevistas em jornais, Jonker era muito vocal na denúncia às políticas raciais do governo sul-africano e uma crescente censura à literatura. Isto levou-a a um conflito aberto com o pai, membro do Parlamento do Partido Nacional no poder. Juntando a isso, a turbulenta vida amorosa de Jonker fez com que a própria boemia literária da Cidade do Cabo a sujeitasse ao ostracismo, levando-a à depressão e ao suicídio. Apesar disso, Jonker alcançou um status icónico na África do Sul pós-Apartheid e é comparada a Sylvia Plath e Marilyn Monroe.
Origens da família Em ambos lados da família, os ancestrais de Ingrid Jonker tinham vivido na África do Sul durante séculos. O antepassado do pai, Adolph Jonker, era filho de um proprietário duma quinta de Macassar, nas Índias Orientais Holandesas, e emigrou para a Colónia do Cabo durante o início do século XVIII. Adolph Jonker era professor e diretor da congregação Holandesa Reformada do Drakenstein. Em 1740, casou-se com Maria Petronella Langeveld, filha de Jacobus Langveld e uma mulher desconhecida do Cabo.Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 21.
O pai de Ingrid, Abraham Jonker (1905-1966), nasceu a 22 Abril 1905 na quinta de Kalkfontein, no distrito de Boshoff, antigo Estado Livre de Orange. Em 1910, a irmã mais velha de Abraham afogou-se no rio Vaal.
Após completar a escola secundária em 1922,Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 20. Ingrid Jonker estudou na Universidade de Stellenbosch entre 1923 e 1930. Obteve um bacharelado, com especialização em grego antigo e holandês e em teologia. Os estudos teológicos de Jonker eram, no entanto, mais do desejo de agradar aos pais do que qualquer interesse real.Viljoen (2012), pages 27-28. Em 1928, Jonker recebeu o diploma de candidato teológico com honras.
De acordo com um artigo em dezembro de 1966 de Jack Cope na London Magazine, a mãe de Ingrid, "Beatrice Cilliers, veio de uma antiga família huguenote, com gerações de grandes intelectuais".Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 24.
Embora os antepassados da família Cilliers tivessem deixado a França para continuar a sua religião calvinista, os avós de Ingrid tinham, de acordo com a historiadora Louise Viljoen, em relação à Igreja Reformada Holandesa na África do Sul uma atitude "não convencional para a época e a comunidade às quais eles pertenciam".Viljoen (2012), page 18.
Beatrice Catharina Cilliers (1905-1944), filha de "Swart Fanie" e Anna Cilliers, conheceu Abraham Jonker enquanto estudante de música na Universidade de Stellenbosch e casaram-se em 1930.Viljoen (2012), page 27.
Após o casamento, Abraham Jonker trabalhou como organizador de viagens no Partido Nacional antes de se tornar jornalista na Cidade do Cabo para publicações como Burger, Dir Huisgenoot, Jongspan e Suiderstern . Jonker obteve um doutorado com honras emliteratura Afrikaans. Criou a sua própria revista bilíngue, Die Monitor, que ele próprio vendia, para como ele afirmou, se dedicar ao jornalismo e à literatura.Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, pages 20-21.
Em 1933, Abraham e Beatrice Jonker faziam parte dum círculo de intelectuais da Cidade do Cabo que "aderiam às antigas tradições do Cabo discutimdo questões culturais, políticas e sociais". Gladstone Louw descreveu mais tarde, "o escritor e jornalista Abraham Jonker", como "inteligente, mas intratável e frustrado".Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 23.
W.A. de Klerk referiu mais tarde: “Direi que a incapacidade de Ingrid ser feliz a nível pessoal originou no próprio ambiente familiar disfuncional. O pai não era um homem fácil. Era de facto violento. . . a minha esposa lembra-se das noites em que a mãe de Ingrid fugia de casa com a Annatije ainda uma bebé."Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 25.
Vida inicial Ingrid Jonker nasceu na quinta do avô materno perto de Douglas, Northern Cape, aos 19 de Setembro 1933. Pouco antes da nascença, Beatrice, a mãe de Ingrid com a filha Anna, tinha deixado Abraham Jonker no subúrbio de Vredehoek, na Cidade do Cabo.Louise Viljoen (2012), Ingrid Jonker: Poet under Apartheid, Ohio University Press. Page 16.
Beatrice e Anna Jonker foram viver para a quinta dos pais de Beatrice, "Swart Fanie" e Anna Cilliers.
Segundo Louise Viljoen, "Beatrice rejeita rejeitou por carta o pedido de Abraham para ela voltar".
A infância de Ingrid e Anna foi passada em pequenas quintas do avô.
Ingrid escreveu mais tarde: "Na época, o meu pai não frz parte da família e o meu avô Fanie Cilliers, apesar de paralisado e de cama durante 15 anos, tinha um humor contagiante e era a pessoa mais vivaz que eu já conheci, governava a casa duma maneira exuberante.” Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 19.
Anna lembrava-se ainda: "Ingrid sempre foi a menina da Ouma (avó). Ouma Annie Retief, a bela Annie de Paarl, uma mulher esbelta e fina, com olhos verdes que muitas vezes brilhavam, mas às vezes podiam tornar-se severos. "
Os avós de Jonker mudaram-se então para Durbanville.
Enquanto pequenas, Ingrid e Anna frequentavam os parentes ricos da avó, que eram proprietários de vinhas em Paarl. Anna lembrou mais tarde: "Frequentemente visitávamos a família em Paarl. As pessoas mais velhas que conhecíamos eram a mãe e a tia da Ouma, e viviam em Hillside, em Paarl. Ficávamos boquiabertas com a grandeza da casa e como tudo era impecavelmente limpo. Dáva-nos a impressão de ter que lavar as mãos constantemente mesmo quando só presenteavam com comida deliciosa ou biscoitos finos. A bisavó queria que as meninas se tornassem senhorinhas a sério. Sentávamo-nos em pufes com os tornozelos cruzados, tentando não nos rir do nome estranho do assento, enquanto elas muito solenes desenvolviam assim laços familiares. "
Anna também se lembrou do pai um dia: "Abraham vei-nos ver a Durbanville, mas a minha mãe ficou tão perturbada ao vê-lo que o Oupa lhe disse para se manter afastado. Os rumores começaram então em Stellenbosch. A Ingrid nunca soube disso."Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 26.
Ingrid escreveu mais tarde: "A casa que lembro é a de Durbanville, onde morámos até aos meus cinco anos. Nunca me esqueço do meu avô aos risos a dizer-me para pedalar no triciclo tão depressa até eu cair - e a minha avó a tentar acalmar-nos. 'Ó Fanie, tu ainda por cima a incentivas? E ela já tem o diabo no corpo.’
Em 1938, morreu o avô Fanie Cilliers, deixando as quatro mulheres paupérrimas. Ingrid mais tarde recordava: “Uma manhã, quando acordei, a minha irmã veio ao pé de mim e disse: 'Olha sabes? O Oupa morreu. O quarto dele está cheio de coroas de flores.” A Ouma revelou-me uma coisa anos depois: 'Babs' (era assim que me chamavam) 'na noite em que o avô morreu, ele chamou-me e disse:' Annie, amo-te muito, porque carregaste os meus fardos. '"
Anna relatou mais tarde: "A Ingrid e eu não percebemos o quanto éramos pobres. Sabíamos que a Ouma tinha pouco dinheiro e que os dois filhos, AC Cilliers, da Universidade de Stellenbosch, e o tio Jacob, o advogado de Boksburg, enviavam dinheiro todos os meses. O meu pai também enviava umas libras por mês e, mais tarde, Ouma recebia a pensão - dezessete libras por mês, lembro-me bem. A mamã ficava de cama durante longos períodos, mas às vezes lá trabalhava. Uma vez ela trabalhou na SABC e nós gozáva-mos com ela porque ela gostava tanto do Gideon Roos."Petrovna Metelerkamp (2012),Ingrid Jonker: A Poet's Life, page 27.
De acordo com Viljoen, "a mãe e a avó davam-lhes mais liberdade e mobilidade do o usual na época. Durante a morada em Gordon Bay, as duas raparigas costumavam brincar num pinhal a caminho da escola, e sentavam-se a lêr livros. Uma vez eles ficaram ausentes da escola por tanto tempo que o professor pensava que a família se tinha mudado novamente. Aqui, elas podiam ter pequenos animais e continuar a explorar o veld e a praia. Colhiam frutos de plantas do veld, apanhavam marisco das piscinas naturais, brincavam com girinos no ribeiro atrás da casa e enterravam pequenos objetos chamados 'segredos' no chão. Não é de surpreender que a Baía de Gordon (Gordon Bay) fosse um dos espaços que mais tarde ganhariam importância simbólica na poesia de Ingrid."Viljoen (2012), pages 20-21.
Mais tarde, Anna relembrou da mãe: "Ela amava o nosso pai e nunca falou mal dele, mas não o queria ver. Uma vez encontrámo-la à janela, a puxar um pedaço de cordel e a repetir a mesma coisa: ‘Lá vem o Aben. Lá vem Aben. Foi internada no hospital psiquiátrico de Valkenberg e submeteram-na a uma cura de sono. Só me lembro dos olhos enormes e espantados da Ingrid no dia que de repente a mamã já não estava connosco. Mas como sempre, aIngrid não disse nada, com ela tudo ficava dentro."
O trauma desta experiência afetou Ingrid profundamente estreitou a relação com a avó, a única pessoa com quem falava sobre isto.
Pouco após o colapso mental, Beatrice Jonker foi diagnosticada com cancro.
Enquanto ela estava a morrer, Ingrid e Anna visitavam a mãe tanto quanto possível. Contavam-lhe as histórias delas com rapazes, coisa que não ousavam fazer com a avó muito religiosa. Beatrice Jonker morreu de cancro em 6 de Agosto 1944.Viljoen (2012), pages 21-22.
Ingrid escreveu: "My moeder, sterwend, was so sonnig soos ‘n liewenheersbesie, so geheime, so verassend, so teer". ("Minha mãe, ao morrer, era uma joaninha ensolarada, tão cheia de segredos, tão surpreendente, tão tenra". ) Viljoen (2012), page 23.
Poetisa Ingrid Jonker começou a escrever poemas aos seis anos de idade e, aos dezesseis anos, submeteu a primeira coleção de poemas, Na die somer ("Depois do verão") à Nasionale Boekhandel. A editora não aceitou, mas o editor da empresa, DJ Opperman, convidou Ingrid para vir e discutir os poemas com ele. Opperman era um dos principais poetas do seu tempo e foi uma figura extremamente influente na literatura africâner. Ingrid sentiu-se muito intimidada quando foi vê-lo. Ficou no entanto animada por Opperman a levar a sério e lhe dar bons conselhos. Em duas ocasiões, em 1951, novamente enviou-lhe mais poemas que Opperman comentou e a encorajou a enviar mais.Viljoen (2012), page 30.
Ela continuou a enviar poemas para revistas populares como Die Huisgenoot, Naweekpos e Rooi Rose, além do jornal literário Standpunte. Ao fazê-lo, a sua poesia tornou-se mais sofisticada e polida. Ela também teve aulas de escultura, elocução e atuação.Viljoen (2012), page 33.
A sua primeira publicação, Ontvlugting ("Fuga"), materializou-se em 1956.
Dissidente O seu pai, outro escritor, editor e membro do Partido Nacional do Parlamento, foi nomeado presidente do comité parlamentar responsável pelas leis de censura na arte, publicações e entretenimento. Para grande embaraço de Abraham Jonker, a própria filha opôs-se fortemente às leis de censura sob a sua responsabilidade, e estas diferenças políticas tornaram-se domínio público. Com um discurso no parlamento, ele a deserdou como filha.
A depressão causada pela rejeição do pai e um aborto, levaram Ingrid a internamento no Hospital Psiquiátrico Valkenberg em 1961.
Depois disso, Ingrid Jonker ficou conhecida como um dos Die Sestigers, um grupo que também incluía Breyten Breytenbach, André Brink, Adam Small e Bartho Smit, todos militantes na oposição contra o extremo nacionalismo afrikaner do Partido Nacional no poder.